quinta-feira, 11 de outubro de 2012

ANO DA FÉ NA DIOCESE DE GURÚÈ: Carta Pastoral de D. Francisco


“Firmes na Fé”.

Carta Pastoral de D. Francisco Lerma, Bispo de Gurúè, para transmitir à Diocese a proclamação do Ano da Fé (2012- 2013), instituído pelo Papa Bento XVI para toda a Igreja
 Caríssimos diocesanos:

“Permanecei firmes na Fé” (1 Cor 16,7). Com estas palavras do Apóstolo Paulo, dirigidas às primeiras comunidades cristãs de Corinto, saúdo a cada um de vós, baptizados, catecúmenos, sacerdotes, religiosas e religiosos, animadores das comunidades nos seus vários ministérios e serviços, e pessoas de boa vontade da nossa Igreja local da Alta Zambézia que, unidos, formamos a Diocese de Gurúè.
Vos escrevo para vivermos o Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI, em comunhão diocesana e com toda a Igreja, renovando a nossa Fé em Cristo, vivendo os compromissos baptismais e apostólicos. Segundo as orientações do Papa, o Ano da Fé terá o seu início no dia 11 de Outubro de 2012, coincidindo com o Cinquentenário da Abertura do Concílio Vaticano II, e o seu encerramento será no dia 24 de Novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei (BENTO XVI, A Porta da  Fé, 4).

Com esta carta quero também indicar-vos as orientações comuns para que, numa visão e pastoral de conjunto, tenhamos em conta os acontecimentos e os Planos Pastorais que nos vêm de várias instâncias. Durante o Ano da Fé devemos lembrar com especial atenção, nas diversas programações que se vão realizando a nível diocesano, paroquial e nas comunidades, o seguinte:
·        Acontecimentos que devemos viver em comunhão com a Igreja Universal: Cinquentenário do Concílio Vaticano II; 20º Aniversário do Catecismo da Igreja Católica; o Sínodo sobre a Nova Evangelização; a Jornada Mundial da Juventude (Rio de Janeiro 22-29 de Julho 2013).
·        Em comunhão com toda a Africa: Conclusões do II Sínodo para África; as orientações das Conferências Episcopais de todo o Continente (SECAM), em geral e da África Austral (IMBISA), em particular.
·        Em comunhão com todas as Dioceses de Moçambique: o Plano Pastoral da CEM.
·        Na programação diocesana:
·        a) continuar com os compromissos assumidos na VI Assembleia Diocesana de Pastoral para 2012, Ano Diocesano da Unidade e da Eucaristia, bem como da Sustentabilidade Económica;
·        b)para 2013, Ano Diocesano da Evangelização e Catequese; a Sustentabilidade Económica como assunto transversal e permanente deve continuar a merecer a nossa atenção; o XX Aniversário da Criação da Diocese.
·        Na programação paroquial: concretizar com actividades bem definidas e possíveis de realizar.
·        A nível pessoal: renovação da vivência dos nossos compromissos como discípulos de Cristo, sendo coerentes com a fé que professamos.  

Um panorama muito vasto! Acredito que com a dedicação e colaboração de todos saberemos encontrar uma linha de fundo comum que nos permita concretizar em pequenas actividades muito concretas e ao nosso alcance, tendo em conta as possibilidades da nossa realidade geográfica, humana, eclesial e económica. Eis o desafio que lanço a todos, aos Consultores, aos membros do Conselho Presbiteral, aos responsáveis do Secretariado Diocesano de Pastoral, dos Departamentos e das Comissões Diocesanas, aos Catequistas, aos Animadores dos vários ministérios e a todos os cristãos.
Como ainda estamos no ano da Unidade Diocesana e da Eucaristia, lembro-vos o que continuamente tenho estado a frisar nas minhas visitas pastorais: Juntos e muito unidos entre nós daremos pequenos passos, passos nossos, e chegaremos longe, sejam quais forem os problemas que tenhamos que enfrentar. Isolados, por caminhos paralelos ou divididos não conseguiremos dar um passo em frente e nunca chegaremos à meta pretendida.

Acho que os pontos salientes do documento do Papa “A Porta da Fé” incluem e, de certa maneira, encontram relação com cada um dos aspectos mais característicos dos Planos Pastorais e dos acontecimentos abrangidos no período de tempo do Ano da Fé (Outubro 2012 – Novembro 2013).
Devemos pormo-nos a caminho, diz Bento XVI, para conduzirmos todos os homens à plenitude da vida, ao encontro com Aquele que dá a vida e a vida em abundância, ao encontro com Deus que é Pai, fonte de toda a Vida e de todo Amor. Este objectivo fundamental do Ano da Fé deve orientar o nosso Ano Pastoral de 2013, Ano Diocesano da Evangelização e Catequese. Trata-se do objectivo de toda a obra da Evangelização: João Baptista mostrou Jesus já presente com estas palavras: “Eis o cordeiro de Deus” (Jo 1,36); André diz ao seu irmão Pedro e aos amigos quando o encontrou: “Encontramos o Messias” (Jo 1,41). Jesus pede à Samaritana para ela acreditar n’Ele e a beber da água viva (Jo 2,14 e ss) e lhe diz: “Mulher, acredita em Mim” (Jo, 4,21).

Por isso que na revitalização da nossa catequese devemos rever se os nossos catecúmenos, se as crianças da 1ª Comunhão, se os que se preparam para receberem o Crisma, se os que se preparam para o Casamento, no fim da própria caminhada, foram ao encontro com Cristo, se fizeram experiência pessoal de Deus nas suas vidas, se aprenderam a encontrar-se face a face com Deus, como Moisés, o amigo de Deus (Ex  33,11; Nm 12,7-8); Deut 34,10). Com o Pai entramos em conversa amiga e confidente, em oração intima e espontânea e não apenas com orações decoradas. Com Ele devemos aprender a entrar confiadamente na sua amizade.
No ensino da catequese devemos analisar se exigimos dos catequizandos apenas a aprendizagem de fórmulas e respostas do catecismo, esquecendo a conversão, a mudança de vida, a vivência e o testemunho. É muito importante este aspecto de levar e preparar ao encontro com Cristo os nossos catecúmenos e os que se preparam para os vários sacramentos. Mas isto não será possível se nós próprios, catequistas, animadores das comunidades e dos vários ministérios, as religiosas e os religiosos, os sacerdotes e o Bispo não vivemos a fé que professamos. Nós, antes de sermos responsáveis pela animação pastoral das comunidades, somos cristãos, como muito bem escreveu Santo Agostinho: “Para vós sou bispo, convosco sou cristão”. Por isso, devemos acreditar e viver o que ensinamos aos fiéis. A primeira catequese é a própria vivência da fé, a vida de cada um de nós como cristãos e discípulos do Senhor, o testemunho do que acreditamos e professamos com os lábios.

Deveríamo-nos perguntar se passamos muito ou pouco tempo em oração silenciosa e contemplativa diante do Senhor antes de iniciarmos as nossas actividades pastorais e, mais concretamente, antes do encontro de  catequese. Nunca deveríamos dar catequese ou fazer uma homilia ou dirigir uma reunião do conselho paroquial ou da comunidade, sem antes meditarmos e orarmos diante do Senhor sobre o que vamos transmitir aos nossos irmãos. O nosso trabalho não é o de cumprir uma tarefa profissional. Nós não somos funcionários da Igreja. Somos apenas servidores da palavra e das comunidades: “Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também” (Jo 13, 15-16); “Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra.» ( Act 6,4).
 Os ministérios que exercemos nas comunidades não são para benefício próprio nem uma profissão, mas são serviços livremente oferecidos (cf I Assembleia Nacional de Pastoral, Conclusões, 1), que devem ser feitos para o bem comum das comunidades: “A cada um é dada a manifestação do Espírito, para proveito comum” (1Cor. 12, 7). Trata-se de transmitir vida, de comunicar o que nós sentimos e experimentamos, a nossa própria experiência de fé: “Eis a mensagem que ouvimos de Jesus e vos anunciamos: Deus é luz e n’Ele não há nenhuma espécie de trevas” (1Jo 1,5).

Devemos levar aos nossos irmãos a confessar a fé em Cristo Ressuscitado e nosso Salvador na nossa Catedral, nas nossas igrejas paroquiais, nas nossas comunidades, nas nossa casas, no meio das nossas famílias e nas comunidades religiosas (Bento XVI, A Porta da Fé, 8), para que cada um reconheça as exigências da nossa fé cristã e a obrigação de a transmitir aos nossos filhos e aos que ainda não a conhecem. Neste sentido e para não esquecerem os seus compromissos baptismais e ter um meio de oração, os primeiros cristãos aprendiam a de cor o Credo. É o que também nos nossos dias fazemos na catequese, pois ela é um instrumento válido para a transmissão da fé. Devemos escolher dentro dos nossos programas pastorais um dia próprio para professarmos publicamente o credo em que acreditamos. Como sugestão, poderia ser o dia em que nas comunidades se celebra o Baptismo, ou no dia da Festa do próprio Santo Padroeiro.

Mas não é suficiente decorar e conhecermos as fórmulas do credo e das orações do Catecismo. Na catequese devemo-nos esforçar para que os catecúmenos conheçam interiormente o Senhor, se habituem a rezar e a escutá-lo no mais íntimo do coração. Lembremos as palavras de S. Agostinho: “Tu estavas dentro de mim e eu te procurava longe…”. Nós e os que  recebem a catequese devemos acreditar n’Aquele que o Pai enviou, Jesus Cristo: “Disseram-lhe, então: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» Jesus respondeu-lhes: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou»” (Jo 6,28-29).
As pessoas perguntam-nos o que devem fazer para serem baptizados ou para receber este ou aquele sacramento. A nossa resposta é a mesma de S. Pedro: “Que devemos fazer? Pedro respondeu: Arrependei-vos e cada um seja baptizado” (Act 2, 37-38).

Coincidindo com o Cinquentenário da abertura do Concilio Vaticano II, o Papa Bento XVI convocou para o mês de Outubro deste ano um Sínodo geral tendo como tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. Para nós cristãos de África e, em especial, de Moçambique e mais concretamente da nossa Igreja local de Gurúè, deve ser uma ocasião especial para a reflexão sobre a vivência da nossa fé no nosso contexto geográfico, cultural, histórico, político e eclesial. Considerar o número sempre em aumento de cristãos e a qualidade de vida. Vivemos um momento especial que exige de nós o aprofundamento da fé, com vista a enraíza-la, testemunha-la e transmiti-la.

1.      Aprofundar

Passou a primeira fase da obra missionária, do início da acção evangelizadora em Moçambique, o tempo dos binários escola – capela, catequista – professor, Igreja – Estado, o tempo dos primeiros cristãos; passou o tempo difícil da revolução e  tempo trágico da guerra que impediram a normalização da vida das comunidades e da formação sistemática dos agentes da pastoral; passou o tempo da dependência absoluta do exterior quanto aos recursos humanos (missionários) e económicos, e quanto à reflexão teológica e pastoral; quanto à organização interna da Igreja e quanto às expressões litúrgicas.
Passamos de uma dependência total do exterior à consolidação da Igreja local, a partir dos próprios recursos; de uma igreja totalmente dependente dos missionários vindos de outras igrejas à constituição do clero local.

Por tuto isto, chegou a hora de aprofundarmos o conhecimento e a vivência do Evangelho que os primeiros missionários nos transmitiram com grande zelo apostólico e dedicação total da própria vida, apesar do desconhecimento profundo da nossa realidade socio-cultural, da nossa história, da maneira de pensar e de agir. Mesmo assim, com a sua fragilidade, com muito amor e sacrifício evangelizaram o nosso País, transmitindo-nos a mensagem de Jesus. Toca a nós aprofundar nas verdades transmitidas e no testemunho do que professamos.
2.      Enraizar

O Sínodo Geral, convocado pelo Papa Bento XVI para o mês de Outubro 2012, vai reflectir sobre A nova evangelização para a transmissão da fé. Para nós, tendo em conta a nossa realidade socio-cultural e eclesial, a nova evangelização supõe principalmente um processo que tenha em conta, entre outros os seguintes aspectos: alma africana, estar em comunidade, respeito e amor pela vida, a igreja-família, a reconciliação, as pequenas comunidades cristãs, a igreja ministerial e a inculturação profunda da fé.
a) Justiça e paz e integridade da natureza

Lutar contra tudo o que é infra-humano: evangelizar no nosso meio hoje significa comprometer-se por superar todo o tipo de miséria, injustiça, violência, guerras, corrupção, descriminação económica, religiosa e de género, e de marginalização; significa ao mesmo tempo, ser construtores da paz a todos os níveis desde o interior das consciências, nas famílias, nos lugares de residência, de trabalho, na gestão pública e em todas as relações humanas.
Significa também criar condições de acesso generalizado à educação e à assistência  sanitária para todos; criar e cultivar relações democráticas entre os cidadãos, na distribuição equitativa da riqueza nacional. Neste sentido, os nossos programas pastorais devem ter em conta as conclusões do II Sínodo especial para África, no documento Africae Munus do Papa Bento XVI, recentemente promulgado. Trata-se de um documento de particular importância para toda a Igreja em África que devemos divulgar, conhecer e estudar em ordem a pôr em prática as suas orientações. O Secretariado Diocesano de Pastoral estudará a modalidade mais prática para tornar acessível a todos os conteúdos deste documento, preparando subsídios apropriados em Português e em Lómwe e programando e realizando cursos nas Regiões e nas paróquias.

b) Inculturação
 Nova evangelização significa igualmente revitalizar o processo de inculturação da fé no nosso meio. Houve iniciativas e diversos trabalhos de pioneiros, mas agora precisamos de um trabalho sistemático e assumido por todos. Chegou a hora do estudo e de tomada de decisões concretas comumente aceites, partilhadas e programadas para evitar que cada um invente a sua inculturação.

A inculturação começa na consciência. Aí, no interior e mais profundo do ser, é que a pessoa começa a fazer a verdadeira síntese entre a fé que lhe é anunciada e a sua cultura. No coração tocado pela graça de Deus é que a pessoa vê em profundidade e compreende a fé que professa. A partir dai é que se faz o discernimento e a escolha das expressões que melhor transmitam os valores e significados da nossa fé cristã. Sejam símbolos, cânticos, danças, gestos, poesias, cores, seja o que for deve ser expressão dos valores cristãos enraizados na nossa cultura.
Para este trabalho é necessário que a Comissão Diocesana de Cultura ponha mãos à obra e comece a caminhar programando o trabalho, as sessões de estudo e os cursos de formação a nível das Regiões Pastorais e das Paróquias para atingir o maior número de agentes de pastoral. É urgente que a Comissão de Cultura organize núcleos de estudo para reflectirem e se interrogarem e, deste modo, oferecerem orientações concretas, propostas e indicações sobre questões que os agentes de pastoral enfrentam diariamente: nomeadamente as questões relacionadas com a iniciação dos jovens, o matrimónio, a doença e a morte.

A este respeito, sabemos que em algumas Dioceses (por exemplo Lichinga, Nampula, Beira, Inhambane e Maputo), há um trabalho sistemático com diversas actividades e produziram subsídios que usam nos cursos de formação para os agentes de pastoral e para as próprias comunidades. Neste sentido há, por exemplo, Retiros apropriados para os jovens no período Iniciação nas Dioceses de Maputo, Beira, Nampula e Niassa. É oportuno que, ao organizarmos este sector da pastoral, conheçamos as experiências dos outros e nos sirvamos do material que estão usando, adaptando-o à nossa realidade.
Ainda dentro deste mesmo sector da Cultura, sentimos a necessidade de organizarmos um curso de inserção cultural e pastoral para os missionárias e missionários originários de outras  áreas culturais dentro e fora do País e  recém-chegados à Diocese. Uma data possível poderia ser no primeiro trimestre de 2013.

Para “descobrirmos novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada” (cf. João Paulo II, O Depósito da fé, 116; Bento XVI, A Porta da fé 9), é necessário que a fé seja enraizada na própria cultura, encontrando as expressões mais adequadas nas celebrações litúrgicas, seguindo as orientações da Igreja e da nossa própria Conferência Episcopal e nos aspectos que podemos normalizar a nível diocesano.
Neste sentido devemos encontrar orientações diocesanas para as celebrações dominicais nomeadamente no que se refere aos presidentes das mesmas, aos leitores, aos cantores, às danças, aos gestos, aos tocadores, as palavras, ao decoro e beleza de tudo o que se faz na capela, na conservação, distribuição e adoração da Eucaristia. Neste sentido lembremos o que vos escrevi no nº 9 da Carta sobre o Ano da Eucaristia.

3. Testemunhar
Temos que viver em coerência com a fé que professamos. Como discípulos de Jesus somos enviados a sermos suas testemunhas: “Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo” (Act 1,8). Uma fé forte e enraizada exige que ela seja vivida, pois a fé sem obras é morta : “Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé»” (Tiago 2,17-18).

Bento XVI fala de “…maneira sempre nova para se dar testemunho coerente” (Idem, 5). E acrescenta ainda no mesmo documento: “A renovação da Igreja realiza-se também pela vida dos crentes” (Idem, 6). Este Ano da Fé é, pois, uma renovada e constante chamada à conversão pessoal e à nossa identidade cristã, e à vivência da fé que acreditamos e proclamamos.
4. Transmitir: Anunciar

O Senhor nos envia hoje para que nas famílias, nas nossas aldeias  e localidades, nos nossos bairros, nas machambas, na Escola, nas unidades sanitárias, nas repartições, nas empresas, em qualquer lugar onde trabalhamos sejamos seus apóstolos e nesse meio proclamemos com o exemplo e com a palavra o Evangelho (cf Mt 28,19).

O mandato de Jesus foi o que orientou a nossa VI Assembleia Diocesana de Pastoral (Março 2011) a proclamar que toda a Diocese se encontra em estado de Missão: Diocese de Gurúè toda ela Missionária.
Jesus renova em nós o mesmo mandato que receberam os apóstolos. Este mandato missionário de Jesus requer novo empenho em cada um de nós. Ninguém está isento, ninguém se pode demitir desta responsabilidade. Todos nós devemo-nos sentir implicados na obra da evangelização. Hoje a Igreja precisa de nós. Ninguém se sinta excluído desta digníssima tarefa. Descubra cada um “a alegria de comunicar aos outros a sua fé”, afirma o Papa (Bento XVI, idem, 7).

As nossas comunidades devem continuar a gerar novos filhos. Não podemos ficar satisfeitos com o que foi feito até agora. A machamba é muito grande e precisa de muitos trabalhadores. Devemos assumir a urgência do mandato missionário no nosso tempo: ir por todo o mundo e anunciar a Boa notícia de Jesus. Isto significa anunciar sem temor a mensagem de Jesus. Recebemos o espírito Santo para termos forças, coragem, zelo apostólico e alegria de anunciar o Evangelho às pessoas que não o conhecem, ou mal o conhecem ou se afastaram  d’Ele. O Espírito santo que recebemos nos Sacramentos, nos prepara para esta tarefa para que a cumpramos com novo ardor, entusiasmo e dedicação.
5. Itinerário diocesano
A seguir apresento algumas indicações para a vivência do Ano da Fé que deverão ser concretizadas nas comunidades. As Paróquia deverão encontrar formas concretas inspirando-se nas orientações da Carta do Papa A Porta da  Fé.

a)      Abertura.

No próprio dia 11 de Outubro na Catedral haverá uma celebração presidida pelo Bispo para abrir oficialmente o Ano da Fé na Diocese. A nível das Paróquias e comunidades: celebrar-se-á a abertura do Ano da Fé escolhendo o dia mais apropriado para cada paróquia e em cada comunidade, ressaltando especialmente o rito da Profissão de Fé ou o Credo.
 
b)      Formação Permanente dos Padres e dos Religiosos e Religiosas: O Retiro Anual dos Padres Diocesanos versará sobre o Ano da Fé. Em data ainda a escolher, entre os meses de Maio – Junho e Julho, haverá um encontro de formação permanente sobre o Concílio Vaticano II e sobre o Catecismo da Igreja Católica.

c)      Pastoral Juvenil. A Comissão Diocesana ao organizar a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013, terá em conta, além da Mensagem do Papa, os temas fundamentais do Ano da Fé.

d)      Reciclagem dos Catequistas. Coincidindo com o Ano da Evangelização e da Catequese a nível diocesano (Conclusões da VI Assembleia Diocesana de Pastoral), haverá em cada uma das Regiões ou Paróquias mais vizinhas cursos de formação de catequistas. Estas iniciativas deverão ser coordenadas entre os Párocos.

 
e)      Eucaristia. Continuando a experiência do Ano da Comunhão Diocesana e da Eucaristia, em toda a Diocese continuaremos fazendo a Adoração ao Santíssimo Sacramento, segundo o dia já tradicional em cada comunidade.

f)        Ecumenismo. Será necessário retomar o diálogo com os nossos irmãos de outras Igrejas com celebrações apropriadas, especialmente por ocasião da Semana de Unidade dos Cristãos ou noutros momentos que cada Paróquia achar mais convenientes.
 
g)      Formação Permanente para as comunidades. O Secretariado há-de enviar um subsídio apropriado de quatro ou cinco temas para ser usado na catequese com todos os cristãos.

 
h)      Sacramentos: aproveitar a celebração dos vários sacramentos da fé (Baptismo, Crisma, 1ª Comunhão e Matrimónio) para professarmos solenemente a nossa Fé.
 
i)        Movimentos.

Nos seus encontros de formação e demais actividades próprias, cada movimento defina momentos próprios para fortificar a própria fé e a comunhão entre todos os discípulos de Cristo na Diocese.
 
j)        Peregrinações marianas

Continuando com a tradição mariana que iniciamos este ano e sob o tema Maria, Mulher firme na Fé, teremos a Peregrinação Diocesana à Igreja de N. S. de Fátima de Muliquela nos dias 11 e 12 de Maio 2013.

 As  peregrinações regionais serão feitas nos lugares e datas a escolher localmente..
k) O encerramento

           O Ano da Fé terminará no dia 24 de Novembro de 2013, indicado pelo Papa Bento XVI (Porta da Fé, 4), Solenidade de Cristo Rei do Universo.

 A nível diocesano será no dia 9 de Dezembro de 2013, com uma Solene Celebração Diocesana na Igreja Catedral com a qual também celebraremos o 20º Aniversário da criação da Diocese de Gurúè.
Conclusão

Comprometamo-nos todos para que este ano seja uma ocasião propícia para fortificarmo-nos mutuamente na única Fé no único Pai, Criador e Senhor de todas as coisas, no seu Filho bem amado e no Espírito Santo, que anima a Igreja na unidade dos vários carismas e dons e no compromisso pela construção do Reino de Deus.
A minha bênção com Maria Mãe de Jesus, nossa querida Mãe, estrela da Evangelização, mulher forte na fé, nosso modelo e guia nesta caminhada; com Santo António, nosso padroeiro, intercessor e exemplo de ouvinte e anunciador da palavra que leva à Fé; com todos os trabalhadores do Evangelho, padres, irmãs, irmãos e leigos dedicados ao apostolado; e com tantos cristãos já falecidos, nossos antecessores na  Casa do Pai, que nesta parcela da Igreja na Alta Zambézia, conduziram a tantos irmãos e irmãs pelos caminhos da fé e aqui repousam. Esta nossa Diocese é fruto da fé que eles viveram, anunciaram e transmitiram firmes na fé.

 

Gurúè,  11 de Outubro de 2012, no 50º Aniversário do Concílio Vaticano II

O vosso Bispo

 + Francisco Lerma

 

 

 

 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

VISITA DE DOM FRANCISCO LERMA AO BRASIL

Dom Francisco Lerma Martinez, Bispo de Moçambique, Diocese de Gurúè, esteve no Brasil nos dias 20 de Setembro a 02 de Outubro, em São Paulo, a convite das irmãs do Instituto Jesus Maria e José, para celebração do centenário da presença da congregação JMJ, que teve lugar entre os dias 24 a 30 de Setembro.
Chegada do dom Francisco Lerma em São Paulo- Brasil- 20/09/2012.

No dia 22.09.2012, o Senhor Bispo concelebrou a missa no Santuário Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo Cardeal Raimundo Damaceno e transmitida pela TV Aparecida, onde também o Bispo dom Francisco teve uma entrevista.

No dia 24.o9.2012 houve solene Missa do centenário da presença das irmãs no Brasil e outros eventos.

No dia 25.09.2012, Dom Francisco Lerma presidiu a Eucaristia de Abertura do Capítulo Geral das irmãs.

Nos dias 25 e 26.09.2012. Londrina. Estando no Brasil, Dom Lerma viajou para Londrina, Estado do Paraná, onde visitou as Irmãs Missionárias Claretianas que estam se preparando, para abrir uma casa religiosa, na Diocese de Gurúè. As irmãs irão para Moçambique entre Abril e Maio de 2013.
No dia 27.09.2012. Dom Lerma visitou a Casa Provincial Claretiana em São Paulo, onde se encontra a curia.

No dia 28 foi em Rio Claro, na Csa dos Missionários Claretianos, onde se encontra o Pe. Diogo Muanido, fazendo o curso de comunicação social.
A Igreja em Moçambique é ministerial, viva e participativa. Dom Francisco Lerma, Bispo da Diocese de Gurúè teve uma entrevista feita pelo Pe Brás , Director da TV e Rádio Claretianas. Na entrevista, o bispo falou do objectivo da sua visita: entrar em contacto com os diversos intervenintes da evangelização do Brasil, que colaboram ou queiram colaborar na acção missionária em Moçambique, particularmente na Diocese de Gurúè.

O Bispo falou da igreja ministerial, o engajamento dos leigos no exercício de diversas funções da comunidade que apesar de ter poucos sacerdotes para as celebrações das missas, esses leigos mantem as comunidades vivas e animadas. As comunidades cristãs estão crescendo em número e que os moçambicanos sentem e vivem a mensagem da salvação inculturada nos valores da vida do povo–frisou.

Visita à Faculdade Integrada Claretianas de Rio Claro. Dom Francisco visitou o colégio e Faculdade Integradas Claretianas de Rio Claro, onde estuda o Pe. Diogo Muanido e se inteirou do funcionamento da instituição e dos diversos cursos que são administrados pela instituição. Depois de ter visitado a Biblioteca quis saber se podia encontrar um livro de Antropologia Cultural do Povo Lomue, escrito por ele, o que não se encontrou. O director acadêmico pediu que o Bispo enviasse um exemplar para Faculdade.

Viagem a Batatais. À tarde do dia 28, o bispo viajou com Pe. Ronaldo Mazula e Pe. Diogo Muanido para Batatais, onde se encontra outra Faculdade dos Missionários Claretianos, a Missão Moçambique Claretianos Solidários em África (projecto social) e a emissora de rádio, a fim de conversar com os técnicos para a instalação da rádio diocesana de Gurúè. O coodenador do curso à distancia falou da necessidade de alargamento dos cursos de extensão de graduação para Moçambique, particularmente a Diocese de Gurúè, desde que se reúne condições de instalação de uma estrutura, como salas de aulas, computadores e ligados a internet. Os cursos de extenção de graduação à distância administrados em Batatais são diversos: Filosofia, Teologia, Pedagogia, Direito, Acção Social, cursos de formação permanente dos agentes da pastoral, educação e saúde. Instalação da Rádio Diocesana do Gurúè.

No dia 29 de Setembro, o Bispo teve um encontro, na sala de reuniões da Faculdade Claretiana de Batatais, para tratar assuntos da instalação da Rádio Diocesana de Gurúè. Em relação a rádio, segundo o Pe Botteon (adminstrativo das Faculdades claretianas) poderá enviar dois técnicos um para formação e outro para a instalação da rádio, entre os meses Janeiro a Feveiro. Esteve presente o coodenador da rádio de Batatais (Marcos) que disse alguns equipamentos estavam em falta, no relatório, como: 1. Automatização (sistema de automação de rádio)- informa 2. Conexões de antenas. O coordenador da rádio, Marcos disse que gostaria entrar em contacto com a irmã Italina, para dar os pormenores em relação ao material que está em falta, para facilitar os técnicos, que ao irem em Moçambique poderiam providenciar algum material que está em falta. O Marcos poderá se inteirar quando custa o programa Informa com uma empresa do Brasil e que a rádio oferece o acervo musical se assim o programa a ser instalado da Rádio Diocesana de Gurúè for compatível com o da rádio de Batatais. O técnico da instalação da rádio precisará de uma pessoa ou mais que deverá acompanhar a instalação da rádio e que mantenha-se na rádio, na área de manutenção de equipamento. Outro técnico responsabilizar-se-á no treinamento de programação de jornalistas e locutores, repórteres (radialistas).

Missão Moçambique Claretiano Solidário na África. Dom Francisco informou-se com os claretianos sobre o funcionamento do projecto claretianos solidário em África; no encontro estiveram presentes os padres Ronaldo, Botteon e Sérgio (claretianos) e padre Diogo (diocesano, estudante de CS em Rio Claro), os leigos voluntários da missão claretiana em Moçambique: Neida, Artieles, Carmen, Marília, Paula, Jaqueline, Joice, Beatriz e ente outros. Para mais infomações sobre este projecto acesse: www.claretianosnaafica.com.br O projecto Missão Moçambique Claretiano em África promove festas de angariação de fundos para Moçambique, Paróquia de Gile, nos meses de Junho e outubro. Na área da saúde- prevenção (higiene, nutrição e água) Educação- formação pedagógica de monitores escolhidos dentro da comunidade e professores graduados do governo.
Na apresentação dos projectos realizados em Moçambique, a Neida se lamentou a quando a sua primeira viagem a Moçambique que não teve boa comunicação com as crianças das quais iriam formar, por causa da lingua e falou do assistencialismo que têm dado aos monitores. Na sua intervenção, o Senhor Bispo agradeceu a boa iniciativa na implementação dos projectos para Moçambique e disse aos presentes que a crise que tiveram foi uma oportunidade para rever o projecto. Na parte de “ajuda de custo” aos monitores de Gilé, o bispo pediu ao movimento Claretianos Solidário em Moçambique, que busque criar um projecto de sustentabilidade, ajudando as pessoas formadas a dar o seu contributo no projecto e dando consciência que a igreja não tem condições para sustentar os agentes da pastoral, os diversos ministérios na comunidade, mas que o serviço da igreja seja feito como doação a Deus e aos irmãos.
Além disso, Dom Francisco pediu que os pojectos fossem integrados a nível da pastoral diocesana, alargado aos movimentos dos professores católicos e aos profissionais da saúde. O grupo que apoia o projecto em Moçambique se comprometeu a rever a aplicação do projecto no Gile. O bispo não negou a doação de dinheiro e outros bens para o projecto.

No dia 30, o Núncio Apostólico, Dom Giovanni d'Anniello presidiu a Santa Missa, do Centenário da presença das irmãs do Instituto Jesus Maria  José, no Brasil, onde estiveram presentes Dom Fernando Figueiredo (Bispo titular da Diocese de Santo Amaro) e Dom Francisco Lerma (convidado especial) que a concelebraram e também junto com alguns padres. Estiveram presentes 39 irmãs da congregação Jesus Maria  José vindas de vários países  onde exercem o seu serviço missionário, incluindo Moçambique.

Jornada Mundial da juventude 2013. O Senhor Bispo enviará para o Brasil três pessoas para representar na Jornada Mundial da Juventude, entre elas, um Jovem escolhido pela Diocese, outro escolhido pelos claretianos que financiaram a sua viagem e Pe. Diogo Muanido que esta no Brasil. Os jovens escolhidos deverão ir ao Brasil uma semana antes da jornada, para se juntar com os jovens claretianos. O padre Diogo Muanido se encarregará para fazer o contacto da comissão organizadora da jornada para fazer o convite aos jovens que deverão ir ao Brasil.
Pe. Diogo Muanido
Brasil, 01/10 de 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O ANO DA FÉ: Outubro 2012 - Novembro 2013


Caminhemos com Maria, Mãe da Igreja, reunidos em oração 
O Ano da Fé

No próximo dia 11 de Outubro começará o Ano da Fé, convocado por Bento XVI. Mas de que se trata? O que deseja o Santo Padre? O que se pode fazer? A 10 dias do início, respostas às perguntas que surgem.

1. O que é o Ano da Fé?

O Ano da Fé "é um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo" (Porta Fidei, 6).

2. Quando se inicia e quando termina?
Inicia-se a 11 de Outubro de 2012 e terminará a 24 de Novembro de 2013.

3. Por que nessas datas?
Em 11 de Outubro coincidem dois aniversários: o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica. O encerramento, em 24 de Novembro, será a solenidade de Cristo Rei.

4. Por que é que o Papa convocou este ano?"
Enquanto que no passado era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade, devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas". Por isso, o Papa convida para uma "autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo". O objectivo principal deste ano é que cada cristão "possa redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo".

5. Quais meios assinalou o Santo Padre?
Como expos no Motu Próprio "Porta Fidei": Intensificar a celebração da fé na liturgia, especialmente na Eucaristia; dar testemunho da própria fé; e redescobrir os conteúdos da própria fé, expostos principalmente no Catecismo.

6. Onde terá lugar?
Como disse Bento XVI, o alcance será universal. "Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo".

7. Onde encontrar indicações mais precisas?
Numa nota publicada pela Congregação para a doutrina da fé.

Aí se propõe, por exemplo:

- Encorajar as peregrinações dos fiéis à Sede de Pedro;
- Organizar peregrinações, celebrações e reuniões nos principais Santuários.
- Realizar simpósios, congressos e reuniões que favoreçam o conhecimento dos conteúdos da doutrina da Igreja Católica e mantenham aberto o diálogo entre fé e razão.
- Ler ou reler os principais documentos do Concílio Vaticano II.
- Acolher com maior atenção as homilias, catequeses, discursos e outras intervenções do Santo Padre.
- Promover transmissões televisivas ou radiofónicas, filmes e publicações, inclusive a nível popular, acessíveis a um público amplo, sobre o tema da fé.
- Dar a conhecer os santos de cada território, autênticos testemunhos de fé.
- Fomentar o apreço pelo património artístico religioso.
- Preparar e divulgar material de carácter apologético para ajudar os fiéis a resolver as suas dúvidas.
- Eventos catequéticos para jovens que transmitam a beleza da fé.
- Aproximar-se com maior fé e frequência do sacramento da Penitência.
- Usar nas escolas ou colégios o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica.
- Organizar grupos de leitura do Catecismo e promover a sua difusão e venda.


9. Onde posso obter mais informação?
Visite o site annusfidei.va  

Fonte: Informação recebida ZENIT

sábado, 15 de setembro de 2012

Nova imagem de N. S. de Fátima na gruta da "Santinha"

A gruta da "Santinha" nas montanhas de Gurúè
Dentro dos actos religiosos com motivo do 20 Aniversário do Acordo Geral de Paz, os cristãos e mais outras pessoas de boa vontade foram em peregrinação até à gruta da "Santinha", para rezar pela Paz nas famílias, no País e em todo o mundo.
As águas cristalinas ao pé da gruta da "Santinha"

No Sábado, 15.09.2012, por volta das 11.00H., com a presença de uma grande participação de fiéis da cidade de Gurúè e arredores, D. Francisco Lerma, Bispo da Diocese, abençoou e colocou a nova imagem definitiva de N. S. de Fátima, na gruta conhecida popularmente por "Santinha".
Os participantes durante a Oração do Terço pela Paz

Desde as primeiras horas da manhã, o grupo das crianças da 1ª Comunhão deste ano, as Legionárias de Maria e uma grande multidão de fiéis reuniram nas proximidades da gruta da Santinha" em retiro, o que criou um clima de oração e de recolhimento, propício para a cerimónia que se iria celebrar.
Participaramtambém  autoridades do Distrito e do Município e os trabalhadores e directores da empresa do Chá a quem pertence aquel lugar.

D. Francisco estava acompanhado por D. Manuel Chuanguira Machado, Bispo Emérito de Gurúè, e pelo Pe Manuel José Nassuruma, Chanceler da Diocese, Pe. Daniel Raul, Pároco da Catedral, Pe. Miguel Oliveira, Vigário Paroquial de Gurúe e Pe. Onório Mati, Superior do centro juvenil "Leon Dehon" do Alto Molócuè.

A cerimónia começou com uma breve explicação sobre o significado do acto feita pelo Bispo. A continuação foi a reza do Terço, como participação da comunidade local no Aniversário dos 20 Anos do Acordo de Paz. Concluida a oração mariana, D. Francisco abençoou a imagem de N. S. de Fátima, que um grupo de "Amigos de Gurúè" de Portugal ofereceram na altura em que foi destruída a imagem original, no passado mês de Maio. Este nova imagem foi comprada em Fátima e dai chegou recentemente ao Gurúè.
D. Francisco coloca a nova imagem de N. S. de Fátima na gruta da Santinha

A imagem foi levada em procissão nas mãos da Presidente da Legião de Maria. Todos os presentes em um clima de intensa devoção, acompanharam a imagem até à gruta, onde foi colocada pelo próprio Bispo D. Francisco. Já no seu lugar definitivo, o Bispo coroou solenemente a imagem. A cerimónia concluiu com o canto da "Salve, Regina!"

A imagem de N. S. de Fátima no seu lugar definitivo

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Convocatória do Encontro Diocesano de Pastoral


ENCONTRO DIOCESANO ANUAL DE PASTORAL

 

Gurúè, 27 das 15.00h em diante e 28 de Dezembro 2012

 

Estimadas Comunidades Cristãs,

 

1.Plano diocesano de Pastoral

Já estamos a entrar na fase de avaliação  Plano Pastoral do Ano 2012: Unidade Diocesana – Ano da Eucaristia-

Em 2012, seguindo as indicações traçadas na VI Assembleia Diocesana de Pastoral fomos convidados a dar prioridade, nas nossas actividades, às seguintes indicações pastorais:

 

1. UNIDADE: Valorizar e fortalecer a comunhão diocesana em ordem a uma pastoral de conjunto

2. EUCARISTIA, FUNDAMENTO DA UNIDADE: celebrar o Ano da Eucaristia

3. PIEDADE MARIANA: Promover o encontro dos fiéis com a Virgem Maria na oração e na catequese: peregrinações diocesanas a Muliquela, Malua e Invinha.

4. ECONOMIA: Fortalecer a Economia, a Contribuição Diocesana e  a auto-sustentabilidade das comunidades e paróquias

 

2. Relatório das Paróquias

Cada Paróquia, a partir de assembleias a vários níveis (comunidade, zonas pastorais, centros) deve responder ao seguinte questionário de preparação ao Encontro Diocesano de Pastoral de fim do ano.

 

 1. Relatório pastoral e económico e estatísticas da Vida da paróquia;

2.Como foi vivido o Ano da Unidade e da Eucaristia?

3. Quais as dificuldades e constrangimentos mais sentidos este ano na pastoral a nível paroquial e de comunidade?

4.Sugestões para a vivência do Ano da Fé e da Evangelização/Catequese(2013).

 

Plano de trabalho (proposta):

Outubro: Assembleia da comunidade para responder a este questionário de preparação ao Encontro Anual do fim deste ano.

Novembro: Conselho das  Zonas  Pastorais e dos Centros: apresentação dos relatórios de comunidade e redacção da síntese.

Novembro: Assembleias Paroquiais. Leitura dos relatórios das Zonas e dos Centros redacção do relatório paroquial

30 de Novembro: data limite para envio do relatório paroquial para o Secretariado Diocesano de Pastoral.

 

3. Relatório dos Departamentos Diocesanos

 

1-     Evangelização (Evangelização, Missões, Liturgia, pastoral Bíblica e Doutrina da Fé, Diálogo inter-religiosos e Ecumenismo, Obras Pontifícias);

2-     Laicado e Cultura (Leigos e Famílias, Juventude, Vocações. Cultura);

3-     Educação (Educação católica, Universidade Católica de Moçambique);

4-     Pastoral Social (Caritas, Comunicação: Etxeko e Rádio Diocesana).

 

No relatório de cada um dos Departamentos Diocesanos devem constar os seguintes pontos:

1. Os objectivos do Departamento (plano que tinham feito para 2012 e objectivos a alcançar).

2. As actividades desenvolvidas para alcançar os objectivos propostos (avaliação do que foi feito).

3. Projectos para o futuro (o que o Departamento pensa fazer em 2013?).

 

Cada  Departamento elabora o seu relatório por escrito, que envia ao Secretariado de Acção Pastoral até ao dia 30 de Novembro.

 

Votos de Bom trabalho

Gurúè, 06 de Setembro de 2012

Secretariado Diocesano de Pastoral

Pe. Manuel José Nassuruma

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Mensagem de Bento XVI por ocasião do Congresso Pan Africano dos leigos católicos

A descoberta da esperança cristã
Mensagem de Bento XVI por ocasião do Congresso Pan Africano dos leigos católicos

 Apresentamos a mensagem de Bento XVI por ocasião do Congresso Pan Africano dos leigos católicos promovido pelo Pontifício Conselho para os Leigos, em Yaoundé, nos Camarões.

Ao Senhor Cardeal
Stanisław Ryłko
Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos
Tenho a honra de dirigir o meu cordial pensamento a Vossa Eminência, Venerado Irmão, aos Cardeais, aos Bispos, aos Sacerdotes, aos consagrados e especialmente a todos os fiéis leigos reunidos em Yaoundé de 4 a 9 de Setembro para o Congresso pan-africano dos leigos católicos, organizado pelo Pontifício Conselho para os Leigos com o apoio da Conferência episcopal dos Camarões, sobre o tema: «Ser testemunhas de Jesus Cristo na África de hoje: sal da terra... luz do mundo (Mt 5, 13.14)». O tema evoca intencionalmente a Exortação apostólica pós-sinodal Africae munus, cujo subtítulo corresponde à mesma citação tirada do Evangelho de são Mateus: «Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo». Ao entregar pessoalmente este importante documento aos Bispo da África em Cotonou, a 20 de Novembro do ano passado, quis oferecer algumas linhas teológicas e pastorais para o caminho da Igreja no Continente.

O vosso Congresso apresenta-se como uma etapa significativa para realizar o que o Espírito Santo inspirou nos Padres sinodais durante a Segunda Assembleia Especial para a África, celebrada em Outubro de 2009 em Roma. Em Cotonou, expressei o desejo a fim de que a Exortação Africae munus possa servir como guia sobretudo no anúncio do Evangelho através do compromisso de todo o Povo de Deus. Por esta razão, com satisfação tomei conhecimento da iniciativa do Pontifício Conselho de convocar um Congresso para os fiéis leigos africanos, chamados especialmente nos nossos dias a desempenhar um trabalho cada vez mais intenso na vinha do Senhor (cf. João Paulo ii, Exortação Apostólica Christifideles laici, 2).

Durante as minhas viagens ao Continente afirmei, em diversas ocasiões, que a África é chamada a ser o «Continente da Esperança». Estas não eram palavras de circunstância, mas indicavam o horizonte luminoso que se abre ao olhar da fé. Certamente, à primeira vista, os problemas da África parecem graves e difíceis de resolver, e não só devido às dificuldades materiais, mas também por causa dos obstáculos espirituais e morais que inclusive a Igreja enfrenta. Além disso, é verdade que mesmos os valores tradicionais mais válidos da cultura africana são, hoje, ameaçados pelo secularismo, que provoca desorientação, lacerações no tecido pessoal e social, exasperação do tribalismo, violência, corrupção na vida pública, humilhação e exploração das mulheres e dos seus filhos, crescimento da miséria e da fome. A tudo isto acrescenta-se também a sombra do terrorismo fundamentalista, que recentemente tem como alvo as comunidades cristãs de alguns países africanos. No entanto, se com um olhar mais profundo, observarmos o coração do povo africano, descobrimos uma grande riqueza de recursos espirituais, preciosos para os nossos tempos. O amor pela vida e pela família, o sentido da alegria e da partilha, o entusiasmo de viver a fé no Senhor, que pude constatar por ocasião das minhas viagens africanas, estão ainda gravados no meu coração. Nunca deixeis que a obscura mentalidade relativista e niilista, que atinge várias regiões do nosso mundo, abra uma brecha na vossa realidade. Acolhei e propagai com força renovada a mensagem de júbilo e de esperança que Cristo traz, mensagem capaz de purificar e fortalecer os grandes valores das vossas culturas. Por isso, na Encíclica Spe salvi, quis apresentar a santa sudanesa Josefina Bakhita como testemunha de esperança (cf. n. 3), a fim de demonstrar que o encontro com o Deus de Jesus Cristo é capaz de transformar profundamente todos os seres humanos, mesmo nas condições mais pobres — Bakhita era uma escrava — para lhes oferecer a dignidade suprema de filhos de Deus. Justamente, «mediante o conhecimento desta esperança, ela estava “redimida”, já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus» (ibidem). E a descoberta da esperança cristã suscitou nela um desejo novo e irreprimível: «A libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela e a “redimira”, não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a muitos, chegar a todos» (ibidem). O encontro com Cristo confere o impulso para superar inclusive as dificuldades aparentemente mais insuperáveis. Esta é a experiência de santa Bakhita, mas é também a experiência que numerosos jovens africanos — graças a Deus, a grande maioria da população — são chamados a viver hoje no seguimento fiel do Senhor. Tornar a África «Continente da Esperança» é um compromisso que actualmente deve orientar a missão dos fiéis leigos africanos, bem como o próprio Congresso que estais a celebrar.

Nesta perspectiva, a vossa Assembleia constitui um momento significativo na preparação de dois eventos eclesiais, já iminentes, de importância universal: o Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização e o «Ano da fé». Em Cotonou, ao entregar a Exortação Africae munus, recordei que «todos aqueles que receberam o dom maravilhoso da fé, este dom do encontro com o Senhor ressuscitado, sentem também a necessidade de o anunciar aos demais» (Homilia na Santa Missa no «Stade de l’amitié», Cotonou-Benim, 20 de Novembro de 2011). Com efeito, a missão nasce da fé, dom de Deus a acolher, nutrir e aprofundar, pois «não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida» (Motu Proprio Porta fìdei, 3). Obviamente, a prioridade da fé tem um sentido mais lógico do que cronológico. De facto, a aceitação deste dom divino anda de mão dadas com o impulso do Evangelho, numa espécie de «círculo virtuoso», onde a fé cresce no anúncio e o anúncio reforça a fé: «com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria» (ibid., n. 7). Realmente, «é dando a fé que ela se fortalece!», são as palavras inesquecíveis do beato João Paulo II (Carta Encíclica Redemptoris Missio, 2).
Enfim, gostaria de recordar algumas palavras do Servo de Deus Paulo VI, intérprete fiel do Concílio: «Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade» (Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, 18). Nesta obra de transformação de toda a sociedade, hoje tão urgente para a África, os fiéis leigos têm um papel insubstituível: «A Igreja torna-se presente e activa na vida do mundo através dos seus membros leigos. Estes têm uma grande função a desempenhar na Igreja e na sociedade... De facto, os fiéis leigos são “embaixadores de Cristo” (2 Cor 5, 20) no espaço público, no coração do mundo» (Exortação Apostólica pós-sinodal Africae munus, 128). Homens e mulheres, jovens, idosos e crianças, famílias e toda a sociedade, a África inteira espera hoje os «embaixadores» da Boa Nova, fiéis leigos provenientes das paróquias, das Comunidades Eclesiais de Base, dos movimentos eclesiais e das novas comunidades, apaixonados por Cristo e pela Igreja, repletos de alegria e agradecidos pelo baptismo que receberam, promotores corajosos de paz e anunciadores de uma esperança autêntica.
Confiando o Congresso à intercessão amável e maternal da Bem-Aventurada Virgem Maria que, como recita a oração do vosso Congresso, é «Nossa Senhora da África, Rainha da Paz e Estrela da Nova Evangelização», concedo de bom grado a todos os participantes a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 20 de Agosto de 2012.
BENEDICTUS PP XVI