quarta-feira, 12 de maio de 2021
segunda-feira, 10 de maio de 2021
ENTREVISTA COM S.E.R. DOM INÁCIO LUCAS, CONCEDIDA À CEM
Entrevista com Dom Inácio Lucas, Bispo de Gurúè
conduzida por Marcolino Vilanculos, Secretário das Comunicações da CEM
1.
Dom Lucas, quando e onde nasce a vocação sacerdotal?
Agradeço a CEM e ao secretário das comunicações por esta conversa sobre a minha vocação sacerdotal. Tudo começou entre os anos de 1985 a 1987, quando eu era aluno da Escola Industrial de Carapira, em Monapo, província de Nampula. Naquela altura não era permitido ir à Igreja mas um pequeno grupo de alunos (rapazes e meninas), às noites de sábado ou domingo, frequentávamos a catequese e encontro do grupo dos jovens da nova geração. A direcção da Escola não permitia aos alunos frequentar à casa dos padres para fins religiosos nem ir à celebração dominical da palavra de Deus. Era durante a catequese clandestina que os padres combonianos e as irmãs combonianas nos falavam das vocações para diferentes profissões. Também nos falavam da vocação para a vida consagrada e religiosa. Como nos diziam: este país também precisa de jovens corajosos que se oferecem para anunciar Jesus Cristo aos seus irmãos tornando-se padres ou irmãs...
2.
De uma forma resumida pode nos contar como foi a sua
experiência sacerdotal tendo em conta que assumiu vários cargos e trabalhou na
Arquidiocese de Maputo e Diocese de Nacala?
Eu sou sacerdote diocesano de Nacala, isto é, ordenado sacerdote e incardinado na diocese de Nacala, em obediência ao Bispo de Nacala. Mas durante 10 anos estive a trabalhar nos dois Seminários Maiores de Filosofia e Teologia em Maputo, em obediência ao bispo de Nacala. Não fiz pedido nem concurso para trabalhar na arquidiocese de Maputo. Sendo necessário aos sábados e domingos ia colaborar nas paróquias, sem prejuízo da minha principal tarefa de servir a tempo inteiro no Seminário.
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| Dom Inácio Lucas |
3.
Dom Lucas, como é que recebeu a notícia da sua nomeação para
bispo da Diocese de Gurúè?
Do fundo do coração confesso que esta nomeação para o ministério episcopal foi para mim uma surpresa, repito, uma grande surpresa. Durante vinte e três (23) anos de sacerdócio prestei à Igreja de Moçambique os serviços que me tinham confiado. Fi-los com simplicidade e sem orgulho de inteligência nem desejo de obter reconhecimento de honra e mérito. Não fiz competição com ninguém nem ardi de inveja a ninguém. Aliás, a minha vida é surpresa do dia a dia … estudar até tornar-se sacerdote, adquirir grau académico de nível superior, ser professor e prefeito de estudos, receber a nomeação de Vigário paroquial para a Sé Catedral de Nacala, ser reitor de um Seminário Pontifício e até ser bispo, são as etapas da minha vida que me vieram como surpresa. Ainda mais esta nomeação para bispo de Gurúè é surpresa!
4.
Antes de ser nomeado pelo Santo Padre Papa Francisco como 3º
Bispo da Diocese de Gurúè ocupou o cargo de Vigário Geral da Diocese de Nacala,
como foi a vivência pastoral auxiliando a S. Ex.cia Rev.ma Dom Alberto Vera Aréjula
no cuidado pastoral daquela diocese localizada na zona norte do nosso país?
A Diocese de Nacala é nova comparando com a maioria das dioceses do país. S. Ex.cia Rev.ma D. Germano Grachane nomeou-me para Vigário Geral da Diocese mas tendo passado à reforma, a S. Ex.cia Rev.ma D. Alberto Vera Aréjula decidiu manter-me no cargo. Por ironia de destino em Nacala fui o 3º Vigário Geral da recente história da diocese e o 3º Bispo da diocese de Gurúè. Trabalhei bem com os dois bispos e minha principal tarefa foi ajudar e facilitar ao bispo para tomar decisões acertadas para a comunhão e a unidade diocesana.
5.
Dom Lucas foi nomeado num momento atípico, em que o mundo e
o nosso país é assolado com a pandemia do novo coronavírus. Quais serão as
principais linhas pastorais a executar para que não falte a palavra de Deus ao
santo povo de Deus de Gurúè e também tendo em conta que a Igreja em Moçambique
se prepara para realizar IV Assembleia Nacional de Pastoral?
A diocese de Gurúè tem 42 mil km², tem muitos cristãos católicos e não católicos; vivem metade dos habitantes da província da Zambézia. Como linha pastoral penso visitar as equipas missionárias das paróquias, reunir com os padres, as irmãs e o conselho pastoral de cada paróquia. Tal como fizeram os bispos antecessores, considero importante conhecer a realidade de cada região pastoral e desenhar o plano pastoral das necessidades. É prematuro determinar as linhas pastorais antes de conhecer e reunir os padres diocesanos, os missionários e os conselhos paroquiais. De toda a maneira é tarefa do bispo dar assistência e animar os padres que são os principais colaboradores na missão. Depois disso pode-se começar a incentivar o serviço de pastoral de conjunto com todas as forças vivas da diocese. É minha intenção fomentar um clima de aproximação às pessoas e em conjunto traçar as linhas de acção na missão.
6.
Que experiência leva para Gurúè, tendo em conta que antes de
sua nomeação, já ocupou vários cargos a nível da Igreja como Reitor do Seminário
de S. Pio X, Vigário geral da Diocese de Nacala e entre outros.
Os
anteriores cargos e os contextos são diferentes mas penso que o grau da
responsabilidade aumenta para bem servir as pessoas. Não há regras antecipadas
de experiência sobretudo quando se trata de lidar com pessoas de âmbitos
diferentes. As tarefas e as responsabilidades adquiridas anteriormente podem
ser elemento fundamental para começar uma nova missão mas há sempre novidades.
Não penso inventar novas regras ou planos programáticos. Os serviços realizados
no passado podem ajudar mas acredito que o mais importante é ser humilde e
aprender no dia a dia com os padres, os missionários e os animadores das
comunidades cristãs de Gurúè. É verdade que sou bispo deles mas gostaria de
trabalhar com eles num clima de mútua confiança e honesta transparência.
7.
Após a sagração e tomada de posse em ambiente restrito, Dom
Lucas pensa em visitar as Paróquias quando retomarem as Missas para que o santo
povo de Gurúè conheça o seu novo pastor e também para conhecer a realidade
vivida em cada Paróquia da Diocese?
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| Dom Manuel, Dom Alberto e Dom Inácio |
Obviamente é minha responsabilidade visitar as paróquias e conhecer a realidade da nossa diocese. Tenho certeza que esta fase de confinamento por causa do coronavírus vai passar e os cristãos desejam celebrar Missa com o seu novo pastor. Depois de ultrapassarmos esta situação de calamidade pública e abrirem os locais de culto, iremos retomar a catequese das crianças, jovens e adultos mas também iremos nos reunir para a celebração da palavra e da eucaristia nas comunidades cristãs.
8.
Com a eclosão do coronavírus e com o confinamento e sem
missas públicas, alguns cristãos sentiram retraídos, desistindo de rezar,
apesar das Paróquias envidarem esforços para transmissões on-line das missas e
partilha da liturgia diária e entre outras iniciativas pastorais, qual é a
mensagem a deixar para estes fiéis que em algum momento consideram que tudo
acabou?
Apesar
disto tudo de confinamento, eu acredito que o povo cristão está a rezar em
família e pequenos grupos de vizinhos e está a espera ansiosamente para
celebração comunitária da fé. Há sinais de esperança de que num futuro próximo
os cristãos vão voltar a reunir-se para professar a fé. Não se sabe quando
termina esta pandemia e por mais que dure no tempo, é mau pensar que os fiéis
consideram que tudo acabou… há sempre espaço de esperança. É preciso pensar e
agir positivo. É verdade que todos nós fomos apanhados desprevenidos com a
COVID 19 e as medidas de confinamento para prevenção mas os cristãos
alimentaram sempre a esperança de voltar às celebrações e encontros de
catequese nas igrejas paroquiais e comunidades cristãs.
9.
Alguma coisa que gostaria de sublinhar que não foi arrolada
durante a entrevista?
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| Dom Inácio Lucas |
10.
Para finalizarmos e ao mesmo tempo agradecer-lhe por ter-nos
concedido esta entrevista, qual é a mensagem que gostaria de deixar para os
fiéis da diocese de Gurúè?
A todos o
povo da diocese de Gurúè rezo para que possamos caminhar unidos para Jesus
Cristo, nosso único salvador. Aos fiéis de Gurúè, católicos e não católicos, padres
e religiosas dedico o lema da minha vida consagrada e espero ter cada dia a
alegria de implementar quer nos bons tempos ou menos bons: «não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho
– em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda». Isto tem
significado para a minha consagração a Deus e a Igreja. Desça sobre a força do
Espírito Santo e cada um de vós receba a bênção apostólica
A todos
desejo-vos Feliz Páscoa.
De vosso,
+ Inácio
Lucas
Bispo de
Gurúè
sexta-feira, 7 de maio de 2021
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 107º DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO
«Rumo
a um nós cada vez maior»
Queridos irmãos e irmãs!
Na carta encíclica Fratelli tutti, deixei expressa uma
preocupação e um desejo, que continuo a considerar importantes: «Passada a
crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em
novas formas de autoproteção egoísta. No fim, oxalá já não existam “os outros”,
mas apenas um “nós”» (n. 35).
Por isso pensei dedicar a mensagem para o 107º Dia
Mundial do Migrante e do Refugiado ao tema «Rumo a um nós cada
vez maior», pretendendo assim indicar claramente um horizonte para o nosso
caminho comum neste mundo.
A história do «nós»
Este horizonte encontra-se no próprio projeto criador de Deus:
«Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou
homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei, multiplicai-vos”» (Gn 1,
27-28). Deus criou-nos homem e mulher, seres diferentes e complementares para
formarem, juntos, um nós destinado a tornar-se cada vez maior
com a multiplicação das gerações. Deus criou-nos à sua imagem, à imagem do seu
Ser Uno e Trino, comunhão na diversidade.
E quando o ser humano, por causa da sua desobediência, se afastou
d’Ele, Deus, na sua misericórdia, quis oferecer um caminho de reconciliação,
não a indivíduos isoladamente, mas a um povo, um nós destinado
a incluir toda a família humana, todos os povos: «Esta é a morada de Deus entre
os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo e o próprio Deus estará
com eles e será o seu Deus» (Ap 21, 3).
Assim, a história da salvação vê um nós no
princípio e um nós no fim e, no centro, o mistério de Cristo,
morto e ressuscitado «para que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Mas
o tempo presente mostra-nos que o nós querido por Deus está
dilacerado e dividido, ferido e desfigurado. E isto verifica-se sobretudo nos
momentos de maior crise, como agora com a pandemia. Os nacionalismos fechados e
agressivos (cf. Fratelli tutti, 11) e o individualismo
radical (cf. ibid., 105) desagregam ou dividem o nós,
tanto no mundo como dentro da Igreja. E o preço mais alto é pago por aqueles
que mais facilmente se podem tornar os outros: os estrangeiros, os
migrantes, os marginalizados, que habitam as periferias existenciais.
Na realidade, estamos todos no mesmo barco e somos chamados a
empenhar-nos para que não existam mais muros que nos separam, nem existam mais
os outros, mas só um nós, do tamanho da humanidade
inteira. Por isso aproveito a ocasião deste Dia Mundial para lançar um duplo
apelo a caminharmos juntos rumo a um nós cada vez maior,
dirigindo-me em primeiro lugar aos fiéis católicos e depois a todos os homens e
mulheres da terra.
Uma Igreja cada vez mais católica
Para os membros da Igreja Católica, este apelo traduz-se num
esforço por se configurarem cada vez mais fielmente ao seu ser de católicos,
tornando realidade aquilo que São Paulo recomendava à comunidade de Éfeso: «Um
só corpo e um só espírito, assim como a vossa vocação vos chama a uma só
esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo» (Ef 4, 4-5).
De facto, a catolicidade da Igreja, a sua universalidade é uma
realidade que requer ser acolhida e vivida em cada época, conforme a vontade e
a graça do Senhor que prometeu estar sempre connosco até ao fim dos tempos
(cf. Mt 28, 20). O seu Espírito torna-nos capazes de abraçar a
todos para se fazer comunhão na diversidade, harmonizando as diferenças sem
nunca impor uma uniformidade que despersonaliza. No encontro com a diversidade
dos estrangeiros, dos migrantes, dos refugiados e no diálogo intercultural que
daí pode brotar, é-nos dada a oportunidade de crescer como Igreja,
enriquecer-nos mutuamente. Com efeito, todo o batizado, onde quer que se
encontre, é membro de pleno direito da comunidade eclesial local e membro
da única Igreja, habitante na única casa, componente da única família.
Os fiéis católicos são chamados, cada qual a partir da comunidade
onde vive, a comprometer-se para que a Igreja se torne cada vez mais inclusiva,
dando continuidade à missão que Jesus Cristo confiou aos Apóstolos: «Pelo
caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos,
ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes
de graça, dai de graça» (Mt 10, 7-8).
Hoje, a Igreja é chamada a sair pelas estradas das periferias
existenciais para cuidar de quem está ferido e procurar quem anda extraviado,
sem preconceitos nem medo, sem proselitismo, mas pronta a ampliar a sua tenda
para acolher a todos. Entre os habitantes das periferias existenciais,
encontraremos muitos migrantes e refugiados, deslocados e vítimas de
tráfico humano, aos quais o Senhor deseja que seja manifestado o seu amor e
anunciada a sua salvação. «Os fluxos migratórios contemporâneos constituem uma
nova “fronteira” missionária, uma ocasião privilegiada para anunciar Jesus
Cristo e o seu Evangelho sem se mover do próprio ambiente, para testemunhar
concretamente a fé cristã na caridade e no respeito profundo pelas outras
expressões religiosas. O encontro com migrantes e refugiados de outras
confissões e religiões é um terreno fecundo para o desenvolvimento de um
diálogo ecuménico e inter-religioso sincero e enriquecedor» (Papa
Francisco, Discurso aos Diretores Nacionais da Pastoral dos
Migrantes, 22/IX/2017).
Um mundo cada vez mais inclusivo
A todos os homens e mulheres da terra, apelo a caminharem juntos
rumo a um nós cada vez maior, a recomporem a família humana, a
fim de construirmos em conjunto o nosso futuro de justiça e paz, tendo o
cuidado de ninguém ficar excluído.
O futuro das nossas sociedades é um futuro «a cores», enriquecido
pela diversidade e as relações interculturais. Por isso, hoje, devemos aprender
a viver, juntos, em harmonia e paz. Encanta-me duma forma particular aquele
quadro que descreve, no dia do «batismo» da Igreja no Pentecostes, as pessoas
de Jerusalém que escutam o anúncio da salvação logo após a descida do Espírito
Santo: «Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da
Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e das regiões
da Líbia cirenaica, colonos de Roma, judeus e prosélitos, cretenses e árabes
ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas, as maravilhas de Deus» (At 2,
9-11).
É o ideal da nova Jerusalém (cf. Is 60; Ap 21,
3), onde todos os povos se encontram unidos, em paz e concórdia, celebrando a
bondade de Deus e as maravilhas da criação. Mas, para alcançar este ideal,
devemos todos empenhar-nos por derrubar os muros que nos separam e construir
pontes que favoreçam a cultura do encontro, cientes da profunda interconexão
que existe entre nós. Nesta perspetiva, as migrações contemporâneas oferecem-nos
a oportunidade de superar os nossos medos para nos deixarmos enriquecer pela
diversidade do dom de cada um. Então, se quisermos, poderemos transformar as
fronteiras em lugares privilegiados de encontro, onde possa florescer o milagre
de um nós cada vez maior.
A todos os homens e mulheres da terra, peço que empreguem bem os
dons que o Senhor nos confiou para conservar e tornar ainda mais bela a sua
criação. «Um homem nobre partiu para uma região longínqua, a fim de tomar posse
de um reino e em seguida voltar. Chamando dez dos seus servos, entregou-lhes
dez minas e disse-lhes: “Fazei render a mina até que eu volte”» (Lc 19,
12-13). O Senhor pedir-nos-á contas das nossas obras! Mas, para assegurar o
justo cuidado à nossa Casa comum, devemos constituir-nos num nós cada
vez maior, cada vez mais corresponsável, na forte convicção de que todo o bem
feito ao mundo é feito às gerações presentes e futuras. Trata-se dum
compromisso pessoal e coletivo, que se ocupa de todos os irmãos e irmãs que
continuarão a sofrer enquanto procuramos realizar um desenvolvimento mais
sustentável, equilibrado e inclusivo. Um compromisso que não faz distinção
entre autóctones e estrangeiros, entre residentes e hóspedes, porque se trata
dum tesouro comum, de cujo cuidado e de cujos benefícios ninguém deve ficar
excluído.
O sonho tem início
O profeta Joel preanunciava o futuro messiânico como um tempo de
sonhos e visões inspirados pelo Espírito: «Derramarei o meu espírito sobre toda
a humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos
anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões» (3, 1). Somos
chamados a sonhar juntos. Não devemos ter medo de sonhar e de o fazermos juntos
como uma única humanidade, como companheiros da mesma viagem, como filhos e
filhas desta mesma terra que é a nossa Casa comum, todos irmãs e irmãos
(cf. Fratelli tutti, 8).
Oração
Pai santo e amado,
o vosso Filho Jesus ensinou-nos
que nos Céus se esparge uma grande alegria
quando alguém que estava perdido
é reencontrado,
quando alguém que estava excluído, rejeitado ou descartado
é reinserido no nosso nós,
que assim se torna cada vez maior.
Pedimo-Vos que concedais a todos os discípulos de Jesus
e a todas as pessoas de boa vontade
a graça de cumprirem a vossa vontade no mundo.
Abençoai todo o gesto de acolhimento e assistência
que repõe a pessoa que estiver em exílio
no nós da comunidade e da Igreja,
para que a nossa terra possa tornar-se,
tal como Vós a criastes,
a Casa comum de todos os irmãos e irmãs. Amen.
Roma, em São João de Latrão, na Festa dos Apóstolos São Filipe
e São Tiago, 3 de maio de 2021.
Francisco
segunda-feira, 3 de maio de 2021
ACTIVIDADES PROGRAMADAS PARA O MÊS DE MAIO NO CALENDÁRIO DIOCESANO
Maio:
Mês Mariano
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01
– São José, Operário |
Convívio
de padres, consagrados e missionário/as |
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08-09 – Mualama e Muliquela |
Peregrinação |
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16
– Paróquias |
Solenidade
da Ascensão do Senhor |
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22 –
Diocese |
27º
Aniversário da Ordenação episcopal de D. Manuel Chuanguira Machado |
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23
– Paróquias |
Pentecostes
– Renovação e envio de animadores |
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29
– Gilé |
Votos
Perpétuos do Ir. Eliseu Caetano, Missionário Claretiano |
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30
– Paróquias / Gilé |
Santíssima
Trindade – Ofertório especial: CEM Ordenação
Diaconal do Ir. Eliseu Caetano, Missionário Claretiano |
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31
- Gurúè |
Encerramento
do Mês Mariano - Santinha |
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CRÓNICAS DA ÚLTIMA SEMANA
28.04.2021 - Sua Excelência Reverendíssima Dom Inácio Lucas, Bispo da nossa Diocese, regressou à sede Diocese, depois de alguns dias em Maputo para assuntos vários da Diocese, terminada a I Sessão Plenária da CEM.
30.04.2021 - Às nove horas, no Salão da Cúria Diocesana de Gurúè, Dom Inácio Lucas, encontrou-se com o clero diocesano. Tratou-se de um encontro de partilha e reflexão do caminho que somos convidados a fazer como Igreja, em comunhão com o nosso Pastor. participaram neste encontro, 22 padres Diocesanos e 3 Diáconos.
Às 15.00 H do mesmo dia (30.04.2021), Dom Inácio Lucas encontrou-se com a equipa da Coordenação da CIRMO de Gurúè. Neste encontro, Dom Inácio Lucas acolheu e manifestou a sua total abertura em acolher as iniciativas da CIRMO no Gurúè, com o objectivo único de edificarmos a Igreja que se encontra no Gurúè. Por seu turno, a Irmã Maria Imaculada de Oliveira, das Missionárias Claretianas e coordenadora do Grupo, manifestou em nome da CIRMO, a disponibilidade de colaborar com a Diocese, nas várias tarefas que forem necessárias.
Às 17.30 horas do mesmo dia (30.04.2021), Sua Excelência Reverendíssima Dom Inácio Lucas, presidiu a Missa de abertura oficial do académico e formativo no Seminário Propedêutico S. José de Gurúè. Na sua homilia, partindo da Mensagem do Papa para o 58º Dia Mundial de oração pelas Vocações, Dom Inácio falou do sonho, do serviço e da fidelidade, elementos incontornáveis para a realização de uma vocação na Igreja. Convidou aos presentes a ler, reler, e meditar a Mensagem do Papa Francisco.
01.05.2021- Por ocasião da celebração dos 150 anos da Fundação da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, Sua Excelência Reverendíssima Dom Inácio Lucas, presidiu na Paróquia da Imaculada Conceição de Invinha, uma Celebração eucarística alusiva à efeméride acima. Na sua homilia, Dom Inácio agradeceu o trabalho desenvolvido pelas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras no mundo em geral e na nossa Diocese em particular e pediu aos presentes, a colherem lições de vida e doação com o serviço que as Irmãs prestam à Igreja e ao Mundo.
02.05.2021 - Sua Excelência Reverendíssima Dom Inácio Lucas, presidiu a II Missa na Paróquia de São Bernardo, uma das 3 Paróquias sub-urbanas da Vila Municipal de Gurúè.
quarta-feira, 21 de abril de 2021
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 58º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES [25 de Abril de 2021 - IV Domingo da Páscoa]
«São José: o sonho da vocação»
Queridos irmãos e irmãs!
No dia 8 de Dezembro
passado, teve início o Ano especial dedicado a São José, por ocasião do 150º
aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal (cf. Decreto da Penitenciaria Apostólica, 8 de
Dezembro de 2020). Da parte minha, escrevi a carta apostólica Patris corde, com o objetivo de «aumentar
o amor por este grande Santo» (concl.). Trata-se realmente duma figura
extraordinária e, ao mesmo tempo, «tão próxima da condição humana de cada um de
nós» (introd.). São José não sobressaía, não estava dotado de particulares
carismas, não se apresentava especial aos olhos de quem se cruzava com ele. Não
era famoso, nem se fazia notar: dele, os Evangelhos não transcrevem uma palavra
sequer. Contudo, através da sua vida normal, realizou algo de extraordinário
aos olhos de Deus.
Deus vê o coração
(cf. 1 Sam 16, 7) e, em São José, reconheceu um coração de
pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isto mesmo que as vocações
tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias. O Senhor deseja moldar
corações de pais, corações de mães: corações abertos, capazes de grandes
ímpetos, generosos na doação, compassivos para consolar as angústias e firmes
para fortalecer as esperanças. Disto mesmo têm necessidade o sacerdócio e a
vida consagrada, particularmente nos dias de hoje, nestes tempos marcados por
fragilidades e tribulações devidas também à pandemia que tem suscitado
incertezas e medos sobre o futuro e o próprio sentido da vida. São José vem em
nossa ajuda com a sua mansidão, como Santo ao pé da porta; simultaneamente
pode, com o seu forte testemunho, guiar-nos no caminho.
A vida de São José
sugere-nos três palavras-chave para a vocação de cada um. A
primeira é sonho. Todos sonham realizar-se na vida. E é justo
nutrir aspirações grandes, expectativas altas, que objetivos efémeros como o
sucesso, a riqueza e a diversão não conseguem satisfazer. Realmente, se
pedíssemos às pessoas para traduzirem numa só palavra o sonho da sua vida, não
seria difícil imaginar a resposta: «amor». É o amor que dá sentido à vida,
porque revela o seu mistério. Pois só se tem a vida que
se dá, só se possui de verdade a vida que se doa plenamente. A este
propósito, muito nos tem a dizer São José, pois, através dos sonhos que Deus
lhe inspirou, fez da sua existência um dom.
Os Evangelhos
falam de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Apesar de
serem chamadas divinas, não eram fáceis de acolher. Depois de cada um dos
sonhos, José teve de alterar os seus planos e entrar em jogo para executar os
misteriosos projetos de Deus, sacrificando os próprios. Confiou plenamente.
Podemos perguntar-nos: «Que era um sonho noturno, para o seguir com tanta
confiança?» Por mais atenção que se lhe pudesse prestar na antiguidade, valia
sempre muito pouco quando comparado com a realidade concreta da vida. Todavia
São José deixou-se guiar decididamente pelos sonhos. Porquê? Porque o seu
coração estava orientado para Deus, estava já predisposto para Ele. Para o seu
vigilante «ouvido interior» era suficiente um pequeno sinal para reconhecer a
voz divina. O mesmo se passa com a nossa vocação: Deus não gosta de Se revelar
de forma espetacular, forçando a nossa liberdade. Transmite-nos os seus
projetos com mansidão; não nos ofusca com visões esplendorosas, mas dirige-Se
delicadamente à nossa interioridade, entrando no nosso íntimo e falando-nos
através dos nossos pensamentos e sentimentos. E assim nos propõe, como fez com
São José, metas elevadas e surpreendentes.
Na realidade, os
sonhos introduziram José em aventuras que nunca teria imaginado. O primeiro
perturbou o seu noivado, mas tornou-o pai do Messias; o segundo fê-lo fugir
para o Egito, mas salvou a vida da sua família. Depois do terceiro, que
ordenava o regresso à pátria, vem o quarto que o levou a mudar os planos, fazendo-o
seguir para Nazaré, onde precisamente Jesus havia de começar o anúncio do Reino
de Deus. Por conseguinte, em todos estes transtornos, revelou-se vitoriosa a
coragem de seguir a vontade de Deus. Assim acontece na vocação: a chamada
divina impele sempre a sair, a dar-se, a ir mais além. Não há fé sem risco. Só
abandonando-se confiadamente à graça, deixando de lado os próprios programas e
comodidades, é que se diz verdadeiramente «sim» a Deus. E cada «sim» produz
fruto, porque adere a um desígnio maior, do qual entrevemos apenas alguns
detalhes, mas que o Artista divino conhece e desenvolve para fazer de cada vida
uma obra-prima. Neste sentido, São José constitui um ícone exemplar do
acolhimento dos projetos de Deus. Trata-se, porém, de um acolhimento ativo,
nunca de abdicação nem capitulação; ele «não é um homem resignado passivamente.
O seu protagonismo é corajoso e forte» (Carta ap. Patris corde, 4). Que ele ajude a todos,
sobretudo aos jovens em discernimento, a realizar os sonhos que Deus tem para
cada um; inspire a corajosa intrepidez de dizer «sim» ao Senhor, que sempre
surpreende e nunca desilude!
Uma segunda palavra
marca o itinerário de São José e da vocação: serviço. Dos
Evangelhos, resulta como ele viveu em tudo para os outros e nunca para si
mesmo. O Povo santo de Deus chama-lhe castíssimo esposo,
desvendando assim a sua capacidade de amar sem nada reservar para si próprio.
Libertando o amor de qualquer posse, abriu-se realmente a um serviço ainda mais
fecundo: o seu cuidado amoroso atravessou as gerações, a sua custódia solícita
tornou-o patrono da Igreja. Ele que soube encarnar o sentido oblativo da vida,
é também patrono da boa-morte. Contudo o seu serviço e os seus sacrifícios só
foram possíveis, porque sustentados por um amor maior: «Toda a verdadeira
vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício.
Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade.
Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação
do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de
significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir
infelicidade, tristeza e frustração» (Ibid., 7).
O serviço,
expressão concreta do dom de si mesmo, não foi para São José apenas um alto
ideal, mas tornou-se regra da vida diária. Empenhou-se para encontrar e adaptar
um alojamento onde Jesus pudesse nascer; prodigalizou-se para O defender da fúria
de Herodes, apressando-se a organizar a viagem para o Egito; voltou rapidamente
a Jerusalém à procura de Jesus que tinham perdido; sustentou a família
trabalhando, mesmo em terra estrangeira. Em resumo, adaptou-se às várias
circunstâncias com a atitude de quem não desanima se a vida não lhe corre como
queria: com a disponibilidade de quem vive para servir.
Com este espírito, José empreendeu as viagens numerosas e muitas vezes
imprevistas da vida: de Nazaré a Belém para o recenseamento, em seguida para Egito,
depois para Nazaré e, anualmente, a Jerusalém, sempre pronto a enfrentar novas
circunstâncias, sem se lamentar do que sucedia, mas disponível para dar uma mão
a fim de reajustar as situações. Pode-se dizer que foi a mão estendida do
Pai Celeste para o seu Filho na terra. Assim não pode deixar de ser modelo para
todas as vocações, que a isto mesmo são chamadas: ser as mãos operosas
do Pai em prol dos seus filhos e filhas.
Por isso gosto de
pensar em São José, guardião de Jesus e da Igreja, como guardião das
vocações. Com efeito, da própria disponibilidade em servir, deriva o
seu cuidado em guardar. «Levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe» (Mt 2,
14): refere o Evangelho, indicando a sua disponibilidade e dedicação à família.
Não perdeu tempo a cismar sobre o que estava errado, para não o subtrair a quem
lhe estava confiado. Este cuidado atento e solícito é o sinal duma vocação
realizada. É o testemunho duma vida tocada pelo amor de Deus. Que belo exemplo
de vida cristã oferecemos quando não seguimos obstinadamente as nossas ambições
nem nos deixamos paralisar pelas nossas nostalgias, mas cuidamos de quanto nos
confia o Senhor, por meio da Igreja! Então Deus derrama o seu Espírito, a sua
criatividade sobre nós; e realiza maravilhas, como em José.
Além da chamada de
Deus – que realiza os nossos sonhos maiores – e da nossa
resposta – que se concretiza no serviço pronto e no cuidado
carinhoso –, há um terceiro aspeto que atravessa a vida de São José e a vocação
cristã, cadenciando o seu dia a dia: a fidelidade. José é o «homem
justo» (Mt 1, 19) que, no trabalho silencioso de cada dia,
persevera na adesão a Deus e aos seus desígnios. Num momento particularmente
difícil, detém-se «a pensar» em tudo (cf. Mt 1, 20). Medita,
pondera: não se deixa dominar pela pressa, não cede à tentação de tomar
decisões precipitadas, não segue o instinto nem se cinge àquele instante. Tudo
repassa com paciência. Sabe que a existência se constrói apenas sobre uma
contínua adesão às grandes opções. Isto corresponde à laboriosidade calma e
constante com que desempenhou a profissão humilde de carpinteiro (cf. Mt 13,
55), pela qual inspirou, não as crónicas da época, mas a vida quotidiana de
cada pai, cada trabalhador, cada cristão ao longo dos séculos. Porque a
vocação, como a vida, só amadurece através da fidelidade de cada dia.
Como se alimenta
esta fidelidade? À luz da fidelidade de Deus. As primeiras palavras recebidas
em sonho por São José foram o convite a não ter medo, porque Deus é fiel às
suas promessas: «José, filho de David, não temas» (Mt 1, 20). Não
temas: são estas as palavras que o Senhor dirige também a ti, querida irmã,
e a ti, querido irmão, quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como
inadiável o desejo de Lhe doar a vida. São as palavras que te repete quando no
lugar onde estás, talvez no meio de dificuldades e incompreensões, te esforças
por seguir diariamente a sua vontade. São as palavras que descobres quando, ao
longo do itinerário da chamada, retornas ao primeiro amor. São as palavras que,
como um refrão, acompanham quem diz sim a Deus com a vida como São José: na
fidelidade de cada dia.
Esta fidelidade é
o segredo da alegria. Como diz um hino litúrgico, na casa de Nazaré reinava
«uma alegria cristalina». Era a alegria diária e transparente da simplicidade,
a alegria que sente quem guarda o que conta: a proximidade fiel a Deus e ao
próximo. Como seria belo se a mesma atmosfera simples e radiosa, sóbria e
esperançosa, permeasse os nossos seminários, os nossos institutos religiosos,
as nossas residências paroquiais! É a alegria que vos desejo a vós, irmãos e
irmãs que generosamente fizestes de Deus o sonho da vida, para
O servir nos irmãos e irmãs que vos estão confiados, através
duma fidelidade que em si mesma já é testemunho, numa época
marcada por escolhas passageiras e emoções que desaparecem sem gerar a alegria.
São José, guardião das vocações, vos acompanhe com coração de pai!
Roma, São João de Latrão, 19
de Março de 2021, Solenidade de São José
Francisco
Fonte: www.vatican.va


