segunda-feira, 12 de março de 2018

TERCA-FEIRA – 4ª SEMANA DA QUARESMA - 13 MARÇO 2018



TERCA-FEIRA – 4ª SEMANA DA QUARESMA -
13 MARÇO 2018
Primeira leitura: Ezequiel 47, 1-9.12
Numa terra árida, como a Palestina, uma nascente era vista como verdadeira bênção de Deus e símbolo do seu poder. Por isso, muitas vezes, construía-se junto dela um templo. O profeta Ezequiel contempla uma fonte que brota dos fundamentos do próprio templo e corre para Oriente, por onde entrara a Glória do Senhor para morar no meio do povo regressado do exílio. A nascente deu origem, primeiro a uma pequena corrente de água, nada comparável aos grandes rios da Mesopotâmia, que os exilados tinham contemplado. Mas, pouco a pouco, a corrente engrossa até se tornar um rio navegável. Ezequiel é convidado a experimentar no seu corpo a grandeza e a força da torrente, bem como a sua fecundidade e eficácia: ela torna verdejante o deserto e salubre o Mar Morto que se enchem de vida. E surge uma época de prosperidade.
Esta visão profética realiza-se em Jesus, verdadeiro templo, de cujo Lado aberto jorra a água viva do Espírito (cf. Jo 7, 38; 19, 34).
Evangelho: João 5, 1-3a.5-16
Jesus, salvação de Deus, passa por entre os doentes e deficientes que se acumulam à volta da piscina, junto à Porta da Ovelhas, em Jerusalém. Dá especial atenção a um homem que ali jaz paralítico há 38 anos e faz-lhe uma pergunta aparentemente óbvia: «Queres ficar são;», Mas a pergunta, e a ordem que se segue, são suficientes para que este homem, que talvez já nada esperava da vida, se reanime, se erga, volte a agarrar na vida com coragem e até dê testemunho de Cristo àqueles que teimavam em permanecer paralisados na interpretação literal da Lei. Enquanto o paralítico quis ser curado, os adversários de Jesus não quiseram deixar-se curar da sua cegueira e rigidez, passando a uma aberta hostilidade.
Ao encontrar, mais tarde, no templo, o doente curado, Jesus dirige-lhes palavras de grande exigência, dando-lhe a entender que o pecado e as suas consequências são algo de pior que 38 anos de paralisia. Há que deixar-se curar completamente dos males do corpo, mas também do mal da alma. É uma opção a fazer livremente cada dia: deixar-se curar e não pecar.
As leituras de hoje falam-nos ambas de água que cura. O Evangelho diz-nos que Jesus é o verdadeiro médico e o verdadeiro remédio para os nossos males. A água é apenas símbolo da sua graça.
Os Padres da Igreja reconheceram no templo, de que nos fala a visão de Ezequiel, o verdadeiro Templo que é Jesus de Lado aberto e Coração trespassado na cruz, donde jorram sangue e água, símbolos do Espírito que dá a vida. Ezequiel contempla o templo, de cujo lado direito, brota a água prodigiosa que leva a vida e a fecundidade ao deserto e ao próprio Mar Morto. Este mar tem água. Mas é uma água que não permite a vida, porque saturada de sal. Pelo contrário, a água que vem do Templo, é viva e gera vida, porque é pura.
É a transformação que o Espírito de Deus realiza em nós e nas nossas comunidades, quando O acolhemos e nos abrimos à sua acção. Em cada um de nós, e nas nossas comunidades, há um «Mar Morto», um espaço de amargura, de preconceitos, de egoísmo que tornam difíceis as nossas relações e estéril o nosso apostolado. Só o Espírito Santo nos pode transformar. No baptismo recebemos o Espírito Santo, como uma pequena fonte, que há-de ir crescendo, à medida que nos abrimos a Ele e colaboramos na sua acção, até se tornar em nós uma torrente capaz de transformar a nossa vida e de tornar fecundo o nosso apostolado.
O Evangelho fala-nos do paralítico que, havia 38 anos, esperava junto à piscina uma oportunidade para entrar nela e ser curado. Como ele, muitos dos nossos irmãos jazem impotentes nas margens da esperança, desiludidos de tudo, talvez até da religião e, por isso, incapazes de mergulharem na vida. São estes homens e mulheres do nosso tempo que Cristo vem procurar, onde quer que estejam, paralisados pelo sofrimento, pelo pecado e pelas circunstâncias da vida. Também a eles, Jesus pergunta: «Queres ficar são;». Parece uma pergunta desnecessária. Mas Jesus sabe que é a resposta pessoal que renova e faz sentir a cada um a sua dignidade humana, a sua liberdade e responsabilidade. Perante a resposta do paralítico, Jesus diz-lhe simplesmente: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda». O poder da Palavra de Deus dispensa os ritualismos ou o uso de águas medicinais. A Palavra de Deus cura, rompe cadeias, liberta. Liberta o corpo e liberta o espírito, porque há paralisias bem piores do que as corporais, que tolhem o coração no pecado. A Igreja, por vontade de Cristo, dispõe da Palavra e da graça que brotaram do seu Lado aberto na cruz, para as distribuir aos homens, sobretudo no Baptismo, na Eucaristia e nos outros sacramentos.
Abramo-nos ao dom do Espírito Santo, invoquemo-lo e demos-Lhe lugar nos nossos diálogos comunitários. Experimentemos os seus saborosos frutos: a caridade, a paz, a alegria, a bondade, a benevolência, a mansidão, etc. Não só pessoalmente, mas também comunitariamente.
Estamos convencidos de que a realidade escatológica dos "novos céus’ e da "nova terra", onde "habita a justiça" (2 Pe 3, 13), obra do Espírito que tudo renova, pode ser uma realidade actual, antecipada, a nível pessoal, mas também a nível comunitário.
Vem, Senhor Jesus! Vem procurar o homem que jaz deprimido e doente, desesperado pelo pecado, que o domina e que lhe tolhe todo o movimento. Vem também procurar-me a mim. Aproxima-te de todos e de cada um de nós, para que possamos ouvir a tua pergunta: «Queres ficar são;». Vem mergulhar-nos no profundo abismo do teu amor misericordioso, capaz de tudo renovar, recriar e tornar fecundo. Renova em cada um de nós a graça do baptismo, para que a viva fielmente, em conformidade com os dons recebidos. Dá a água das lágrimas da penitência para que seja purificado. Então, liberto do pecado que me paralisa, poderei caminhar na tua presença e correr ao encontro dos meus irmãos para lhes anunciar o teu amor que redime e salva.
Fonte:
Resumo e adaptação local de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia”

domingo, 11 de março de 2018

SEGUNDA FEIRA – 4ª SEMANA DA QUARESMA - 12 MARÇO 2018

SEGUNDA FEIRA – 4ª SEMANA DA QUARESMA - 12 MARÇO 2018

Primeira leitura: Isaías 65, 17-21
Regressado do exílio, o povo continua a resistir à voz do Senhor, a descuidar-se na invocação do seu nome (vv. 1-7) e a cair na idolatria, provocando a sua justa ira. O profeta intervém e lembra que será diferente a sorte dos que praticam a justiça, reconhecendo a Deus o lugar que Lhe pertence e prestando-Lhe o devido culto, e a dos rebeldes (vv. 8-16a).
O texto que hoje escutamos abre perspectivas de um futuro feliz, revelando a grandeza do projecto de Deus, que não envolve apenas cada um, mas atinge todo o universo. Os sofrimentos passados vão ser esquecidos, porque Deus vai realizar uma nova criação.
 Nos versículos que escutamos, parece misturar-se o cântico do coração de Deus e o da humanidade: ao júbilo divino pela sua cidade santa, pelo seu povo renovado, corresponde a alegria do mesmo povo perante a maravilhosa re-criação operada por Deus. Na nova Jerusalém cessará toda a tristeza, a elevada mortalidade infantil. Será grande a longevidade. A liberdade e a estabilidade política garantirão a prosperidade e a paz. Esta promessa realízar-se-á definitivamente em Jesus Cristo que, pela sua obra salvífica, transformará o mundo.
Evangelho: João 4, 43-54
S. João, ao narrar a cura, à distância, do filho do funcionário real, quer apresentar-nos Jesus como Palavra de vida. O Senhor regressava à Galileia. A fama do que fizera em Jerusalém, durante a festa, tinha-O precedido. Desta vez, os galileus receberam-no bem. Mas Jesus decide ir a Caná, onde fizera o seu primeiro milagre. Surge, então, o funcionário real que Lhe pede para descer a Cafarnaúm para curar o seu filho doente.
Jesus reprova a fé imperfeita do funcionário de Herodes. Mas ele não desiste. Jesus cura-lhe o filho, símbolo da humanidade doente e moribunda. Oferece-lhe uma palavra de vida. Mas exige a fé.
O sinal extraordinário, o prodígio de Jesus é a Palavra. Quem acredita nela e lhe obedece, experimenta milagres. O funcionário acolheu a palavra: «Vai, que o teu filho está salvo (v. 50). Acreditou, obedeceu, partiu para sua casa. E vieram-lhe ao encontro os servos que lhe dizem: «O teu filho está salvo. (v. 53). A fé, que caminhou na obscuridade (v. 52ss.) cresceu: «Acreditou ele e todos os da sua casa» (v. 53).
A Palavra de Jesus é o sinal extraordinário e o prodígio que nos oferece. Quem acolhe a Palavra e acredita nela, vê rasgaram-se horizontes inesperados, experimenta milagres. Permanecer na Palavra, guardando-a no coração, e cumprindo-a, mesmo que seja preciso caminhar na escuridão, apenas iluminado por ela, significa participar na obra divina da nova criação, santificação e transfiguração do universo.
Jesus pediu ao funcionário real a fé na sua palavra: «Vai, que o teu filho está salvo». O homem acreditou e o seu filho ficou curado. Acreditou na palavra de Jesus. Acreditou em Jesus, porque Jesus é a Palavra de Deus feita carne. Acreditou e partiu, obediente e confiante. E alcançou a vida para o seu filho. Acreditar e obedecer, acolher a palavra e pô-la em prática é uma questão de vida ou de morte. O homem aflito teve a força de crer na palavra de Jesus, que nada fez de especial, apenas falou. Não insistiu para que Jesus mudasse os seus planos e fizesse o que lhe pedia. Acreditou e partiu confiando na verdade da palavra de Jesus.
Quantas vezes, também nós, nos vemos na situação de ter que acreditar na Palavra, sem vermos ou antes de vermos qualquer sinal. Rezamos, somos iluminados, mas tudo parece permanecer imutável. .. É o momento de progredirmos na fé, que não é simples verificação, mas acreditar na palavra e n ‘ Aquele que a pronuncia.
Se soubermos caminhar na fé, mesmo na noite escura do sofrimento e da provação, a Palavra será como uma lâmpada para os nossos passos. E, quando o Senhor quiser, encontraremos a confirmação luminosa do seu poder que faz maravilhas. Então, a nossa fé tornar-se-é exultação e júbilo. Será aquela fé firme e segura, que transforma a alma e a faz caminhar em novidade de vida, em plenitude cristã.
A confiança do funcionário real na palavra de Jesus, o seu abandono à palavra de Jesus, o seu caminhar na fé por um caminho obscuro, tornou eficaz a sua intercessão pelo filho que estava doente em Cafarnaúm. O jovem foi curado, foi salvo.
suprema da minha confiança e da minha entrega sem reservas ao teu serviço e ao serviço dos irmãos. Que a tua Palavra floresça no meu coração e dê frutos de bem para este mundo e para o reino dos céus.
E qual é então, Senhor, o caminho da paz? – É a fé viva e confiante. Credes no meu Pai, crede também em mim. Tendes confiança no meu Pai, tende também confiança em mim.
É a fé que pacifica, são as vistas, as esperanças sobrenaturais, que sustêm e que consolam.
A fé faz-me ver Deus, a sua vontade, o seu amor, mesmo naquilo que me perturba. Devo crer sem hesitar e sem raciocinar, crer com o meu coração que Nosso Senhor me vê sofrer e penar, mas também que se compraz em me ver ter paciência com ele e por ele. Escuta os meus suspiros, as minhas orações; conta, recolhe as minhas lágrimas; abençoa os meus esforços, aprecia os meus sacrifícios; prepara-me dias de graças e de consolações; prepara a minha coroa, a minha morada, na casa da sua eternidade.
Ah! A fé prática, que fonte de graça, de paz e de consolação! Se tivesse um pouco de fé, como um grão de mostarda! Se acreditasse praticamente no Evangelho! Se me recordasse com fé que Nosso Senhor passou curando todas as enfermidades; que perdoou a Madalena, à mulher adúltera, à samaritana; que ressuscitou Lázaro; que sofreu por mim todas as dores da sua agonia e da sua paixão; que deu a sua vida para me salvar!
Se me recordasse que é bom, como o bom samaritano, como o bom Pastor, como o pai do filho pródigo! Se tivesse uma fé mais viva, e mais prática na Eucaristia! Se acreditasse mais firmemente que Nosso Senhor foi para o céu para me preparar um lugar, estaria ainda triste, angustiado e perturbado?
Fonte:
Resumo e adaptação local de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia”

sábado, 10 de março de 2018

4º DOMINGO DO TEMPO DA QUARESMA – ANO B

4º DOMINGO DO TEMPO DA QUARESMA – ANO B -
A liturgia do 4º Domingo da Quaresma garante-nos que Deus nos oferece, de forma totalmente gratuita e incondicional, a vida eterna.
A primeira leitura 2 Cr 36,14-16.19-23, diz-nos que, quando o homem prescinde de Deus e escolhe caminhos de egoísmo e de auto-suficiência, está a construir um futuro marcado por horizontes de dor e de morte. No entanto, diz o autor do Livro das Crónicas, Deus dá sempre ao seu Povo outra possibilidade de recomeçar, de refazer o caminho da esperança e da vida nova.
O Evangelho deste domingo virá, precisamente, demonstrar os limites desta perspectiva e apresentar um Deus que, embora abominando o pecado, ama o homem para além de toda a medida e está sempre disposto a oferecer-lhe a vida e a salvação.
O Cronista recorda-nos algo que é indesmentível: quando o homem prescinde de Deus e escolhe caminhos de egoísmo e de auto-suficiência, está a construir um futuro marcado por horizontes de dor e de morte. Na verdade, a nossa experiência de todos os dias mostra como a indiferença do homem face a Deus e às suas propostas gera violência, opressão, exploração, exclusão, sofrimento. Na leitura que o Cronista faz da história do seu Povo, há um convite claro a escutar Deus e a pautar as opções que fazemos pelas propostas de Deus.
A perspectiva de que a libertação do cativeiro é comandada por Deus e de que Deus oferece ao seu Povo a oportunidade de um novo começo, aponta no sentido da esperança. Cá está: o Deus que nos é proposto é um Deus que abomina o pecado, mas que dá sempre aos seus filhos a oportunidade de recomeçar, de refazer tudo, de refazer o caminho da esperança e da vida nova. Neste tempo de Quaresma, este texto abre-nos horizontes de esperança e convida-nos a embarcar na apaixonante aventura da vida nova.
A segunda leitura (Ef 2, 4-10) ,ensina que Deus ama o homem com um amor total, incondicional, desmedido; é esse amor que levanta o homem da sua condição de finitude e debilidade e que lhe oferece esse mundo novo de vida plena e de felicidade sem fim que está no horizonte final da nossa existência.
A vida do homem sobre a terra está marcada pela debilidade, pela finitude, pelas limitações inerentes à nossa condição humana. A doença, o sofrimento, o egoísmo, o pecado são realidades que acompanham a nossa existência, que nos mantêm prisioneiros e que nos roubam a esperança. Parece que, por nós próprios, nunca conseguiremos superar os nossos limites e alcançar essa realidade de vida plena, de felicidade total com que permanentemente sonhamos. Por isso, certos filósofos contemporâneos referem-se à futilidade da existência, à náusea que acompanha a vida do homem, à inutilidade da busca da felicidade, ao fracasso que é a vida condenada à morte… Este quadro seria desesperante se não existisse o amor de Deus. É precisamente isso que o autor da Carta aos Efésios nos recorda: Deus ama-nos com um amor total, incondicional, desmedido; e é esse amor que nos levanta da nossa condição, que nos faz vencer os nossos limites, que nos oferece esse mundo novo de vida plena e de felicidade sem fim a que aspiramos. Não somos pobres criaturas derrotadas, condenadas ao fracasso, limitadas por um horizonte sem sentido, mas somos filhos amados a quem Deus oferece a vida plena, a salvação.
Na verdade, Deus introduziu na nossa realidade humana dinamismos de superação e de vida nova que apontam para o homem novo, livre das limitações, da debilidade e da fragilidade. Aqueles homens e mulheres que acolheram o dom de Deus são chamados a dar testemunho de um mundo novo, livre do sofrimento, da injustiça, do egoísmo, do pecado. Por isso, os crentes têm de anunciar e de construir um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano. Eles são testemunhas, nesta terra, de uma realidade nova de felicidade sem fim e de vida eterna.
Muitas vezes, a vida nova de Deus manifesta-se nas nossas palavras, nos nossos gestos de partilha e de serviço, nas nossas atitudes de tolerância e de perdão e somos sinais de esperança e de libertação para os irmãos que nos rodeiam. Convém, no entanto, não esquecer este facto essencial: o mérito não é nosso, mas sim de Deus. É Deus que age no mundo, que o transforma, que o recria; nós somos, apenas, os instrumentos frágeis através dos quais Deus manifesta ao mundo e aos homens o seu amor.
No Evangelho (Jo 3, 14-21),  João recorda-nos que Deus nos amou de tal forma que enviou o seu Filho único ao nosso encontro para nos oferecer a vida eterna. Somos convidados a olhar para Jesus, a aprender com Ele a lição do amor total, a percorrer com Ele o caminho da entrega e do dom da vida. É esse o caminho da salvação, da vida plena e definitiva.
O Evangelho deste domingo convida-nos a contemplar, com João, esta incrível história de amor e a espantar-nos com o peso que nós – seres limitados e finitos, pequenos grãos de pó na imensidão das galáxias – adquirimos nos esquemas, nos projectos e no coração de Deus.
O amor de Deus traduz-se na oferta ao homem de vida plena e definitiva. É uma oferta gratuita, incondicional, absoluta, válida para sempre e que não discrimina ninguém. Aos homens – dotados de liberdade e de capacidade de opção – compete decidir se aceitam ou se rejeitam o dom de Deus. Às vezes, os homens acusam Deus pelas guerras, pelas injustiças, pelas arbitrariedades que trazem sofrimento e morte que pintam as paredes do mundo com a cor do desespero… O nosso texto, contudo, é claro: Deus ama o homem e oferece-lhe a vida. O sofrimento e a morte não vêm de Deus, mas são o resultado das escolhas erradas feitas pelo homem que se obstina na auto-suficiência e que prescinde dos dons de Deus.
João define claramente o caminho que todo o homem deve seguir para chegar à vida eterna: trata-se de “acreditar” em Jesus. “Acreditar” em Jesus não é uma mera adesão intelectual ou teórica a certas verdades da fé; mas é escutar Jesus, acolher a sua mensagem e os seus valores, segui-l’O nesse caminho do amor e da entrega ao Pai e aos irmãos. Passa pelo ser capaz de ultrapassar a indiferença, o comodismo, os projectos pessoais e pelo empenho em concretizar, no dia a dia da vida, os apelos e os desafios de Deus; passa por despir o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, os preconceitos, para realizar gestos concretos de dom, de entrega, de serviço que tragam alegria, vida e esperança aos irmãos que caminham lado a lado connosco. Neste tempo de caminhada para a Páscoa, somos convidados a converter-nos a Jesus e a percorrer o mesmo caminho de amor total que Ele percorreu.
Alguns cristãos vivem obcecados e assustados com esse momento final em que Deus vai julgar o homem, depois de pesar na balança as suas acções boas e as suas acções más… João garante-nos que Deus não é um contabilista, a somar os débitos e os créditos do homem para lhes pagar em conformidade… O cristão não vive no medo, pois ele sabe que Deus é esse Pai cheio de amor que oferece a todos os seus filhos a vida eterna. Não é Deus que nos condena; somos nós que escolhemos entre a vida eterna que Deus nos oferece ou a eterna infelicidade.
Fonte:
Resumo e adaptação local de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia”

SÁBADO – 3ª SEMANA DA QUARESMA - 10 MARÇO 2018



SÁBADO – 3ª SEMANA DA QUARESMA - 10 MARÇO 2018
Primeira leitura: Oseias 6, 1-6
São muitas as desgraças que afectam o povo de Deus. Israel e Judá estão em guerra. A aliança com a Assíria levou à perda das regiões setentrionais de Israel, no ano 732 a. C. No contexto de um acto litúrgico penitencial, o profeta avisa o povo: tudo isto se deve ao afastamento de Deus, a um culto meramente formal e vazio de amor. E clama: há que estar alerta, há que converter-se, pois já se divisa no horizonte o dia do castigo messiânico (Os 5, 9).
Com uma imagem frequente na Sagrada Escritura, o povo reconhece estar doente (Os 5, 13) e invoca a Deus como único médico capaz de curar a ferida que Ele mesmo provocou em vista da correcção (v. 1). Deus é o Senhor da história. Sabe que o arrependimento do povo é interessado (v. 3) e efémero (v. 4). Mas não se cansa de chamar à conversão. A sua palavra é uma espada que fere para curar. Pede amor e não holocaustos (v. 6), confiança e não simples actos de culto, ainda por cima praticados com hipocrisia.
Evangelho: Lucas 18, 9-14
No contexto da subida a Jerusalém, Jesus vai apresentando as exigências para a entrada no Reino. A página que hoje escutamos apresenta-nos duas personagens em oração. O seu modo de rezar revela o seu modo de viver e de se relacionar com Deus e com os outros. O fariseu realça os seus méritos e julga-se credor diante de Deus. No fundo, não precisa d ‘ Ele, ainda que formalmente lhe agradeça tê-lo feito tão perfeito. Mais ainda: a sua justiça leva-o a julgar impiedosamente os outros. O excesso de auto­estima e de autoconfiança levam-no a desprezar os outros (v. 11). O publicano, pelo contrário, consciente dos seus pecados, tudo espera da misericórdia de Deus. Vergado pelos seus pecados, está lançado para o céu. Batendo com a mão no peito, bate à porta do Reino, que lhe é aberta.
A parábola que o evangelho hoje nos apresenta é um verdadeiro dom de Deus, particularmente no tempo da Quaresma que estamos a viver. Com efeito, pode assaltar-nos a tentação de pensarmos que, com as práticas penitenciais que nos propusemos, e vamos praticando, somos melhores que os outros. Ceder a esta tentação, seria arruinar todo o bem que, com a graça do Senhor (é bom sempre lembrá-lo!), temos praticado.
«Quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus mais que os holocaustos», diz-nos o Senhor pela boca de Oseias. Conhecer a Deus, e conhecer-nos a nós mesmos em Deus, é o caminho da sabedoria e da vida. Foi o caminho que os santos de todos os tempos percorreram: «Que Te conheça, que eu me conheça», pedia Santo Agostinho. Quem somos nós, sem Deus? Somos certamente pecadores, cheios de orgulho e cheios de desprezo pelos outros; somos prisioneiros do nosso egoísmo e do nosso pecado. Quem somos nós com Deus? Somos ainda pecadores, mas pecadores que sabem que a experiência de pecado pode tornar-se o lugar em que Deus, o Misericordioso, nos revela o seu rosto.
Um excelente exercício para a nossa Quaresma consistirá em unir-nos à misericórdia de Deus, revelada em Jesus Cristo, que aceitou ser contado entre os pecadores, que carregou sobre Si as culpas de todos, e aceitou morrer para nossa salvação. Por isso, não só não se separou dos pecadores, mas aceitou conviver com eles, para a todos revelar o amor misericordioso do Pai. Cada cristão há-de continuar a ser sinal desse amor misericordioso junto dos irmãos, particularmente daqueles que nos parecem maiores pecadores. Tudo o mais que fizermos, jejuns, orações, esmolas, ou outras penitências, deve ser oferecido pelos nossos próprios pecados. Se nos julgamos mais perto de Deus, devemos prová-lo a nós mesmos com uma proximidade maior junto dos outros, uma proximidade permeada de misericórdia e de amor fraterno, de amor oblativo.
Jesus aproxima-Se das pessoas com muita compreensão, com doçura e humildade. Ama as pessoas, como nos demonstra também na parábola do pai bom e do filho pródigo. As palavras do pai não são um sermão, não avançam queixas e muito menos acusações. Não é um debate e, muito menos, uma polémica. À humilde confissão do filho: "Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’ (Lc 15, 21), o pai responde beijando-o e abraçando-o; apenas fala com o seu amor: "Depressa, trazei o vestido mais belo e vesti-lho, ponde-lhe o anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo, matai-o, comamo-lo e façamos festa … " (Lc 15, 22-23).
É este o modo como também havemos de actuar com os nossos irmãos, mesmo com aqueles de quem tenhamos alguma queixa.
Senhor, ajuda-me a libertar-me das máscaras com que tento esconder a pobreza do meu ser, a mesquinhez do meu coração, a dureza dos meus preconceitos. Sinto-me realmente doente, carecido de salvação. Sinto-me, também eu, fariseu. Mas não consigo esconder-Te a minha verdade: tu sabes que o meu coração não é puro, que a minha vida não é santa, que, muitas vezes, julgo, desprezo e condeno os outros, tentando justificar-me com obras que são só aparência. A tua graça faz-me, hoje, tomar consciência de tudo isso, e faz-me experimentar um enorme vazio dentro de mim. Como o publicano da parábola, dobro-me a teus pés e digo: «tem piedade de mim, que sou pecador». Sei que, também a mim, queres dar a graça de reconhecer a minha humildade, e de experimentar a tua misericórdia imensamente maior que os meus preconceitos e os meus pecados. Por isso, Te digo: Senhor, se quiseres, podes curar-me.
Fonte: Resumo e adaptação de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia”