quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Partilha de bens". Carta Pastoral de D. Francisco Lerma


Carta Pastoral

“Partilha de bens”

A sustentabilidade económica e cristã na Diocese de Gurúè


Caríssimos Diocesanos


1. O tema da economia, tão debatido em todo o lado, pelos governos, instituições públicas e privadas e nas famílias, para nós, discípulos de Jesus Ressuscitado, para além dos seus aspectos técnicos, deve ser iluminado pela luz do Evangelho, pelo testemunho que nos deixaram as primeiras comunidades cristã e não só. Eis o que os primeiros cristãos nos transmitiram:

A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum. Com grande poder, os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e uma grande graça operava em todos eles. Entre eles não havia ninguém necessitado, pois todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, traziam o produto da venda e depositavam-no aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um conforme a necessidade que tivesse (Act 4,33 - 35).

2.Os Bispos e os cristãos da Igreja em Moçambique, motivados com renovado empenho pelas três Assembleias Nacionais de Pastoral dos últimos 35 anos (I ANP, Beira 1977; II ANP, Matola 1991; III ANP, Matola 2005), queremos partilhar de facto o que a Providência põe nas nossas mãos e, ao mesmo tempo, sentimo-nos fortemente comprometidos e decididos a favorecer o processo de autonomia económica das Comunidades, das Paroquias e das Dioceses. 

3.Nesta linha de procura da autonomia económica, é fundamental o contributo de cada padre, religioso, religiosa, animadores e de todos os cristãos, sobretudo sentindo-se comprometidos em primeira pessoa no esforço por encontrar fontes de receitas para as próprias actividades pastorais, acabando com a ideia de que: “… a Diocese tem que fazer tudo pois ela é rica, recebe dinheiro de Roma e tem que pagar o meu trabalho”. 

Este modo de considerar a problemática económica da nossa Igreja tem que ser afastado totalmente da nossa maneira de pensar, como se a Igreja (Diocese, Paróquias, comunidades…) fosse uma coisa e os baptizados (padres, irmãs, animadores, cristãos) outra.


4.A II Assembleia Nacional de Pastoral (Matola 1991) analisou profundamente as causas desta situação de dependência quase absoluta do exterior, e indicou orientações comuns rumo à consolidação da Igreja local, com a auto -  sustentabilidade local:
“É, portanto, urgente que as Igrejas particulares de África se proponham o objectivo de chegar quanto antes a prover às suas necessidades, assegurando desse modo a sua auto-suficiência”(Cfr. II Assembleia Nacional de Pastoral, nn.36-41).

5.Acabou o tempo das “calamidades” e do período que lhe seguiu ainda muito forte hoje dos “projectos”, sem os quais nada ou quase nada é feito. Mantinha-se e ainda se mantém uma dependência muito acentuada dos projectos financiados do exterior. Para qualquer coisa que se deseja fazer ou se projecta, continuamos a depender da boa vontade do financiamento exterior e do pouco ou quase inexistente das nossas próprias forças. Nas três últimas décadas, a Igreja em Moçambique vem-se debruçando constantemente sobre esta realidade para melhor compreender e assimilar a responsabilidade de cada cristão de prover as necessidades da vida da Igreja, das suas actividades e demais subsídios necessários à evangelização.

6.A situação de pobreza absoluta que afecta a maioria da nossa população e a nós próprios, afecta também a nossa Igreja, pois ela está inserida no nosso meio. A Igreja já deitou raízes no nosso povo, nós próprios somos a Igreja. Este problema está também unido à promoção humana, pois a Igreja sempre desenvolveu a sua missão evangelizadora paralelamente com a promoção humana. Na fidelidade aos ensinamentos e ao exemplo de seu Mestre, a Igreja sempre se preocupou com as necessidades básicas do homem:

“Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25, 35-36).

7.Torna-se difícil corrigir a mentalidade paternalista e assistencialista como em grande parte dos casos era feita a pastoral e demais actividades da Igreja. De facto, tal maneira de agir criou nos cristãos um mal-entendido sobre o potencial económico dos Padres, das Missões, da Igreja e sobre a sua nula responsabilidade neste sector tão importante para consolidar a Igreja local. Muitos pensam ainda hoje erradamente:
A Igreja é rica! A Igreja é que deve dar e não o crente até porque a esmagadora maioria das pessoas é pobre!” (III Assembleia Nacional de Pastoral, nº 116).
8.Não devemos esperar sermos ricos para contribuirmos para as despesas da nossa família. A Igreja somos nós e cada um contribui livremente e segundo as suas possibilidades para com as necessidades dos seus irmãos e da sua Igreja. O exemplo da viúva pobre do Evangelho que ofereceu no Templo apenas umas pequenas moedas foi elogiado pelo próprio Jesus. Os ricos dificilmente olham para o pobre nem para as necessidades da Igreja. Eles olham para os seus próprios interesses:

“Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns tostões. Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.» (Mc 12, 41-44)


9.Na última sessão do Conselho Presbiteral (04.04.2012) e, posteriormente, na reunião mensal da Comissão Diocesana para os Assuntos Económicos, foi feita uma revisão trimestral do Orçamento Geral da Diocese (OGD 2012) para a distribuição dos subsídios mensais e demais despesas diocesanas (Subsídios para os Padres e as Paróquias, Seminários, Secretariado de Pastoral, Casa Diocesana, carros, etc.). Os bens de que dispomos e distribuímos são dons da Providência provenientes da contribuição dos cristãos e do subsídio ordinário de Propaganda Fide. Não há neste momento mais outras fontes de receita. Os subsídios para os projectos estão totalmente sujeitos aos respectivos Projecto (Ver o Anexo: ORÇAMENTO PARA O ANO DE 2012).

10.Convido-vos a fazer uma reflexão séria sobre a economia diocesana, apresentando a situação da nossa Diocese e indicando algumas orientações para o futuro em consonância com as ORIENTAÇÕES DIOCESANAS ACTUALIZADAS, fruto da VI ASSEMBLEIA DIOCESANA DE PASTORAL.

11.Acredito profundamente que o que se distribui pelas paróquias é o que nos vem da Providência: isto é, o subsídio ordinário de PROPAGANDA FIDE, algumas ofertas que vão aparecendo uma ou outra vez, mas muito raramente, a Contribuição Diocesana Anual dos próprios cristãos e o que oferecem pela celebração dos sacramentos e das visitas pastorais. Certamente este é o espírito com o qual devemos receber estes subsídios e os subsídios dos Projectos, destinados aos pobres, às nossas actividades pastorais e ao nosso próprio sustentamento. O que a Providência nos dá deve ser distribuído no espírito da economia de comunhão das primeiras comunidades cristãs.

12.Todos sabemos que a crise económica mundial reduziu dramaticamente as somas dos subsídios que a Propaganda Fide e os demais benfeitores (Missio, Kirche in Not, Manos Unidas, Mãos Unidas, etc.) podem distribuir de facto. Esta situação se, por um lado, é desagradável e nos cria sérios problemas sem solução imediata, por outro lado obriga-nos a começar ou a intensificar com maior urgência a economia sustentável a partir de bases locais.

13.Durante as duas décadas de vida da nossa Diocese, os subsídios distribuídos (ordinários e extraordinários) se, por uma parte, foram uma ajuda válida para o crescimento das nossas paróquias e de toda a Diocese no seu conjunto; por outra parte, não favoreceu o estudo e a procura em como criar fontes de economia locais para o sustento da Igreja e das obras da Evangelização, isto é, a formação dos agentes da pastoral, a vida das comunidades e das Paróquias, os Seminários, os Noviciados, o clero diocesano, os meios de transporte, a reabilitação e manutenção dos edifícios (casas paroquias, igrejas e capelas), publicações de livros e demais actividades pastorais. Tudo ou quase dependeu e depende ainda hoje dos Projectos.

Autonomia económica

14.O Bispo e todos os cristãos da nossa Igreja Diocesana, motivados com renovado empenho desde a VI Assembleia Diocesana de Pastoral (Março 2011), queremos partilhar de facto o que a Providência põe nas nossas mãos e, ao mesmo tempo, sentimo-nos fortemente comprometidos e decididos a favorecer o processo de autonomia das Comunidades, das Paroquias e de toda a Diocese. 

15.Nesta linha de procura da autonomia económica, é fundamental o contributo de cada missionário, padre diocesano, religioso, religiosa, animadores e de todos os cristãos, sobretudo sentindo-se comprometidos em primeira pessoa no esforço por encontrar fontes de receitas para as próprias actividades pastorais, acabando com a ideia de que: a Diocese tem que fazer tudo pois ela é rica, recebe dinheiro de Roma e tem que pagar o meu trabalho. 

Tal maneira de pensar tem que ser afastada totalmente da nossa mente, como se a Diocese fosse uma coisa e os baptizados (padres, irmãs, animadores, cristãos) outra.

16.Isto obriga-nos a começar com a redução gradual dos subsídios mensais no futuro imediato, se não houver uma aceitação prática da entrega da Contribuição Diocesana como foi estabelecido na VI ASSEMBLEIA DIOCESANA DE PASTORAL, pois o subsídio ordinário de Propaganda Fide não é suficiente para manter o subsídio actual até ao fim do ano: “A Contribuição Anual Diocesana por cada cristão a partir dos 16 anos de idade é de 50,00MT ou o equivalente em produtos não perecíveis” (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 119). 

17.Este é um dever dos cristãos para com a Igreja que começa, primeiro na mente e no coração; só depois é que cada um vai contribuir da melhor maneira, segundo o Quinto Preceito da Igreja que estabelece o seguinte: “Contribuir para as necessidades materiais da Igreja, segundo as próprias possibilidades”.

18.Vivendo neste mundo globalizado, sociedade de consumo, também nós somos tentados pelo seu estilo de vida, em contradição com a miséria e a pobreza da maioria da população a quem devemos anunciar o Evangelho.
Torna-se necessário por parte de todos estarmos atentos a estas tentações que dificilmente aparecem na lista dos nossos pecados.

Um passo em frente

19.Todos nós devemo-nos sentir responsáveis e comprometidos em primeira pessoa nesta procura de caminhos concretos (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 185). De facto, para chegarmos a uma autonomia económica é necessária a colaboração de todos com espírito de fraternidade, rejeitando toda a forma de juízo e de arrogância. É necessário organizarmo-nos para termos os meios materiais para a vida da Igreja e das suas actividades (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 186).

Vos apresento algumas sugestões que nos podem ajudar neste caminho:

a. -Formação
As Orientações Diocesanas afirmam que “Perante a falta de formação e de informação dos fiéis sobre a auto- sustentabilidade da Igreja, urge que todos nos empenhemos no trabalho de conscientizar os cristãos para assumirem como próprias as necessidades económicas da Igreja” (OD, nº 185,c).

Alem da referida formação de base de todos os membros da comunidade, é necessário a formação de ecónomos aos vários níveis: leigos, religiosos (as) e clero. Devem ser pessoas com experiência pastoral e identificadas com a própria Igreja que possam assumir com amor, sentido de pertença, dedicação e competência a animação das comunidades, Paróquias e Diocese para esta finalidade. O Secretariado Diocesano de Pastoral há-de preparar uns temas apropriados para os cursos de formação nesta área. Com este material esperamos que cada Paróquia realize cursos de formação para os ecónomos das comunidades e da Paróquia.

b.-Conselho para os Assunto Económicos
Onde ainda não exista, haja a constituição do Conselho para os Assuntos Económicos nas Paróquias e nas comunidades, segundo as Orientações Diocesanas. O número dos membros deve ser impar (3, 5 ou 7), para evitar os empates nas votações (Cfr. Orientações Diocesanas nº 188).

c.-Orçamento anual
 No princípio de cada ano é necessário prever as despesas anuais, fazendo o Orçamento Geral da Paróquia (e no seu caso, o de cada Comunidade ou Zona), que deve ter em conta as despesas correntes do ano anterior e as possíveis despesas ordinárias e extraordinárias do ano que começa. Trata-se do que chamamos  as “Entradas ou Receitas” e as “Saídas ou Despesas”. (Cfr. Orientações Diocesanas nº 188).

d.-Livro de Contabilidade
 Cada Paróquia deve ter o seu Livro de Contabilidade actualizado, onde se escreve todo o movimento das contas, o que se recolhe e o que se gasta: todas as “entradas” (receitas) e todas as “saídas” (despesas) (Cfr. Orientações Diocesanas nº 189).

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e.- Seminários.
 Torna-se necessário fazer uma análise sobre os nossos seminários e  a contribuição das famílias e das paróquias. Com a diminuição dos subsídios da Propaganda Fide, aumento do custo de vida e com a criação do nosso Seminário Propedêutico de S. José (1º Ano), torna-se necessário fazer uma análise sobre os nossos seminários: a contribuição em géneros ou em dinheiro das famílias e das paróquias.

O nosso Seminário de S. José de Gurúè, deve manter-se com a colaboração directa das Paróquias, especialmente em géneros. Cada paróquia assumirá as despesas deste seminário durante um mês com produtos alimentícios (milho, arroz, feijão, mandioca, batata, cebola, alho, bananas) e animais (galinhas, cabritos, etc.), segundo as suas possibilidades.


f.-O uso do dinheiro pessoal e do dinheiro da comunidade.
 Devemos pensar que tudo o que recebemos das comunidades, do subsídio diocesano ou dos benfeitores, provem da Providência, pertence a todos e todos somos chamados a partilhar o que recebemos; devemos justificar o uso que foi feito do dinheiro recebido (subsídios, ofertas, projectos…).

g.-Revisão das despesas gerais que fazemos normalmente e, de modo especial, na manutenção dos carros e nas viagens não necessariamente pastorais. É necessário que nos interroguemos se nos devemos permitir tantas viagens por qualquer motivo. É justo deixar a Paróquia por qualquer motivo?

     h.-Trasparência
Perante o pedido de justificação das despesas feitas, da contabilidade escrita e actualizada devidamente, muitos podem sentir-se ofendidos. Justificar o dinheiro recebido e como foi usado é normal em qualquer sociedade ou grupo que queira ser justo e transparente no uso do dinheiro sem ter nada a ocultar. Isto não é falta de confiança, simplesmente uma lei de justiça e de transparência. Isto faz parte essencial da pobreza do Evangelho. Dificilmente entra na lista dos pecados de um evangelizador e de um pastor da Igreja.

20.Subsídios

Na Distribuição de subsídios mensais:
·       Os subsídios mensais recebidos da Administração Diocesana são para a sustento dos padres que não tem outras fontes de receitas, para as necessidades mais urgentes da paróquia, para a manutenção ordinária da casa diocesana, para os seminários e para o Secretariado Diocesano de Pastoral.

·       Os Seminários, as casas de formação de religiosos e religiosas e os centros de leigos: todos nós devemo-nos sentir comprometidos em primeira pessoa em manter estes centros de formação, pois são o futuro desta Igreja local, (“Consolidar a Igreja local”: evangelização, sacerdotes, religiosos/as e agentes de pastoral a todos os níveis), em comunhão com toda a Diocese. Peço mesmo uma colaboração económica, segundo as suas possibilidades aos Religiosos e Religiosas que mantém actividades económicas na Diocese, nos termos que cada comunidade achar mais conveniente.

·       É necessário também recordar aqui a obrigação de enviar sem esperar o mês de Dezembro, por fases ou tudo de uma vez, à Administração Diocesana ou à Secretária da Diocese, a Contribuição Diocesana Anual segundo as normas assumidas na VI Assembleia de Pastoral e já vigentes na Diocese (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 191). Quem recebe a Contribuição passará um recibo à quem entrega o dinheiro para poder  justificar perante os cristãos a entrega feita.


21. A luta contra a pobreza um dever de todos
A última das orientações sobre os caminhos a seguir é que a luta contra a pobreza e a dependência absoluta do exterior é um dever de todos os cidadãos e para nós os cristãos por imperativo evangélico e por dignidade humana. A III Assembleia Nacional de Pastoral conclui com estas palavras:

“A superação da pobreza material não é tudo. É necessário que isto Aconteça, sim, mas tendo sempre presente a elevação do homem à categoria de filho de Deus” (III ANP n.122).

22.Faço um apelo ao espírito de comunhão diocesana e de família, à co-responsabilidade e partilha, ao sentido de pertença a esta Igreja local, de ser e de estar em comunhão, que deve animar a nossa evangelização e todas as nossas actividades pastorais.

23.Na Diocese, família reunida no nome do Senhor, todos nos devemos sentir acolhidos como irmãos (cf. Rom 15, 7), interessarmo-nos uns pelos outros, evangelizar unidos numa pastoral de comunhão e de conjunto, partilhando as alegrias, os sofrimentos e as esperanças da Diocese seja qual for o trabalho ou actividades que cada um exerce.
Esta comunhão é alma e a vida da nossa família diocesana, desta Igreja local de Gurúè  que caminha nas terras da Alta Zambézia.

Gurúe, 1º de Maio de 2012

Festividade de São José Operário

Vosso Bispo

+Francisco

domingo, 20 de maio de 2012

Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012

Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012

Silêncio e palavra: caminho de evangelização
Amados irmãos e irmãs,
Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, desejo partilhar convosco algumas reflexões sobre um aspeto do processo humano da comunicação que, apesar de ser muito importante, às vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necessário lembrá-lo. Trata-se da relação entre silêncio e palavra: dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas. Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.

O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório. Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum autêntico. Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons.

Grande parte da dinâmica atual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de partida da comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões, informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunicação, aflora a preocupação de muitos pelas questões últimas da existência humana: Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? É importante acolher as pessoas que se põem estas questões, criando a possibilidade de um diálogo profundo, feito não só de palavra e confrontação, mas também de convite à reflexão e ao silêncio, que às vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta apressada, permitindo a quem se interroga descer até ao mais fundo de si mesmo e abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no coração do homem.

No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades, pequenas ou grandes, que deem sentido e esperança à existência. O homem não se pode contentar com uma simples e tolerante troca de céticas opiniões e experiências de vida: todos somos perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste nosso tempo em que, «quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011).

Devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem atual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Na sua essencialidade, breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo bíblico – podem exprimir pensamentos profundos, se cada um não descuidar o cultivo da sua própria interioridade. Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: «Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio» (Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, 30 de setembro de 2010, n.º 21). No silêncio da Cruz, fala a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em silêncio e, no Sábado Santo – quando «o Rei dorme (…), e Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos» (cfr Ofício de Leitura, de Sábado Santo) –, ressoa a voz de Deus cheia de amor pela humanidade.

Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora» (Homilia durante a concelebração eucarística com os membros da Comissão Teológica Internacional, 6 de outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos e ouvimos», a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1 Jo 1, 3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.

Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele desígnio de salvação que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a história da humanidade. Como recorda o Concílio Vaticano II, a Revelação divina realiza-se por meio de «ações e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal modo que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (Constituição dogmática Dei Verbum, 2). E tal desígnio de salvação culmina na pessoa de Jesus de Nazaré, mediador e plenitude da toda a Revelação. Foi Ele que nos deu a conhecer o verdadeiro Rosto de Deus Pai e, com a sua Cruz e Ressurreição, nos fez passar da escravidão do pecado e da morte para a liberdade dos filhos de Deus. A questão fundamental sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de pacificar a inquietação do coração humano no Mistério de Cristo. É deste Mistério que nasce a missão da Igreja, e é este Mistério que impele os cristãos a tornarem-se anunciadores de esperança e salvação, testemunhas daquele amor que promove a dignidade do homem e constrói a justiça e a paz.

Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da ação comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo. A Maria, cujo silêncio «escuta e faz florescer a Palavra» (Oração pela Ágora dos Jovens Italianos em Loreto, 1-2 de setembro de 2007), confio toda a obra de evangelização que a Igreja realiza através dos meios de comunicação social.

Vaticano, 24 de janeiro – dia de São Francisco de Sales – de 2012.
BENEDICTUS PP XVI
(Tradução portuguesa oferecida pela Santa Sé)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

COMUNICADO DOS BISPOS CATÓLICOS DE MOÇAMBIQUE





       Às Comunidades Cristãs, aos Sacerdotes, Consagrados e Consagradas, Animadores das Comunidades e dos Ministėrios Laicais, a todos os homens e mulheres de boa vontade, a nossa saudação de pastores, com votos de paz e alegria em abundância.

      Vos dirigimos esta saudação a partir do lugar habitual dos nossos encontros, o Seminário de Santo Agostinho da Matola, onde estivemos reunidos desde o dia 17 a 22 de Abril do ano em curso, para a primeira sessão ordinária da Assembleia plenária. Como de costume, vimos, partilhar convosco o nosso trabalho e a vida da nossa Igreja.

      Ausências

      Infelizmente, não pudemos contar a com a presença do Senhor D. Bernardo Filipe Governo, Bispo Emérito de Quelimane e de D. Tomé Makhwéliha, Arcebispo de Nampula, ambos por motivos de saúde. Do Senhor D. Bernardo temos notícias de ligeiras melhorias, pois na Quarta-feira Santa recuperou a fala e ganhou maior serenidade e ânimo. O Senhor D. Tomé sentiu–se incomodado nestes últimos dias e, para não agravar a situação, não viajou para este nosso encontro. Ao Senhor D. Bernardo desejamos uma recuperação completa e ao Senhor D. Tomé rápidas melhoras.


      Da Nunciatura Apostólica

      Senhor Núncio Apostólico

      Desta vez não pudemos contar com a presença do Senhor D. António Arcari, Núncio Apostólico em Moçambique, que se encontra fora do País, por motivos de trabalho.
     

       Secretário da Nunciatura Apostólica

      Monsenhor Mário Codamo, que por cerca de 5 anos foi Encarregado de Negócios da Nunciatura Apostólica no nosso País, recebeu transferência para Suíça, tendo deixado Moçambique nos finais de Março. A Mons. Mário agradecemos pelo trabalho realilizado em prol da nossa Conferência Episcopal e de toda a Igreja de Moçambique. Auguramos-lhe bom trabalho no seu novo posto.

      Encarregado de Negócios ad interim

      Não havendo sido ainda nomeado um novo secretário para a Nunciatura Apostólica em Moçambique e com a ausência do Senhor Núncio Apostólico, a Santa Sé enviou um Encarregado de Negócios ad interim, na pessoa do Mons. Rodrigo Bilbao Cepeda, de nacionalidade Chilena, proveniente da Nunciatura Apostólica de Timor Leste, onde actualmente trabalha. A Mons. Rodrigo Bilbao desejamos boas-vindas e boa estadia no nosso País.

      Novo Reitor do Seminário Filosófico de Santo Agostinho

      Tendo o Reverendo Padre José da Cruz Muluta, do clero diocesano de Nampula, terminado o seu mandato de Reitor, foi sucedido para o mesmo cargo pelo Reverendo Padre Tonito José Francisco Monanoua, do clero diocesano de Guruè, que já fazia parte da Equipa Formadora. O mesmo tomou posse no passado dia 20 de Abril, numa celebração eucarística, presidida pelo Senhor D. Lúcio Andrice Muandula, Presidente da CEM, e concelebrada pelos Bispos da CEM e por muitos Sacerdotes, na presença de Religiosos/as e leigos professores do mesmo Seminário. Ao novo Reitor, desejamos bom trabalho e muita paz no desempenho das suas funções e ao Reverendo Padre Muluta vão os nossos sinceros e profundos agradecimentos pelo trabalho árduo, realizado ao longo dos 6 anos em que esteve na direcção do Seminário Maior de Santo Agostinho.

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 Actualmente, a equipa formadora deste Seminário ficou assim constituida:
Padre Tonito José Francisco Monanoua, Diocese de Guruè
      Padre Benjamim Pereira, Arquidiocese da Beira
      Padre Damião Manuel Jorge, Diocese de Quelimane
      Padre Anselmo Orlando Pinto, Diocese de Inhambane.

      Reconhecemos perfeitamente que quatro sacerdotes para 167 Seminaristas internos, sem contar com os externos, ė muita coisa, o que torna o processo de seguimento individualizado na formação deveras difícil. Estamos neste momento à procura de sacerdotes idóneos, que possam integrar a actual equipa formadora.

      Do Seminário Teológico

      Embora tenha passado bastante tempo depois do acontecimento, tambėm o Seminário de São Pio X tem um novo Reitor, a partir de Julho do ano passado, na pessoa do Reverendo Padre Inácio Lucas, da Diocese de Nacala. Fazem parte da equipa formadora:
      Padre Inácio Lucas, Diocese de Nacala
      Padre Pedro Sebastião, Diocese de Quelimane
Padre Jeremias dos Santos Moisés, Diocese de Inhambane
      Padre Francisco Sinate, Diocese de Chimoio
      Padre Artur Chipera, Arquidiocese de Maputo.

      O Seminário conta com 58 alunos internos, distribuídos por três turmas: nomeadamente o 2°, 3º e  4°anos.

      D. Germano Grachane de luto

      Na manhã do dia 19 de Abril, no meio da nossa Assembleia Plenária, recebemos a dolorosa notícia do falecimento do Senhor Alberto Grachane, irmão mais velho do Senhor D. Germano, bispo de Nacala, e da Irmã Isabel Grachane, Superiora Provincial das

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Irmãs de Apresentação de Maria. O finado foi vítima de doença prolongada, suportada com muita fé, resignação e serenidade. Estas virtudes transformavam aquele que sofria em consolador daqueles que sentiam pena dele. Aliás, esta era uma das características do "Papá Grachane", homem que irradiava muita fé e optimismo.

      Ao Senhor D. Germano e a toda a extensa família Grachane, os nossos mais vivos sentimentos de pesar e de comunhão na dor, com a promessa da nossa oração, para que o Senhor da vida e da morte os console com a esperança da ressurreição.

      Dioceses em luto

      Tambėm estão de luto a Arquidiocese da Beira e a Diocese de Pemba pela perda dos seus sacerdotes. Assim, na Arquidiocese da Beira, faleceu no dia 24 de Março passado, o Padre Isildo Fernando Ronda. Na Diocese de Pemba, faleceu o Padre António Nunes Wawaya. Ambos foram vítimas de doença e pertenciam ao clero diocesano das respectivas dioceses.

      De lembrar que o Reverendo Padre Wawaya foi Reitor do Seminário de S. Pio X no início dos anos 2000 e, mais tarde, por 5 anos consecutivos, responsável do Departamento de Justiça e Paz e Vice-director da IMBISA em Harare (Zimbabwe). No último ano em que esteve na IMBISA exerceu o cargo de Director interino da mesma instituição, até ao momento em que terminou o seu segundo mandato no Departamento de Justiça e Paz, volvidos 6 longos anos de serviço.

      À Arquidiocese da Beira, à Diocese de Pemba e às famílias enlutadas, as nossas condolências e preces, para que o Senhor lhes conforte e dê aos falecidos o descanso eterno.



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      Estatutos da Universidade Católica

      Um dos pontos fortes da nossa agenda era o da revisão dos Estatutos da Universidade Católica de Moçambique (UCM) que, aliás, já nos vinha ocupando desde as últimas assembleias plenárias. Desta vez, foi para a Conferência tomar decisões sobre os pontos da sua competência e avaliar o trabalho de revisão feito pelo Conselho Universitário da UCM. O texto será agora entregue a canonistas, para considerações técnicas, antes de ser remetido à Congregação para a Educação Católica, para a aprovação. Depois de uma caminhada de mais de 15 anos, há necessidade de adequar a UCM às novas exigências sociais e eclesiais.

      Seminários

      Como sinal da nossa solicitude e preocupação pela formação do clero diocesano, não podia faltar aquele que tem sido um assunto de debate em todos os nossos encontros: o tema dos Seminários. Como sempre, o aspecto dominante foi o da questão do pessoal formador. Os Bispos voltaram a debruçar-se sobre a questão do futuro Seminário Maior de Santo Atanásio de Nampula e insistiram na urgência da realização do projecto da sua construção. Na verdade os dois Seminários Maiores de Maputo estão superlotados e isso se tem reflectido negativamente na qualidade da formação dos futuros sacerdotes. Infelizmente, uma vez mais constatou-se que a questão da falta de meios financeiros e de pessoal formador é paralisante.

      Tráfico de seres humanos

      Como continuação do encontro sobre este mesmo tema, que teve lugar ano passado em Mumemo, um novo encontro, desta vez organizado pela IMBISA (Associação Inter-Regional dos Bispos da África Austral) e pela SANTAC, vai ter lugar nos próximos dias 14 a 17 de Maio, também em Mumemo, na Arquidiocese de Maputo.

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      Plano Nacional de Pastoral

      Devido à não realização de encontros marcados para as Províncias Eclesiásticas, há uma certa estagnação, no que se refere ao Plano Nacional de Pastoral. Para relançar tal processo foi marcado, para os próximos dias 24-26 de Junho, um Encontro Nacional dos Directores dos Secretariados de Coordenação Pastoral, em Nazaré, na Arquidiocese da Beira

      Lançamento do "Africae Munus"

      O Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Sua Eminência Reverendíssima Cardeal Fernando Filoni, numa carta circular, dirigida a todas as Conferências Episcopais Africanas, recomenda que, numa celebração nacional ou diocesana, se faça a entrega ou o lançamento simbólico da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Africae Munus, saída do II Sínodo Especial para Africa.
      O SCEAM (Simposium das Conferências Episcopais de Africa e Madagáscar) que é a Associação Continental dos Bispos de Africa e Madagáscar escolheu o dia 29 de Julho para aquela celebração, por ser o dia em que se celebra também a fundação do próprio SCEAM.
      A CEM decidiu escolher a forma diocesana para a apresentação formal da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Africae Munus aos fiéis de todas as dioceses e as celebrações principais terão lugar, simultaneamente, no dia 29 de Julho. Nesse dia os Bispos Diocesanos farão a entrega e divulgação oficial do supracitado documento, aos sacerdotes, religiosos, leigos e homens de boa vontade, encorajando-os a seguir as recomendações do Santo Padre, na promoção da Reconciliação, da Justiça e da Paz. Algumas das nossas Dioceses já estão a trabalhar nessa direcção e encorajamo-las a continuar e a preparar convenientemente o lançamento oficial da referida Exortação Apostólica.


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Dia da Reconciliação

      Segundo a recomendação do SCEAM, cada Conferência Episcopal Nacional deverá escolher um Dia da Reconciliação, no espírito da Exortação Pós-Sinodal Africae Munus, no seu número 157: «Para encorajar a reconciliação, a nível comunitário, recomendo vivamente – como desejaram os Padres sinodais – que se celebre todos os anos, em cada país africano, “um dia ou uma semana de reconciliação, particularmente durante o Advento ou a Quaresma. O Simpósio das Conferências Episcopais da África e de Madagáscar (SCEAM) poderá contribuir para a sua realização». Na próxima assembleia plenária, em Novembro, a nossa Conferência, depois da necessária consultação, irá estabelecer o supracitado Dia da Reconciliação para Moçambique.

      Jubileu da Reconciliação

      Ainda em cumprimento do que diz a Exortação Apostólica Africae Munus diz no seu número 157, O SCEAM, de acordo com a Santa Sé, «vai promover um Ano da Reconciliação a nível continental para pedir a Deus um perdão especial para todos os males e feridas que os seres humanos se infligiram uns aos outros em África, e para que se reconciliem as pessoas e os grupos que foram ofendidos na Igreja e no conjunto da sociedade. Tratar-se-á de um Ano Jubilar extraordinário “durante o qual a Igreja em África e nas ilhas adjacentes dará graças com a Igreja universal e pedirá para receber os dons do Espírito Santo”, especialmente o dom da reconciliação, da justiça e da paz». A data de início do referido Ano Jubilar da Reconciliação, será fixado na próxima Assembleia Plenária do SCEAM, a ter lugar na República Democrática do Congo (Kinshasa) em 2013.
      Ano da fé
      O Santo Padre, Papa Bento XVI, promulgou o Ano da fé, que terá o seu início em Outubro de 2012 e durará até 2013. Será uma

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maneira  concreta de celebrar o Jubileu dos 50 anos da abertura do Concílio do Vaticano II, que foi um acontecimento ímpar na história e na vida da Igreja dos últimos 50 anos. Façamos um esforço de reler os documentos daquele Concílio, num esforço concreto de renovação espiritual e de adequação das diversas estruturas eclesiais e pastorais aos ensinamentos que os Padres Conciliares nos deixaram.

Acontecimentos de Nampula

      A nossa Assembleia Plenária debruçou-se também sobre os últimos acontecimentos de tensão política na Cidade de Nampula.
      Condenamos, veementemente, o confronto armado que teve lugar naquela cidade entre as Forças militares de Intervenção Rápida e os Antigos Combatentes da RENAMO, no passado dia 8 de Março. Trata-se duma confrontação indigna dum País e dum Povo que conquistaram uma boa imagem, como exemplo de diálogo e de reconciliação em África
      Solidarizamo-nos com as famílias das vítimas e esperamos que os encontros já havidos entre o Presidente da República de Moçambique e o Líder da RENAMO continuem e produzam os frutos necessários para a consolidação da paz e da harmonia no país.

      “Dou-vos a minha paz!"

      Não existe homem algum que não queira a paz: rico ou pobre; sábio ou ignorante; intelectual ou analfabeto; governante ou governado; até mesmo os promotores da guerra e os fabricantes de engenhos bélicos; todos dizem querer a paz. Jesus Cristo ressuscitado é, porém, o verdadeiro “Príncipe da Paz”, aquela fundada na fraternidade humana, daqueles que se reconhecem criaturas de Deus, Sua imagem e semelhança. É ele quem no Evangelho segundo São João (14,27) nos deseja a verdadeira paz: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo que Eu vo-la dou».

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      Acolhamos pois com gratidão o dom que o Senhor nos faz de si mesmo e empenhemo-nos por construir entre nós uma paz sólida e duradoira, feita de gestos concretos e expressão duma comunhão fraterna, que faz de todos nós uma só família humana, a família dos filhos de Deus.

      Exortação Final

       Queridos irmãos, ao terminarmos esta nossa comunicação, exortamos-vos em Cristo Jesus a permanecerdes unidos aos vossos bispos, elevando aos céus uma oração perseverante, para que o Senhor derrame sobre a Igreja e sobre o mundo a abundância do Seu Espírito Santo e transforme o coração de cada homem. Que a Santa Mãe de Deus, Nossa Senhora do Cenáculo, nos alcance as graças de que mais precisamos para anunciarmos Jesus Ressuscitado, fonte de Paz e de Salvação para o mundo inteiro.


Maputo, 22 de Abril de 2012


Pela Conferência Episcopal de Moçambique




+ Lúcio Andrice Muandula
Bispo de Xai-Xai e
Presidente da CEM

domingo, 13 de maio de 2012

13 de Maio: milhares de peregrinos a Muliquela



A 1º Peregrinação Diocesana com motivo do dia 13 de Maio contou com numerosa participação de fiéis. provenientes dos quatro pontos cardinais da Diocese. Praticamente estiveram representadas quase todas as Paróquias da Diocese: desde Pebane, no litoral, até Molumbo nos limites com o Malawi.


Desde as primeiras horas da manhã  dia 12 de Maio, as nossas estradas presenciaram a passagem dos peregrinos, que se fizeram transportar em camiões e em viaturas ligeiras.   Vimos camiões carregados de peregrinos das Paróquias do litoral Naburi, Mualama e Pebane; da sede da Diocese, a Paróquia da Catedral; das Paróquias limítrofes de Ile, Invinha e Namarrói; e das mais longe em direcção ao norte, as Paróquias de Lioma e de Molumbo, já na fronteira com o Malawi. A viagem de alguns durou mais de quatro horas, como, por exemplo, os  fiéis que vieram do Distrito de Pebane e dos Postos Administrativos de Mualama e de Naburi. Entre os cristãos de Ile encontrava-se a Sra Administradora do Distrito.Também peregrinou a Superiora Geral das Irmãs de Jesus Maria e José, vinda do brasil e que se encontrava de visita às Irmãs da sua Congregação que trabalham, precisamente, na Paróquia de Ile.

Um destacamento da  Polícia local se encarregou de vigiar pela ordem pública e pela segurança de todos os peregrinos. O pessoal do centro de Saúde de Muliquela acompanhado pela ambulância do Hospital Distrital se encarregou por vigiar o estado de saúde dos que manifestaram qualquer problema.

Os peregrinos foram  pontuais. Como estava programado, às 15.30H do dia 12.05.2012, todos estavam no lugar indicado para o começo da peregrinação. Um grupo de quatro senhoras da Paróquia de Ile carregou o andor com a belíssima imagem de N. S. de Fátima, e adornado com flores de varias cores. O Sr. Bispo D. Francisco Lerma, com breves palavras, indicou o sentido desta 1ª Peregrinação Diocesana ao templo paroquial de N. S. de Fátima, escolhido por ser a primeira Igreja dedicada a N. S. na Diocese de Gurúè. Esta Paróquia foi fundada há já 72 anos.

Durante as duas horas que durou a procissão, desde a Estrada Nacional até à Igreja de Muliquela, os peregrinos com uma vela e o terço nas mãos, tiveram nos seus lábios uma prece continua, uma oração, um cântico de louvor, de penitência e de invocação pela paz, pelas famílias, pela Diocese e por todo o mundo.

Chegados à Igreja da sede da Paróquia, celebrou-se a Eucaristia presidida pelo Sr. Bispo D. Francisco Lerma e concelebrada pelos Padres que acompanharam os peregrinos das Paróquias mencionadas anteriormente.

Às 20.30H. começou a Adoração ao Santíssimo Sacramento, por turnos de uma hora cada que durou toda a noite e toda a madrugada, até a hora da Missa.

A Eucaristia do Enceramento começou às 8.00H, presidida por D. Francisco Lerma e concelebrada por D. Manuel Chuanguira, Bispo Emérito, e por todos os Padres presentes: PP Francisco Cunlela, Vigário Geral da Diocese; P.  Paulino Nicau, Vice- Reitor do Seminário de Quelimane; P. Daniel Raul, Pároco da Catedral; P. Miguel Oliveira, Vigário Paroquial da Catedral e Vice Reitor do Seminário de Gurúè; P. Manuel José Nassuruma, Secretário da Diocese; P. Daniel Xadreque, Pároco de Ile; P. Inácio dos Santos, Vigário Paroquial de Ile; P. Pedro Esquadro, Vigário Paroquial de Ile; Pe. Rito Alberto, Pároco de Mualama e Moderador de Naburi; P. Eustáquio César, Vigário Paroquial de Mualama; P. Américo António, Vigário Paroquial de Pebane; P. Ángelo Tavares, Vigário de Mulevala; e P. Francisco Matias, Pároco de Namarrói.

Na Celebração da Eucaristia também participaram a Sra Administradora do Distrito de Ile e a Superiora Geral das Irmãs de Jesus, Maria e José e mais outros representantes das Confissões Religiosas e Autoridades Civis.

Antes da bênção final, D. Francisco apresentou a toda a Diocese as duas últimas Cartas Pastorais: a primeira, sobre o Ano da Unidade Diocesana e a  Eucaristia; a segunda, sobre a Partilha de Bens, a sustentabilidade Económica na Diocese de Gurúè.  Também indicou que no dia 29 de Julho, será celebrado em toda a África a recepção da Exortação Pós Sinodal para África "Africae Munus", do Papa Bento XVI; e lenbrou a celebração dos 20 anos do Acordo Geral de Paz (Roma, 04.10. 1992), que deve ser recordado em cada Paróquia e comunidade com um a celebração especial.
A peregrinação encerrou às 10.30H. com a Consagração da Diocese a nossa Senhora, o cântico dedo "Adeus" , a despedida e saudação fraterna entre todos os participantes.