sexta-feira, 1 de junho de 2012
As crianças do "Arco Íris" no seu Dia Mundial
1 de Junho de 2012, mais uma vez as crianças são festejadas no seu dia.
D. Francisco Lerma, acompanhado pelo Pe. Francisco Cunlela, Vigário Geral da Diocese, e pelo Pe. Manuel Nassuruma, Secretário, visitou e almoçou com as crianças do Lar "Arco Íris", na cidade de Gurúè, sede da Diocese.
São órfãos ou abandonados que aqui encontram uma família formada pelas leigas consagradas da Família "Mãe do Redentor", uma comunidade de consagradas que está a surgir, sob a inspiração da ir. Açucena e das irmãs Eugénia e Adelina.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Crónica Diocesana
| Os semianristas do Seminário Diocesano de S. José no dia da inauguração oficial com D. Francisco Lerma e D. Manuel Chuanguira |
29.04.2012: Domingo do bom Pastor.Dia Mundial das Vocações. O Sr. bispo presidiu à Eucaristia na Catedral. Na parte da tarde, na Capela da Casa Diocesana orientou a Hora Santa pelas Vocações com os seminaristas do Seminário Diocesano S. José.
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| Os seminaristas do Seminário Diocesano de S. José |
04.05.2012. A Madre Geral e a Delegada da Região de Angola - Moçambique, das Irmãs do Instituto Jesus Maria e José visitaram o Sr. Bispo. As Irmãs de Jesus Maria e José trabalham na Paróquia de N. S. de Fátima de Ile.
06.05.2012. Uma delegação Diocesana composta pelo Sr. Bispo, Pe. F. Cunlela, Vigário Geral, pela Ir, Torica, do secretariado de Pastoral e pelo Sr. Hilário, participou no Jubileu dos 50 Anos da Fundação da Diocese de Tete.
08.05.2012. O Superior Geral, o Superior Provincial da Índia e o Superior Provincial do Brasil dos Missionários Claretianos visitaram o Sr. Bispo. Os Padres Claretianos trabalham nas Paróquias de N.S. da Anunciação de Gilé e de S. Pedro Claver de Muiane. Actualmente são 5 Padres Claretianos que trabalham na nossa Diocese.
12.05.2012. Um grupo de 7 jovens do Movimento Carismático encontraram-se com o Sr. Bispo para lhe informar do andamento da fundação do referido Movimento na Diocese. Actualmente conta com dois grupos, em Alto Molócue e em Gurúè.
12 e 13.05.2013: !ª Peregrinação Diocesana com motivo do 13 de Maio à Igreja de N. S. de Fátima de Muliquela, sede da Pároquia e primeira Igreja dedicada a Nossa Senhora na Diocese.
| D. Francisco e D. Manuel com os Padres concelebrantes no dia 13 de Maio em Muliquela |
17-05.2012. O Sr. Bispo trabalhou com a Comissão pre - Capitular das Irmãs da Imaculada Conceição de Lichinga, formada pela Madre Geral e pelas Irmãs Rebeca e Lúcia, acompanhadas pela Irmã Dalmázia Colombo, das Missionárias da Consolata como assessora, em preparação do próximo capítulo Geral da referida Congregação.
20.05.2012. O Sr. Bispo celebrou na sede da Paróquia de N.S. da Conceição de Invinha com a comunidade local.
21.05.2012. O Sr. Bispo recebeu a visita do Director Regional da Zona Centro do Banco Millennium Bim, acompanhado pelo Gerente da delegação local.
26.05.2012. Reunião da Comissão Diocesana para Assuntos Económicos e Projectos.
Foi analisada a situação económica da Diocese durante os meses de Abril e de Maio, o andamento do orçamento deste ano, a manutenção do Seminário diocesano S. José, a entrega por parte das paróquias da Contribuição Diocesana deste Ano e a situação dos Projectos que se estão realizando, nomeadamente: a Casa Diocesana, a Casa das Irmãs em Namarroi, a Casa Paroquial de ILE, a reabilitação da Casa Paroquial e da Igreja de Mualama, a Casa Paroquial de Naburi, a Casa para a Rádio e Secretariado de Pastoral em Invinha, o Projecto da Rádio Diocesana e o Projecto da Universidade Católica.
27.05.2012. O Sr. Bispo, junto com o Pe. Francisco Cunlela,Vigário Geral e o Pe. José Pedro Vasco, presidiu na Paróquia de N. S. de Fátima à Eucaristia na sede da Paróquia com a comunidade local.
| A Igreja Paroquial de N. S. de Fátima do Alto Molócuè |
Também aproveitou a oportunidade para inteirar-se do andamento das obras da construção da nova Igreja Paroquial e do Salão polivalente, na sede da paróquia. Para tal fim reuniu com a Comissão de Assuntos económicos e Obras da Paróquia.
| A construção da nova Igreja Paroquial de N. S. de Fátima do Alto Molócuè |
O Sr. Administrador do Distrito de Molócuè encontrou-se com o Sr. Bispo para tratar alguns assuntos de interesse comum.
| Saudação do Sr. Administrador Distrital de Molócuè e sua esposa |
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Profanada a imagem da "Santinha"
| A imagem de N. S. de Fátima destruída e a pedra usada por quem causou a destruição |
| A gruta da "Santinha". A imagem de N. S. de Fátima estava colocada na parte superior. |
D. Francisco, acompanhado pelo Pe. Manuel Nassuruma, Secretário da Diocese, e pelo o Pe. Luciano Cominotti, Administrador Diocesano e por dois jovens da comunidade local,logo a seguir, nesta mesma tarde, foram até à "Santinha" e constaram a veracidade dos factos.
| O nome do lugar "Santinha" pintado sobre a rocha |
Devotadamente, rezaram um "Ave- Maria", em desagravo pela profanação, pelo bom entendimento e pela paz religiosas e civil, que sempre caracterizou o relacionamento entre os cidadãos da Alta Zambézia. Nunca foi motivo de lutas ou desentendimento a questão religiosa. Este lugar da "Santinha" foi sempre um lugar "ecuménico", abeto a todos, espaço de oração, de descanso, de sossego e de lazer para os cidadãos de Gurúè, sem distinção de credo, de condição social ou de quaisquer outro classe de discriminação.
| A água a correr pelas rochas da "Santinha", ao lado da gruta. |
Ao regresso à cidade, D. Francisco foi até ao Comando da Polícia onde apreciou os danos causados à imagem e a pedra usada por quem praticou o lamentável facto.
| Pormenor dos destroços da imagem de N. S. de Fátima, recolhidos pela Polícia no próprio lugar dos factos. |
quarta-feira, 23 de maio de 2012
"Partilha de bens". Carta Pastoral de D. Francisco Lerma
Carta Pastoral
“Partilha de bens”
A sustentabilidade económica e cristã na Diocese de Gurúè
Caríssimos Diocesanos
1. O tema da economia, tão debatido em todo o lado, pelos governos,
instituições públicas e privadas e nas famílias, para nós, discípulos de Jesus
Ressuscitado, para além dos seus aspectos técnicos, deve ser iluminado pela luz
do Evangelho, pelo testemunho que nos deixaram as primeiras comunidades cristã
e não só. Eis o que os primeiros cristãos nos transmitiram:
A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só
alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum. Com
grande poder, os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e
uma grande graça operava em todos eles. Entre eles não havia ninguém
necessitado, pois todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, traziam o
produto da venda e depositavam-no aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se, então,
a cada um conforme a necessidade que tivesse (Act 4,33 - 35).
2.Os Bispos
e os cristãos da Igreja em Moçambique, motivados com renovado empenho pelas
três Assembleias Nacionais de Pastoral dos últimos 35 anos (I ANP, Beira 1977;
II ANP, Matola 1991; III ANP, Matola 2005), queremos partilhar de facto o que a
Providência põe nas nossas mãos e, ao mesmo tempo, sentimo-nos fortemente
comprometidos e decididos a favorecer o processo de autonomia económica das
Comunidades, das Paroquias e das Dioceses.
3.Nesta
linha de procura da autonomia económica, é fundamental o contributo de cada
padre, religioso, religiosa, animadores e de todos os cristãos, sobretudo
sentindo-se comprometidos em primeira pessoa no esforço por encontrar fontes de
receitas para as próprias actividades pastorais, acabando com a ideia de que:
“… a
Diocese tem que fazer tudo pois ela é rica, recebe dinheiro de Roma e tem que
pagar o meu trabalho”.
Este modo
de considerar a problemática económica da nossa Igreja tem que ser afastado
totalmente da nossa maneira de pensar, como se a Igreja (Diocese, Paróquias,
comunidades…) fosse uma coisa e os baptizados (padres, irmãs, animadores,
cristãos) outra.
4.A II Assembleia Nacional de Pastoral
(Matola 1991) analisou profundamente as causas desta situação de dependência
quase absoluta do exterior, e indicou orientações comuns rumo à consolidação da
Igreja local, com a auto -
sustentabilidade local:
“É, portanto, urgente que as Igrejas particulares de África se
proponham o objectivo de chegar quanto antes a prover às suas necessidades,
assegurando desse modo a sua auto-suficiência”(Cfr. II Assembleia Nacional de Pastoral, nn.36-41).
5.Acabou o tempo das
“calamidades” e do período que lhe seguiu ainda muito forte hoje dos
“projectos”, sem os quais nada ou quase nada é feito. Mantinha-se e ainda se mantém
uma dependência muito acentuada dos projectos financiados do exterior. Para
qualquer coisa que se deseja fazer ou se projecta, continuamos a depender da
boa vontade do financiamento exterior e do pouco ou quase inexistente das
nossas próprias forças. Nas três últimas décadas, a Igreja em Moçambique vem-se
debruçando constantemente sobre esta realidade para melhor compreender e
assimilar a responsabilidade de cada cristão de prover as necessidades da vida
da Igreja, das suas actividades e demais subsídios necessários à evangelização.
6.A situação de pobreza
absoluta que afecta a maioria da nossa população e a nós próprios, afecta
também a nossa Igreja, pois ela está inserida no nosso meio. A Igreja já deitou
raízes no nosso povo, nós próprios somos a Igreja. Este problema está também
unido à promoção humana, pois a Igreja sempre desenvolveu a sua missão
evangelizadora paralelamente com a promoção humana. Na fidelidade aos
ensinamentos e ao exemplo de seu Mestre, a Igreja sempre se preocupou com as necessidades
básicas do homem:
“Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber,
era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e
visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25, 35-36).
7.Torna-se
difícil corrigir a mentalidade paternalista e assistencialista como em grande
parte dos casos era feita a pastoral e demais actividades da Igreja. De facto,
tal maneira de agir criou nos cristãos um mal-entendido sobre o potencial
económico dos Padres, das Missões, da Igreja e sobre a sua nula
responsabilidade neste sector tão importante para consolidar a Igreja local.
Muitos pensam ainda hoje erradamente:
“A Igreja é rica! A Igreja é que deve dar e não o crente até porque a
esmagadora maioria das pessoas é pobre!” (III Assembleia Nacional de Pastoral, nº 116).
8.Não
devemos esperar sermos ricos para contribuirmos para as despesas da nossa
família. A Igreja somos nós e cada um contribui livremente e segundo as suas
possibilidades para com as necessidades dos seus irmãos e da sua Igreja. O
exemplo da viúva pobre do Evangelho que ofereceu no Templo apenas umas pequenas
moedas foi elogiado pelo próprio Jesus. Os ricos dificilmente olham para o
pobre nem para as necessidades da Igreja. Eles olham para os seus próprios
interesses:
“Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão
deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. Mas veio uma viúva pobre e deitou
duas moedinhas, uns tostões. Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos
digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; porque
todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto
possuía, todo o seu sustento.» (Mc 12, 41-44)
9.Na última sessão do Conselho
Presbiteral (04.04.2012) e, posteriormente, na reunião mensal da Comissão
Diocesana para os Assuntos Económicos, foi feita uma revisão trimestral do Orçamento Geral da Diocese (OGD 2012)
para a distribuição dos subsídios mensais e demais despesas diocesanas
(Subsídios para os Padres e as Paróquias, Seminários, Secretariado de Pastoral,
Casa Diocesana, carros, etc.). Os bens de que dispomos e distribuímos são dons
da Providência provenientes da contribuição dos cristãos e do subsídio
ordinário de Propaganda Fide. Não há neste momento mais outras fontes de
receita. Os subsídios para os projectos estão totalmente sujeitos aos
respectivos Projecto (Ver o Anexo: ORÇAMENTO PARA O ANO DE 2012).
10.Convido-vos a fazer uma
reflexão séria sobre a economia diocesana, apresentando a situação da nossa Diocese
e indicando algumas orientações para o futuro em consonância com as ORIENTAÇÕES
DIOCESANAS ACTUALIZADAS, fruto da VI ASSEMBLEIA DIOCESANA DE PASTORAL.
11.Acredito profundamente que o
que se distribui pelas paróquias é o que nos vem da Providência: isto é, o
subsídio ordinário de PROPAGANDA FIDE, algumas ofertas que vão aparecendo uma
ou outra vez, mas muito raramente, a Contribuição Diocesana Anual dos próprios
cristãos e o que oferecem pela celebração dos sacramentos e das visitas
pastorais. Certamente este é o espírito com o qual devemos receber estes
subsídios e os subsídios dos Projectos, destinados aos pobres, às nossas
actividades pastorais e ao nosso próprio sustentamento. O que a Providência nos
dá deve ser distribuído no espírito da economia de comunhão das primeiras
comunidades cristãs.
12.Todos sabemos que a crise
económica mundial reduziu dramaticamente as somas dos subsídios que a Propaganda Fide e os demais benfeitores
(Missio, Kirche in Not, Manos Unidas,
Mãos Unidas, etc.) podem distribuir de facto. Esta situação se, por um lado,
é desagradável e nos cria sérios problemas sem solução imediata, por outro lado
obriga-nos a começar ou a intensificar com maior urgência a economia sustentável a partir
de bases locais.
13.Durante as duas décadas de
vida da nossa Diocese, os subsídios distribuídos (ordinários e extraordinários)
se, por uma parte, foram uma ajuda válida para o crescimento das nossas
paróquias e de toda a Diocese no seu conjunto; por outra parte, não favoreceu o
estudo e a procura em como criar fontes de economia locais para o sustento da
Igreja e das obras da Evangelização, isto é, a formação dos agentes da
pastoral, a vida das comunidades e das Paróquias, os Seminários, os Noviciados,
o clero diocesano, os meios de transporte, a reabilitação e manutenção dos
edifícios (casas paroquias, igrejas e capelas), publicações de livros e demais
actividades pastorais. Tudo ou quase dependeu e depende ainda hoje dos
Projectos.
Autonomia económica
14.O Bispo
e todos os cristãos da nossa Igreja Diocesana, motivados com renovado empenho
desde a VI Assembleia Diocesana de
Pastoral (Março 2011), queremos partilhar de facto o que a Providência põe
nas nossas mãos e, ao mesmo tempo, sentimo-nos fortemente comprometidos e
decididos a favorecer o processo de autonomia das Comunidades, das Paroquias e
de toda a Diocese.
15.Nesta
linha de procura da autonomia económica, é fundamental o contributo de cada
missionário, padre diocesano, religioso, religiosa, animadores e de todos os
cristãos, sobretudo sentindo-se comprometidos em primeira pessoa no esforço por
encontrar fontes de receitas para as próprias actividades pastorais, acabando
com a ideia de que: a Diocese tem que
fazer tudo pois ela é rica, recebe dinheiro de Roma e tem que pagar o meu
trabalho.
Tal maneira
de pensar tem que ser afastada totalmente da nossa mente, como se a Diocese
fosse uma coisa e os baptizados (padres, irmãs, animadores, cristãos) outra.
16.Isto
obriga-nos a começar com a redução gradual dos subsídios mensais no futuro
imediato, se não houver uma aceitação prática da entrega da Contribuição
Diocesana como foi estabelecido na VI ASSEMBLEIA DIOCESANA DE PASTORAL, pois o
subsídio ordinário de Propaganda Fide não é suficiente para manter o subsídio
actual até ao fim do ano: “A Contribuição
Anual Diocesana por cada cristão a partir dos 16 anos de idade é de 50,00MT ou
o equivalente em produtos não perecíveis” (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 119).
17.Este é
um dever dos cristãos para com a Igreja que começa, primeiro na mente e no
coração; só depois é que cada um vai contribuir da melhor maneira, segundo o Quinto Preceito da Igreja que estabelece
o seguinte: “Contribuir para as
necessidades materiais da Igreja, segundo as próprias possibilidades”.
18.Vivendo
neste mundo globalizado, sociedade de consumo, também nós somos tentados pelo
seu estilo de vida, em contradição com a miséria e a pobreza da maioria da
população a quem devemos anunciar o Evangelho.
Torna-se
necessário por parte de todos estarmos atentos a estas tentações que dificilmente
aparecem na lista dos nossos pecados.
Um passo em frente
19.Todos nós
devemo-nos sentir responsáveis e comprometidos em primeira pessoa nesta procura
de caminhos concretos (Cfr. Orientações
Diocesanas, nº 185). De facto, para chegarmos a uma autonomia económica é
necessária a colaboração de todos com espírito de fraternidade, rejeitando toda
a forma de juízo e de arrogância. É necessário organizarmo-nos para termos os
meios materiais para a vida da Igreja e das suas actividades (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 186).
Vos
apresento algumas sugestões que nos podem ajudar neste caminho:
a. -Formação
As Orientações Diocesanas afirmam que “Perante a falta de formação e de informação
dos fiéis sobre a auto- sustentabilidade da Igreja, urge que todos nos
empenhemos no trabalho de conscientizar os cristãos para assumirem como
próprias as necessidades económicas da Igreja” (OD, nº 185,c).
Alem da referida formação de base de todos
os membros da comunidade, é necessário a formação de ecónomos aos vários níveis:
leigos, religiosos (as) e clero. Devem ser pessoas com experiência pastoral e
identificadas com a própria Igreja que possam assumir com amor, sentido de
pertença, dedicação e competência a animação das comunidades, Paróquias e
Diocese para esta finalidade. O Secretariado Diocesano de Pastoral há-de
preparar uns temas apropriados para os cursos de formação nesta área. Com este
material esperamos que cada Paróquia realize cursos de formação para os
ecónomos das comunidades e da Paróquia.
b.-Conselho para os Assunto Económicos
Onde ainda não exista, haja a constituição do Conselho para
os Assuntos Económicos nas Paróquias e nas comunidades, segundo as Orientações
Diocesanas. O número dos membros deve ser impar (3, 5 ou 7), para evitar os
empates nas votações (Cfr. Orientações
Diocesanas nº 188).
c.-Orçamento anual
No princípio de cada
ano é necessário prever as despesas anuais, fazendo o Orçamento Geral da
Paróquia (e no seu caso, o de cada Comunidade ou Zona), que deve ter em conta
as despesas correntes do ano anterior e as possíveis despesas ordinárias e
extraordinárias do ano que começa. Trata-se do que chamamos as “Entradas ou Receitas” e as “Saídas ou
Despesas”. (Cfr. Orientações Diocesanas
nº 188).
d.-Livro de Contabilidade
Cada Paróquia deve ter
o seu Livro de Contabilidade actualizado, onde se escreve todo o movimento das
contas, o que se recolhe e o que se gasta: todas as “entradas” (receitas) e
todas as “saídas” (despesas) (Cfr. Orientações
Diocesanas nº 189).
.
e.- Seminários.
Torna-se necessário
fazer uma análise sobre os nossos seminários e a contribuição das famílias e das paróquias. Com
a diminuição dos subsídios da Propaganda Fide, aumento do custo de vida e com a
criação do nosso Seminário Propedêutico de S. José (1º Ano), torna-se
necessário fazer uma análise sobre os nossos seminários: a contribuição em
géneros ou em dinheiro das famílias e das paróquias.
O nosso Seminário de S. José de Gurúè, deve manter-se com a
colaboração directa das Paróquias, especialmente em géneros. Cada paróquia
assumirá as despesas deste seminário durante um mês com produtos alimentícios
(milho, arroz, feijão, mandioca, batata, cebola, alho, bananas) e animais
(galinhas, cabritos, etc.), segundo as suas possibilidades.
f.-O uso do dinheiro pessoal e do
dinheiro da comunidade.
Devemos pensar que
tudo o que recebemos das comunidades, do subsídio diocesano ou dos benfeitores,
provem da Providência, pertence a todos e todos somos chamados a partilhar o
que recebemos; devemos justificar o uso que foi feito do dinheiro recebido
(subsídios, ofertas, projectos…).
g.-Revisão das despesas gerais que
fazemos normalmente e, de modo especial, na manutenção dos carros e nas viagens
não necessariamente pastorais. É necessário que nos interroguemos se nos
devemos permitir tantas viagens por qualquer motivo. É justo deixar a Paróquia
por qualquer motivo?
h.-Trasparência
Perante o pedido de
justificação das despesas feitas, da contabilidade escrita e actualizada
devidamente, muitos podem sentir-se ofendidos. Justificar o dinheiro recebido e
como foi usado é normal em qualquer sociedade ou grupo que queira ser justo e
transparente no uso do dinheiro sem ter nada a ocultar. Isto não é falta de
confiança, simplesmente uma lei de justiça e de transparência. Isto faz parte
essencial da pobreza do Evangelho. Dificilmente entra na lista dos pecados de
um evangelizador e de um pastor da Igreja.
20.Subsídios
Na Distribuição de
subsídios mensais:
·
Os subsídios mensais recebidos da Administração
Diocesana são para a sustento dos padres que não tem outras fontes de receitas,
para as necessidades mais urgentes da paróquia, para a manutenção ordinária da
casa diocesana, para os seminários e para o Secretariado Diocesano de Pastoral.
·
Os Seminários, as casas de formação de religiosos
e religiosas e os centros de leigos: todos nós devemo-nos sentir comprometidos
em primeira pessoa em manter estes centros de formação, pois são o futuro desta
Igreja local, (“Consolidar a Igreja local”: evangelização, sacerdotes,
religiosos/as e agentes de pastoral a todos os níveis), em comunhão com toda a
Diocese. Peço mesmo uma colaboração económica, segundo as suas possibilidades
aos Religiosos e Religiosas que mantém actividades económicas na Diocese, nos
termos que cada comunidade achar mais conveniente.
·
É necessário também recordar aqui a obrigação de
enviar sem esperar o mês de Dezembro, por fases ou tudo de uma vez, à
Administração Diocesana ou à Secretária da Diocese, a Contribuição Diocesana Anual
segundo as normas assumidas na VI Assembleia de Pastoral e já vigentes na
Diocese (Cfr. Orientações Diocesanas,
nº 191). Quem recebe a Contribuição passará um recibo à quem entrega o dinheiro
para poder justificar perante os
cristãos a entrega feita.
21. A luta contra a
pobreza um dever de todos
A última das orientações sobre os caminhos
a seguir é que a luta contra a pobreza e a dependência absoluta do exterior é
um dever de todos os cidadãos e para nós os cristãos por imperativo evangélico
e por dignidade humana. A III Assembleia
Nacional de Pastoral conclui com estas palavras:
“A
superação da pobreza material não é tudo. É necessário que isto Aconteça, sim,
mas tendo sempre presente a elevação do homem à categoria de filho de Deus”
(III ANP n.122).
22.Faço um apelo ao espírito de
comunhão diocesana e de família, à co-responsabilidade e partilha, ao sentido
de pertença a esta Igreja local, de ser e de estar em comunhão, que deve animar
a nossa evangelização e todas as nossas actividades pastorais.
23.Na Diocese, família reunida
no nome do Senhor, todos nos devemos sentir acolhidos como irmãos (cf. Rom 15,
7), interessarmo-nos uns pelos outros, evangelizar unidos numa pastoral de
comunhão e de conjunto, partilhando as alegrias, os sofrimentos e as esperanças
da Diocese seja qual for o trabalho ou actividades que cada um exerce.
Esta comunhão é alma e a vida
da nossa família diocesana, desta Igreja local de Gurúè que caminha nas terras da Alta Zambézia.
Gurúe, 1º de Maio de 2012
Festividade de São José Operário
Vosso Bispo
+Francisco
domingo, 20 de maio de 2012
Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012
Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012
Silêncio e palavra: caminho de evangelização
Amados irmãos e irmãs,
Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, desejo partilhar convosco algumas reflexões sobre um aspeto do processo humano da comunicação que, apesar de ser muito importante, às vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necessário lembrá-lo. Trata-se da relação entre silêncio e palavra: dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas. Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.
O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório. Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum autêntico. Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons.
Grande parte da dinâmica atual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de partida da comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões, informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunicação, aflora a preocupação de muitos pelas questões últimas da existência humana: Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? É importante acolher as pessoas que se põem estas questões, criando a possibilidade de um diálogo profundo, feito não só de palavra e confrontação, mas também de convite à reflexão e ao silêncio, que às vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta apressada, permitindo a quem se interroga descer até ao mais fundo de si mesmo e abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no coração do homem.
No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades, pequenas ou grandes, que deem sentido e esperança à existência. O homem não se pode contentar com uma simples e tolerante troca de céticas opiniões e experiências de vida: todos somos perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste nosso tempo em que, «quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011).
Devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem atual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Na sua essencialidade, breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo bíblico – podem exprimir pensamentos profundos, se cada um não descuidar o cultivo da sua própria interioridade. Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: «Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio» (Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, 30 de setembro de 2010, n.º 21). No silêncio da Cruz, fala a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em silêncio e, no Sábado Santo – quando «o Rei dorme (…), e Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos» (cfr Ofício de Leitura, de Sábado Santo) –, ressoa a voz de Deus cheia de amor pela humanidade.
Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora» (Homilia durante a concelebração eucarística com os membros da Comissão Teológica Internacional, 6 de outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos e ouvimos», a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1 Jo 1, 3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.
Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele desígnio de salvação que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a história da humanidade. Como recorda o Concílio Vaticano II, a Revelação divina realiza-se por meio de «ações e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal modo que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (Constituição dogmática Dei Verbum, 2). E tal desígnio de salvação culmina na pessoa de Jesus de Nazaré, mediador e plenitude da toda a Revelação. Foi Ele que nos deu a conhecer o verdadeiro Rosto de Deus Pai e, com a sua Cruz e Ressurreição, nos fez passar da escravidão do pecado e da morte para a liberdade dos filhos de Deus. A questão fundamental sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de pacificar a inquietação do coração humano no Mistério de Cristo. É deste Mistério que nasce a missão da Igreja, e é este Mistério que impele os cristãos a tornarem-se anunciadores de esperança e salvação, testemunhas daquele amor que promove a dignidade do homem e constrói a justiça e a paz.
Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da ação comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo. A Maria, cujo silêncio «escuta e faz florescer a Palavra» (Oração pela Ágora dos Jovens Italianos em Loreto, 1-2 de setembro de 2007), confio toda a obra de evangelização que a Igreja realiza através dos meios de comunicação social.
Vaticano, 24 de janeiro – dia de São Francisco de Sales – de 2012.
BENEDICTUS PP XVI
(Tradução portuguesa oferecida pela Santa Sé)
Amados irmãos e irmãs,
Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, desejo partilhar convosco algumas reflexões sobre um aspeto do processo humano da comunicação que, apesar de ser muito importante, às vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necessário lembrá-lo. Trata-se da relação entre silêncio e palavra: dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas. Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.
O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório. Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum autêntico. Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons.
Grande parte da dinâmica atual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de partida da comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões, informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunicação, aflora a preocupação de muitos pelas questões últimas da existência humana: Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? É importante acolher as pessoas que se põem estas questões, criando a possibilidade de um diálogo profundo, feito não só de palavra e confrontação, mas também de convite à reflexão e ao silêncio, que às vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta apressada, permitindo a quem se interroga descer até ao mais fundo de si mesmo e abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no coração do homem.
No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades, pequenas ou grandes, que deem sentido e esperança à existência. O homem não se pode contentar com uma simples e tolerante troca de céticas opiniões e experiências de vida: todos somos perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste nosso tempo em que, «quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011).
Devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem atual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Na sua essencialidade, breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo bíblico – podem exprimir pensamentos profundos, se cada um não descuidar o cultivo da sua própria interioridade. Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: «Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio» (Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, 30 de setembro de 2010, n.º 21). No silêncio da Cruz, fala a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em silêncio e, no Sábado Santo – quando «o Rei dorme (…), e Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos» (cfr Ofício de Leitura, de Sábado Santo) –, ressoa a voz de Deus cheia de amor pela humanidade.
Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora» (Homilia durante a concelebração eucarística com os membros da Comissão Teológica Internacional, 6 de outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos e ouvimos», a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1 Jo 1, 3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.
Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele desígnio de salvação que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a história da humanidade. Como recorda o Concílio Vaticano II, a Revelação divina realiza-se por meio de «ações e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal modo que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (Constituição dogmática Dei Verbum, 2). E tal desígnio de salvação culmina na pessoa de Jesus de Nazaré, mediador e plenitude da toda a Revelação. Foi Ele que nos deu a conhecer o verdadeiro Rosto de Deus Pai e, com a sua Cruz e Ressurreição, nos fez passar da escravidão do pecado e da morte para a liberdade dos filhos de Deus. A questão fundamental sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de pacificar a inquietação do coração humano no Mistério de Cristo. É deste Mistério que nasce a missão da Igreja, e é este Mistério que impele os cristãos a tornarem-se anunciadores de esperança e salvação, testemunhas daquele amor que promove a dignidade do homem e constrói a justiça e a paz.
Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da ação comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo. A Maria, cujo silêncio «escuta e faz florescer a Palavra» (Oração pela Ágora dos Jovens Italianos em Loreto, 1-2 de setembro de 2007), confio toda a obra de evangelização que a Igreja realiza através dos meios de comunicação social.
Vaticano, 24 de janeiro – dia de São Francisco de Sales – de 2012.
BENEDICTUS PP XVI
(Tradução portuguesa oferecida pela Santa Sé)
quarta-feira, 16 de maio de 2012
COMUNICADO DOS BISPOS CATÓLICOS DE MOÇAMBIQUE
Às Comunidades Cristãs, aos Sacerdotes, Consagrados e Consagradas,
Animadores das Comunidades e dos Ministėrios Laicais, a todos os homens e
mulheres de boa vontade, a nossa saudação de pastores, com votos de paz e
alegria em abundância.
Vos dirigimos
esta saudação a partir do lugar habitual dos nossos encontros, o Seminário de
Santo Agostinho da Matola, onde estivemos reunidos desde o dia 17 a 22 de Abril
do ano em curso, para a primeira sessão ordinária da Assembleia plenária. Como
de costume, vimos, partilhar convosco o nosso trabalho e a vida da nossa
Igreja.
Ausências
Infelizmente, não pudemos contar a com a presença do
Senhor D. Bernardo Filipe Governo,
Bispo Emérito de Quelimane e de D. Tomé
Makhwéliha, Arcebispo de Nampula, ambos por motivos de saúde. Do Senhor
D. Bernardo temos notícias de
ligeiras melhorias, pois na Quarta-feira Santa recuperou a fala e ganhou maior
serenidade e ânimo. O Senhor D. Tomé
sentiu–se incomodado nestes últimos dias e, para não agravar a situação, não
viajou para este nosso encontro. Ao Senhor D. Bernardo
desejamos uma recuperação completa e ao Senhor D. Tomé rápidas melhoras.
Da Nunciatura Apostólica
Senhor Núncio Apostólico
Desta vez não pudemos contar com a
presença do Senhor D. António Arcari,
Núncio Apostólico em Moçambique, que
se encontra fora do País, por motivos de trabalho.
Secretário da Nunciatura
Apostólica
Monsenhor Mário Codamo, que por cerca de 5 anos foi Encarregado de Negócios da Nunciatura Apostólica no nosso País,
recebeu transferência para Suíça, tendo deixado Moçambique nos finais de Março.
A Mons. Mário agradecemos pelo
trabalho realilizado em prol da nossa Conferência Episcopal e de toda a Igreja
de Moçambique. Auguramos-lhe bom trabalho no seu novo posto.
Encarregado de Negócios ad interim
Não havendo sido ainda nomeado um novo secretário para a
Nunciatura Apostólica em Moçambique e com a ausência do Senhor Núncio
Apostólico, a Santa Sé enviou um Encarregado de Negócios ad interim, na pessoa do Mons. Rodrigo
Bilbao Cepeda, de nacionalidade Chilena, proveniente da Nunciatura
Apostólica de Timor Leste, onde actualmente trabalha. A Mons. Rodrigo Bilbao desejamos boas-vindas e
boa estadia no nosso País.
Novo Reitor do Seminário Filosófico de
Santo Agostinho
Tendo o Reverendo Padre José
da Cruz Muluta, do clero diocesano de Nampula, terminado o seu mandato
de Reitor, foi sucedido para o mesmo cargo pelo Reverendo Padre Tonito José Francisco Monanoua, do clero
diocesano de Guruè, que já fazia parte da Equipa Formadora. O mesmo tomou posse
no passado dia 20 de Abril, numa celebração eucarística, presidida pelo Senhor
D. Lúcio Andrice Muandula, Presidente da CEM, e concelebrada
pelos Bispos da CEM e por muitos Sacerdotes, na presença de Religiosos/as e
leigos professores do mesmo Seminário. Ao novo Reitor, desejamos bom trabalho e
muita paz no desempenho das suas funções e ao Reverendo Padre Muluta vão os nossos sinceros e
profundos agradecimentos pelo trabalho árduo, realizado ao longo dos 6 anos em
que esteve na direcção do Seminário Maior de Santo Agostinho.
02
Actualmente, a
equipa formadora deste Seminário ficou assim constituida:
Padre Tonito José
Francisco Monanoua, Diocese de Guruè
Padre Benjamim Pereira, Arquidiocese da Beira
Padre Damião Manuel Jorge, Diocese de
Quelimane
Padre Anselmo Orlando Pinto, Diocese de
Inhambane.
Reconhecemos
perfeitamente que quatro sacerdotes para 167 Seminaristas internos, sem contar
com os externos, ė muita coisa, o que torna o processo de seguimento
individualizado na formação deveras difícil. Estamos neste momento à procura de
sacerdotes idóneos, que possam integrar a actual equipa formadora.
Do Seminário Teológico
Embora tenha
passado bastante tempo depois do acontecimento, tambėm o Seminário de São Pio X
tem um novo Reitor, a partir de Julho do ano passado, na pessoa do Reverendo
Padre Inácio Lucas, da Diocese de
Nacala. Fazem parte da equipa formadora:
Padre Inácio Lucas, Diocese de Nacala
Padre Pedro Sebastião, Diocese de Quelimane
Padre Jeremias dos
Santos Moisés, Diocese de Inhambane
Padre Francisco Sinate, Diocese de Chimoio
Padre Artur Chipera, Arquidiocese de Maputo.
O Seminário
conta com 58 alunos internos, distribuídos por três turmas: nomeadamente o 2°,
3º e 4°anos.
D. Germano
Grachane de luto
Na manhã do
dia 19 de Abril, no meio da nossa Assembleia Plenária, recebemos a dolorosa
notícia do falecimento do Senhor Alberto
Grachane, irmão mais velho do Senhor D. Germano,
bispo de Nacala, e da Irmã Isabel Grachane,
Superiora Provincial das
03
Irmãs de Apresentação de Maria. O finado foi vítima de
doença prolongada, suportada com muita fé, resignação e serenidade. Estas
virtudes transformavam aquele que sofria em consolador daqueles que sentiam
pena dele. Aliás, esta era uma das características do "Papá Grachane", homem que irradiava
muita fé e optimismo.
Ao Senhor D. Germano e a toda a extensa família Grachane, os nossos mais vivos
sentimentos de pesar e de comunhão na dor, com a promessa da nossa oração, para
que o Senhor da vida e da morte os console com a esperança da ressurreição.
Dioceses em luto
Tambėm estão
de luto a Arquidiocese da Beira e a Diocese de Pemba pela perda dos seus
sacerdotes. Assim, na Arquidiocese da Beira, faleceu no dia 24 de Março passado,
o Padre Isildo Fernando Ronda. Na
Diocese de Pemba, faleceu o Padre António
Nunes Wawaya. Ambos foram vítimas de doença e pertenciam ao clero
diocesano das respectivas dioceses.
De lembrar que
o Reverendo Padre Wawaya foi
Reitor do Seminário de S. Pio X no início dos anos 2000 e, mais tarde, por 5
anos consecutivos, responsável do Departamento de Justiça e Paz e Vice-director
da IMBISA em Harare (Zimbabwe). No último ano em que esteve na IMBISA exerceu o
cargo de Director interino da mesma instituição, até ao momento em que terminou
o seu segundo mandato no Departamento de Justiça e Paz, volvidos 6 longos anos
de serviço.
À Arquidiocese
da Beira, à Diocese de Pemba e às famílias enlutadas, as nossas condolências e
preces, para que o Senhor lhes conforte e dê aos falecidos o descanso eterno.
04
Estatutos da Universidade Católica
Um dos pontos
fortes da nossa agenda era o da revisão dos Estatutos da Universidade Católica
de Moçambique (UCM) que, aliás, já nos vinha ocupando desde as últimas assembleias
plenárias. Desta vez, foi para a Conferência tomar decisões sobre os pontos da
sua competência e avaliar o trabalho de revisão feito pelo Conselho
Universitário da UCM. O texto será agora entregue a canonistas, para
considerações técnicas, antes de ser remetido à Congregação para a Educação
Católica, para a aprovação. Depois de uma caminhada de mais de 15 anos, há
necessidade de adequar a UCM às novas exigências sociais e eclesiais.
Seminários
Como sinal da
nossa solicitude e preocupação pela formação do clero diocesano, não podia
faltar aquele que tem sido um assunto de debate em todos os nossos encontros: o
tema dos Seminários. Como sempre, o aspecto dominante foi o da questão do
pessoal formador. Os Bispos voltaram a debruçar-se sobre a questão do futuro
Seminário Maior de Santo Atanásio de Nampula e insistiram na urgência da
realização do projecto da sua construção. Na verdade os dois Seminários Maiores
de Maputo estão superlotados e isso se tem reflectido negativamente na
qualidade da formação dos futuros sacerdotes. Infelizmente, uma vez mais
constatou-se que a questão da falta de meios financeiros e de pessoal formador
é paralisante.
Tráfico de seres humanos
Como
continuação do encontro sobre este mesmo tema, que teve lugar ano passado em
Mumemo, um novo encontro, desta vez organizado pela IMBISA (Associação
Inter-Regional dos Bispos da África Austral) e pela SANTAC, vai ter lugar nos
próximos dias 14 a 17 de Maio, também em Mumemo, na Arquidiocese de Maputo.
05
Plano Nacional de Pastoral
Devido à não realização de encontros marcados para as
Províncias Eclesiásticas, há uma certa estagnação, no que se refere ao Plano
Nacional de Pastoral. Para relançar tal processo foi marcado, para os próximos
dias 24-26 de Junho, um Encontro Nacional dos Directores dos Secretariados de
Coordenação Pastoral, em Nazaré, na Arquidiocese da Beira
Lançamento do "Africae
Munus"
O Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos,
Sua Eminência Reverendíssima Cardeal
Fernando Filoni, numa carta circular, dirigida a todas as Conferências
Episcopais Africanas, recomenda que, numa celebração nacional ou diocesana, se
faça a entrega ou o lançamento simbólico da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Africae Munus, saída do II Sínodo Especial para Africa.
O SCEAM (Simposium das Conferências Episcopais de Africa e
Madagáscar) que é a Associação Continental dos Bispos de Africa e Madagáscar
escolheu o dia 29 de Julho para aquela celebração, por ser o dia em que se
celebra também a fundação do próprio SCEAM.
A CEM decidiu escolher a forma diocesana para a apresentação
formal da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Africae
Munus aos fiéis de todas as dioceses e as celebrações principais terão
lugar, simultaneamente, no dia 29 de Julho. Nesse dia os Bispos Diocesanos
farão a entrega e divulgação oficial do supracitado documento, aos sacerdotes,
religiosos, leigos e homens de boa vontade, encorajando-os a seguir as
recomendações do Santo Padre, na promoção da Reconciliação, da Justiça e da
Paz. Algumas das nossas Dioceses já estão a trabalhar nessa direcção e
encorajamo-las a continuar e a preparar convenientemente o lançamento oficial
da referida Exortação Apostólica.
06
Dia da Reconciliação
Segundo a recomendação do SCEAM, cada Conferência
Episcopal Nacional deverá escolher um Dia da Reconciliação, no espírito da
Exortação Pós-Sinodal Africae Munus, no seu número 157: «Para encorajar a reconciliação, a nível comunitário, recomendo vivamente –
como desejaram os Padres sinodais – que se celebre todos os anos, em cada país
africano, “um dia ou uma semana de reconciliação, particularmente durante o
Advento ou a Quaresma”. O Simpósio das Conferências Episcopais da África e de
Madagáscar (SCEAM) poderá contribuir para a sua realização». Na próxima assembleia plenária, em Novembro, a nossa
Conferência, depois da necessária consultação, irá estabelecer o supracitado Dia da Reconciliação para Moçambique.
Jubileu da Reconciliação
Ainda em cumprimento do que diz a Exortação Apostólica Africae Munus diz no seu número 157, O SCEAM, de
acordo com a Santa Sé, «vai promover um Ano da Reconciliação a nível
continental para pedir a Deus um perdão especial para todos os males e feridas
que os seres humanos se infligiram uns aos outros em África, e para que se
reconciliem as pessoas e os grupos que foram ofendidos na Igreja e no conjunto
da sociedade. Tratar-se-á de um Ano Jubilar extraordinário “durante o qual a
Igreja em África e nas ilhas adjacentes dará graças com a Igreja universal e
pedirá para receber os dons do Espírito Santo”, especialmente o dom da reconciliação,
da justiça e da paz». A data de início do referido Ano Jubilar da Reconciliação, será fixado na próxima Assembleia Plenária do SCEAM, a ter lugar na
República Democrática do Congo (Kinshasa) em 2013.
Ano da fé
O Santo Padre, Papa Bento
XVI, promulgou o Ano da fé, que terá o seu início em Outubro de 2012 e
durará até 2013. Será uma
07
maneira concreta de celebrar o Jubileu dos 50 anos da
abertura do Concílio do Vaticano II, que foi um acontecimento ímpar na história
e na vida da Igreja dos últimos 50 anos. Façamos um esforço de reler os
documentos daquele Concílio, num esforço concreto de renovação espiritual e de
adequação das diversas estruturas eclesiais e pastorais aos ensinamentos que os
Padres Conciliares nos deixaram.
Acontecimentos de Nampula
A nossa Assembleia Plenária debruçou-se também sobre os
últimos acontecimentos de tensão política na Cidade de Nampula.
Condenamos, veementemente, o confronto armado que teve lugar
naquela cidade entre as Forças militares de Intervenção Rápida e os Antigos
Combatentes da RENAMO, no passado dia 8 de Março. Trata-se duma confrontação
indigna dum País e dum Povo que conquistaram uma boa imagem, como exemplo de
diálogo e de reconciliação em África
Solidarizamo-nos com as famílias das vítimas e esperamos que os
encontros já havidos entre o Presidente da República de Moçambique e o Líder da
RENAMO continuem e produzam os frutos necessários para a consolidação da paz e
da harmonia no país.
“Dou-vos a minha paz!"
Não existe homem algum que não queira a paz: rico ou
pobre; sábio ou ignorante; intelectual ou analfabeto; governante ou governado;
até mesmo os promotores da guerra e os fabricantes de engenhos bélicos; todos
dizem querer a paz. Jesus Cristo ressuscitado é, porém, o verdadeiro “Príncipe
da Paz”, aquela fundada na fraternidade humana, daqueles que se reconhecem
criaturas de Deus, Sua imagem e semelhança. É ele quem no Evangelho segundo São
João (14,27) nos deseja a verdadeira paz: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha
paz. Não é como a dá o mundo que Eu vo-la dou».
08
Acolhamos pois com gratidão o dom que o Senhor nos faz de si
mesmo e empenhemo-nos por construir entre nós uma paz sólida e duradoira, feita
de gestos concretos e expressão duma comunhão fraterna, que faz de todos nós
uma só família humana, a família dos filhos de Deus.
Exortação Final
Queridos irmãos, ao terminarmos esta
nossa comunicação, exortamos-vos em Cristo Jesus a permanecerdes unidos aos
vossos bispos, elevando aos céus uma oração perseverante, para que o Senhor
derrame sobre a Igreja e sobre o mundo a abundância do Seu Espírito Santo e
transforme o coração de cada homem. Que a Santa Mãe de Deus, Nossa Senhora do
Cenáculo, nos alcance as graças de que mais precisamos para anunciarmos Jesus
Ressuscitado, fonte de Paz e de Salvação para o mundo inteiro.
Maputo, 22
de Abril de 2012
Pela
Conferência Episcopal de Moçambique
+ Lúcio Andrice Muandula
Bispo de Xai-Xai e
Presidente da CEM
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