sexta-feira, 7 de maio de 2021

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 107º DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO

 

«Rumo a um nós cada vez maior»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Na carta encíclica Fratelli tutti, deixei expressa uma preocupação e um desejo, que continuo a considerar importantes: «Passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta. No fim, oxalá já não existam “os outros”, mas apenas um “nós”» (n. 35).

Por isso pensei dedicar a mensagem para o 107º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado ao tema «Rumo a um nós cada vez maior», pretendendo assim indicar claramente um horizonte para o nosso caminho comum neste mundo.

A história do «nós»

Este horizonte encontra-se no próprio projeto criador de Deus: «Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei, multiplicai-vos”» (Gn 1, 27-28). Deus criou-nos homem e mulher, seres diferentes e complementares para formarem, juntos, um nós destinado a tornar-se cada vez maior com a multiplicação das gerações. Deus criou-nos à sua imagem, à imagem do seu Ser Uno e Trino, comunhão na diversidade.

E quando o ser humano, por causa da sua desobediência, se afastou d’Ele, Deus, na sua misericórdia, quis oferecer um caminho de reconciliação, não a indivíduos isoladamente, mas a um povo, um nós destinado a incluir toda a família humana, todos os povos: «Esta é a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus» (Ap 21, 3).

Assim, a história da salvação vê um nós no princípio e um nós no fim e, no centro, o mistério de Cristo, morto e ressuscitado «para que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Mas o tempo presente mostra-nos que o nós querido por Deus está dilacerado e dividido, ferido e desfigurado. E isto verifica-se sobretudo nos momentos de maior crise, como agora com a pandemia. Os nacionalismos fechados e agressivos (cf. Fratelli tutti, 11) e o individualismo radical (cf. ibid., 105) desagregam ou dividem o nós, tanto no mundo como dentro da Igreja. E o preço mais alto é pago por aqueles que mais facilmente se podem tornar os outros: os estrangeiros, os migrantes, os marginalizados, que habitam as periferias existenciais.

Na realidade, estamos todos no mesmo barco e somos chamados a empenhar-nos para que não existam mais muros que nos separam, nem existam mais os outros, mas só um nós, do tamanho da humanidade inteira. Por isso aproveito a ocasião deste Dia Mundial para lançar um duplo apelo a caminharmos juntos rumo a um nós cada vez maior, dirigindo-me em primeiro lugar aos fiéis católicos e depois a todos os homens e mulheres da terra.

Uma Igreja cada vez mais católica

Para os membros da Igreja Católica, este apelo traduz-se num esforço por se configurarem cada vez mais fielmente ao seu ser de católicos, tornando realidade aquilo que São Paulo recomendava à comunidade de Éfeso: «Um só corpo e um só espírito, assim como a vossa vocação vos chama a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo» (Ef 4, 4-5).

De facto, a catolicidade da Igreja, a sua universalidade é uma realidade que requer ser acolhida e vivida em cada época, conforme a vontade e a graça do Senhor que prometeu estar sempre connosco até ao fim dos tempos (cf. Mt 28, 20). O seu Espírito torna-nos capazes de abraçar a todos para se fazer comunhão na diversidade, harmonizando as diferenças sem nunca impor uma uniformidade que despersonaliza. No encontro com a diversidade dos estrangeiros, dos migrantes, dos refugiados e no diálogo intercultural que daí pode brotar, é-nos dada a oportunidade de crescer como Igreja, enriquecer-nos mutuamente. Com efeito, todo o batizado, onde quer que se encontre, é membro de pleno direito da comunidade eclesial local e membro da única Igreja, habitante na única casa, componente da única família.

Os fiéis católicos são chamados, cada qual a partir da comunidade onde vive, a comprometer-se para que a Igreja se torne cada vez mais inclusiva, dando continuidade à missão que Jesus Cristo confiou aos Apóstolos: «Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 7-8).

Hoje, a Igreja é chamada a sair pelas estradas das periferias existenciais para cuidar de quem está ferido e procurar quem anda extraviado, sem preconceitos nem medo, sem proselitismo, mas pronta a ampliar a sua tenda para acolher a todos. Entre os habitantes das periferias existenciais, encontraremos muitos migrantes e refugiados, deslocados e vítimas de tráfico humano, aos quais o Senhor deseja que seja manifestado o seu amor e anunciada a sua salvação. «Os fluxos migratórios contemporâneos constituem uma nova “fronteira” missionária, uma ocasião privilegiada para anunciar Jesus Cristo e o seu Evangelho sem se mover do próprio ambiente, para testemunhar concretamente a fé cristã na caridade e no respeito profundo pelas outras expressões religiosas. O encontro com migrantes e refugiados de outras confissões e religiões é um terreno fecundo para o desenvolvimento de um diálogo ecuménico e inter-religioso sincero e enriquecedor» (Papa Francisco, Discurso aos Diretores Nacionais da Pastoral dos Migrantes, 22/IX/2017).

Um mundo cada vez mais inclusivo

A todos os homens e mulheres da terra, apelo a caminharem juntos rumo a um nós cada vez maior, a recomporem a família humana, a fim de construirmos em conjunto o nosso futuro de justiça e paz, tendo o cuidado de ninguém ficar excluído.

O futuro das nossas sociedades é um futuro «a cores», enriquecido pela diversidade e as relações interculturais. Por isso, hoje, devemos aprender a viver, juntos, em harmonia e paz. Encanta-me duma forma particular aquele quadro que descreve, no dia do «batismo» da Igreja no Pentecostes, as pessoas de Jerusalém que escutam o anúncio da salvação logo após a descida do Espírito Santo: «Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia cirenaica, colonos de Roma, judeus e prosélitos, cretenses e árabes ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas, as maravilhas de Deus» (At 2, 9-11).

É o ideal da nova Jerusalém (cf. Is 60; Ap 21, 3), onde todos os povos se encontram unidos, em paz e concórdia, celebrando a bondade de Deus e as maravilhas da criação. Mas, para alcançar este ideal, devemos todos empenhar-nos por derrubar os muros que nos separam e construir pontes que favoreçam a cultura do encontro, cientes da profunda interconexão que existe entre nós. Nesta perspetiva, as migrações contemporâneas oferecem-nos a oportunidade de superar os nossos medos para nos deixarmos enriquecer pela diversidade do dom de cada um. Então, se quisermos, poderemos transformar as fronteiras em lugares privilegiados de encontro, onde possa florescer o milagre de um nós cada vez maior.

A todos os homens e mulheres da terra, peço que empreguem bem os dons que o Senhor nos confiou para conservar e tornar ainda mais bela a sua criação. «Um homem nobre partiu para uma região longínqua, a fim de tomar posse de um reino e em seguida voltar. Chamando dez dos seus servos, entregou-lhes dez minas e disse-lhes: “Fazei render a mina até que eu volte”» (Lc 19, 12-13). O Senhor pedir-nos-á contas das nossas obras! Mas, para assegurar o justo cuidado à nossa Casa comum, devemos constituir-nos num nós cada vez maior, cada vez mais corresponsável, na forte convicção de que todo o bem feito ao mundo é feito às gerações presentes e futuras. Trata-se dum compromisso pessoal e coletivo, que se ocupa de todos os irmãos e irmãs que continuarão a sofrer enquanto procuramos realizar um desenvolvimento mais sustentável, equilibrado e inclusivo. Um compromisso que não faz distinção entre autóctones e estrangeiros, entre residentes e hóspedes, porque se trata dum tesouro comum, de cujo cuidado e de cujos benefícios ninguém deve ficar excluído.

O sonho tem início

O profeta Joel preanunciava o futuro messiânico como um tempo de sonhos e visões inspirados pelo Espírito: «Derramarei o meu espírito sobre toda a humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões» (3, 1). Somos chamados a sonhar juntos. Não devemos ter medo de sonhar e de o fazermos juntos como uma única humanidade, como companheiros da mesma viagem, como filhos e filhas desta mesma terra que é a nossa Casa comum, todos irmãs e irmãos (cf. Fratelli tutti, 8).

Oração

Pai santo e amado,
o vosso Filho Jesus ensinou-nos
que nos Céus se esparge uma grande alegria
quando alguém que estava perdido
é reencontrado,
quando alguém que estava excluído, rejeitado ou descartado
é reinserido no nosso nós,
que assim se torna cada vez maior.

Pedimo-Vos que concedais a todos os discípulos de Jesus
e a todas as pessoas de boa vontade
a graça de cumprirem a vossa vontade no mundo.
Abençoai todo o gesto de acolhimento e assistência
que repõe a pessoa que estiver em exílio
no nós da comunidade e da Igreja,
para que a nossa terra possa tornar-se,
tal como Vós a criastes,
a Casa comum de todos os irmãos e irmãs. Amen.

Roma, em São João de Latrão, na Festa dos Apóstolos São Filipe e São Tiago, 3 de maio de 2021.

Francisco

segunda-feira, 3 de maio de 2021

ACTIVIDADES PROGRAMADAS PARA O MÊS DE MAIO NO CALENDÁRIO DIOCESANO

 

Maio: Mês Mariano

01 – São José, Operário

Convívio de padres, consagrados e missionário/as

 

08-09 – Mualama e Muliquela

Peregrinação

 

16 – Paróquias

Solenidade da Ascensão do Senhor

 

22 – Diocese

27º Aniversário da Ordenação episcopal de D. Manuel Chuanguira Machado

 

23 – Paróquias

Pentecostes – Renovação e envio de animadores

 

29 – Gilé

Votos Perpétuos do Ir. Eliseu Caetano, Missionário Claretiano

30 – Paróquias / Gilé

Santíssima Trindade – Ofertório especial: CEM

Ordenação Diaconal do Ir. Eliseu Caetano, Missionário Claretiano

31 - Gurúè

Encerramento do Mês Mariano - Santinha

CRÓNICAS DA ÚLTIMA SEMANA

 28.04.2021 - Sua Excelência Reverendíssima Dom Inácio Lucas, Bispo da nossa Diocese, regressou à sede Diocese, depois de alguns dias em Maputo para assuntos vários da Diocese, terminada a I Sessão Plenária da CEM.

30.04.2021 - Às nove horas, no Salão da Cúria Diocesana de Gurúè, Dom Inácio Lucas,  encontrou-se com o clero diocesano. Tratou-se de um encontro de partilha e reflexão do caminho que somos convidados a fazer como Igreja, em comunhão com o nosso Pastor. participaram neste encontro, 22 padres Diocesanos e 3 Diáconos.

Às 15.00 H do mesmo dia (30.04.2021), Dom Inácio Lucas encontrou-se com a equipa da Coordenação da CIRMO de Gurúè. Neste encontro, Dom Inácio Lucas acolheu e manifestou a sua total abertura em acolher as iniciativas da CIRMO no Gurúè, com o objectivo único de edificarmos a Igreja que se encontra no Gurúè. Por seu turno, a Irmã Maria Imaculada de Oliveira, das Missionárias Claretianas e coordenadora do Grupo, manifestou em nome da CIRMO, a disponibilidade de colaborar com a Diocese, nas várias tarefas que forem necessárias.

Às 17.30 horas do mesmo dia (30.04.2021), Sua Excelência Reverendíssima Dom Inácio Lucas, presidiu a Missa de abertura oficial do académico e formativo no Seminário Propedêutico S. José de Gurúè. Na sua homilia, partindo da Mensagem do Papa para o 58º Dia Mundial de oração pelas Vocações, Dom Inácio falou do sonho, do serviço e da fidelidade, elementos incontornáveis para a realização de uma vocação na Igreja. Convidou aos presentes a ler, reler, e meditar a Mensagem do Papa Francisco.

01.05.2021- Por ocasião da celebração dos 150 anos da Fundação da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, Sua Excelência Reverendíssima Dom Inácio Lucas, presidiu na Paróquia da Imaculada Conceição de Invinha, uma Celebração eucarística alusiva à efeméride acima. Na sua homilia, Dom Inácio agradeceu o trabalho desenvolvido pelas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras no mundo em geral e na nossa Diocese em particular e pediu aos presentes, a colherem lições de vida e doação com o serviço que as Irmãs prestam à Igreja e ao Mundo.

02.05.2021 - Sua Excelência Reverendíssima Dom Inácio Lucas, presidiu a II Missa na Paróquia de São Bernardo, uma das 3 Paróquias sub-urbanas da Vila Municipal de Gurúè.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

DECLARAÇÃO DOS BISPOS CATÓLICOS DE MOÇAMBIQUE

 




MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 58º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES [25 de Abril de 2021 - IV Domingo da Páscoa]

«São José: o sonho da vocação»

 

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 8 de Dezembro passado, teve início o Ano especial dedicado a São José, por ocasião do 150º aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal (cf. Decreto da Penitenciaria Apostólica, 8 de Dezembro de 2020). Da parte minha, escrevi a carta apostólica Patris corde, com o objetivo de «aumentar o amor por este grande Santo» (concl.). Trata-se realmente duma figura extraordinária e, ao mesmo tempo, «tão próxima da condição humana de cada um de nós» (introd.). São José não sobressaía, não estava dotado de particulares carismas, não se apresentava especial aos olhos de quem se cruzava com ele. Não era famoso, nem se fazia notar: dele, os Evangelhos não transcrevem uma palavra sequer. Contudo, através da sua vida normal, realizou algo de extraordinário aos olhos de Deus.

Deus vê o coração (cf. 1 Sam 16, 7) e, em São José, reconheceu um coração de pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isto mesmo que as vocações tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias. O Senhor deseja moldar corações de pais, corações de mães: corações abertos, capazes de grandes ímpetos, generosos na doação, compassivos para consolar as angústias e firmes para fortalecer as esperanças. Disto mesmo têm necessidade o sacerdócio e a vida consagrada, particularmente nos dias de hoje, nestes tempos marcados por fragilidades e tribulações devidas também à pandemia que tem suscitado incertezas e medos sobre o futuro e o próprio sentido da vida. São José vem em nossa ajuda com a sua mansidão, como Santo ao pé da porta; simultaneamente pode, com o seu forte testemunho, guiar-nos no caminho.

A vida de São José sugere-nos três palavras-chave para a vocação de cada um. A primeira é sonho. Todos sonham realizar-se na vida. E é justo nutrir aspirações grandes, expectativas altas, que objetivos efémeros como o sucesso, a riqueza e a diversão não conseguem satisfazer. Realmente, se pedíssemos às pessoas para traduzirem numa só palavra o sonho da sua vida, não seria difícil imaginar a resposta: «amor». É o amor que dá sentido à vida, porque revela o seu mistério. Pois só se tem a vida que se , só se possui de verdade a vida que se doa plenamente. A este propósito, muito nos tem a dizer São José, pois, através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom.

Os Evangelhos falam de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Apesar de serem chamadas divinas, não eram fáceis de acolher. Depois de cada um dos sonhos, José teve de alterar os seus planos e entrar em jogo para executar os misteriosos projetos de Deus, sacrificando os próprios. Confiou plenamente. Podemos perguntar-nos: «Que era um sonho noturno, para o seguir com tanta confiança?» Por mais atenção que se lhe pudesse prestar na antiguidade, valia sempre muito pouco quando comparado com a realidade concreta da vida. Todavia São José deixou-se guiar decididamente pelos sonhos. Porquê? Porque o seu coração estava orientado para Deus, estava já predisposto para Ele. Para o seu vigilante «ouvido interior» era suficiente um pequeno sinal para reconhecer a voz divina. O mesmo se passa com a nossa vocação: Deus não gosta de Se revelar de forma espetacular, forçando a nossa liberdade. Transmite-nos os seus projetos com mansidão; não nos ofusca com visões esplendorosas, mas dirige-Se delicadamente à nossa interioridade, entrando no nosso íntimo e falando-nos através dos nossos pensamentos e sentimentos. E assim nos propõe, como fez com São José, metas elevadas e surpreendentes.

Na realidade, os sonhos introduziram José em aventuras que nunca teria imaginado. O primeiro perturbou o seu noivado, mas tornou-o pai do Messias; o segundo fê-lo fugir para o Egito, mas salvou a vida da sua família. Depois do terceiro, que ordenava o regresso à pátria, vem o quarto que o levou a mudar os planos, fazendo-o seguir para Nazaré, onde precisamente Jesus havia de começar o anúncio do Reino de Deus. Por conseguinte, em todos estes transtornos, revelou-se vitoriosa a coragem de seguir a vontade de Deus. Assim acontece na vocação: a chamada divina impele sempre a sair, a dar-se, a ir mais além. Não há fé sem risco. Só abandonando-se confiadamente à graça, deixando de lado os próprios programas e comodidades, é que se diz verdadeiramente «sim» a Deus. E cada «sim» produz fruto, porque adere a um desígnio maior, do qual entrevemos apenas alguns detalhes, mas que o Artista divino conhece e desenvolve para fazer de cada vida uma obra-prima. Neste sentido, São José constitui um ícone exemplar do acolhimento dos projetos de Deus. Trata-se, porém, de um acolhimento ativo, nunca de abdicação nem capitulação; ele «não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte» (Carta ap. Patris corde, 4). Que ele ajude a todos, sobretudo aos jovens em discernimento, a realizar os sonhos que Deus tem para cada um; inspire a corajosa intrepidez de dizer «sim» ao Senhor, que sempre surpreende e nunca desilude!

Uma segunda palavra marca o itinerário de São José e da vocação: serviço. Dos Evangelhos, resulta como ele viveu em tudo para os outros e nunca para si mesmo. O Povo santo de Deus chama-lhe castíssimo esposo, desvendando assim a sua capacidade de amar sem nada reservar para si próprio. Libertando o amor de qualquer posse, abriu-se realmente a um serviço ainda mais fecundo: o seu cuidado amoroso atravessou as gerações, a sua custódia solícita tornou-o patrono da Igreja. Ele que soube encarnar o sentido oblativo da vida, é também patrono da boa-morte. Contudo o seu serviço e os seus sacrifícios só foram possíveis, porque sustentados por um amor maior: «Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração» (Ibid., 7).

O serviço, expressão concreta do dom de si mesmo, não foi para São José apenas um alto ideal, mas tornou-se regra da vida diária. Empenhou-se para encontrar e adaptar um alojamento onde Jesus pudesse nascer; prodigalizou-se para O defender da fúria de Herodes, apressando-se a organizar a viagem para o Egito; voltou rapidamente a Jerusalém à procura de Jesus que tinham perdido; sustentou a família trabalhando, mesmo em terra estrangeira. Em resumo, adaptou-se às várias circunstâncias com a atitude de quem não desanima se a vida não lhe corre como queria: com a disponibilidade de quem vive para servir. Com este espírito, José empreendeu as viagens numerosas e muitas vezes imprevistas da vida: de Nazaré a Belém para o recenseamento, em seguida para Egito, depois para Nazaré e, anualmente, a Jerusalém, sempre pronto a enfrentar novas circunstâncias, sem se lamentar do que sucedia, mas disponível para dar uma mão a fim de reajustar as situações. Pode-se dizer que foi a mão estendida do Pai Celeste para o seu Filho na terra. Assim não pode deixar de ser modelo para todas as vocações, que a isto mesmo são chamadas: ser as mãos operosas do Pai em prol dos seus filhos e filhas.

Por isso gosto de pensar em São José, guardião de Jesus e da Igreja, como guardião das vocações. Com efeito, da própria disponibilidade em servir, deriva o seu cuidado em guardar. «Levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe» (Mt 2, 14): refere o Evangelho, indicando a sua disponibilidade e dedicação à família. Não perdeu tempo a cismar sobre o que estava errado, para não o subtrair a quem lhe estava confiado. Este cuidado atento e solícito é o sinal duma vocação realizada. É o testemunho duma vida tocada pelo amor de Deus. Que belo exemplo de vida cristã oferecemos quando não seguimos obstinadamente as nossas ambições nem nos deixamos paralisar pelas nossas nostalgias, mas cuidamos de quanto nos confia o Senhor, por meio da Igreja! Então Deus derrama o seu Espírito, a sua criatividade sobre nós; e realiza maravilhas, como em José.

Além da chamada de Deus – que realiza os nossos sonhos maiores – e da nossa resposta – que se concretiza no serviço pronto e no cuidado carinhoso –, há um terceiro aspeto que atravessa a vida de São José e a vocação cristã, cadenciando o seu dia a dia: a fidelidade. José é o «homem justo» (Mt 1, 19) que, no trabalho silencioso de cada dia, persevera na adesão a Deus e aos seus desígnios. Num momento particularmente difícil, detém-se «a pensar» em tudo (cf. Mt 1, 20). Medita, pondera: não se deixa dominar pela pressa, não cede à tentação de tomar decisões precipitadas, não segue o instinto nem se cinge àquele instante. Tudo repassa com paciência. Sabe que a existência se constrói apenas sobre uma contínua adesão às grandes opções. Isto corresponde à laboriosidade calma e constante com que desempenhou a profissão humilde de carpinteiro (cf. Mt 13, 55), pela qual inspirou, não as crónicas da época, mas a vida quotidiana de cada pai, cada trabalhador, cada cristão ao longo dos séculos. Porque a vocação, como a vida, só amadurece através da fidelidade de cada dia.

Como se alimenta esta fidelidade? À luz da fidelidade de Deus. As primeiras palavras recebidas em sonho por São José foram o convite a não ter medo, porque Deus é fiel às suas promessas: «José, filho de David, não temas» (Mt 1, 20). Não temas: são estas as palavras que o Senhor dirige também a ti, querida irmã, e a ti, querido irmão, quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como inadiável o desejo de Lhe doar a vida. São as palavras que te repete quando no lugar onde estás, talvez no meio de dificuldades e incompreensões, te esforças por seguir diariamente a sua vontade. São as palavras que descobres quando, ao longo do itinerário da chamada, retornas ao primeiro amor. São as palavras que, como um refrão, acompanham quem diz sim a Deus com a vida como São José: na fidelidade de cada dia.

Esta fidelidade é o segredo da alegria. Como diz um hino litúrgico, na casa de Nazaré reinava «uma alegria cristalina». Era a alegria diária e transparente da simplicidade, a alegria que sente quem guarda o que conta: a proximidade fiel a Deus e ao próximo. Como seria belo se a mesma atmosfera simples e radiosa, sóbria e esperançosa, permeasse os nossos seminários, os nossos institutos religiosos, as nossas residências paroquiais! É a alegria que vos desejo a vós, irmãos e irmãs que generosamente fizestes de Deus o sonho da vida, para O servir nos irmãos e irmãs que vos estão confiados, através duma fidelidade que em si mesma já é testemunho, numa época marcada por escolhas passageiras e emoções que desaparecem sem gerar a alegria. São José, guardião das vocações, vos acompanhe com coração de pai!

Roma, São João de Latrão, 19 de Março de 2021, Solenidade de São José

 

                                                                         Francisco 

Fonte: www.vatican.va

sexta-feira, 9 de abril de 2021

MISSA DE ACÇÃO DE GRAÇAS

 

Às 11 horas do dia 08 de Abril do corrente ano, na Capela do Paço episcopal, teve lugar uma Missa de Acção de Graças pelo serviço e testemunho de Dom Germano Grachane como Administrador Apostólico Ad Nutus SS da nossa Diocese.

A Missa foi presidida por Dom Inácio Lucas, Bispo de Gurúè, que agradeceu em nome da Diocese e seu próprio, o trabalho apostólico prestado por Dom Germano, por quase dois anos, na nossa Diocese.

Na homilia, proferida por Dom Germano, apresentou a partir do texto sagrado proposto para as Leituras do dia,  o testemunho da Ressurreição, vincado que esta, é um facto real e com testemunhas. Visivelmente emocionado, antes da bênção final, Dom Germano agradeceu pelo tempo que esteve na Diocese, pediu desculpas por aquilo que não deu certo e convidou a todos a unir as forças para colaborar com o novo Pastor da Diocese.

No fim da celebração, foi servido um copo de água na Casa família cita no Bairro Barragem. Neste local, houve algumas intervenções, concretamente a do clero diocesano na pessoa do Decano, Pe Paulino Nicau, da CIRMO através da Irmã Iranete, do Bispo Administrador cessante, Dom Germano e por fim de Dom Inácio Lucas, Bispo de Gurúè.

Da página do nosso blogger, queremos agradecer todo o trabalho de Dom Germano Grachane como Administrador Apostólico, desde o pretérito 13 de Junho de 2019 até à tomada de Posse do novo Bispo no dia 21 de Março do corrente.

sábado, 3 de abril de 2021

Calendário anual de actividades pastorais 2021

 

“ Deus… deu nos a vida com Cristo – é pela graça que vós estais salvos –

com Ele nos ressuscitou e nos sentou no Alto do Céu, em Cristo”. (Ef 2,5-6)

Janeiro

Data e local

Actividades e destinatários

Janeiro 2021

Formação da Comissão Diocesana da preparação da IV ANP

03 – Paróquias

Dia da Infância Missionária – Ofertório especial para OMP

10 - Catedral

Ordenação diaconal do Ir. Égas Mário Francisco, scj

24 – Paróquias

Domingo da Palavra de Deus: Bíblia

25 a 29 – Nazaré (Beira)

Formação Permanente do Clero em Moçambique

 

Fevereiro

Janeiro-Fevereiro 2021

Tradução do texto dos Lineamenta nas línguas locais

01 a 05 – Nazaré (Beira)

Formação Permanente do Clero em Moçambique

03 – Diocese

Encontro dos consagrados e missionários

14 – Paróquia de Invinha

Votos Perpétuos da Ir. Ofélia Jaime, CFIC

17 – Paróquias

Cinzas – Início da Quaresma

21 – Paróquias

I Domingo da Quaresma

22 – Paróquias

Cadeira de S. Pedro – Ofertório especial OMP

 

Março

08 a 10 – Gurúè

Secretariados da província eclesiástica e Liturgia

09 a 12 – CEM

Conselho Permanente da CEM

13 – Casa Episcopal

Votos temporários das Irmãs: Lisete e Milénia, M. Capuchinhas

19 - Paróquias

São José, Esposo da Virgem Santa Maria

21 – Catedral

Ordenação episcopal de Dom Inácio Lucas, Bispo do Gurúè

Renúncia Quaresmal – Cáritas

28 – Paróquias

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

30 – Casa Episcopal

Missa Crismal

 

Abril

02 – Paróquias

Sexta-feira Santa – Ofertório especial para lugares santos

 

04 – Paróquias

Páscoa da Ressurreição do Senhor

*Entrega e estudo do documento dos Lineamenta às Paróquias e Comunidades ( Abril até Agosto)

12-18 – Maputo

1ª Plenária da Assembleia da CEM

24 – Diocese

3º Aniversário da Morte de D. Francisco Lerma Martinez

25 – Paróquias

IV Domingo da Páscoa – Ofertório para Seminários e Vocações

 

Maio: Mês Mariano

01 – São José, Operário

Convívio de padres, consagrados e missionário/as

 

08-09 – Mualama e Muliquela

Peregrinação

 

16 – Paróquias

Solenidade da Ascensão do Senhor

 

22 – Diocese

27º Aniversário da Ordenação episcopal de D. Manuel Chuanguira Machado

 

23 – Paróquias

Pentecostes – Renovação e envio de animadores

 

29 – Gilé

Votos Perpétuos do Ir. Eliseu Caetano, Missionário Claretiano

30 – Paróquias / Gilé

Santíssima Trindade – Ofertório especial: CEM

Ordenação Diaconal do Ir. Eliseu Caetano, Missionário Claretiano

31 - Gurúè

Encerramento do Mês Mariano - Santinha

 

Junho

03 – Paróquias

São Carlos Lwanga e Companheiros: Padroeiros da África.

*Dia da oração pela África.

06 – Paróquias

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

11 – Paróquias

DIA DE ORAÇÃO PELA SANTIFICAÇÃO DO CLERO

13 – Santo António

Padroeiro da Diocese: Solenidade na Sé Catedral e Festa nas restantes Paróquias.

20 – Catedral

JUBILEU DE PRATA, 25 Anos de Ordenacão sacerdotal:

P. Daniel Alexandre Raul e P. Francisco Cunlela

21 a 26 – Maputo

RETIRO DOS BISPOS DA CEM

(27) 29 – Paróquias

S. Pedro e S. Paulo – Dia de Oração pelo Papa: Ofertório, Óbulo de São Pedro

 

Julho

23 a 01/08 – Paróquias

IV Semana Nacional de Fé e Compromisso Social – Justiça e paz

 

Agosto

04 – Paróquias

São João Maria Vianey: Padroeiro dos Párocos

21 a 22 – Malua

Peregrinação Mariana

27 a 28 – Gurúè

Reunião de coordenação pastoral

28 – UCM

Santo Agostinho, Padroeiro

29 – Paróquias

Dia do Catequista

 

Setembro

Setembro-Outubro 2021

Assembleias paróquias para IV ANP

Estudo dos Lineamenta nos conselhos paroquiais

01 – Paróquias

Dia de Oração pela Criação

12 a 19 – Paróquias

Semana Bíblica Nacional

13 a 19 – CEM

Conselho Permanente

 

Outubro: Mês do Rosário

Outubro a Abril 2022–Paróquias

Preparação e celebração diocesana da IV ANP

24 – Paróquias

Dia Mundial das Missões – Ofertório especial  OMP

31 – Gurúè

Encerramento do mês do Rosário: Santinha

 

Novembro

01 – Paróquias

Solenidade de todos os Santos

02 – Paróquias

Comemoração de todos os Fiéis Defuntos

05 a 06 - Gurúè

Reunião dos Párocos e os Agentes da Pastoral

08 a 14 – Maputo

2ª Plenária da Assembleia da CEM

14 – Paróquias

Dia mundial dos pobres

21 – Paróquias

Dia Mundial da Juventude – Ofertório especial

28 – Paróquias

1º Domingo de Advento – Ofertório especial da Diocese

 

Dezembro

06 - Diocese

Dedicação da Igreja da Catedral: Solenidade e Festa nas restantes Paróquias

11 a 12 – Diocese

Peregrinação diocesana a Invinha

13 a 18 – Paço

Retiro Espiritual do Clero

25 – Paróquias

Natal do Senhor

 

Gurúè, Março de 2021