- As últimas notícias sobre o estado de saúde do Pe. Luis Muilonge, Pároco da Paróquia S. Teresa do Menino Jesus de ILE, peocupa-nos a todos.
- Ele encontra-se de baixa no Hospital de Quelimane desde a semana passada.
- Segundo as informações das Irmãs Agostinianas de Quelimane, ontem notou-se uma ligeira melhoria, pois ele tomava um pouco de sopa.
- Segundo as mesmas fontes, hoje, pelo contráio, o estado de saúde agravou-se, o doente está a levar soro e não fala.
- Rezemos e deixemos tudo as mãos do Senhor em quem posmos toda a nossa confiança. Esperamos que ele rcupere a saúde e que brevemete possa voltar no meio de nós são e salvo.
- Unidos fortemente na oração
- + Francisco Lerma Martínez
- Bispo de Gurúè
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
NOTA DO BISPO: ÚLTIMAS NOTÍCIAS DA DIOCESE
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Segunda-feira - V Semana –– Tempo Comum – Anos Pares - 5 Fevereiro 2018
Segunda-feira - V Semana –– Tempo Comum – Anos Pares -
5 Fevereiro 2018
Primeira leitura: 1 Reis 8, 1-7.9-13
A inauguração
do Templo de Jerusalém marca uma data importante da história bíblica. Completa-se
a história começada com a promessa de Deus no Sinai: «Construir-me-eis um
santuário, para que resida no meio deles.» (Ex. 5, 8).
O povo de
Israel constituiu-se à volta da Aliança, de que a arca é a memória itinerante.
A arca peregrinou com o povo no deserto. Ao entrar na Terra Prometida, foi
instalada sucessivamente em Guilgal, em Siquém e em Silo. Acompanhou o povo nas
batalhas contra os seus inimigos e caiu nas mãos dos filisteus. David
recuperou-a e levou-a para Jerusalém, instalando-a em casa de Obedom e, depois,
na tenda.
Hoje, finalmente, entra no templo. Daí sairá
apenas para algumas procissões, até à destruição da cidade e do templo, em
587aC. Nessa altura, Deus seguirá os desterrados para Babilónia (Ez 11, 22-24).
Ezequiel irá descrever o regresso da glória ou presença divina à sua morada em
Jerusalém, como um novo êxodo (Ez 43, 1-12).
O êxodo é a
história de uma caminhada guiada por Deus-presente, que a nuvem esconde e
revela, de uma relação entre Deus e o homem cada vez mais profunda e pessoal,
de que a glória do Senhor é um sinal luminoso, resplendor consistente que
brilha no rosto de quem Deus encontrou. É esta história que o templo encerra,
no sinal da arca. O mistério da presença de Deus no meio dos homens atinge a
sua máxima expressão na Encarnação, quando Deus vem viver pessoalmente no meio
de nós (cf. Jo 1, 14).
Evangelho: Marcos 6, 53-56
Jesus acaba de
atravessar o lago de Genesaré, unindo a margem leste, onde habitam os pagãos,
com a margem oeste, onde habitam os hebreus. A descrição de Marcos lembra-nos
as promessas messiânicas: «Acorrerão ao monte do Senhor todas as gentes, virão
muitos povos e dirão… Ele nos ensinará os seus caminhos» (cf. Is 2, 2-3);
«Virão povos e habitantes de grandes cidades. E os habitantes de uma cidade
irão para outra, dizendo: ‘Vamos implorar a face do Senhor!» (Zc 8, 21).
Todos os que se
reconhecem carecidos de salvação dirigem-se a Jesus. Diante dele são expostas
todas as misérias humanas. As pessoas não se deixam dominar pela vergonha, mas
agem com confiança: basta que os Senhor lhes toque apenas com «as franjas das
suas vestes». Assim se cumpre a palavra do profeta: «Assim fala o Senhor do
universo: Naqueles dias, dez homens de todas as línguas das nações tomarão um
judeu pela dobra do seu manto e dirão: ‘Nós queremos ir convosco, porque
soubemos que Deus está convosco’» (Zc 8, 23).
Não precisamos de nos esforçar para demonstrar
que, no Evangelho, se tratava sempre de verdadeiros milagres, e não de casos
idênticos àqueles de que fala hoje a parapsicologia. Uma correcta cristologia
não exige que Jesus fosse um super-homem. Marcos não usa métodos racionalistas
para demonstrar a divindade de Jesus. Aliás, para ele, a fé é um dom gratuito
de Deus que geralmente precede os «milagres». O interessante é que as pessoas
perceberam que a mensagem do Evangelho não era algo de abstracto de puramente
filosófico, mas que implicava a melhoria da sua situação. Se, intuindo que Deus
estava com Jesus, acorriam a Ele, depois de estarem com Ele, partiam gritando:
Deus está connosco e a nossa favor… em Jesus.
A nuvem que
enche o templo, onde foi colocada a Arca da Aliança, é sinal da presença de
Deus, tal como o fora durante o êxodo. «A glória do Senhor enchia o templo do
Senhor» (v. 11), infundindo o sentido da majestade de Deus e da adoração que
Lhe é devida. O templo tinha enorme importância na religiosidade do povo
hebreu. Mas era apenas símbolo do verdadeiro templo, que é o corpo de Jesus,
como Ele mesmo disse certo dia: «Aqui está o verdadeiro templo»; «Destruí este
templo, e em três dias Eu o levantarei!» (Jo 2, 19); «falava do templo que é o
seu corpo», explica João. Jesus é a Presença divina no meio dos homens. O seu
corpo é o novo templo repleto da «glória do Senhor». É isso que perceberam os
habitantes da margem ocidental do lago de Genesaré. Daí a corrida para se
encontrarem com Ele, a ânsia em Lhe tocarem.
Os galileus
tinham-se apercebido daquilo que, um dia, também Paulo havia de perceber: «nele
habita realmente toda a plenitude da divindade» (Col 2, 19). Jesus é o
verdadeiro e definitivo templo, onde habita a plenitude de Deus «somatizada». E
nós «participamos da sua plenitude».
O corpo de
Cristo, a sua humanidade, é a realidade que o templo prefigurava: Deus no meio
do seu povo. Mas, em Jesus, a arca da Aliança não quer permanecer fechada no
Santo dos Santos: anda pelos caminhos dos ho
mens e vai-lhes ao encontro. Alguns morreram por terem tocado na arca (cf. 2 Sam 6, 7). Mas Jesus deixa-se encontrar e deixa-se tocar.
mens e vai-lhes ao encontro. Alguns morreram por terem tocado na arca (cf. 2 Sam 6, 7). Mas Jesus deixa-se encontrar e deixa-se tocar.
O Santo dos
Santos era inacessível ao povo, que devia permanecer fora dele. Em Cristo, nós
entramos em Deus, unidos a Ele como varas à cepa, como membros do seu corpo.
A Igreja é, hoje, para nós o corpo de Cristo. A Igreja prolonga-Lhe a humanidade na história e no espaço, para que toda a família humana se torne santuário do encontro entre Deus e os homens.
Senhor Jesus, o
teu corpo é o verdadeiro templo, onde Deus se encontra connosco e nós podemos
encontrar-nos com Deus. Tu és a presença divina estabelecida para sempre no
meio dos homens, Tu que és o Verbo de Deus, igual ao Pai e, simultaneamente,
homem como nós, acessível, cheio de bondade. O novo templo, que és Tu, foi
inaugurado, não com festas de triunfo, não com a imolação de inumeráveis
ovelhas e bois, mas com o sacrifício que Te levou a morrer na cruz e que nos
abriu de par em par a porta de acesso a Deus, e a uma vida de intimidade com
Ele. Em Ti, entramos em Deus! Glória a Ti, Senhor Jesus! Glória a Ti para
sempre!
Fonte: resumo e adaptação de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia”
sábado, 3 de fevereiro de 2018
5º Domingo do Tempo Comum – Ano B
5º Domingo do Tempo Comum –
Ano B
Que sentido têm o sofrimento e a dor
que acompanham a caminhada do homem pela terra? Qual a “posição” de Deus face aos
dramas que marcam a nossa existência? A liturgia do 5º Domingo do Tempo Comum
reflecte sobre estas questões fundamentais. Garante-nos que o projecto de Deus
para o homem não é um projecto de morte, mas é um projecto de vida verdadeira,
de felicidade sem fim.
Na primeira leitura (Job 7,1-4.6-7), um crente chamado Job comenta, com amargura e desilusão, o facto de a sua vida estar marcada por um sofrimento atroz e de Deus parecer ausente e indiferente face ao desespero em que a sua existência decorre… Apesar disso, é a Deus que Job se dirige, pois sabe que Deus é a sua única esperança e que fora d’Ele não há possibilidade de salvação.
O texto que
nos é hoje proposto apresenta-se como uma reflexão do próprio Job sobre o
sentido da sua vida.
Job começa por tecer considerações de carácter geral sobre a vida do homem na terra. O quadro apresentado é muito negativo… Para mostrar como a vida é dura, triste e dolorosa, ele utiliza três exemplos (vers. 1-2). O primeiro exemplo é o da vida do soldado, condenado a uma existência de luta, de risco e de sujeição. O segundo exemplo é o do escravo, condenado a uma vida de trabalho, de tortura e de maus tratos (só os breves momentos de descanso, à sombra, lhe dão algum alívio). O terceiro exemplo é o do trabalhador assalariado, condenado a trabalhar duramente de sol a sol (embora receba a recompensa de um salário). Estes são, na época, os três “estados” considerados mais penosos e miseráveis da vida do homem.
Job começa por tecer considerações de carácter geral sobre a vida do homem na terra. O quadro apresentado é muito negativo… Para mostrar como a vida é dura, triste e dolorosa, ele utiliza três exemplos (vers. 1-2). O primeiro exemplo é o da vida do soldado, condenado a uma existência de luta, de risco e de sujeição. O segundo exemplo é o do escravo, condenado a uma vida de trabalho, de tortura e de maus tratos (só os breves momentos de descanso, à sombra, lhe dão algum alívio). O terceiro exemplo é o do trabalhador assalariado, condenado a trabalhar duramente de sol a sol (embora receba a recompensa de um salário). Estes são, na época, os três “estados” considerados mais penosos e miseráveis da vida do homem.
Depois de
traçar o quadro da sua triste existência, Job dirige-se directamente a Deus
O sofrimento
– sobretudo o sofrimento do inocente – é, talvez, o drama mais inexplicável que
atinge o homem ao longo da sua caminhada pela história. Que razões há para o
sofrimento de uma criança ou de uma pessoa boa e justa? Porque é que algumas vidas estão
marcadas por um sofrimento atroz e sem esperança? Como é que um Deus bom, cheio
de amor, preocupado com a felicidade dos seus filhos, Se situa face ao drama do
sofrimento humano? A única resposta honesta é dizer que não temos uma resposta clara e
definitiva para esta questão. O “sábio” autor do livro de Job lembra-nos,
contudo, a nossa pequenez, os nossos limites, a nossa finitude, a nossa
incapacidade para entender os mistérios de Deus e para compreender os caminhos
por onde se desenrolam os projectos de Deus. De uma coisa podemos estar certos: Deus
ama-nos com amor de pai e de mãe e quer conduzir-nos ao encontro da
vida verdadeira e definitiva, da felicidade sem fim… Talvez nem
sempre sejamos capazes de entender os caminhos de Deus e a sua lógica…
Mas, mesmo quando as coisas não fazem sentido do ponto de vista da nossa humana
lógica, resta-nos confiar no amor e na bondade do nosso Deus e entregarmo-nos
confiadamente nas suas mãos.
A segunda leitura ( sublinha, especialmente, a obrigação que os
discípulos de Jesus assumiram no sentido de testemunhar diante de todos os
homens a proposta libertadora de Jesus. Na sua acção e no seu testemunho, os
discípulos de Jesus não podem ser guiados por interesses pessoais, mas sim pelo
amor a Deus, ao Evangelho e aos irmãos.
Em geral, a
nossa sociedade é muito sensível aos direitos individuais e valoriza muito a
liberdade. Trata-se, sem dúvida, de uma das dimensões mais significativas e
mais positivas da cultura do nosso tempo… Contudo, os próprios direitos ou a
própria liberdade não são valores absolutos… Aliás, a afirmação intransigente
dos próprios direitos e da própria liberdade pode resultar, por vezes, em
prejuízo para os outros irmãos… Para o cristão, o valor realmente absoluto e ao
qual tudo o resto se deve subordinar é o amor. O cristão sabe que, em certas
circunstâncias, pode ser convidado a renunciar aos próprios direitos e à
própria liberdade, porque a caridade ou o bem dos irmãos assim o exigem. O amor
é, para o cristão, o “bem maior”, em vista do qual ele pode renunciar a “bens
menores”. O discípulo de Jesus não pode impor os seus direitos a qualquer
preço, sobretudo quando esse preço implica desprezar os irmãos.
• A
expressão “ai de mim se não anunciar o Evangelho” traduz a atitude de quem
descobriu Jesus Cristo e a sua proposta e sente a responsabilidade por passar
essa proposta libertadora aos outros homens. Implica o dom de si, o
esquecimento dos seus interesses e esquemas pessoais, para fazer da sua vida um
dom a Cristo, ao Reino e aos outros irmãos. Que eco é que esta exigência
encontra no nosso coração? O amor a Cristo e aos nossos irmãos sobrepõe-se aos
nossos esquemas e programas pessoais e obriga-nos a sentirmo-nos comprometidos
com o Evangelho e com o testemunho do Reino proposto por Jesus?
• O serviço
do Evangelho e dos irmãos não pode ser, nunca, uma instalação numa vida fácil,
descomprometida, cómoda, pouco exigente. Aquele que dedica a sua vida ao
serviço do Reino não é um funcionário público, com um horário pouco exigente e
um salário agradável, que cumpre as suas horas de serviço, que resolve os
problemas “burocráticos” que a “profissão” exige e que se retira comodamente
para o seu mundo isolado, em paz com a sua consciência… Mas é alguém que põe o
amor aos irmãos e à comunidade acima de tudo, que está sempre disponível para
servir, que é capaz de renunciar até aos seus tempos de descanso para
acompanhar os irmãos, para os escutar, para os acolher. Para o discípulo de
Jesus, o amor deve, sempre, estar acima dos próprios interesses e tornar-se
dom, serviço, entrega total.
No Evangelho (Mc 1, 29-39), manifesta-se a eterna preocupação de Deus
com a felicidade dos seus filhos.
Na acção libertadora de Jesus em favor dos homens, começa a manifestar-se esse
mundo novo sem sofrimento, sem opressão, sem exclusão que Deus sonhou para os
homens. O texto sugere, ainda, que a acção de Jesus tem de ser continuada pelos
seus discípulos.
O projecto
de Deus para os homens e para o mundo não é um projecto de morte, mas de vida;
o objectivo de Deus é conduzir os homens ao encontro desse mundo novo (o “Reino
de Deus”) de onde estão ausentes o sofrimento, a maldição e a exclusão, e onde
cada pessoa tem acesso à vida verdadeira, à felicidade definitiva, à salvação. Talvez
nem sempre entendamos o sentido do sofrimento que nos espera em cada esquina da
vida; talvez nem sempre sejam claros, para nós, os caminhos por onde se
desenrolam os projectos de Deus… Mas Jesus veio garantir-nos absolutamente o
empenho de Deus na felicidade e na libertação do homem. Resta-nos
confiar em Deus e entregarmo-nos ao seu amor.
A história
da sogra de Pedro que, depois do encontro com Jesus, “começou a servir” os que
estavam na casa, lembra-nos que do encontro libertador com Jesus deve resultar
o compromisso com a libertação dos nossos irmãos. Quem encontra Jesus e aceita
inserir-se na dinâmica do “Reino”, compromete-se com a transformação do
mundo… Compromete-se a realizar, em favor dos irmãos, os mesmos “milagres” de
Jesus e a levar vida, paz e esperança aos doentes, aos marginalizados, aos
oprimidos, aos injustiçados, aos perseguidos, aos que sofrem. Os meus gestos
são sinais da vida de Deus (“milagres”) para os irmãos que caminham ao meu
lado?
Na multidão
que se concentra à porta da “casa de Pedro” podemos ver essa humanidade que
anseia pela sua libertação e que grita, dia a dia, a sua frustração pela
guerra, pela violência, pela injustiça, pela miséria, pela exclusão, pela
marginalização, pela falta de amor… A Igreja de Jesus Cristo (a “casa de Pedro”) tem uma
proposta libertadora que vem do próprio Jesus e que deve ser oferecida a todos
estes irmãos que vivem prisioneiros do sofrimento… O que é que nós, discípulos
de Jesus, temos feito no sentido de oferecer a proposta libertadora de Jesus
aos nossos irmãos oprimidos? Ao olhar para a Igreja de Jesus, eles encontram
solidariedade, ajuda, fraternidade, preocupação real com os seus dramas e
misérias, ou apenas discursos teológicos abstractos e virados para o céu? Os
nossos irmãos idosos, doentes, marginalizados, esquecidos encontram nos nossos
gestos o amor libertador de Jesus que dá esperança e que aponta no
sentido de um mundo novo, ou encontram egoísmo, indiferença, marginalização?
O exemplo de
Jesus mostra que o aparecimento do “Reino de Deus” está ligado a uma vida de
comunhão e de diálogo com Deus. Rezar não é fugir do mundo ou alienar-se dos
problemas do mundo e dos dramas dos homens… Mas é uma tomada de consciência dos
projectos de Deus para o mundo e um ponto de partida para o compromisso.
Fonte:
resumo e adaptação local de “dehonianos.org/portal/liturgia”
Sábado – IV Semana –Tempo Comum – Anos Pares 3 Março 2018
Sábado – IV Semana –Tempo Comum –
Anos Pares
3 Março 2018
Primeira leitura: 1 Reis 3, 4-13
O autor sagrado realça em Salomão três facetas: sábio
(cc. 3-5), construtor (cc. 6-9), rico (c. 10). Mas a mais importante das três
facetas é a sabedoria. Essa sabedoria abarca todos os campos: a governação (cf.
3, 16-28), as letras e as artes. Essa sabedoria é dom de Deus, fruto da oração.
E a oração do rei é a melhor prova da sua sabedoria. A oração de Salomão, no
santuário de Guibeon, é sábia e inteligente.
Por isso,
agradou ao Senhor. Não foi uma oração egoísta, mas uma oração em que pediu a
Deus bons critérios para julgar e para discernir o bem e o mal, para governar
com justiça.
A narrativa do sonho de Salomão tem o estilo das
lendas populares. O protagonista aparece como um herói positivo, que segue a
lei de Deus e oferece sacrifícios ao Senhor, podendo, por essa razão, pedir o
que quisesse (vv. 4s.). Na sua oração, o rei usa a linguagem sapiencial e
profética: pede «um coração cheio de entendimento», para fazer justiça ao povo,
e «para discernir entre o bem e o mal»
Tal como nas lendas, o pedido do rei agrada a Deus e é
atendido. Mas, com a sabedoria, Salomão recebe também a riqueza e a glória.
Evangelho: Mc 6, 30-34
Na segunda parte do seu evangelho (6, 30-10), Marcos
diz-nos que Jesus, apesar de galileu, é profundamente universal: dirige-se aos
outros, aos afastados, aos gentios; mas não esquece os clássicos, os eleitos.
Os Apóstolos vêm dos seus lugares de trabalho e contam
a Jesus o que fizeram. Jesus escuta-os, mas não quer vê-los cair no
triunfalismo do muito que fizeram e fazem, nem no activismo de quem se entrega
às coisas do Senhor, esquecendo o próprio Senhor. Por isso, lhes diz: «Vinde, retiremo-nos
para um lugar deserto e descansai um pouco».
É um momento de
intimidade entre Jesus e os seus, um convite ao repouso e ao recolhimento. A
comunidade dos Doze, com Jesus no barco, recompõe-se e renova-se em vista da
secção dos milagres e da dupla multiplicação dos pães. Estes milagres são
preanunciado e introduzidos com a referência à necessidade de alimento,
material e simbólico: os discípulos «não tinham tempo para comer» (v. 31); as
multidões «eram como ovelhas sem pastor» (v. 34).
É uma pena que a tradição os retiros e exercícios espirituais se tenham convertido em outras coisas que nem sempre contribuem para o bem dos homens e para o bem da Igreja.
Salomão não é grande por causa da sua riqueza, nem por
causa da sua sabedoria. É grande porque soube dirigir a Deus a oração justa.
Com verdadeira humildade, implorou de Deus a sabedoria como o mais elevado dom,
que só Deus pode conceder. Soube também pedir o discernimento: «concede ao teu
servo um coração cheio de entendimento… para discernir entre o bem e o mal» (1
Re 3, 8).
Quanto precisamos da sabedoria para nos conduzirmos pelos critérios de Deus, e não pelos critérios do mundo em que vivemos! Se a obediência vale mais do que os sacrifícios (cf. 1 Sam 15, 22), quanto precisamos de nos habituar a discernir, sempre e em toda a parte, a vontade de Deus acerca de nós, das nossas comunidades e do mundo!
Os discípulos de Jesus, ao regressarem, contam-lhe os êxitos da missão que lhes tinha confiado: expulsaram demónios, curaram doentes (cf. Mc 6, 13).
Jesus, quase não lhes presta atenção, e aponta-lhes
algo de mais importante: «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai
um pouco» (Mc 6, 31).
No mundo agitado em que vivemos, perdemos o sentido do repouso. Mergulhados em mil e uma tarefas, corremos desenfreadamente, sem reservarmos tempo para nós. Jesus lembra-nos que não podemos viver sem nos alimentarmos, sem repousarmos. São exigências da nossa condição humana que não podemos desprezar. A própria eficácia do nosso apostolado depende mais da graça do Senhor do que das nossas correrias e esforços.
Precisamos de
tempo para estarmos a sós com o Senhor, crescermos na intimidade com Ele, e
apresentar-lhe as situações e as pessoas que encontramos no nosso apostolado.
Sem nos alimentarmos na mesa da Palavra e da Eucaristia, a nossa vida definha e
o nosso apostolado é estéril.
Senhor, dá-me um coração que saiba discernir a vontade
do Pai, que saiba amá-la, que saiba cumpri-la pronta e generosamente. Peço-te
esta graça por intercessão de Maria, a Virgem que sabia escutar, a Virgem do
«Sim». Em cada momento, quer me convoques para a missão, quer me chames a
descansar, direi como Tu e como Ela:: Eis-me aqui; faça-se!
Ajuda-me a fazer silêncio, sobretudo dentro de mim.
Dá-me o gosto da solidão preenchida pela tua presença. Liberta-me do frenesim
da acção e da busca extenuante do barulho e da confusão.
Que eu saiba escutar o silêncio. Que eu saiba ouvir a
tua voz nas pequenas coisas de cada dia: no rosto do irmão, no encanto da
natureza, nos trabalhos e na história, no repouso e no sono, quando tudo
mergulha no silêncio e só Tu podes penetrar no íntimo dos corações.
Fonte: resumo e adaptação de um texto de “dehonianos.org/portal/liturgia”
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