sábado, 9 de junho de 2012

Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. Reflexão.


Com motivo da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor neste ano em  que na Diocese dedicamos especialmente à Eucaristia, desejo reflectir convosco sobre alguns aspectos, relacionados entre si, do Mistério Eucarístico: o culto da Eucaristia e a sua sacralidade. É importante retomá-los em consideração.
Antes de mais, uma reflexão sobre o valor do culto eucarístico.

A Celebração da Eucaristia
Nas nossas comunidades, aos Domingos não temos a Celebração da Eucaristia, limitamo-nos à Celebração da Palavra  e a receber a  Comunhão. Isto acontece  pelo facto de não termos Padres suficientes para podermos ter, ao menos uma vez por ano, a Celebração da Eucaristia em cada comunidade.

 Por isso, usando as palavras do Papa Bento XVI, lembro a todos os cristãos que “é muito importante reconhecer a centralidade e a importância da celebração da Eucaristia, na qual o Senhor convoca o seu povo, reúne-o em redor da dupla mesa da Palavra e do Pão da Vida, nutre-o, une-o a Si na oferta do Sacramento.



Pelo facto de termos a Comunhão cada Domingo, não podemos ignorar esta valorização da assembleia litúrgica em que, na celebração presidida pelo Padre, o Senhor atua e realiza o seu mistério de comunhão.

A Comunhão
Em segundo lugar, consideremos o valor da Comunhão que recebemos cada Domingo logo à seguir à celebração da Palavra. Felizmente conservamos a Eucaristia na maioria das nossas comunidades. Não podendo ter a Celebração da Eucaristia, na instituição dos ministérios na igreja em Moçambique e, em particular na nossa Diocese, temos o Ministério Extraordinário da Comunhão. Graças a este ministério aproveitamos das graças do Senhor, participando dos benefícios do Seu Corpo e Sangue na nossa vida de caminhantes.

A Adoração ao Santíssimo
Em terceiro lugar, a  Adoração ao Santíssimo Sacramento.
O Papa Bento XVI lembra-nos que a adoração ao Santíssimo é  um acto de fé e de oração dirigido ao Senhor, realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar.
A Adoração leva-nos a reconhecer o sentido da presença constante do Senhor no meio de nós e em toda a vida, uma presença concreta, próxima, no meio das nossas casas, como o coração que não deixa de bater. O Sacramento da Caridade de Cristo deve permear toda a vida quotidiana.

Com motivo da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo o Papa nos lembra o seguinte:
O culto do Santíssimo Sacramento constitui como que o «ambiente» espiritual dentro do qual a comunidade pode celebrar bem e em verdade a Eucaristia. Só se é precedida, acompanhada e seguida por esta atitude interior de fé e adoração é que a ação litúrgica pode exprimir o seu pleno significa-do e valor. O encontro com Jesus na Santa missa atua-se verdadeira e plenamente quando a comunidade está em condições de reconhecer que Ele, no Sacramento, habita a sua casa, espera-nos, convida-nos para a sua mesa e, depois, após a assembleia se dispersar, continua connosco, com a sua presença discreta e silenciosa, e acompanha-nos com a sua intercessão, continuando a recolher os nossos sacrifícios espirituais e a oferecê-los ao Pai.
[…] Estar todos em silêncio prolongado diante do Senhor presente no Seu Sacramento é uma das experiências mais autênticas do nosso ser Igreja.

BENTO XVI, Homilia na Festa do Corpo e Sangue de Cristo, 7/06/2012

Alto Molócuè: Renovação material e pastoral. 1ª Pedra do Salão Comunitário


Abertura dos alicerces do futuro Salão Comunitário Polivalente

No 08.06.2012, foi lançada a 1ª Pedra do Salão Comunitário Polivalente da Paróquia de N. S- de Fátima no Alto Molócuè.
A igreja actual da Paróquia de N. S. de Fátima do Alto Molócue. Ao lado está a surgir a nova igreja.

Numa breve cerimónia, D. Francisco Lerma, Bispo da Diocese, acompanhado pelos Pe. Francisco Cunlela, Vigário Geral, e Luis Muhilonge, Vigário paroquial, pelo finalista diocesano do 4º Ano de Teologia, Januário António e pelos pedreios que vão executar a obra, abençuou e colocou a 1ªPedra do futuro Salão Comunitário Polivalente desta Paróquia.
Localização dos alicerces do futuro Salão Comunitário Polivalente

A obra foi ideada há já alguns anos pela equipa sacerdotal anterior, pelos Padres Luis Macuinja e Miguel Oliveira, hoje a trabalhar respectivamente na Paróquia de Invinha e na Paróquia da Catedral.
Em financiada pela Pontifícia Obra Missionária da Santa Infância.

Esta obra vai decorrer contempotaneamente à construção da nova Igreja Paroquial, que se encontra a metade de caminho, estando já as paredes à altura das janelas. Com a partilha de bens espirituais e materias da Arquidiocese de Colónia (Alemanha) e das Pontifíciasd Obras Missionárias e com a colaboração da Comunidade local vai-se concretizando  este projecto que nasceu há já vários anos. Finalmente, depois da 1ª fase de dos aterros que foram feitos devido ao grande desnível do terreno, a abettural dos alicerces e colocação de muitas carradas de pedra, todos podem contempla, de dia para a dia, os avanços da obra, as paredes que começam a surgir do chão, os pilares, o lugar das janelas e portas... O sonho começa a ser uma realidade
Pormenor das obras da nova igreja paroquial

A comunidade local esta colaborando para ambas as obras com o arranjo e transporte de diverso material, areia e pedra.

 O Pe José Vasco com alguns  membros da Comissão da Economia da Paróquia

Com estas construções a Paróquia de N. S. de Fátima, em conjunto com a Paróquia N. S. Rainha do Mundo e dentro da programação diocesana, iniciou uma nova etapa de renovação que, além destas estruturas materiais, visa as actividades pastorais, a  vida espiritual e o início do processo de criação de mais duas novas paróquias. Tudo está a acontecer no Ano Pastoral da Comunhão Diocesana e Ano da Eucaristia, sacramento e fundamento da unidade da família cristã.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Paróquia de S- José. Lioma

A construção da nova igreja paroquial vista por dentro.

No dia 3 de Junho de 2012, Solenidade da Santíssima Trindade, D. Francisco Lerma acompanhado pelo Pe. Francisco Cunlela, Vigário Geral da Diocese, visitou a Paróquia de S. José de Lioma e presidiu à Eucaristia com a participação da comunidade local.
O Pe. Pedro e o Pe. Junqueiro recebendo um cálice do Pe. António Riquelme, sacerdote diocesano de Múrcia (Espanha), na sua recente visita à Diocese de Gurúè.
A construção da nova igreja vista desde fora

A Paróquia está sob os cuidados do, clero diocesano, sendo seu Pároco o Pe. Pedro João Carlos Nipalamasso, e o Vigário Paroquial o e. Tomás Junqueiro.

A congregação das Irmãs Franciscanas de N. S. das Vitórias trabalham na comunidade de Ruace, onde têm um orfanato com 35 crianças órfãs entre os O e 15 anos de idade. Uma das irmãs trabalha no centro de Saúde da Sede do Posto Administrativo.

A extensão e o número de habitantes  da Paróquia correspondem ao território e ao número de habitantes do Posto Administrativo de Lioma.
A Sede do Posto Administrativo de Lioma

Os católicos são 9.400 e os catecúmenos 740.
A Paróquia está formada por 85 comunidades, 19 centros de catequese e 5 núcleos.
Os animadores da catequese nas várias etapas do catecumenado e grupos de preparação para os Sacramentos são 226. Os coordenadores das Zonas Pastorais 10 e conselheiros dos Centros são 5.

Segundo as informações enviadas ao Secretariado Diocesano de Pastoral, durante no ano de 2011 houve  1495 baptismos e 138 casamentos.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

As crianças do "Arco Íris" no seu Dia Mundial


1 de Junho de 2012, mais uma vez as crianças são festejadas no seu dia.

D. Francisco Lerma, acompanhado pelo Pe. Francisco Cunlela, Vigário Geral da Diocese, e pelo  Pe. Manuel Nassuruma, Secretário, visitou e almoçou com as crianças do Lar "Arco Íris", na cidade de  Gurúè, sede da Diocese.


São órfãos ou abandonados que aqui encontram uma família formada pelas leigas consagradas da Família "Mãe do Redentor", uma comunidade de consagradas que está a surgir, sob a inspiração da ir. Açucena e das irmãs Eugénia e Adelina.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Crónica Diocesana

Os semianristas do Seminário Diocesano de S. José no dia da inauguração oficial com D. Francisco Lerma e D. Manuel Chuanguira

29.04.2012: Domingo do bom Pastor.Dia Mundial das Vocações. O Sr. bispo presidiu à Eucaristia na Catedral. Na parte da tarde, na Capela da Casa Diocesana orientou a Hora Santa  pelas Vocações com os seminaristas do Seminário Diocesano S. José.

Os seminaristas do Seminário Diocesano de S. José
01.05.2013. Encerramento da  Assembleia diocesana dos Consagrados/as da Diocese em Milevane para a Eleição da nova Direcção da Cirm-Conferemo na Diocesana. Foi eleita a Irmã Isaura, como Presidente Diocesana. E o Pe. Renato, como Vice-Presidente.

04.05.2012. A Madre Geral e a Delegada da Região de Angola - Moçambique, das Irmãs do Instituto Jesus Maria e José visitaram o Sr. Bispo. As Irmãs de Jesus Maria e José trabalham na Paróquia de N. S. de Fátima de Ile.

06.05.2012. Uma delegação Diocesana composta pelo Sr. Bispo, Pe. F. Cunlela, Vigário Geral, pela Ir, Torica, do secretariado de Pastoral e pelo Sr. Hilário, participou no Jubileu dos 50 Anos da Fundação da Diocese de Tete.

08.05.2012. O Superior Geral, o Superior Provincial da Índia e o Superior Provincial do Brasil dos Missionários Claretianos visitaram o Sr. Bispo. Os Padres Claretianos trabalham nas Paróquias de N.S. da Anunciação de Gilé e de S. Pedro Claver de Muiane. Actualmente são 5 Padres Claretianos que trabalham na nossa Diocese.

12.05.2012. Um grupo de 7 jovens do Movimento Carismático encontraram-se com o Sr. Bispo para lhe informar do andamento da fundação do referido Movimento na Diocese. Actualmente conta com dois grupos, em Alto Molócue e em Gurúè.

12 e 13.05.2013: !ª Peregrinação Diocesana com motivo do 13 de Maio à Igreja de N. S. de Fátima de Muliquela, sede da Pároquia e primeira Igreja dedicada a Nossa Senhora na Diocese.

D. Francisco e D. Manuel com os Padres concelebrantes no dia 13 de Maio em Muliquela
14.05.2012. A Equipa formadora do Seminário Diocesano S. José, reuniu ara tratar alguns assuntos sobre o andamento académico, disciplinar e espiritual da vida do Seminário. Participaram os Bispos D. Francisco e D. Manuel, e os Padres Miguel de Oliveira, Vice- Reitor e o Pe. Luciano Comastri, Administrador do Seminário.

 17-05.2012. O Sr. Bispo trabalhou com a Comissão pre - Capitular das Irmãs da Imaculada Conceição de Lichinga, formada pela Madre Geral e pelas Irmãs Rebeca e Lúcia, acompanhadas pela Irmã Dalmázia Colombo, das Missionárias da Consolata  como assessora, em preparação do próximo capítulo Geral da referida Congregação.

20.05.2012. O Sr. Bispo celebrou na sede da Paróquia de N.S. da Conceição de Invinha com a comunidade local.

21.05.2012. O Sr. Bispo recebeu a visita do Director Regional da Zona Centro do Banco Millennium Bim, acompanhado pelo Gerente da delegação local.

26.05.2012. Reunião da Comissão Diocesana para Assuntos Económicos e Projectos.
 Foi analisada a situação económica da Diocese durante os meses de Abril e de Maio, o andamento do orçamento deste ano, a manutenção do Seminário diocesano S. José, a entrega por parte das paróquias da Contribuição  Diocesana deste Ano e a situação dos Projectos que se estão realizando, nomeadamente: a Casa Diocesana, a Casa das Irmãs em Namarroi, a Casa Paroquial de ILE, a reabilitação da Casa Paroquial e da Igreja de Mualama, a Casa Paroquial de Naburi, a Casa para a Rádio e Secretariado de Pastoral em Invinha, o Projecto da Rádio Diocesana e o Projecto da Universidade Católica.

27.05.2012. O Sr. Bispo, junto com o Pe. Francisco Cunlela,Vigário Geral e o Pe.  José Pedro Vasco, presidiu na Paróquia de N. S. de Fátima à Eucaristia na sede da Paróquia com a comunidade local.

A Igreja Paroquial de N. S. de Fátima do Alto Molócuè
Encontrou-se com o P. Messias para tratar sobre a preparação da Ordenação Sacerdotal do diácono Basílio, dos Dehonianos, marcada para o dia 1 de Julho deste ano, no Alto Molócuè.
Também aproveitou a oportunidade para inteirar-se do andamento das obras da construção da nova Igreja Paroquial e do Salão polivalente, na sede da paróquia. Para tal fim reuniu com a Comissão de Assuntos económicos e Obras da Paróquia.
A  construção da nova Igreja Paroquial de N. S. de Fátima do Alto Molócuè

O Sr. Administrador do Distrito de Molócuè encontrou-se com o Sr. Bispo para tratar alguns assuntos de interesse comum.

Saudação do Sr. Administrador Distrital de Molócuè e sua esposa


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Profanada a imagem da "Santinha"

A imagem de N. S. de Fátima destruída e a pedra usada por quem causou a destruição
Por volta das 12.00H de hoje, 25.05.2012, o Comandante da Polícia Distrital de Gurúè comunicou ao Sr. Bispo que a imagem de N. S. de Fátima, que se encontra numa gruta conhecida pelo nome da "Santinha", foi destruída com o lançamento de uma pedra por um desconhecido.
A gruta da "Santinha". A imagem de N. S. de Fátima estava colocada na parte superior.

D. Francisco, acompanhado pelo Pe. Manuel Nassuruma, Secretário da Diocese, e pelo o Pe. Luciano Cominotti, Administrador Diocesano e por dois jovens da comunidade local,logo a seguir, nesta mesma tarde, foram até à "Santinha" e constaram a veracidade dos factos.

O nome do lugar "Santinha" pintado sobre a rocha

Devotadamente, rezaram um "Ave- Maria", em desagravo pela profanação, pelo bom entendimento e  pela paz religiosas e civil, que sempre caracterizou o relacionamento entre os cidadãos da Alta Zambézia. Nunca foi motivo de lutas ou desentendimento a questão religiosa. Este lugar  da "Santinha" foi sempre um lugar "ecuménico", abeto a todos, espaço de oração, de descanso, de sossego e de lazer para os cidadãos de Gurúè, sem distinção de credo, de condição social ou de quaisquer outro classe de discriminação.
A água a correr pelas rochas da "Santinha", ao lado da gruta.


Ao regresso à cidade, D. Francisco foi até ao Comando da Polícia onde apreciou os danos causados à imagem e a pedra usada por quem praticou o lamentável facto.
Pormenor dos destroços da imagem de N. S. de Fátima,  recolhidos pela Polícia no próprio lugar dos factos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Partilha de bens". Carta Pastoral de D. Francisco Lerma


Carta Pastoral

“Partilha de bens”

A sustentabilidade económica e cristã na Diocese de Gurúè


Caríssimos Diocesanos


1. O tema da economia, tão debatido em todo o lado, pelos governos, instituições públicas e privadas e nas famílias, para nós, discípulos de Jesus Ressuscitado, para além dos seus aspectos técnicos, deve ser iluminado pela luz do Evangelho, pelo testemunho que nos deixaram as primeiras comunidades cristã e não só. Eis o que os primeiros cristãos nos transmitiram:

A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum. Com grande poder, os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e uma grande graça operava em todos eles. Entre eles não havia ninguém necessitado, pois todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, traziam o produto da venda e depositavam-no aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um conforme a necessidade que tivesse (Act 4,33 - 35).

2.Os Bispos e os cristãos da Igreja em Moçambique, motivados com renovado empenho pelas três Assembleias Nacionais de Pastoral dos últimos 35 anos (I ANP, Beira 1977; II ANP, Matola 1991; III ANP, Matola 2005), queremos partilhar de facto o que a Providência põe nas nossas mãos e, ao mesmo tempo, sentimo-nos fortemente comprometidos e decididos a favorecer o processo de autonomia económica das Comunidades, das Paroquias e das Dioceses. 

3.Nesta linha de procura da autonomia económica, é fundamental o contributo de cada padre, religioso, religiosa, animadores e de todos os cristãos, sobretudo sentindo-se comprometidos em primeira pessoa no esforço por encontrar fontes de receitas para as próprias actividades pastorais, acabando com a ideia de que: “… a Diocese tem que fazer tudo pois ela é rica, recebe dinheiro de Roma e tem que pagar o meu trabalho”. 

Este modo de considerar a problemática económica da nossa Igreja tem que ser afastado totalmente da nossa maneira de pensar, como se a Igreja (Diocese, Paróquias, comunidades…) fosse uma coisa e os baptizados (padres, irmãs, animadores, cristãos) outra.


4.A II Assembleia Nacional de Pastoral (Matola 1991) analisou profundamente as causas desta situação de dependência quase absoluta do exterior, e indicou orientações comuns rumo à consolidação da Igreja local, com a auto -  sustentabilidade local:
“É, portanto, urgente que as Igrejas particulares de África se proponham o objectivo de chegar quanto antes a prover às suas necessidades, assegurando desse modo a sua auto-suficiência”(Cfr. II Assembleia Nacional de Pastoral, nn.36-41).

5.Acabou o tempo das “calamidades” e do período que lhe seguiu ainda muito forte hoje dos “projectos”, sem os quais nada ou quase nada é feito. Mantinha-se e ainda se mantém uma dependência muito acentuada dos projectos financiados do exterior. Para qualquer coisa que se deseja fazer ou se projecta, continuamos a depender da boa vontade do financiamento exterior e do pouco ou quase inexistente das nossas próprias forças. Nas três últimas décadas, a Igreja em Moçambique vem-se debruçando constantemente sobre esta realidade para melhor compreender e assimilar a responsabilidade de cada cristão de prover as necessidades da vida da Igreja, das suas actividades e demais subsídios necessários à evangelização.

6.A situação de pobreza absoluta que afecta a maioria da nossa população e a nós próprios, afecta também a nossa Igreja, pois ela está inserida no nosso meio. A Igreja já deitou raízes no nosso povo, nós próprios somos a Igreja. Este problema está também unido à promoção humana, pois a Igreja sempre desenvolveu a sua missão evangelizadora paralelamente com a promoção humana. Na fidelidade aos ensinamentos e ao exemplo de seu Mestre, a Igreja sempre se preocupou com as necessidades básicas do homem:

“Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25, 35-36).

7.Torna-se difícil corrigir a mentalidade paternalista e assistencialista como em grande parte dos casos era feita a pastoral e demais actividades da Igreja. De facto, tal maneira de agir criou nos cristãos um mal-entendido sobre o potencial económico dos Padres, das Missões, da Igreja e sobre a sua nula responsabilidade neste sector tão importante para consolidar a Igreja local. Muitos pensam ainda hoje erradamente:
A Igreja é rica! A Igreja é que deve dar e não o crente até porque a esmagadora maioria das pessoas é pobre!” (III Assembleia Nacional de Pastoral, nº 116).
8.Não devemos esperar sermos ricos para contribuirmos para as despesas da nossa família. A Igreja somos nós e cada um contribui livremente e segundo as suas possibilidades para com as necessidades dos seus irmãos e da sua Igreja. O exemplo da viúva pobre do Evangelho que ofereceu no Templo apenas umas pequenas moedas foi elogiado pelo próprio Jesus. Os ricos dificilmente olham para o pobre nem para as necessidades da Igreja. Eles olham para os seus próprios interesses:

“Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns tostões. Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.» (Mc 12, 41-44)


9.Na última sessão do Conselho Presbiteral (04.04.2012) e, posteriormente, na reunião mensal da Comissão Diocesana para os Assuntos Económicos, foi feita uma revisão trimestral do Orçamento Geral da Diocese (OGD 2012) para a distribuição dos subsídios mensais e demais despesas diocesanas (Subsídios para os Padres e as Paróquias, Seminários, Secretariado de Pastoral, Casa Diocesana, carros, etc.). Os bens de que dispomos e distribuímos são dons da Providência provenientes da contribuição dos cristãos e do subsídio ordinário de Propaganda Fide. Não há neste momento mais outras fontes de receita. Os subsídios para os projectos estão totalmente sujeitos aos respectivos Projecto (Ver o Anexo: ORÇAMENTO PARA O ANO DE 2012).

10.Convido-vos a fazer uma reflexão séria sobre a economia diocesana, apresentando a situação da nossa Diocese e indicando algumas orientações para o futuro em consonância com as ORIENTAÇÕES DIOCESANAS ACTUALIZADAS, fruto da VI ASSEMBLEIA DIOCESANA DE PASTORAL.

11.Acredito profundamente que o que se distribui pelas paróquias é o que nos vem da Providência: isto é, o subsídio ordinário de PROPAGANDA FIDE, algumas ofertas que vão aparecendo uma ou outra vez, mas muito raramente, a Contribuição Diocesana Anual dos próprios cristãos e o que oferecem pela celebração dos sacramentos e das visitas pastorais. Certamente este é o espírito com o qual devemos receber estes subsídios e os subsídios dos Projectos, destinados aos pobres, às nossas actividades pastorais e ao nosso próprio sustentamento. O que a Providência nos dá deve ser distribuído no espírito da economia de comunhão das primeiras comunidades cristãs.

12.Todos sabemos que a crise económica mundial reduziu dramaticamente as somas dos subsídios que a Propaganda Fide e os demais benfeitores (Missio, Kirche in Not, Manos Unidas, Mãos Unidas, etc.) podem distribuir de facto. Esta situação se, por um lado, é desagradável e nos cria sérios problemas sem solução imediata, por outro lado obriga-nos a começar ou a intensificar com maior urgência a economia sustentável a partir de bases locais.

13.Durante as duas décadas de vida da nossa Diocese, os subsídios distribuídos (ordinários e extraordinários) se, por uma parte, foram uma ajuda válida para o crescimento das nossas paróquias e de toda a Diocese no seu conjunto; por outra parte, não favoreceu o estudo e a procura em como criar fontes de economia locais para o sustento da Igreja e das obras da Evangelização, isto é, a formação dos agentes da pastoral, a vida das comunidades e das Paróquias, os Seminários, os Noviciados, o clero diocesano, os meios de transporte, a reabilitação e manutenção dos edifícios (casas paroquias, igrejas e capelas), publicações de livros e demais actividades pastorais. Tudo ou quase dependeu e depende ainda hoje dos Projectos.

Autonomia económica

14.O Bispo e todos os cristãos da nossa Igreja Diocesana, motivados com renovado empenho desde a VI Assembleia Diocesana de Pastoral (Março 2011), queremos partilhar de facto o que a Providência põe nas nossas mãos e, ao mesmo tempo, sentimo-nos fortemente comprometidos e decididos a favorecer o processo de autonomia das Comunidades, das Paroquias e de toda a Diocese. 

15.Nesta linha de procura da autonomia económica, é fundamental o contributo de cada missionário, padre diocesano, religioso, religiosa, animadores e de todos os cristãos, sobretudo sentindo-se comprometidos em primeira pessoa no esforço por encontrar fontes de receitas para as próprias actividades pastorais, acabando com a ideia de que: a Diocese tem que fazer tudo pois ela é rica, recebe dinheiro de Roma e tem que pagar o meu trabalho. 

Tal maneira de pensar tem que ser afastada totalmente da nossa mente, como se a Diocese fosse uma coisa e os baptizados (padres, irmãs, animadores, cristãos) outra.

16.Isto obriga-nos a começar com a redução gradual dos subsídios mensais no futuro imediato, se não houver uma aceitação prática da entrega da Contribuição Diocesana como foi estabelecido na VI ASSEMBLEIA DIOCESANA DE PASTORAL, pois o subsídio ordinário de Propaganda Fide não é suficiente para manter o subsídio actual até ao fim do ano: “A Contribuição Anual Diocesana por cada cristão a partir dos 16 anos de idade é de 50,00MT ou o equivalente em produtos não perecíveis” (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 119). 

17.Este é um dever dos cristãos para com a Igreja que começa, primeiro na mente e no coração; só depois é que cada um vai contribuir da melhor maneira, segundo o Quinto Preceito da Igreja que estabelece o seguinte: “Contribuir para as necessidades materiais da Igreja, segundo as próprias possibilidades”.

18.Vivendo neste mundo globalizado, sociedade de consumo, também nós somos tentados pelo seu estilo de vida, em contradição com a miséria e a pobreza da maioria da população a quem devemos anunciar o Evangelho.
Torna-se necessário por parte de todos estarmos atentos a estas tentações que dificilmente aparecem na lista dos nossos pecados.

Um passo em frente

19.Todos nós devemo-nos sentir responsáveis e comprometidos em primeira pessoa nesta procura de caminhos concretos (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 185). De facto, para chegarmos a uma autonomia económica é necessária a colaboração de todos com espírito de fraternidade, rejeitando toda a forma de juízo e de arrogância. É necessário organizarmo-nos para termos os meios materiais para a vida da Igreja e das suas actividades (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 186).

Vos apresento algumas sugestões que nos podem ajudar neste caminho:

a. -Formação
As Orientações Diocesanas afirmam que “Perante a falta de formação e de informação dos fiéis sobre a auto- sustentabilidade da Igreja, urge que todos nos empenhemos no trabalho de conscientizar os cristãos para assumirem como próprias as necessidades económicas da Igreja” (OD, nº 185,c).

Alem da referida formação de base de todos os membros da comunidade, é necessário a formação de ecónomos aos vários níveis: leigos, religiosos (as) e clero. Devem ser pessoas com experiência pastoral e identificadas com a própria Igreja que possam assumir com amor, sentido de pertença, dedicação e competência a animação das comunidades, Paróquias e Diocese para esta finalidade. O Secretariado Diocesano de Pastoral há-de preparar uns temas apropriados para os cursos de formação nesta área. Com este material esperamos que cada Paróquia realize cursos de formação para os ecónomos das comunidades e da Paróquia.

b.-Conselho para os Assunto Económicos
Onde ainda não exista, haja a constituição do Conselho para os Assuntos Económicos nas Paróquias e nas comunidades, segundo as Orientações Diocesanas. O número dos membros deve ser impar (3, 5 ou 7), para evitar os empates nas votações (Cfr. Orientações Diocesanas nº 188).

c.-Orçamento anual
 No princípio de cada ano é necessário prever as despesas anuais, fazendo o Orçamento Geral da Paróquia (e no seu caso, o de cada Comunidade ou Zona), que deve ter em conta as despesas correntes do ano anterior e as possíveis despesas ordinárias e extraordinárias do ano que começa. Trata-se do que chamamos  as “Entradas ou Receitas” e as “Saídas ou Despesas”. (Cfr. Orientações Diocesanas nº 188).

d.-Livro de Contabilidade
 Cada Paróquia deve ter o seu Livro de Contabilidade actualizado, onde se escreve todo o movimento das contas, o que se recolhe e o que se gasta: todas as “entradas” (receitas) e todas as “saídas” (despesas) (Cfr. Orientações Diocesanas nº 189).

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e.- Seminários.
 Torna-se necessário fazer uma análise sobre os nossos seminários e  a contribuição das famílias e das paróquias. Com a diminuição dos subsídios da Propaganda Fide, aumento do custo de vida e com a criação do nosso Seminário Propedêutico de S. José (1º Ano), torna-se necessário fazer uma análise sobre os nossos seminários: a contribuição em géneros ou em dinheiro das famílias e das paróquias.

O nosso Seminário de S. José de Gurúè, deve manter-se com a colaboração directa das Paróquias, especialmente em géneros. Cada paróquia assumirá as despesas deste seminário durante um mês com produtos alimentícios (milho, arroz, feijão, mandioca, batata, cebola, alho, bananas) e animais (galinhas, cabritos, etc.), segundo as suas possibilidades.


f.-O uso do dinheiro pessoal e do dinheiro da comunidade.
 Devemos pensar que tudo o que recebemos das comunidades, do subsídio diocesano ou dos benfeitores, provem da Providência, pertence a todos e todos somos chamados a partilhar o que recebemos; devemos justificar o uso que foi feito do dinheiro recebido (subsídios, ofertas, projectos…).

g.-Revisão das despesas gerais que fazemos normalmente e, de modo especial, na manutenção dos carros e nas viagens não necessariamente pastorais. É necessário que nos interroguemos se nos devemos permitir tantas viagens por qualquer motivo. É justo deixar a Paróquia por qualquer motivo?

     h.-Trasparência
Perante o pedido de justificação das despesas feitas, da contabilidade escrita e actualizada devidamente, muitos podem sentir-se ofendidos. Justificar o dinheiro recebido e como foi usado é normal em qualquer sociedade ou grupo que queira ser justo e transparente no uso do dinheiro sem ter nada a ocultar. Isto não é falta de confiança, simplesmente uma lei de justiça e de transparência. Isto faz parte essencial da pobreza do Evangelho. Dificilmente entra na lista dos pecados de um evangelizador e de um pastor da Igreja.

20.Subsídios

Na Distribuição de subsídios mensais:
·       Os subsídios mensais recebidos da Administração Diocesana são para a sustento dos padres que não tem outras fontes de receitas, para as necessidades mais urgentes da paróquia, para a manutenção ordinária da casa diocesana, para os seminários e para o Secretariado Diocesano de Pastoral.

·       Os Seminários, as casas de formação de religiosos e religiosas e os centros de leigos: todos nós devemo-nos sentir comprometidos em primeira pessoa em manter estes centros de formação, pois são o futuro desta Igreja local, (“Consolidar a Igreja local”: evangelização, sacerdotes, religiosos/as e agentes de pastoral a todos os níveis), em comunhão com toda a Diocese. Peço mesmo uma colaboração económica, segundo as suas possibilidades aos Religiosos e Religiosas que mantém actividades económicas na Diocese, nos termos que cada comunidade achar mais conveniente.

·       É necessário também recordar aqui a obrigação de enviar sem esperar o mês de Dezembro, por fases ou tudo de uma vez, à Administração Diocesana ou à Secretária da Diocese, a Contribuição Diocesana Anual segundo as normas assumidas na VI Assembleia de Pastoral e já vigentes na Diocese (Cfr. Orientações Diocesanas, nº 191). Quem recebe a Contribuição passará um recibo à quem entrega o dinheiro para poder  justificar perante os cristãos a entrega feita.


21. A luta contra a pobreza um dever de todos
A última das orientações sobre os caminhos a seguir é que a luta contra a pobreza e a dependência absoluta do exterior é um dever de todos os cidadãos e para nós os cristãos por imperativo evangélico e por dignidade humana. A III Assembleia Nacional de Pastoral conclui com estas palavras:

“A superação da pobreza material não é tudo. É necessário que isto Aconteça, sim, mas tendo sempre presente a elevação do homem à categoria de filho de Deus” (III ANP n.122).

22.Faço um apelo ao espírito de comunhão diocesana e de família, à co-responsabilidade e partilha, ao sentido de pertença a esta Igreja local, de ser e de estar em comunhão, que deve animar a nossa evangelização e todas as nossas actividades pastorais.

23.Na Diocese, família reunida no nome do Senhor, todos nos devemos sentir acolhidos como irmãos (cf. Rom 15, 7), interessarmo-nos uns pelos outros, evangelizar unidos numa pastoral de comunhão e de conjunto, partilhando as alegrias, os sofrimentos e as esperanças da Diocese seja qual for o trabalho ou actividades que cada um exerce.
Esta comunhão é alma e a vida da nossa família diocesana, desta Igreja local de Gurúè  que caminha nas terras da Alta Zambézia.

Gurúe, 1º de Maio de 2012

Festividade de São José Operário

Vosso Bispo

+Francisco