quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

QUINTA FEIRA VI SEMANA TEMPO COMUM 21 fevereiro 2019


Tempo Comum - Anos Ímpares - VI Semana - Quinta-feira

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019


Tempo Comum - Anos Ímpares - VI Semana - Quarta-feira

domingo, 17 de fevereiro de 2019

VI DOMINGO DO T C – ANO C - 17 FEVEREIRO 2019


VI DOMINGO DO T C – ANO C  -  17 FEVEREIRO 2019
A Palavra de Deus que nos é proposta neste domingo leva-nos a reflectir sobre o protagonismo que Deus e as suas propostas têm na nossa existência.
A primeira leitura põe frente a frente a auto-suficiência daqueles que prescindem de Deus e escolhem viver à margem das suas propostas, com a atitude dos que escolhem confiar em Deus e entregar-se nas suas mãos. O profeta Jeremias avisa que prescindir de Deus é percorrer um caminho de morte e renunciar à felicidade e à vida plenas.

LEITURA I – Jer 17,5-8
Todos conhecemos a desilusão e a frustração que resultam da confiança traída. É uma experiência bem dolorosa confiar/esperar e receber traição/ingratidão. Em certos momentos extremos, parece que tudo se desmorona à nossa volta e que perdemos a vontade de continuar a construir a nossa vida. A leitura de hoje põe-nos de sobreaviso: tudo o que é humano é efémero, limitado, finito; só em Deus encontramos o rochedo seguro que não falha e que não nos decepciona.
O nosso mundo conhece espantosas construções no domínio da arte e da técnica… Abismamo-nos com os progressos da medicina, com os avanços tecnológicos,  instrumentos que nos facilitam a vida e nos permitem alcançar fronteiras nunca antes sonhadas No entanto, o que fizemos de Deus? Ele continua a ser a nossa indicação fundamental? É n’Ele que colocamos a nossa esperança? As conquistas da vida moderna, por mais impressionantes que nos possam parecer, são algo de efémero, de árido, de vazio e, às vezes, de monstruoso, se prescindimos dessa dimensão fundamental que é Deus.
LEITURA II – 1 Cor 15,12.16-20.
A segunda leitura, falando da nossa ressurreição – consequência da ressurreição de Cristo –, sugere que a nossa vida não pode ser lida exclusivamente à luz dos critérios deste mundo: ela atinge o seu sentido pleno e total quando, pela ressurreição, desabrocharmos para o Homem Novo. Ora, isso só acontecerá se não nos conformarmos com a lógica deste mundo, mas apontarmos a nossa existência para Deus e para a vida plena que Ele tem para nós.
A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante – ainda quando feita no sofrimento e na dor – em direcção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo.
• Isso não quer dizer que devamos ignorar as coisas boas deste mundo, vivendo apenas à espera da recompensa futura, no céu; quer dizer que a nossa existência deve ser – já neste mundo – uma busca da vida e da felicidade; isso implicará uma não conformação com tudo aquilo que nos rouba a vida e que nos impede de alcançar a felicidade plena, a perfeição última (a nós e a todos os homens nossos irmãos).
• Não é possível viver com medo, depois desta descoberta: podemos comprometer-nos na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça e a opressão não podem pôr fim à vida que nos anima; e é na medida em que nos comprometemos com esse mundo novo e o construímos com gestos concretos que estamos a anunciar a ressurreição plena do mundo, dos homens e das coisas.
EVANGELHO – Lc 6,17.20-26.
O Evangelho proclama “felizes” esses que constroem a sua vida à luz dos valores propostos por Deus e infelizes os que preferem o egoísmo, o orgulho e a auto-suficiência. Sugere que os preferidos de Deus são os que vivem na simplicidade, na humildade e na debilidade, mesmo que, à luz dos critérios do mundo, eles sejam desgraçados, marginais, incapazes de fazer ouvir a sua voz diante do trono dos poderosos que presidem aos destinos do mundo.

A proposta de Jesus apresenta uma nova compreensão da existência, bem distinta da que predomina no nosso mundo. A lógica do mundo proclama “felizes” os que têm dinheiro (mesmo quando esse dinheiro resulta da exploração dos mais pobres), os que têm poder (mesmo que esse poder seja exercido com prepotência e arbitrariedade), os que têm influência (mesmo quando essa influência é obtida à custa da corrupção e dos meios ilícitos); mas a lógica de Deus exalta os pobres, os desfavorecidos, os débeis: é a esses que Deus Se dirige com uma proposta libertadora e a quem convida a fazer parte da sua família.
Fonte: Resumo/adaptação de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia/

sábado, 16 de fevereiro de 2019

SÁBADO – V SEMANA – T C – ANOS ÍMPARES – 16.02.2019


SÁBADO – V SEMANA – T C – ANOS ÍMPARES – 16.02.2019
Primeira leitura: Génesis 3, 9-24
O Senhor Deus deu esta ordem ao homem: «Não comas o da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás.» (v. 17). Não se trata de uma ameaça de Deus, mas de um aviso: fica a saber que, se fizeres isso, te acontecerá isto e aquilo. Deus revela um nexo de causa e efeito: o pecado produz a morte (cf. Gn 1, 15).
Mas a mulher, quando refere à serpente a palavra de Deus, introduz algumas ligeiras alterações que a mudam: «Deus disse: ‘Nunca o deveis comer, nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis´.» Nestas palavras pressente-se a ameaça de um castigo. Por isso é que a mulher nem sequer ousa tocar na árvore.
É significativo que também nós, hoje, chamemos “interrogatório” ao diálogo entre Deus e o homem, como se se tratasse de um acto judicial. Na realidade, trata-se de um puro acto de misericórdia. Deus procura o homem – «onde estás?» – para lhe dizer que não o abandona, apesar do pecado. Não se trata de perguntas intimidatórias, mas pedagógicas. Deus dirige-se a Adão e Eva como se não soubesse de nada, para os ajudar a tomar consciência do seu pecado.
As consequências do pecado são temperadas pela misericórdia. O homem não morre, como estava previsto. A sua vida terrena será penosa, como continuamos a verificar em nós mesmos, mas não é posta sob o signo do castigo e da maldição. A serpente é amaldiçoada. O homem e a mulher, não.
Evangelho: Marcos 8, 1-10
Mais importante que saber se se trata de um ou de dois prodígios diferentes, é conhecer as intenções querigmáticas do evangelista.
Toda esta secção parece orientada para realçar a finalidade da evangelização, incluindo o seu aspecto taumatúrgico, a saber: libertar o homem da alienação e de tudo o que ameaça a sua existência, não só no limite extremo entre a vida e a morte, mas também na sua acção de cada dia.
O evangelista parece querer realçar a multiplicação dos pães como prefiguração da eucaristia cristã e das suas implicações a favor dos pagãos. De facto, anota: «alguns vieram de longe» (v. 3b).
Além disso, a compaixão de Jesus é suscitada pela miséria física daquela gente que andava com Ele havia três dias. É este sentimento de compaixão que provoca o milagre. É esse mesmo sentimento que há-de levar à partilha na comunidade, em favor dos carenciados.
«Arrancarás alimento à custa de penoso trabalho», lemos na primeira leitura (v. 17). O evangelho, ao referir a milagrosa multiplicação dos pães, parece contradizer a palavra de Deus aos nossos primeiros pais. Que significa este contraste entre a primeira leitura e o evangelho? Significa que Jesus vai reparar completamente os pecados do homem, dando-lhe acesso à verdadeira prosperidade.
O relato do Génesis mostra-nos as consequências do pecado. O pecado separa-nos de Deus. Mas também dos nossos semelhantes: «Foi a mulher que trouxeste para junto de mim que me ofereceu da árvore e eu comi» (v. 12). Adão acusa a Deus e acusa a mulher! A mulher, por sua vez, também atira a culpa para a serpente: «A serpente enganou-me e eu comi» (v. 12).
O comportamento de Adão e de Eva é infantil. Não assumem as próprias responsabilidades e procuram atribuí-las a outros. Se pensarmos bem, também nós, por vezes, fazemos esse triste papel, criando separações entre nós.
O sofrimento vivido na vontade de Deus une; a alegria vivida fora da vontade de Deus separa. A unidade e a comunhão encontram-se na vontade de Deus ou, se preferirmos, no amor de Deus manifestado na sua vontade, que acolhemos e realizamos.
Mas a primeira leitura, além de situações deploráveis, também contém promessas. Logo que o homem pecou, Deus concebeu um projecto para reparar o pecado do homem e restabelecê-lo na comunhão Consigo e com os outros homens: «Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta esmagar-te-á a cabeça », diz Deus à serpente (v. 15). Esta promessa realizou-se na história de Maria, Mãe de Jesus, e na história do próprio Jesus.
No Calvário, Maria foi solidária com Cristo na obra da nossa redenção, e foi solidária connosco, porque não se separou dos pecadores. Aceitou o sofrimento de Cristo, e uniu-se a ele, para redenção dos pecadores. Ofereceu-se com Cristo para glória de Deus e salvação dos homens.
Fonte: adaptação de um texto de F. Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia”

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

QUINTA-FEIRA - V SEMANA - T C - ANOS ÍMPARES - 14 FEVEREIRO 2019


QUINTA-FEIRA - V SEMANA - T C - ANOS ÍMPARES - 14 FEVEREIRO 2019
Primeira leitura: Génesis 2, 18-25
O homem só, sem companhia nem ajuda, não é homem, nem pode viver como tal. A primeira ajuda vem-lhe dos animais domésticos. O homem adamita é domesticador de animais e cultivador da terra. É o tipo de homem posterior ao neolítico.
O homem é superior aos animais, pois é capaz de lhes dar nomes e de lhes destinar um lugar no âmbito dos seus domínios. Mas não é no âmbito do domínio que o homem encontra a ajuda adequada, mas no diálogo com o tu semelhante, não dominado mas igual. O javista situa nesse lugar a mulher, que no caso representa todos os humanos.
O sono profundo não permite ao homem assistir ao nascimento do seu semelhante. Encontrá-lo-á já diante de si, como ele, na mesma condição. Só tem que acolhê-lo, aceitá-lo.
O homem só é uma criatura incompleta. Em Gn 1, depois de ter criado o homem macho e fêmea, Deus considerou que tudo «era muito bom» (Gn 1, 31). Em Gn 2, o homem macho, só, não é bom (cf. Gn 2, 18). A solidão do homem não é boa porque ele não é Deus. Só Deus é grande.
A solidão implica grandeza, auto-suficiência. O homem é pequeno, deve crescer e multiplicar-se. Deve percorrer um caminho, não pode permanecer só. Para ter uma história, precisa de um partner. A mulher é «uma auxiliar semelhante a ele» (v. 18.20). Uma tradução mais exacta diria: é um auxiliar contra ele, porque lhe resiste, se lhe opõe, rompe a sua solidão, a sua auto-suficiência. É uma ajuda porque o limita no seu desejo de omnipotência, porque o força a sair do seu isolamento.
O autor do Génesis é muito realista ao falar da relação homem-mulher. Essa relação pode tornar-se conflituosa, como veremos em Gn 3, 16. Mas é abençoada porque arranca o homem, e arranca a mulher, da sua solidão. É por isso que o primeiro encontro entre um homem e uma mulher tem sempre algo de fascinante.
Evangelho: Marcos 7, 24-30
Depois de ter curado muitos doentes e discutido com os fariseus em Genesaré, Jesus prossegue a sua viagens por Tiro, Sídon e Decápole, terras pagãs. E também aí realiza milagres: a cura da filha da mulher cananeia, que escutamos hoje, e a do surdo-mudo, que escutaremos amanhã.
No diálogo com a mulher cananeia emerge a tensão entre o papel proeminente de Israel na história da salvação e o universalismo da mesma salvação. Não só os «filhos», os judeus, mas também os «cães», os pagãos, segundo a metáfora, são chamados à salvação.
A única condição é escutar a Boa Nova e acolher Jesus como Senhor: «Dizes bem, Senhor...», exclama a mulher. «Em atenção a essa palavra, - diz-lhe Jesus - vai; o demónio saiu de tua filha» (v. 30). A fé da cananeia dissolveu a tensão e alcançou-lhe o milagre. A filha foi libertada do demónio.
No diálogo entre Jesus e a mulher aparecem as expressões «pão dos filhos» e «migalhas dos cachorrinhos» (v. 28). É já um anúncio do milagre da multiplicação dos pães, que Marcos narrará pouco depois (cf. Mc 8, 1-10).
Jesus também continua a rebater, com palavras e acções, o legalismo dos judeus, dando atenção ao mundo e à cultura grega. Não esqueçamos que Marcos escreve para uma comunidade cristã grega.

As diferenças entre o homem e a mulher sempre suscitaram diversos sentimentos que podem ir desde a irritação, por se ter necessidade de alguém diferente de nós mesmos, até à tentação de desprezar o que é diferente.
O desprezo da mulher pelo homem, a misoginia, bem como o desprezo do homem pela mulher, a misantropia, são tentações tão velhas como a humanidade. No nosso tempo, assistimos a algumas tentativas, no mínimo ridículas, para disfarçar as diferenças entre homem e mulher.
A Bíblia já reagiu para demonstrar que as diferenças entre o homem e a mulher têm em vista a sua complementaridade e a vocação ao amor na unidade.
O relato bíblico insiste na fundamental igualdade e na profunda unidade entre o homem e a mulher. Deus verifica que o homem precisa de um auxiliar e procura-lho. O homem tem que aceitar serenamente a ideia de não ser completo em si mesmo, de precisar de um auxiliar que lhe seja igual.
Neste momento que o autor sagrado insere a criação dos animais. O homem não encontra entre eles um que lhe seja semelhante (cf. v 20). Isto quer dizer que a mulher não é um animal. É certo que em muitas civilizações ela foi, e ainda continua a ser tratada como besta de carga.
Mas o relato bíblico mostra que os animais são diferentes do homem, estão a outro nível, onde o homem não encontra, nem pode encontrar, o auxiliar de que precisa. Então, Deus intervém para lhe dar a ajuda de que precisa:
 «Então, o Senhor Deus fez cair sobre o homem um sono profundo; e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma das suas costelas, cujo lugar preencheu de carne. Da costela que retirara do homem, o Senhor Deus fez a mulher e conduziu-a até ao homem» (v. 21-22).
É um modo imaginativo de dizer a profunda unidade entre o homem e a mulher. É esta unidade que o homem reconhece quando afirma:
«Esta é, realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á mulher (em hebraico: ishsha), visto ter sido tirada do homem (em hebraico: ish)!» (v. 23).
O homem reconhece que a mulher é o auxiliar de que precisava. "Precisar" é sempre, em certo sentido, ser inferior. A mulher, por sua vez, tem de reconhecer que foi feita para ajudar o homem. Esta é a perspectiva do Antigo Testamento.
Com Cristo, algo mudou na relação homem-mulher. S. Paulo afirma que, em Cristo, já não há homem nem mulher, e que a igualdade se tornou muito mais fundamental. Já não há Judeu ou pagão, homem livre ou escravo. Todos são um em Cristo. A unidade em Cristo relativiza qualquer diferença.
Noutro passo, o Apóstolo diz que não há homem sem mulher, nem mulher sem homem, no Senhor. A mulher não existe sem o homem. O homem nasce da mulher e tudo isso vem de Deus. Homens e mulheres havemos de estar conscientes de que, a diferença e a complementaridade são necessárias para caminharmos no amor, saindo de nós mesmos e acolhendo o outro.
Podemos ser tentados a procurar alguém idêntico a nós, a procurar a nossa imagem noutro. Mas isso pode ser uma forma de narcisismo. Aceitar alguém diferente de si mesmo é sair de si, e dar passos no amor, que é sempre saída de si mesmo. Homens e mulheres, precisamos de ajuda para caminhar no amor.
Os Padres da Igreja viram no relato da criação da mulher, a partir de uma costela de Adão, o nascimento da Igreja do Lado de Cristo, morto na Cruz.
Fonte:
Resumo/adaptação local de um texto de F. Fonseca em “Dehonianos.org/portal/liturgia”