
P. LOURENÇO
PISTELLI

Na tarde daquele mesmo dia Jesus disse aos seus discípulos: “Passamos para
a outra margem”. (Mc 4,35)
Padre Lourenço
Pistelli faleceu na madrugada do dia 19 de Fevereiro de 2017 na casa de
Bolognano, na Itália. Nesta casa, reservada aos confrades anciãos e doentes,
ele passou os seus últimos quatro anos.
Tinha nascido
no dia 1 de Maio de 1923 a Léguinho, uma pequena aldeia nas colinas da
Província de Reggio Emília na Itália, uma aldeia que deu muitas vocações para a
vida religiosa e a vida sacerdotal. Passou os anos da escola secundária no
Seminário Menor dos padres do Sagrado Coração de Jesus em Albino e o noviciado
em Albissola, onde emitiu a sua primeira profissão a 29 de Setembro de 1942. Os
anos de liceu e de teologia os passou em várias partes conforme a guerra
mundial em curso naqueles anos obrigava a se refugiar. Foi ordenado sacerdote
em Bologna no dia 25 de Junho de 1950.
Logo depois da
ordenação sacerdotal manifestou o seu desejo de partir para as missões da
África. Estas as palavras que escreveu no seu pedido: “As missões da África sempre foram o meu mais vivo desejo e, se o
Coração de Jesus me chamar, Reverendo Padre, sou feliz de partir com a
esperança de ser útil no meio daquele povo”.
Não sendo logo
atendido, repetiu o pedido dois anos mais tarde, em 1952. Embora os médicos não
aconselhassem este tipo de escolha por causa da sua saúde, os superiores
aceitara e ele partiu para Moçambique.
Iniciou a sua
atividade missionária na fundação e nos primeiros passos do Catequistado, antes
em Alto Molócuè e depois em Nauela.
Mas a sua
grande obra missionária foi na Missão de Pilima, em Mualama, no Distrito de
Pebane. Ai ficou e trabalhou dando o melhor de si mesmo até ao ano de 1969,
quando teve de regressar para Itália. Em Mualama, junto com os outros Padres,
construiu todas as obras da missão: casa dos Padres e das Irmãs, igreja, lares
para rapazes e para meninas, escolas, hospital, plantações de coqueiros e de
cajueiros…, além do trabalho maior da evangelização, fundando comunidades
cristãs e acompanhando-as no seu crescimento.
Uma das suas
alegrias foi poder voltar, mesmo se por breves tempos, três vezes a Moçambique
e poder rever lugares, pessoas, comunidades e reviver as emoções do encontro e
da alegria de ver crescido o que ele tinha deixado.
O que foi
bonito é que, regressando para Itália, não mudou o seu estilo de vida simples e
imediato, acolhedor para com todos, quer no empenho de apoiar jovens objetores
de consciência contro o serviço militar obrigatório, quer nos longos anos em
que foi pároco em Banharola. Em Banharola fez de um povo disperso e bastante
insensível à religião e à prática religiosa, uma comunidade paroquial unida,
fervorosa e serviçal. Banharola, paróquia do campo, tornou-se também
hospitaleira de grupos para retiros ou reflexões de grupos.
O que
caraterizou sempre a vida do padre Lourenço foi o entusiasmo e a constância em
levar a frente tudo o que, ao longo da sua vida, lhe foi confiado pela
Congregação e pala Igreja.
Mesmo se o
Padre deixou Moçambique há muitos anos, nos sentimos ligados a ele de uma forma
particular, porque sempre viveu os problemas de Moçambique, quer políticos,
quer eclesiais em primeira pessoa, sentindo e participando aos acontecimentos
como se estivesse presente: o colonialismo, o entusiasmo da independência, a
revolução, a guerra civil e o desejo de reconstrução nacional.
Ora encontra-se
enterrado no cemitério da sua aldeia natal, em Léguinho. Nos sentimos
solidários na oração com toda a Província Italiana scj, com os seus familiares
e amigos e renovamos mais uma vez a nossa fé na Ressurreição do Senhor e na
nossa própria ressurreição. Que o Senhor o acolha na sua bondade e lhe de o
prémio de contemplar o seu rosto em eterno. E… um obrigado sentido ao Senhor
por ter-nos concedido este Padre