terça-feira, 15 de janeiro de 2019
I SEMANA – 3ª FEIRA TC- ANOS ÍMPARES - 15 JANEIRO
I SEMANA – 3ª FEIRATC- ANOS ÍMPARES - 15 JANEIRO
Primeira leitura: Hebreus 2, 5-12
O autor da Carta aos Hebreus, depois de mostrar a superioridade de Cristo relativamente aos anjos e a todos os poderes inferiores a Deus, realça, nesta perícopa, a sua condição humana. Cristo é o Filho de Deus, superior aos anjos, mas é também o Jesus da história, Aquele que sofreu e morreu.
O autor contempla a união entre os dois aspectos à luz do Sl 8, 46, e aproveita para anunciar o desígnio redentor de Deus. Esse desígnio passa pelo esvaziamento do Filho, que por amor se torna participante da natureza humana - inferior à dos anjos, mas também objecto das bênçãos divinas (cf. vv. 5-8) - até às extremas consequências do sofrimento e da morte, em favor de todos.
Assim se revela a maravilhosa «justiça de Deus» (v. 10): o Criador e Fim de todas as coisas julgou tão importante o homem que o quis atrair à comunhão filial Consigo. Para isso, tornou-se solidário connosco no Filho Unigénito, enviado para nos levar à «glória», ao «mundo futuro» (vv. 5-10).
Deus realiza a nossa santificação através do amor humilde de Jesus, que se entrega para nos poder chamar «irmãos» e anunciar-nos o Pai.
Evangelho: Marcos 1, 21-28
.
A pessoa de Jesus causava impacto no meio do povo, que se dava conta de que Ele não se limitava a explicar os profetas anteriores, mas que se apresentava, também Ele, como profeta, investido de um poder que lhe vinha de Deus: ensinava com autoridade e curava os doentes. O ensino de Jesus era verdadeiramente eficaz.
Marcos gosta de apresentar Jesus como Mestre: desde o começo do seu evangelho, Jesus é Aquele que ensina. Depois vêm os encontros com o «espírito maligno» (v. 23). Qual é a postura de Jesus diante da crença popular nos demónios?
Sabemos quanto horror causavam no homem primitivo as doenças mentais, e sobretudo a epilepsia. O comportamento desses doentes dava a entender que estavam «possessos», que tinha entrado neles outra pessoa, o «espírito maligno». Por isso, o doente mental ou epiléptico, era um ser execrável, que devia ser afastado a golpes e com torturas de toda a espécie.
Jesus tem o poder do Reino de Deus e usa-o desde o princípio para evangelizar e para libertar o homem a todos os níveis, também corporal, e de tudo quanto o «possui» e oprime, sem a preocupação de o interpretar.Com duas breves ordens liberta do demónio o possesso: é o seu primeiro milagre e tem um valor programático.
Para Marcos, Jesus veio trazer o Reino de Deus, vencendo o poder de Satanás. A missão de Cristo é um confronto, até à morte e até à ressurreição, com o mal. Os exorcistas hebreus usavam longos ritos e complicadas fórmulas para expulsar os demónios. Jesus, com uma só palavra, cala o demónio e devolve ao homem a sua dignidade. Por isso, cresce o espanto das multidões, que se interrogam: «Que é isto?» v. 27)
Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, como nos ensinam as Escrituras. Nos primeiros tempos da Igreja, insistia-se em que era verdadeiro Deus. Depois da heresia de Ário, realçou-se que era verdadeiro homem. Mas a Igreja sempre insistiu sobre as duas naturezas, a divina e a humana, numa só pessoa, a do Filho único de Deus.
A carta aos Hebreus sublinha os dois aspectos. O texto que escutamos hoje insiste no humano: «Que é o homem, para que te recordes dele, ou o filho do homem para que cuides dele? Fizeste-o por um pouco inferior aos anjos, coroaste-o de honra e de glória, submeteste tudo aos seus pés» (vv. 6-8).
Jesus é o homem ideal. N´Ele, a vocação do homem ao domínio do universo, realiza-se perfeitamente. O Génesis diz-nos que Deus constituiu o homem senhor de todas as criaturas. Mas, no estado actual das coisas, não é possível realizar perfeitamente essa vocação. Só Cristo, pela sua morte e ressurreição, alcançou uma humanidade renovada e pode ter autoridade sobre toda a criação.
«Autoridade» significa capacidade de fazer «crescer» (do latim: augere) os outros. Essa autoridade vem-lhe, não por ser superior ao anjos, mas por ter aceitado o desígnio de Deus, obedecendo até à morte e morte de cruz: «Vemos Jesus, que foi feito por um pouco inferior aos anjos, coroado de glória e de honra, por causa da morte que sofreu» (v. 9), escreve o autor da Carta aos Hebreus. Jesus é amor que deu a vida para nos libertar e unir a Si. Assumiu a fragilidade da nossa natureza porque, só carregando sobre Si o peso esmagador do nosso mal, Deus podia salvar-nos.
Jesus usou para connosco uma com-paixão sem reservas. Foi com uma luta de morte que venceu o autor do pecado, causa do sofrimento e da morte. A sua vitória apresenta-se como uma completa derrota. Mas foi assim que nos santificou e nos reconduziu à sua própria origem, ao Pai.
O aniquilamento de Jesus confunde-nos e interroga-nos. A indiferença não é possível. Jesus vem iluminar as nossas trevas, e introduzir-nos na verdade. Podemos rebelar-nos e tentar sufocar a sua voz com o ruído que levamos dentro de nós. Mas tamb&ea
cute;m podemos fazer silêncio, acolher a Palavra que tem autoridade para nos libertar da nossa maldade e da nossa preguiça, porque desceu a resgatar-nos pagando as respectivas consequências. Deus tornou-se companheiro do sofrimento e da morte do homem para o conduzir, livre, à salvação, à glória, ao abraço do amor.
A obediência ao Pai explica toda a vida de Jesus: «Pai..., Eu Te glorifiquei..., realizando a obra que Me confiaste... Consagro-Me (sacrifico-Me) por eles...» (Jo 17, 1.4.19). Faz tudo de modo tão completo e perfeito que a última palavra na cruz será: «Tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito» (Jo 19, 30).
Por isso é que Paulo pode elevar o seu hino a Cristo: «Ele que era de condição divina não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens. Tido pelo aspecto como homem, humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz. Por isso é que Deus O exaltou...» (Fil 2, 6-9).
Na obediência de Jesus, observamos os seguintes aspectos fundamentais: reconhecimento de Deus-Pai como o Absoluto; comunhão profunda com o Pai de Quem tudo recebeu e a Quem tudo entrega, por amor; esta oferta, por amor, ao Pai, é também oferta por amor aos homens; é despojamento amoroso que O leva à máxima glorificação (cf. Fl 2, 9-11).
Assim, também nós, seguindo a Cristo, e permitindo ao Espírito despojar-nos, esvaziar-nos de tudo aquilo que não é Cristo, para o transformar n´Ele, tornamo-nos participantes da perfeição de Cristo e da Sua glorificação.
Fonte: Adaptação/resumo de “dehonianos.org/portal/liturgia/”
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
2ªFEIRA TC – ANOS ÍMPARES – I SEMANA – 14 JANEIRO 2019
2ªFEIRA TC – ANOS ÍMPARES – I SEMANA – 14 JANEIRO 2019
Primeira leitura: Hebreus 1, 1-6
A revelação de Deus na história humana, cujo centro é o Filho, aconteceu de modo paulatino e progressivo. Antes da vinda do Filho, Deus tinha-se revelado em inúmeros pequenos e grandes acontecimentos. Revelara-se de muitas maneiras: sonhos, visões, experiências, epifanias na natureza e no coração dos homens. Revelara-se por meio de homens como Abraão e Moisés.
A vinda de Cristo inaugura uma nova época. Com Ele, acabou a revelação parcial e fragmentária do Antigo Testamento. Cristo fala-nos de Deus, sendo Filho do mesmo Deus. A sua revelação é plena e completa. Ensina-nos que o Deus dos Pais é único, mas não solitário; na perfeita comunhão das pessoas é eterno Pai de um Filho cujo mistério se tornou presente no meio de nós «nestes dias» (v. 2).
O Autor da carta esboça-lhe sinteticamente os traços: o Filho é criador com o Pai, revela-O plenamente e participa da sua soberania (vv. 1ss.). N´Ele mora o esplendor de Deus que, desse modo, se torna perceptível ao homem (v. 3ª): o templo era um símbolo desta realidade que se cumpre em Jesus. Verdadeiro templo, Jesus é também o verdadeiro sacerdote que «que realizou a purificação dos pecados» (v. 3), pela oferta sacrificial de si mesmo. É esse o culto definitivo, que abre o acesso a Deus, à direita do qual o Filho está sentado (v. 3b).
Apesar de ter assumido a nossa natureza (v. 6ª), Cristo é muito superior aos anjos. Tem efectivamente uma relação de origem absolutamente única com Deus (v. 5), que O constituiu primogénito de toda a criatura (v. 6; cf. Gl 1, 15-18) e lhe deu o seu próprio «nome»: Senhor, Kýrios (v. 4; cf. Fl 2, 9-11).
Com esta argumentação, o Autor pretendia defender os cristãos provenientes do judaísmo da apostasia a que os podia levar a saudade dos ritos do templo de Jerusalém ou o perigo de iminentes perseguições.
Evangelho: Mc 1, 14-20
A liturgia do tempo comum, põe-nos a caminho com Jesus, na progressiva descoberta do seu mistério e da nossa própria e verdadeira identidade. Na linha dos profetas, e de João Baptista, convida à conversão: «arrependei-vos e acreditai no Evangelho» (v. 15). Estas palavras mostram que Jesus exige ao discípulo uma atitude nova e radical. Vão na mesma linha as duas cenas de vocação.
Os discípulos são chamados a um novo êxodo, ao caminho inaudito do evangelho: «Vinde comigo»; «Deixando logo as redes, seguiram-no». Todo este dinamismo parte do olhar e do chamamento de Jesus. Não parte de uma iniciativa voluntarista, moralista ou generosa do homem. Não é o homem que parte ao encontro de Deus. É Deus que vem ao encontro do homem. A Encarnação torna possível o seguimento, o caminhar com Jesus, o Filho de Deus feito homem.
O seguimento de Jesus implica «deixar» algumas pessoas, algumas coisas, alguns projectos pessoais, o que sempre requer algum sacrifício. Mas é possível, porque o olhar de Jesus precede a tomada dessas decisões. Jesus que passa, vê e chama, é a estrutura que possibilita abandonar tudo e segui-l´O. Jesus vem ao nosso encontro para mudar o nosso destino. Passa pela dia a dia dos homens, vê com um olhar cheio de amor e conhecimento, convida, promete uma nova condição. Inaugura o tempo favorável (kairòs) em que Deus submete as forças que reduzem a vida do homem (v. 15ª).
O magnífico exórdio da Carta aos Hebreus apresenta-nos Cristo como Aquele que herdou um nome bem diferente do nome dos Anjos. Que nome é esse? À primeira vista, tendo em conta a liturgia hodierna, parece ser o de Filho de Deus. Mas, se tivermos em consideração a primeira parte da carta, não é apenas esse.
É verdade que Cristo é Filho de Deus. Mas aqui trata-se de Cristo glorificado na glorificação pascal. Filho de Deus, e glorificado no seu mistério pascal, Cristo é também irmão dos homens, como veremos amanhã.
Como Filho é superior aos Anjos; como irmão dos homens é menor que os Anjos.
Como Filho está mais próximo de Deus; como irmão está mais próximo de nós. Estes dois aspectos podem sintetizar-se no nome de Sumo Sacerdote, perfeito Mediador, por meio do qual entramos na intimidade da Trindade. O seu nome é, portanto, misterioso, profundo, motivo de esperança e de confiança. Por meio do seu Filho, diz a carta, «Deus falou-nos, nestes dias, que são os últimos» (v. 2).
No começo do tempo comum, a Igreja põe diante de nós uma palavra de Jesus: «Vinde comigo» (v. 17). Esta palavra obtém uma dupla resposta: «seguiram-no» (v. 20). É o caso de Simão e André, de Tiago e de João.
Também nós somos convidados a seguir Jesus durante este ano. Somos chamados a segui-lo na humildade, no sacrifício e na renúncia, mas, sobretudo, a estar com Ele, a partilhar a sua vida e a sua missão. É o mais importante.
Para seguir Jesus, temos de renunciar a escolher, nós mesmos, o nosso caminho, o que muitas vezes implica sofrimento, porque exige abandonar o que mais espontaneamente nos agrada. Custa renunciar à orientação da nossa vida, conforme nos apraz, para aceitarmos ser conduzidos por Outro, talvez para onde não queiramos. Já S. Pedro ouviu da boca de Jesus: «outro te há-de levar para onde não queres» (Jo 21, 18).
Mas há também o aspecto positivo da resposta ao convite «Segui-me» que é estar com Jesus, não estar sós, não estar nas trevas mas na luz, porque Jesus disse: «Quem me
segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo 8, 12).
«Seguir» Jesus é condição para viver no amor. Quem marca o seu próprio caminho não vive no amor, mas na solidão. Quem, pelo contrário, segue Jesus, está sempre com Ele, seu irmão e Senhor, e experimenta uma grande alegria.
Reflictamos: «Quem estou a seguir, agora»? Peçamos ao Senhor que acenda em nós o desejo de O seguirmos toda a nossa vida. Os profetas antigos anunciaram as coisas de Deus, mas hoje, é pelo Filho que Deus nos fala. É Ele a Palavra poderosa e criadora. É Ele quem nos revela o Deus que jamais alguém viu. É a sua imagem perfeita, a sua glória irradiante, o seu Filho muito amado.
Fonte: adaptação/resumo de : “dehonianos.org/postal/liturgia”
domingo, 13 de janeiro de 2019
FESTA DO BAPTISMO DO SENHOR - ANO C 1º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 13 Janeiro 2019
FESTA DO BAPTISMO DO SENHOR - ANO C
1º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 13 Janeiro 2019
A liturgia deste domingo tem como cenário de fundo o projecto salvador de Deus.
No Baptismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens.
Cumprindo o projecto do Pai, Jesus fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado, empenhou-Se em promover-nos para que pudéssemos chegar à vida plena.
A primeira leitura - Is 42,1-4.6-7 - anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Animado pelo Espírito de Deus, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.
A figura misteriosa do “Servo” apresenta evidentes pontos de contacto com a figura de Jesus… Os primeiros cristãos irão utilizar os cânticos do “Servo” para justificar o sofrimento e o aparente fracasso humano de Jesus:
Ele é esse “eleito de Deus”, que recebeu a plenitude do Espírito, que veio ao encontro dos homens com a missão de trazer a justiça e a paz definitivas, que sofreu e morreu para ser fiel a essa missão que o Pai lhe confiou.
Deus actua através de instrumentos a quem Ele confia a transformação do mundo e a libertação dos homens. cada baptizado é um instrumento de Deus Estou disposto a corresponder ao chamamento de Deus e a assumir os meus compromissos? Os pobres, os oprimidos, todos os que “jazem nas trevas e nas sobras da morte” podem contar com o meu apoio e empenho?
Convém não esquecer que a iniciativa é de Deus: é Ele que escolhe, que chama, que envia e que capacita para a missão… Aquilo que eu faço, por mais válido que seja, não é obra minha, mas sim de Deus; o meu êxito na missão não resulta das minhas qualidades, mas da iniciativa de Deus que age em mim e através de mim.?
A segunda leitura – Actos 10, 34-38 - reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projecto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.
Jesus de Nazaré “passou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio”. Nos seus gestos de bondade, de misericórdia, de perdão, de solidariedade, de amor, os homens encontraram o projecto libertador de Deus em acção…
Nós, cristãos, testemunhamos, em gestos concretos, a bondade, a misericórdia, o perdão e o amor de Deus pelos homens? Empenhamo-nos em libertar todos os que são oprimidos pelo demónio do egoísmo, da injustiça, da exploração, da solidão, da doença, do analfabetismo, do sofrimento?
No Evangelho, – Lc 3,15-16.21-22 - aparece-nos a concretização da promessa profética veiculada pela primeira leitura: Jesus é o Filho/”Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude.
No episódio do Baptismo, Jesus aparece como o Filho amado, que o Pai enviou ao encontro dos homens para os libertar.
Aquilo que nos é pedido é que correspondamos ao amor do Pai, acolhendo a sua oferta de salvação e seguindo Jesus no amor, na entrega, no dom da vida. Ora, no dia do nosso Baptismo, comprometemo-nos com esse projecto…
Partilho a sorte dos pobres, dos sofredores, dos injustiçados, sofro na alma as suas dores, aceito identificar-me com eles e participar dos seus sofrimentos, a fim de melhor os ajudar a conquistar a liberdade e a vida plena?
Eu, que no Baptismo aderi a Jesus e recebi o Espírito que me capacitou para a missão, tenho sido uma testemunha séria e comprometida desse programa em que Jesus Se empenhou e pelo qual Ele deu a vida?
Fonte: adaptação de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia/”
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
4ª FEIRA - III SEMANA- T C - ANOS ÍMPARES -30 JANEIRO 2019
4ª FEIRA - III SEMANA- Parte superior
do formulário
Parte
inferior do formulário
T C - ANOS
ÍMPARES -30 JANEIRO 2019
Primeira leitura: Hebreus 10, 11-18
As reflexões do autor continuam centradas na
superioridade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo relativamente a todos os
sacrifícios oferecidos pelo sacerdócio de Aarão. Dirigindo-se a judeo-cristãos
que passam por um momento de crise e de saudade do antigo culto, o autor
estabelece uma relação directa entre os sacerdotes do templo e Cristo.
Os primeiros apresentam-se submetidos a uma permanente
e vã repetição de ritos que não chegam a purificar as consciências e a libertar
do pecado. São sacrifícios externos, apenas sombra do verdadeiro sacrifício.
Ergue-se diante deles a figura majestosa de Cristo que, tendo oferecido «uma só
vez» a sua vida em obediência ao Pai, está «agora» na sua presença e «sentado»
à sua direita, à espera que amadureçam todos os frutos da obra de salvação
realizada.
Agora está aberto, e assim permanece para sempre, o
acesso ao verdadeiro «Santos dos santos». Assim, segundo o autor da Carta,
realiza-se a profecia de Jeremias (31, 33ss.) sobre a «nova aliança»: Deus
escreveu a sua lei no coração do homem e perdoou os seus pecados.
Agora, cada homem é potencialmente filho de Deus, no
Filho muito amado. A Igreja, ao oferecer todos os dias o sacrifício
eucarístico, não repete o evento da paixão-morte de Jesus, mas renova para todo
os homens, cada dia, aquele único sacrifício. Assim, oferece a cada um a
possibilidade de entrar livremente em comunhão vital com Cristo e tornar-se
membro vivo do seu corpo místico.
Evangelho: Mc 4, 1-20
O reino de Deus é proclamado pela palavra. Marcos, na
secção que hoje abre, oferece-nos uma teologia da palavra do reino. Jesus
começa a falar «em parábolas». Era o método usado pelos rabinos.
As parábolas são «histórias» aparentemente simples,
mas com um elemento-surpresa e uma conclusão inesperada que convidam a procurar
um segundo significado, para além do imediato.
A parábola começa e termina com dois imperativos:
«Escutai» (v. ). Em sentido bíblico, «escutai» significa «obedecei», isto é,
dai a vossa adesão (ob-audire). Jesus quer entrar em relação viva com as
pessoas a quem se dirige. Começa por centrar a atenção dos ouvintes na generosa
sementeira. Mas logo a centra na semente. Vem, depois, a tipologia dos terrenos
que recebem a semente. Há um evidente exagero ao falar da «boa terra». A imagem
da colheita sugere o fim dos tempos. A parábola, ao fim e ao cabo, diz-nos que
o Messias está próximo e descreve a abundância de graça do Reino messiânico.
No diálogo com «os que o rodeavam», a semente é claramente identificada com a Palavra, e os terrenos correspondem às diferentes reacções suscitadas pela pregação dos apóstolos. Jesus veio realizar a missão de semear a Palavra.
Semeou com generosidade, movido pelo excessivo amor
que tudo crê, também que o deserto há-de florescer. Assim nos faz compreender
também que a Palavra deve ser pregada a todos, sem desânimo, sem medo de
fracassar. A seu tempo dará fruto.
O mistério de Cristo é o mistério de uma natureza
humana «tornada perfeita» por meio do sofrimento: «Convinha que aquele por quem
e para quem existem todas as coisas, querendo levar muitos filhos à glória,
levasse à perfeição, por meio dos sofrimentos, o autor da sua salvação» (Heb 2,
10).
Depois desta afirmação, o autor descreve os
sofrimentos de Cristo e conclui: Jesus «tornado perfeito, tornou-se para todos
os que lhe obedecem fonte de salvação eterna, tendo sido proclamado por Deus
Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec» (Heb 5, 9-10).
Pode parecer-nos estranho aplicar a Cristo a expressão
«tornar perfeito» que, no Antigo Testamento, só é usado em referência à
consagração dos sacerdotes, cujas mãos, e toda a sua pessoa, hão-de ser
tornadas perfeitas para oferecer a Deus o sacrifico. Cristo foi transformado
pelo seu sacrifício para se tornar o sacerdote absolutamente perfeito.
Mas a consagração sacerdotal de Cristo, obtida no seu
sacrifício, vale para Ele, mas também para nós: «com uma só oferta, Ele tornou
perfeitos para sempre os que são santificados» (v. 14). Aqui está a grande
novidade: o autor aplica aos cristãos o mesmo verbo que aplicou acerca de
Cristo «tornar perfeito».
Cristo recebe a consagração sacerdotal e, ao mesmo
tempo, confere-a a nós. Com o seu sacrifício, Cristo tornou-nos, também a nós,
capazes de nos apresentar a Deus em atitude sacerdotal, apresentando ofertas.
Por isso, graças ao sacrifico de Cristo, podemos aproximar-nos com toda a
confiança diante de Deus, entrar no santuário mais secreto.
Na afirmação: «com uma só oferta, Ele tornou perfeitos
para sempre os que são santificados» (v. 14), podemos distinguir dois aspectos:
somos verdadeiramente consagrados a Deus e podemos oferecer o sacrifício; a
nossa santificação é apenas um começo que exige desenvolvimento, crescimento:
«tornou perfeitos para sempre os que são santificados» (v. 14).
A santificação recebida no baptismo há-de
desenvolver-se cada dia, aplicando à nossa pessoa o sacrifício de Cristo, mas
também revivendo-o, de modo especial, nos nossos próprios sofrimentos e
tribulações.
A presença misteriosa do cristão em Cristo morto e
ressuscitado é expressa por Paulo com a simples expressão «en Christo» (in
Christo) usado 164 vezes nas suas cartas, com diferentes matizes. Na Primeira
Carta a Timóteo fala do mistério de Cristo como o grande mistério da piedade
(3, 16).
Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia/”
SÁBADO DEPOIS DA EPIFANIA - 12 JANEIRO 2019
SÁBADO DEPOIS DA EPIFANIA - 12 JANEIRO 2019
Primeira leitura: 1 João 5, 14-21
Ao terminar a sua carta, João retoma os temas da segurança da fé e a coerência na vida do cristão, acrescentando o da oração confiante. A oração que o crente dirige ao Pai tem por finalidade obter a vida para aqueles cujos pecados «não conduzem à morte» (vv. 16-17).
Há pecados que conduzem à morte: os que rompem definitivamente a comunhão com Deus. Mas há pecados que não rompem essa comunhão definitivamente e não levam à morte. João diz que é bom rezar por estes últimos, para que sejam readmitidos à comunhão com Deus. O importante é que esta oração seja feita de acordo com a vontade de Deus, e não segundo os próprios interesses.
Ao terminar carta com três afirmações do apóstolo que sublinham a certeza que ele tem acerca do ensinamento que deu aos crentes: quem nasceu de Deus não peca e escapa ao domínio de Satanás (v. 18); o crente pertence a Deus e não ao mundo, porque se trata de duas realidades opostas e inconciliáveis (v. 19); a certeza da vinda de Jesus até nós dá-nos a possibilidade de escaparmos do mal e de entrarmos na comunhão com Deus e com o seu Filho.
A carta encerra com o apelo de João a que os cristãos recusem o culto aos ídolos para possuírem a verdade que é Jesus.
Evangelho: João 3, 22-30
Enquanto a actividade missionária de Jesus e a do Baptista florescia, surge um episódio que perturba os discípulos de João: uma discussão com alguém que provavelmente tinha recebido o baptismo da mão dos discípulos de Jesus.
O tema em discussão é o valor da purificação do baptismo dado pelos rabis e a relação entre os dois ritos. A resposta do Baptista sublinha um princípio geral válido para todo o homem que realiza uma missão: na história da salvação ninguém pode apropriar-se de uma determinada função, se ela não lhe for conferida por Deus (v. 27); além disso, afirma a superioridade de Jesus (v. 28). E, para explicar melhor a relação que tem com Jesus, explica a superioridade da missão própria de Jesus com um exemplo tirado do ambiente judaico: a relação entre o amigo do esposo e o esposo durante a festa nupcial (cf. Is 62, 4-5; Mt 22, 1-14; Lc 14, 16-24).
Nesta comparação, João Baptista não tem dificuldade em reconhecer Jesus no papel de Messias-esposo, vindo para celebrar as núpcias messiânicas com a humanidade, e, portanto, aponta a si mesmo como discípulo-amigo do esposo. Ele pôde conhecer o Messias que dá início à sua missão e recolhe os primeiros frutos do seu trabalho. Por isso, se alegra, pois constata a realização definitiva do projecto salvífico de Deus. E compreende que chegou o momento de se retirar: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir» (v. 30).
É admirável verificar como João Baptista manifesta alegria numa circunstância em que nós, geralmente, manifestamos tristeza. Jesus estava a ter mais sucesso do que João. Os discípulos do Baptista andam preocupados e manifestam essa preocupação: «Rabi, aquele que estava contigo na margem de além-Jordão, aquele de quem deste testemunho, está a baptizar, e toda a gente vai ter com Ele.» (v. 26).
A carreira de João está a chegar ao fim. E ele reconhece que é essa a sua vocação: «Vós mesmos sois testemunhas de que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas apenas o enviado à sua frente. O esposo é aquele a quem pertence a esposa; mas o amigo do esposo, que está ao seu lado e o escuta, sente muita alegria com a voz do esposo. Pois esta é a minha alegria! E tornou-se completa! Ele é que deve crescer, e eu diminuir.»(v. 28-30).
Estas palavras enchem-nos de admiração, certamente. Mas é preciso irmos mais além. Na relação uns com os outros: quantas invejas! Quantos ciúmes! Na relação, particularmente, com Cristo: somos mensageiros, precursores, servos do Senhor! E nada mais! Não é em nós, ou nos nossos interesses, que aqueles que evangelizamos se devem fixar. É em Cristo. O apóstolo há-de ser transparente como o vidro para que, olhando-o, os fiéis vejam mais além, vejam o Senhor.
Quantas vezes, na nossa vida de apóstolos acontecem coisas que noscontrariam. Não bastam aguentar, sofrer! É preciso acolher com alegria! São essas coisas que nos tornam semelhantes a Jesus. As próprias doenças, as humilhações, são chamamentos de Jesus. Há que reconhecê-los como manifestação da sua vontade. Não quer que soframos, certamente! Mas quer que soframos como Ele! Então a nossa alegria será plena!
Se todo sofrimento tem uma sua misteriosa fecundidade apostólica, com maior razão a tem a «cruz do apóstolo», os inúmeros sofrimentos que acompanham toda a acção apostólica e que, por vezes, são coroados com a morte, com o martírio. Que centrou a sua vida e a sua acção na união à oblação de Cristo, até à imolação, aceita todos os sofrimentos como graça. A morte é a sua suprema graça, pois nela se realização a oblação total, a imolação.
Nessas circunstâncias realiza-se para o apóstolo, como para Cristo, a parábola do “grão de trigo caído na terra: se… não morrer, permanece só; se, pelo contrário, morrer, produz muito fruto” (Jo 12, 24). É mesmo a morte que revela a autenticidade profunda da vida, para além dos sucessos e dos insucessos; revela como vivemos e para quem vivemos: para Cristo e como Cristo, sacerdote e vítima, mais ainda, sacerdote porque vítima.
Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia”
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
11 JANEIRO 2019 - – SEXTA-FEIRA DEPOIS DA EPIFANIA
11 JANEIRO 2019 - – SEXTA-FEIRA DEPOIS DA EPIFANIA
Primeira leitura: 1 João 5, 5-13
A vitória do cristão sobre o mundo é a fé. Para alcançar essa vitória, precisa de enfrentar uma luta interior e exterior contra tudo o que é mundano e realizar a vontade de Deus. A certeza da vitória vem da força da vida divina e da união com Deus. Portanto, é a fé em Cristo, Filho de Deus, o único meio para vencer o mundo (v. 5; cf. Jo 20, 30-31).
Jesus veio para dar a vida e, quem acredita nele, tem a vida eterna (cf. v. 21). Esta vida eterna, que Jesus trouxe à humanidade é certa, porque Ele a ofereceu no começou da sua vida pública pelo baptismo («água») (cf. Jo 1, 31), e o fim da sua existência terrena pela morte na cruz («sangue») (cf. Jo 6, 51; 19, 34), e sempre actualizada na Eucaristia.
É sobre este testemunho tríplice e concorde que se funda a manifestação de Deus em Cristo, seu Filho ( vv. 7-8). Há aqui reflexos da polémica do Apóstolo contgra os gnósticos que afirmavam que a divindade de Jesus se uniu à humanidade n o baptismo, mas na morte se separou da humanidade, de tal modo que apenas morreu o homem Jesus.
Quem refuta este testemunho do Espírito de Deus, recusa a fé em Cristo, que é esta união de vida e de morte. A acção do Espírito entretece a vida sacramental (baptismo, confirmação, eucaristia), por meio da qual o crente é inserido no mistério de Cristo e é~e capaz de dar testemunho dele e viver em comunhão com Deus (vv. 11-13).
Evangelho: Lucas 5, 12-16
Jesus cura um leproso e mando-o ao sacerdote para fazer a oferta pela purificação (cf. Lv 14) e para servir de testemunho a todos da sua presença messiânica no meio do povo. O judaísmo, de facto, considerava a cura da lepra um dos sinais d
a vinda do Messias (cf. Lc 7, 22).
A cura é descrita com alguns elementos típicos: o pedido do doente («Senhor, se quiseres, podes purificar-me»: v. 12), a resposta positiva de Jesus, que toca o doente e o cura («Quero, fica purificado.»: v. 13), o envio ao sacerdote («Vai mostrar-te ao sacerdote…»: v. 14). O leproso, marginalizado da comunidade, depois de curado é reinserido nela. Esta cura é também símbolo do perdão e da misericórdia de Deus, e é fundamento da vida da Igreja (cf. Jo 20, 23).
Uma nota final de Lucas apresenta um aspecto particular da pessoa de Jesus: depois da cura, e no meio da fama que se espalha, Jesus retira-se a sós para rezar. É da oração que vem a força de Jesus e o seu fascínio irresistível. A oração serve-lhe também para rever a sua missão à luz do projecto do Pai.
Jesus é, não só mestre, mas também modelo de oração.
S. Lucas é o evangelista que mais se compraz em apresentar Jesus em oração, especialmente sobre os montes e em lugares solitários: “Jesus… foi conduzido pelo Espírito ao deserto” (Lc 4, 1; cf. Mt 4, 1; Mc 1, 12); “Jesus retirava-se para lugares solitários a fim de rezar” (Lc 5, 16; cf. 9, 18; 11, 1; 22, 40-46); “Jesus subiu ao monte para rezar e passou toda a noite em oração” (Lc 6, 12; cf. 9, 28; Mc 6, 46; Jo 6, 15). S. Lucas recorda também duas orações de Jesus na cruz sobre o Calvário: “Pai, perdoa- lhes porque não sabem o que fazem” (23, 34) e “Pai, nas tuas mãos entrego o Meu espírito” (23, 46). É evidente a predilecção de Jesus pelo silêncio e pela solidão, a fim de mergulhar na contemplação. A oração é o lugar do Seu repouso, do Seu encontro com o Pai. Pensemos numa oração muito simples, feita de amoroso silêncio, com uma única invocação: “Abbá, Pai”.
Rezar não é tentar obter de Deus o que nos agrada, o que julgamos importante para os nossos próprios projectos. Rezar leva-nos a entrar na perspectiva de Deus, partindo do seu amor. É contemplar o rosto do Pai que ternamente olha os seus filhos. É encontro com alguém que nos ama, e deixar-nos apanhar pelo Seu amor.
Não é fácil rezar. Exige aprendizagem, trabalho exigente, não porque é superior às nossas forças, mas porque é uma experiência que jamais se esgota, um caminho onde sempre permanecemos discípulos.
A oração não é tanto um exercício de amar a Deus, mas de se deixar amar por Ele. É acolhimento do Seu amor, da Sua palavra, dos Seus projectos, dos Seus
desejos. É experimentar silenciosamente e serenamente a Sua presença, como Maria a experimentava no seu seio.
Mas a oração é também resposta ao dom que Deus nos faz de si mesmo e de todas as suas graças e bênçãos. A oração é louvor, acção de graças, oferta, intercessão, festa e liturgia da vida. Levar a vida à oração. Levar a oração à vida.
O coração da oração cristã é entrar no mistério da filiação divina: estar em Deus no Espírito pelo Filho, como o Filho está no mistério do Pai.
Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia”
10 JANEIRO 2019 - QUINTA-FEIRA DEPOIS DA EPIFANIA
10 JANEIRO 2019 - QUINTA-FEIRA DEPOIS DA EPIFANIA
Primeira leitura: 1 João 4, 19- 5, 4
O amor cristão conhece três relações: o amor de Deus para connosco, o nosso amor para com Deus e o nosso amor para com os irmãos.
O amor a Deus e aos irmãos estão intimamente ligados: «quem ama a Deus, ame também o seu irmão» (v. 21). Mais: o verdadeiro amor a Deus manifesta-se no amor aos irmãos: «aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê» (v. 20).
O amor cristão tem a sua origem em Deus, porque «Ele nos amou primeiro» (v. 19), como verdadeiros filhos. Pertence-nos agora corresponder ao amor e gerar amor. Não foi o homem que alcançou a Deus com o seu amor, mas o contrário: Deus veio ao nosso encontro, em Jesus. Se amamos os outros, temos a prova real de que Deus nos alcançou.
É fácil ser tentado a refugiar-se no amor de Deus, esquecendo os irmãos. Refugiar-se na esfera do divino, desinteressando-se pela esfera humana, era praticados gnósticos. É pela fé que sabemos que Deus nos ama. O fiel amado, que «nasceu de Deus» (v. 1), ama o Pai e o Filho, mas também todos os irmãos, nascidos de Deus. Só a fé e o amor, nascidos da filiação divina, permitem ao cristão vencer tudo quanto se opõe a Cristo, vivendo os seus mandamentos (vv. 3-4).
Evangelho: Lucas 4, 14-22a
A actividade evangelizadora de Jesus na Galileia caracteriza-se pela força do Espírito, pelo entusiasmo das pessoas que O escutam e pela sua fama que se espalha por toda a parte. Na sinagoga de Nazaré, lê e interpreta Is 61, 1-2, aplicando o texto à sua pessoa, e fazendo dele o texto programático da sua acção como Messias. Com Ele começa, de facto, o ano jubilar (cf. Lv 25, 10); com Ele desceu o Espírito de Deus sobre a terra, que traz a salvação a humanidade: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir» (v. 21).
O Espírito consagrou Jesus como Messias. O Reino que anuncia será a verdade, a liberdade e a novidade do mundo, que fará nascer naqueles que O escutam e seguem. O povo fica admirado com as suas palavras e dá testemunho dele~
(v. 22). A libertação trazida por Jesus destina-se particularmente aos pobres, aos oprimidos, aos prisioneiros e aos cegos, porque são os mais disponíveis para acolher a sua mensagem, e a acção do Espírito de Deus. A palavra de Jesus é «alegre notícia» de vida nova para todos os homens. Mas é uma palavra exigente, que comporta a cruz e a ressurreição. É no mistério pascalque o crente encontra a plenitude e a comunhão com Deus. É este o êxodo que todo o homem deve realizar na sua vida, se quer também colaborar na libertação dos irmãos, viver no Espírito e participar na glória de Jesus Cristo ressuscitado.
«Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.» A liturgia faz-nos tomar consciência da situação privilegiada em que nos encontramos, em relação aos habitantes de Nazaré. Verdadeiramente, o mistério de Cristo cumpriu-se. Quando Jesus pronunciou o seu discurso em Nazaré, a transformação do homem estava apenas a começar. Depois
veio a morte e a ressurreição do Senhor pelas quais se cumpriu toda a Escritura. E nós vivemos o tempo da plenitude, ainda que não vejamos Jesus com os olhos da carne.
João continua a insistir na união entre o amor a Deus e o amor aos irmãos. Todo o evangelho é anúncio do amor de Deus tornado visível na pessoa do Verbo Encarnado, Jesus de Nazaré. Amar a Deus é colocar-se na sua perspectiva. Ele ama todo o ser criado e não hesita em entregar o próprio Filho unigénito para a salvação de todos os homens. Viver para os outros, dar-se, sacrificar-se pelo seu bem é viver como Deus, é actuar o que Jesus quer que façamos.
Esta fé anima a nossa caridade cristã, mas também se torna uma enorme força de luta contra o pecado que é a exploração, a intolerância, a injustiça, a violência e o egoísmo.
Mas o mal belo testemunho do amor a Deus e aos irmãos é manifestar, não só com palavras, mas também com obras, que estamos no coração de Deus.
Ao encarnar, o Verbo, fez-Se de tal modo solidário com os homens que esvazia ”a Si mesmo” (Fil 2, 7) da glória que possuía na preexistência junto do Pai (cf. Jo 17, 5). Preferiu recebê-la do Pai, como exaltação pelo seu sacrifício (cf. Fil 2, 9), por meio da Ressurreição: “Servo” (Fil 2, 7) torna-Se “Senhor” (Fil 2, 11).
Quanto a S. João, a relação “solidariedade” – revelação é o princípio chave de interpretação do seu Evangelho, a começar pelo Prólogo que nos apresenta “o Verbo feito carne” (1, 14), de Quem “vemos a… glória”, isto é, o amor nas palavras e nas obras, na morte e na ressurreição.
No amor de Cristo, experimentamos o amor do Pai (cf. Jo 1, 18; 1Jo 4, 9-10). Em Cristo “conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem” (1Jo 4, 16). Esta experiência e esta fé leva-nos a amar com e como Cristo: em união com Ele e à maneira d´Ele.
Fonte: Dehonianos.org/portal/liturgia”
Subscrever:
Mensagens (Atom)