segunda-feira, 12 de novembro de 2018

SEGUNDA-FEIRA - XXXII SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 12 NOVEMBRO 201

SEGUNDA-FEIRA - XXXII SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 12 NOVEMBRO 2018 Primeira leitura: Tito 1, 1-9 A carta a Tito é uma das chamadas «cartas pastorais». Tito é um dos colaboradores do Apóstolo. Ao confiar-lhe uma comunidade, faz-lhe algumas recomendações baseadas no evento de Jesus Morto e Ressuscitado. Fala-lhe «da verdade, que conduz à piedade» (v. 1) e da «esperança da vida eterna» (v. 2). A tarefa de Tito será formar os crentes para que se enamorem da verdade revelada e pregada e, desse modo, fortaleçam o vínculo da fé e do amor que os liga na comunidade e a Cristo. É nisso que consiste a administração que Deus pede aos seus servidores. O serviço da Palavra, a pregação apostólica, é o fundamental serviço à comunidade. Sem esse serviço não nascem novas comunidades cristãs. O responsável pela comunidade deve ter excepcionais qualidades quanto ao estilo de vida e de acção; deve ser fiel à doutrina e generoso no serviço. Pastor e fiéis hão-de estar à escuta, submetidos à doutrina-verdade contida nas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Evangelho: Lucas 17, 1-6 Lucas apresenta-nos três temas da pregação de Jesus: o escândalo, o perdão, a fé. É preciso considerá-los de modo unitário. O discípulo deve ter a preocupação de não provocar escândalo, que leve alguém a afastar-se do caminho iniciado. Trata-se do caminho evangélico. Por isso, Jesus lança um dos seus «ai». O Mestre não pode aceitar o comportamento de quem põe em risco a sua salvação e compromete a dos outros, sobretudo a dos «pequenos» (v. 2). Se é preciso evitar o escândalo, também é preciso conceder o perdão a todos, a todo o custo (vv. 3-4). O perdão é sinal de verdadeiro amor. É no perdão que se revela o amor de Deus para connosco. Jesus, que é a incarnação histórica do amor de Deus, também oferece o perdão àqueles que dele precisam. Ao terminar o ensinamento, Jesus elogia a fé que, ainda que seja pequena, pode mostrar toda a sua força, mesmo com um milagre. Os discípulos pedem um aumento da sua fé. Jesus responde-lhes falando da eficácia de uma fé genuína (v. 6). A palavra de Deus, hoje, leva-nos a centrar a atenção em três tipos de pessoas: os pequenos, o irmão, os apóstolos. Ao mesmo tempo leva-nos a descobrir uma espiritualidade evangélica capaz de iluminar toda a nossa vida. Os pequenos mereceram uma especial atenção de Jesus. Foram os destinatários privilegiados dos seus ensinamentos e personificam sacramentalmente a sua presença no meio de nós. Não podemos escandalizá-los! Devem também merecer o nosso especial cuidado e o nosso serviço. O irmão, de que nos fala o evangelho, não é uma simples abstracção. É alguém de carne e osso, talvez mesmo um pecador cheio de arrependimento. Como Jesus, também nós devemos oferecer-lhe o perdão e a possibilidade de restabelecer uma relação serena e harmoniosa. Os apóstolos, na singularidade da sua missão, estão conscientes de que ainda carecem de aumentar a sua fé para chegarem a uma plena sintonia com o Mestre. Vistas assim, todas estas pessoas são modelos para nós, sempre carecidos de purificar a fé que nos foi dada. Por pequena ou grande que seja, a fé liberta sempre uma força superior a qualquer capacidade humana. É verdadeiramente miraculosa, não tanto porque possa realizar coisas extraordinárias, mas porque põe em acto o poder divino. «Como o Pai Me enviou - diz Jesus - Também Eu vos envio a vós. Depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo» (Jo 20, 21-22). O Espírito que Ele deu aos apóstolos levou-os ao mais elevado grau de fé e encheu-os de força para a missão. Esse mesmo Espírito nos foi dado para caminharmos na fé e no amor, para ser em nós força de missão e de serviço (e não de domínio) aos irmãos: «como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir» (Mt 20, 28); «Eu estou no meio de vós como quem serve» (Lc 22, 27) e, depois do lava-pés: «Dei-vos o exemplo, para que façais como Eu fiz... Sabendo estas coisas, sereis felizes se as puserdes em prática» (Jo 13, 15.17). Fonte: F. Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia”

domingo, 11 de novembro de 2018

COMUNICADO DOS BISPOS DA CONFERENCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE

COMUNICADO DOS BISPOS DA CONFERENCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE Saudação O Povo que jazia nas trevas viu uma grande luz! (Mt 4,16) Às Comunidades Cristãs e a todos os homens de boa vontade, paz e alegria no Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Reunidos, de 6 a 10 de Novembro, deste corrente ano, no Seminário de Santo Agostinho da Matola, queremos, através deste meio, manifestar-vos a nossa comunhão convosco e nossa presença espiritual. Atentos ao caminhar do nosso Povo, às suas alegrias e esperanças, às suas dores e angústias, queremos, em primeiro lugar, endereçar-vos uma palavra de conforto, alegria e paz e, ao mesmo tempo, exortar-vos a acolher o Menino Jesus, nascido da Virgem Maria, pois Ele é o “Emanuel”, Deus connosco, que veio como Rei de justiça e de paz para iluminar as nossas vidas. Em segundo lugar, queremos partilhar convosco o fruto dos nossos trabalhos desta ´última Assembleia. O Sínodo dos bispos sobre os jovens Subordinado ao tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, realizou-se em Roma o Sínodo dos Bispos convocado pelo Papa Francisco, no qual a nossa Igreja fez-se representar por sua Excelência Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula e Presidente da Comissão Episcopal para os Jovens. Em preparação do Sínodo, realizou-se em Chimoio a primeira Jornada Nacional da Juventude, onde os jovens de todo o País viveram uma experiência de autêntica partilha e de unidade, expressão da alegria de uma Igreja jovem, marcada de sonhos e de esperanças. Encontro com o Presidente da República À margem da quarta edição do Concerto de Natal organizado pela Nunciatura Apostólica, Sua Excelência o Presidente da República, Senhor Filipe Jacinto Nyusi, teve um momento de encontro connosco, os bispos. Partilhou a situação do País, o processo de paz, a sua recente visita à Santa Sé e a audiência com o Papa Francisco. Na nossa mensagem felicitamo-lo pelo convite que endereço ao Papa Francisco para visitar o nosso País –convite que já tinha sido dirigido ao Papa pela CEM em 2016- e pelos nobres passos que tem dado em prol da paz. Manifestamos igualmente a nossa apreensão pelos acontecimentos preocupantes que se deram nas recentes eleições e que podem criar obstáculos ao processo de paz e ao caminho de reconciliação. Enfatizamos, também, que “a paz –como lembra o Concílio Vaticano II – não é ausência de guerra; nem se reduz ao estabelecimento do equilíbrio entre as forças adversas, nem resulta duma dominação despótica. Com toda a exactidão e propriedade ela é chamada “obra da justiça” (GS 78). Reiteramos a importância do diálogo sincero e da transparência, pois, só deste modo é possível encontrar os melhores caminhos para superar divergências, aumentar a confiança mútua e garantir a reconciliação, base e condição para a construção de uma sociedade integrada, estável e pluralista, capaz de assegurar um futuro de prosperidade para todos. Mês Missionário extraordinário O Papa Francisco convida toda a Igreja – bispos, padres, diáconos, consagrados e consagradas, adultos, jovens, adolescentes, crianças – para fazer do próximo Outubro 2019 um mês profundamente missionário extraordinário, isto é, a reencontrar o frescor e o ardor do primeiro amor pelo Senhor crucificado e ressuscitado a fim de evangeliza o mundo com credibilidade e eficácia evangélica. Renovação da Presidência da CEM Foram feitas as eleições da Presidência da CEM, tendo ficado Presidente Dom Lúcio Andrice Muandula, Bispo de Xai-Xai; Vice-Presidente Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula; e Secretário Geral, Dom Luiz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba. Foram igualmente indicados como vogais: Dom Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo; Dom Cláudio Dalla Zuana, Arcebispo da Beira e Dom Ernesto Maguemgue, Bispo Auxiliar de Nampula. IV Assembleia Nacional de Pastoral Reiteramos a necessidade da realização da IV Assembleia Nacional de Pastoral como um momento importante para rever a caminhada feita e, ao mesmo tempo, discernir os sinais dos tempos e traçar linhas de acção pastoral mais apropriadas para responder aos desafios do momento presente. Enfatizamos o desejo de que a IV Assembleia Nacional de Pastoral se realize de forma gradual para possibilitar a participação de todos, desde as pequenas comunidades cristãs, passando pelas paróquias e dioceses até a fase da celebração a nível nacional. Com este objectivo, será enviado aos secretariados diocesanos de coordenação pastoral uma circular dando orientações gerais. Violência em Cabo Delgado Preocupa-nos a situação de centenas de famílias vítimas de ataques perpetrados por homens armados, tendo como consequências a perda de vidas, casas, machambas e outros bens materiais. Movidos por esta situação, apelamos para a solidariedade de todos os cristãos e pessoas de boa vontade. Para o efeito, façamos, por ocasião deste próximo Natal, um ofertório especial para ir ao encontro destas famílias duramente provadas. Continuemos a rezar para a conversão dos corações de todos os envolvidos nesta violência. Votos de Feliz Natal A terminar, renovamos os votos de um Natal Feliz com vivo desejo de que, sob a protecção da Virgem Mãe do Salvador, o Novo Ano que em breve terá início, seja aurora de alegria, prosperidade e paz para todos. Assin.: Dom Lúcio Andrice Muandula Bispo de Xai-Xai e Presidente da CEM

COMUNICADO DOS BISPOS DA CONFERENCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE

COMUNICADO DOS BISPOS DA CONFERENCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE Saudação O Povo que jazia nas trevas viu uma grande luz! (Mt 4,6s) Comunidades Cristãs e a todos os homens de boa vontade, paz e alegria no Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Reunidos, de 6 a 10 de Novembro, deste corrente ano, no Seminário de Santo Agostinho da Matola, queremos, através deste meio, manifestar-vos a nossa comunhão convosco e nossa presença espiritual. Atentos ao caminhar do nosso Povo, às suas alegrias e esperanças, às suas dores e angústias, queremos, em primeiro lugar, endereçar-vos uma palavra de conforto, alegria e paz e, ao mesmo tempo, exortar-vos a acolher o Menino Jesus, nascido da Virgem Maria, pois Ele é o “Emanuel”, Deus connosco, que veio como Rei de justiça e de paz para iluminar as nossas vidas. Em segundo lugar, queremos partilhar convosco o fruto dos nossos trabalhos desta ´última Assembleia. O Sínodo dos bispos sobre os Subordinado ao tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, realizou-se em Roma o Sínodo dos Bispos convocado pelo Papa Francisco, no qual a nossa Igreja fez-se representar por sua Excelência Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula e Presidente da Comissão Episcopal para os Jovens. Em preparação do Sínodo, realizou-se em Chimoio a primeira Jornada Nacional da Juventude, onde os jovens de todo o País viveram uma experiência de autêntica partilha e de unidade, expressão da alegria de uma Igreja jovem, marcada de sonhos e de esperanças. Encontro com o Presidente da República À margem da quarta edição do Concerto de Natal organizado pela Nunciatura Apostólica, Sua Excelência o Presidente da República, Senhor Filipe Jacinto Nyusi, teve um momento de encontro connosco, os bispos. Partilhou a situação do País, o processo de paz, a sua recente visita à Santa Sé e a audiência com o Papa Francisco Na nossa mensagem felicitamo-lo pelo convite que endereço ao Papa Francisco para visitar o nosso País –convite que já tinha sido dirigido ao Papa pela CEM em 2016- e pelos nobres passos que tem dado em prol da paz. Manifestamos igualmente a nossa apreensão pelos acontecimentos preocupantes que se deram nas recentes eleições e que podem criar obstáculos ao processo de paz e ao caminho de reconciliação. Enfatizamos, também, que “a paz –como lembra o Concílio Vaticano II – não é ausência de guerra; nem se reduz ao estabelecimento do equilíbrio entre as forças adversas, nem resulta duma dominação despótica. Com toda a exactidão e propriedade ela é chamada “obra da justiça” (GS 78). Reiteramos a importância do diálogo sincero e da transparência, pois, só deste modo é possível encontrar os melhores caminhos para superar divergências, aumentar a confiança mútua e garantir a reconciliação, base e condição para a construção de uma sociedade integrada, estável e pluralista, capaz de assegurar um futuro de prosperidade para todos Mês Missionário extraordinário O Papa Francisco convida toda a Igreja – bispos, padres, diáconos, consagrados e consagradas, adultos, jovens, adolescentes, crianças – para fazer do próximo Outubro 2019 um mês profundamente missionário extraordinário, isto é, a reencontrar o frescor e o ardor do primeiro amor pelo Senhor crucificado e ressuscitado a fim de evangeliza o mundo com credibilidade e eficácia evangélica. Renovação da Presidência da CEM Foram feitas as eleições da Presidência da CEM, tendo ficado Presidente Dom Lúcio Andrice Muandula, Bispo de Xai-Xai; Vice-Presidente Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula; e Secretário Geral, Dom Luiz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba. Foram igualmente indicados como vogais: Dom Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo; Dom Cláudio Dalla Zuana, Arcebispo da Beira e Dom Ernesto Maguemgue, Bispo Auxiliar de Nampula. IV Assembleia Nacional de Pastoral Reiteramos a necessidade da realização da IV Assembleia Nacional de Pastoral como um momento importante para rever a caminhada feita e, ao mesmo tempo, discernir os sinais dos tempos e traçar linhas de acção pastoral mais apropriadas para responder aos desafios do momento presente. Enfatizamos o desejo de que a IV Assembleia Nacional de Pastoral se realize de forma gradual para possibilitar a participação de todos, desde as pequenas comunidades cristãs, passando pelas paróquias e dioceses até a fase da celebração a nível nacional. Com este objectivo, será enviado aos secretariados diocesanos de coordenação pastoral uma circular dando orientações gerais. Violência em Cabo Delgado Preocupa-nos a situação de centenas de famílias vítimas de ataques perpetrados por homens armados, tendo como consequências a perda de vidas, casas, machambas e outros bens materiais. Movidos por esta situação, apelamos para a solidariedade de todos os cristãos e pessoas de boa vontade. Para o efeito, façamos, por ocasião deste próximo Natal, um ofertório especial para ir ao encontro destas famílias duramente provadas. Continuemos a rezar para a conversão dos corações de todos os envolvidos nesta violência. Votos de Feliz Natal A terminar, renovamos os votos de um Natal Feliz com vivo desejo de que, sob a protecção da Virgem Mãe do Salvador, o Novo Ano que em breve terá início, seja aurora de alegria, prosperidade e paz para todos. Assin.: Dom Lúcio Andrice Muandula Bispo de Xai-Xai e Presidente

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B -11 NOVEMBRO 2018

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B -11 NOVEMBRO 2018 A liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que devemos prestar a Deus. A Deus não interessam grandes manifestações religiosas ou ritos externos mais ou menos sumptuosos, mas uma atitude permanente de entrega nas suas mãos, de disponibilidade para os seus projectos, de acolhimento generoso dos seus desafios, de generosidade para doarmos a nossa vida em benefício dos nossos irmãos. A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de uma mulher pobre de Sarepta, que, apesar da sua pobreza e necessidade, está disponível para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. A história dessa viúva que reparte com o profeta os poucos alimentos que tem, garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida e de vida em abundância. LEITURA I - 1 Re 17,10-16 A nossa história - como tantas outras histórias bíblicas - fala-nos da predilecção de Deus pelos desfavorecidos, pelos débeis, pelos pobres, pelos explorados, por aqueles que são colocados à margem da vida. Porquê? Porque Deus vê a história humana na perspectiva da luta de classes e escolhe um lado em detrimento do outro? Obviamente, não. No entanto, Deus opta preferencialmente pelos pobres porque, em primeiro lugar, eles vivem numa situação dramática de necessidade e precisam especialmente da bondade, da misericórdia e da ajuda de Deus; e, em segundo lugar, porque os pobres - sem bens materiais que os distraiam do essencial - estão sempre mais atentos e disponíveis para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. Os "ricos", ao contrário, estão sempre preocupados com os seus bens, com os seus interesses egoístas, com os seus projectos e preconceitos e não têm espaço para acolher as propostas que Deus lhes faz. Isto deve lembrar-nos, permanentemente, a necessidade de sermos "pobres", de nos despirmos de tudo aquilo que pode atravancar o nosso coração e que pode impedir-nos de acolher os desafios e as propostas de Deus. • A mulher de Sarepta tinha, apenas, uma quantidade mínima de alimento, que queria guardar para si e para o seu filho; mas, desafiada a partilhar, viu esse escasso alimento ser multiplicado uma infinidade de vezes... A história convida-nos a não nos fecharmos em esquemas egoístas de acumulação e de lucro, esquecendo os apelos de Deus à partilha e à solidariedade com os nossos irmãos necessitados. Quando repartimos, com generosidade e amor, aquilo que Deus colocou à nossa disposição, não ficamos mais pobres; os bens repartidos tornam-se fonte de vida e de bênção para nós e para todos aqueles que deles beneficiam. • A nossa história prova que só Jahwéh dá ao homem vida em abundância. É um aviso que não podemos ignorar... Todos os dias somos confrontados com propostas de felicidade e de vida plena que, quase sempre, nos conduzem por caminhos de escravidão, de dependência, de desilusão. Não é à volta do dinheiro, do carro, da casa, do cargo que temos na empresa, dos títulos académicos que ostentamos, das honras que nos são atribuídas que devemos construir a nossa existência. Só Deus nos dá a vida plena e verdadeira; todos os outros "deuses" são elementos acessórios, que não devem afastar-nos do essencial. . LEITURA II - Heb 9,24-28 A segunda leitura oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote que entregou a sua vida em favor dos homens. Ele mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de nós o dom da nossa vida, ao serviço desse • A ideia de que Cristo nos libertou do pecado com o seu sacrifício domina este texto. O que é que o autor da Carta aos Hebreus quer dizer com isto? Cristo veio a este mundo para libertar o homem das cadeias de egoísmo e de pecado que o prendiam. Nesse sentido, Cristo pediu uma "metanoia" (transformação radical) do coração, da mente, dos valores, das atitudes do homem e propôs, com a sua palavra, com o seu exemplo, com a sua vida, que o homem passasse a percorrer o caminho do amor, da partilha, do serviço, do perdão, do dom da vida. A sua entrega na cruz é a lição suprema que Ele quis deixar-nos - a lição do amor que renuncia ao egoísmo e que se faz dom total aos irmãos, até às últimas consequências. Mais, a sua luta contra o pecado levou-O a confrontar-Se com as estruturas políticas, sociais ou religiosas geradoras de injustiça e de opressão; a sua morte, arquitectada pelos detentores do poder (as autoridades políticas e religiosas do país), foi, também, a consequência da sua luta contra as estruturas que oprimiam o homem e que geravam egoísmo e morte. Ele ofereceu, de facto, a sua vida em sacrifício para nos libertar do pecado. A sua ressurreição revelou que Deus aceitou o seu sacrifício e que não deixará mais que o pecado roube ao homem a vida. Aderir a Jesus, ser cristão, é procurar viver, dia a dia, no seguimento de Jesus e fazer da própria vida um dom de amor aos irmãos; é, também, lutar contra todas as estruturas que geram injustiça e pecado. Gastar a vida dessa forma é participar da missão de Jesus, é colaborar com Ele para eliminar o pecado. • As outras leituras deste domingo falam-nos de desapego, de partilha, de capacidade para "dar tudo". Cristo, com a entrega total da sua vida a Deus e aos homens, realizou plenamente esta dimensão. Ele mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de nós o dom da nossa vida, ao serviço desse projecto de salvação que Ele tem para os homens e para o mundo. • A certeza de que Jesus Cristo, o sacerdote perfeito, venceu o pecado e está agora junto de Deus, intercedendo por nós e esperando o momento de nos oferecer a vida eterna, deve dar-nos confiança e esperança, ao longo da nossa caminhada diária pela vida. A Palavra de Deus que hoje nos é oferecida garante-nos que as nossas fragilidades e debilidades não podem afastar-nos da comunhão com Deus, da vida eterna; e, no final do nosso caminho, Jesus, o nosso libertador, lá estará à nossa espera para nos oferecer a vida definitiva. . EVANGELHO - Mc 12,38-44 O Evangelho diz, através do exemplo de outra mulher pobre, de outra viúva, qual é o verdadeiro culto que Deus quer dos seus filhos: que eles sejam capazes de Lhe oferecer tudo, numa completa doação, numa pobreza humilde e generosa (que é sempre fecunda), num despojamento de si que brota de um amor sem limites e sem condições. Só os pobres, isto é, aqueles que não têm o coração cheio de si próprios, são capazes de oferecer a Deus o culto verdadeiro que Ele espera. • Qual é o verdadeiro culto que Deus espera de nós? Qual deve ser a nossa resposta à sua oferta de salvação? A forma como Jesus aprecia o gesto daquela pobre viúva não deixa lugar a qualquer dúvida: Deus não valoriza os gestos espectaculares, cuidadosamente encenados e preparados, mas que não saem do coração; Deus não se deixa impressionar por grandes manifestações cultuais, por grandes e impressionantes manifestações religiosas, cuidadosamente preparadas, mas hipócritas, vazias e estéreis... O que Deus pede é que sejamos capazes de Lhe oferecer tudo, que aceitemos despojar-nos das nossas certezas, das nossas manifestações de orgulho e de vaidade, dos nossos projectos pessoais e preconceitos, a fim de nos entregarmos confiadamente nas suas mãos, com total confiança, numa completa doação, numa pobreza humilde e fecunda, num amor sem limites e sem condições. Esse é o verdadeiro culto, que nos aproxima de Deus e que nos torna membros da família de Deus. O verdadeiro crente é aquele que não guarda nada para si, mas que, dia a dia, no silêncio e na simplicidade dos gestos mais banais, aceita sair do seu egoísmo e da sua auto-suficiência e colocar a totalidade da sua existência nas mãos de Deus. • Como na primeira leitura, também no Evangelho temos um exemplo de uma mulher pobre (ainda mais, uma viúva, que pertence à classe dos abandonados, dos débeis, dos mais pobres de entre os pobres), que é capaz de partilhar o pouco que tem. Na reflexão bíblica, os pobres, pela sua situação de carência, debilidade e necessidade, são considerados os preferidos de Deus, aqueles que são objecto de uma especial protecção e ternura por parte de Deus. Por isso, eles são olhados com simpatia e até, numa visão simplista e idealizada, são retractados como pessoas pacíficas, humildes, simples, piedosas, cheias de "temor de Deus" (isto é, que se colocam diante de Deus com serena confiança, em total obediência e entrega). Este retrato, naturalmente um pouco estereotipado, não deixa de ter um sólido fundo de verdade: só quem não vive para as riquezas, só quem não tem o coração obcecado com a posse dos bens (falamos, naturalmente, do dinheiro, da conta bancária; mas falamos, igualmente, do orgulho, da auto-suficiência, da vontade de triunfar a todo o custo, do desejo de poder e de autoridade, do desejo de ser aplaudido e admirado) é capaz de estar disponível para acolher os desafios de Deus e para aceitar, com humildade e simplicidade, os valores do Reino. Esses são os preferidos de Deus. O exemplo desta mulher garante-nos que só quem é "pobre" - isto é, quem não tem o coração demasiado cheio de si próprio - é capaz de viver para Deus e de acolher os desafios e os valores do Reino. • A figura dos doutores da Lei está em total contraste com a figura desta mulher pobre. Eles têm o coração completamente cheio de si; estão dominados por sentimentos de egoísmo, de ambição e de vaidade, apostam tudo nos bens materiais, mesmo que isso implique explorar e roubar as viúvas e os pobres... Na verdade, no seu coração não há lugar para Deus e para os outros irmãos; só há lá lugar para os seus interesses mesquinhos e egoístas. Eles são a antítese daquilo que os discípulos de Jesus devem ser; não apreciam os valores do Reino e, dessa forma, não podem integrar a comunidade do Reino. Podem ter atitudes que, na aparência, são religiosamente correctas, ou podem mesmo ser vistos como autênticos pilares da comunidade do Povo de Deus; mas, na verdade, eles não fazem parte da família de Deus. Nunca é demais reflectirmos sobre este ponto: quem vive para si e é incapaz de viver para Deus e para os irmãos, com verdade e generosidade, não pode integrar a família de Jesus, a comunidade do Reino. • Jesus ensina-nos, neste episódio, a não julgarmos as pessoas pelas aparências. Muitas vezes é precisamente aquilo que consideramos insignificante, desprezível, pouco edificante, que é verdadeiramente importante e significativo. Muitas vezes Deus chega até nós na humildade, na simplicidade, na debilidade, nos gestos silenciosos e simples de alguém em quem nem reparamos. Temos de aprender a ir ao fundo das coisas e a olhar para o mundo, para as situações, para a história e, sobretudo, para os homens e mulheres que caminham ao nosso lado, com o olhar de Deus. É precisamente isso que Jesus faz. • Uma das críticas que Jesus faz aos doutores da Lei é que eles se servem da religião, da sua posição de intérpretes oficiais e autorizados da Lei, para obter honras e privilégios. Trata-se de uma tentação sempre presente, ontem como hoje... Em nenhum caso a nossa fé, o nosso lugar na comunidade, a consideração que as pessoas possam ter por nós ou pelas funções que desempenhamos podem ser utilizadas, de forma abusiva, para "levar a água ao nosso moinho" e para conseguir privilégios particulares ou honras que não nos são devidas. Utilizar a religião para fins egoístas é um comércio ilícito e abominável, e constitui um enorme contra-testemunho para os irmãos que nos rodeiam. Fonte: “dehonianos.org/portal/liturgia”

sábado, 10 de novembro de 2018

SÁBADO - XXXI SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 10 NOVEMBRO 2018

SÁBADO - XXXI SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 10 NOVEMBRO 2018 Primeira leitura: Filipenses 4, 10-19. Paulo teve sempre uma excelente relação com a comunidade de Filipos: até aceitou ser ajudado por ela com bens materiais. Aqui manifesta a sua alegria, não só pelos dons recebidos, mas também pela caridade que eles pressupõem. E Paulo encontra-se num momento particularmente difícil da sua missão. Sublinhemos, em primeiro lugar, a liberdade apostólica de que Paulo se honra: poderia dispensar tudo, porque aprende a ser pobre com quem é pobre (vv. 11s.). Trata-se de uma liberdade radical que todavia não se subtrai aos vínculos da comunhão, gerada na caridade. Mas é sobretudo a caridade dos filipenses, como sinal da caridade de Cristo, que inspira esta página. Paulo pôs todo o seu empenho apostólico para alcançar este ideal. O que mais buscou foi aquele dom que, por meio da escuta da Palavra e da fé, os liga a Cristo, seu Salvador. A passagem é do dom oferecido ao Apóstolo, para o dom recebido de Deus: resulta uma relação tripla que liga o doado ao doador por meio daquele que se fez servidor de ambos. E é bom notar que a alegria do Apóstolo vem, em primeiro lugar, da verificação de que, agindo assim, os crentes vivem em plenitude aquele humanismo cristão que foi descrito nos vv. 8s. deste mesmo capítulo. Evangelho: Lucas 16, 9-15 Depois de contar a parábola do administrador desonesto, Jesus toma a palavra para explicitar a doutrina. Primeiro, refere-se à morte, momento no qual o dinheiro perderá todo o seu interesse, pois nos será tirada a administração de qualquer bem (v. 9). Depois, vem o convite à fidelidade, frente ao perigo da infidelidade (vv. 10s.). Trata-se de um discurso sapiencial, com que Jesus procura a nossa adesão livre e alegre ao ideal da pobreza evangélica. Se a caridade não se ligar à pobreza, dificilmente terá as características de um ideal evangélico. Jesus também enuncia uma verdade apodíctica: «Servo algum pode servir a dois senhores... Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (v. 13). O discípulo de Cristo não tem alternativa. O amor por um implica o ódio pelo outro. O amor por um implica o serviço, porque o amor que não se torna serviço não é verdadeiro. Foi o que Jesus mostrou com a sua vida, antes de o dizer com palavras. Por fim, Jesus convida à humildade, diante dos fariseus que se têm por «por justos aos olhos dos homens» (v. 15). Caridade, serviço e humildade não pode separar-se, sob pena de perderem todo o valor diante de Deus. As leituras de hoje apresentam-nos um exemplo de fidelidade e de generosidade que contém um ensinamento importante: para ser fiéis ao chamamento de Deus é preciso ser desapegados e generosos. Só então Deus nos poderá «confiar o verdadeiro bem» (v. 11). Os filipenses foram generosos com Paulo que estava na prisão. Poderiam não tê-lo sido. Mas foram e enviaram Epafrodito para lhe levar as ofertas recolhidas. Paulo agradece cordialmente, não tanto por causa dos dons, mas por causa da caridade que eles significam: «É grande a alegria que sinto no Senhor por, finalmente, terdes feito com que desabrochasse o vosso amor por mim» (Fl 4, 10). Delicadamente, o Apóstolo acrescenta que, o que mais o conforta, é que esses dons redundem em vantagem para eles e que o seu amor fraterno seja «um odor perfumado, um sacrifício que Deus aceita e lhe é agradável» (Fl 4, 18). Os sentimentos de Paulo são próprios de quem está desapegado dos seus interesses pessoais e preocupado com o bem dos outros. É assim o amor cristão: amar e servir. Servir com humildade. Traduzir o amor em gestos concretos de atenção para com os outros. Se amamos o dinheiro, tornamo-nos escravos dele. Se nos servirmos dele para nós e para os outros, pomo-lo ao serviço da caridade. Este serviço há-de ser universal, isto é, prestado a todo aquele que precisar, tendo sempre diante dos olhos Aquele por amor de quem o fazemos. Vivendo o amor, e traduzindo-o em obras, preparamo-nos para a morte, para o encontro com o Senhor junto do Qual viveremos para sempre. Quem aprende a servir por amor prepara-se para bem morrer. Senhor, que eu não tema a pobreza, nem anseie pela riqueza; que não tema a morte, nem deseje a vida, a não ser para tua glória. Que eu não caia na ilusão de me apoiar nas minhas forças, mas unicamente me apegue à tua palavra, meu cajado, minha segurança, meu porto seguro. Ainda que o mundo se torne um caos maior do que é, tenho na Escritura a bússola segura. Aí encontro a verdadeira sabedoria que me há-de conduzir ao êxito; aí encontro a verdadeira luz, que me há guiar, com todos os meus irmãos e irmãs para o Dia sem ocaso. Fonte: F. Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia”

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

SEXTA-FEIRA XXXI SEMANA - - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 9 NOVEMBRO 2018

SEXTA-FEIRA XXXI SEMANA - - TEMPO COMUM - ANOS PARES - 9 NOVEMBRO 2018 Primeira leitura: Filipenses 3, 17 - 4,1 Paulo apresenta aos filipenses, que querem tornar-se discípulos do Crucificado, dois caminhos possíveis: a dos «inimigos da cruz de Cristo» (3, 18), isto é, aqueles cujo «Deus é o ventre, e põem a glória na sua vergonha» (v. 19) e estão absorvidos pelos seus interesses terrenos. Para estes «o seu fim é a perdição» (v. 19ª). Entrevemos um grupo de cristãos que, apesar da experiência feita, se esqueceram do baptismo recebido e enveredaram por uma experiência de vida contrária ao Evangelho. O outro caminho é o daqueles que se mantiveram fiéis à «regra de vida» que aprenderam de Paulo. O Apóstolo não hesita em apresentar-se como «exemplo» (v. 17), não tanto por causa dos seus dons naturais, mas por causa do dom de graça que recebeu no caminho de Damasco e que revolucionou completamente a sua vida, dando-lhe um novo rumo: novo da novidade de Cristo morto e ressuscitado. Os fiéis de Filipos são convidados a fazer uma opção livre e consciente não só em virtude do seu exemplo, mas, sobretudo, em virtude da esperança na cidade que «está nos céus» e da qual «esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo» (v. 20). É tal o bem que espero (a pátria celeste, a alegria indefectível e a comunhão amorosa) que toda a pena me dá gozo (a batalha dura que cada um é chamado a travar nesta terra). Estamos perante a dinâmica do «já» e do «ainda não». Evangelho: Lucas 16, 1-8 Só tendo presente o contexto de todo o capítulo, que tem o seu centro no v. 14 («Os fariseus, como eram avarentos, ouviam as suas palavras e troçavam dele»), podemos compreender o pensamento de Jesus nesta parábola. A primeira parábola (vv. 1-8) ensina o modo correcto de usar os bens; a segunda parábola (vv. 19-31) ensina como não devem ser usados. Em ambas, a lição recai sobre o amor ao dinheiro. Na primeira parábola, o louvor do administrador infiel pode causar espanto ou mesmo escândalo; mais adiante Lucas compara Deus a um juiz injusto (Lc 18, 1-8); em Mt 10, 16, os discípulos são convidados a ser espertos como as serpentes. Mas não havemos de nos escandalizar: Jesus não nos dá por modelo um qualquer vigarista ou fulano astuto. Pelo contrário, lembra-nos que somos responsáveis pelos bens que não são exclusivamente nossos, mas que devemos considerar dons de Deus e, portanto, tratar com prudência e com audácia dignas de filhos de Deus. Ao fim e ao cabo, Jesus quer que os filhos da luz, na sua caminhada terrena, sejam mais sagazes do que os filhos deste mundo (v. 8b). A sagacidade de que fala Jesus é directamente funcional ao desejo e à consecução do verdadeiro bem. As parábolas que Jesus nos conta, hoje, pretendem fazer pensar e tomar decisões arrojadas. Se queremos ser discípulos do Senhor, não podemos esquivar-nos a responder, ou tentar fugir ao cumprimento dos nossos deveres. É preciso, em primeiro lugar, aceitar confrontar-se com os filhos deste mundo. Muitas vezes somos convidados a ter coragem, não só diante das propostas divinas, mas também diante daqueles que nada querem com Jesus Cristo e o seu Evangelho. É precisa a audácia de quem sabe ser depositário de uma mensagem superior a qualquer outra e de uma promessa que não será retirada. O capítulo 16 de Lucas, na sua globalidade, sugere-nos outro convite, que torna concreta a nossa coragem evangélica: considerar como nossos primeiros e mais caros amigos os pobres. Se chegarmos a isso, seremos realmente «espertos», à maneira de Jesus. Foi por essa esperteza que o administrador desonesto foi louvado por Jesus. A decisão por Jesus, e pelo amor para com o próximo, é urgente, porque a hora da morte está perto. É preciso esperá-la com serenidade, tal como Paulo. Aliás, não esperamos a morte, mas o Salvador, o Senhor Jesus. Esperamo-lo como Ressuscitado, como vencedor da morte, como aquele que transfigurará o nosso corpo à imagem do seu corpo glorioso. A nossa espera está cheia de confiança, desde que vivamos como cidadãos do céu: «a cidade a que pertencemos está nos céus» (Fl 3, 20). Viver como cidadãos dos céus não quer dizer viver nas nuvens, mas viver na caridade, na esperança, na fé. Viver como cidadãos dos céus significa encontrar o Senhor em cada momento, em cada acto da nossa vida. Então, Ele assume-os e transforma-os. Vivendo assim, aguardamos serenamente a morte, sabendo que Jesus já foi transfigurado pela sua morte de cruz e que esse evento já venceu o último obstáculo, tornando-o ocasião de triunfo para Deus e de salvação para nós. Escreve Paulo aos romanos: «Se Deus é por nós, quem será contra nós? Ele, que não poupou o próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não havia de nos dar também, com Ele, todas as coisas?... Quem poderá separar-nos do amor de Cristo?... Em tudo isto, somos nós mais que vencedores por Aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida..., nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, Nosso Senhor» (Rm 8, 31.32.35.37-39). Fonte. F. Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia/”

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

QUINTA-FEIRA - XXXI SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES

QUINTA-FEIRA - XXXI SEMANA - TEMPO COMUM - ANOS PARES 8 NOVEMBRO 2018 Primeira leitura: Filipenses 3, 3-8ª Paulo inicia a parte exortativa da carta aos filipenses com um resumo autobiográfico para tentar mover aqueles que se fecham ao apelo evangélico e procuram denegrir a sua pessoa e a sua missão. Assim se compreende o carácter polémico desta página. O Apóstolo aproveita a ocasião para apresentar a todos, e não só aos filipenses, a sua origem hebraica, a sua vocação apostólica e a sua fidelidade à mesma. Paulo faz-nos compreender que, para compreendermos as suas cartas, é preciso ter em conta o evento do caminho de Damasco, que marca a sua conversão e o começo da sua missão. O encontro com Cristo revolucionou completamente o seu modo de ver as coisas e os seus critérios de avaliação dos acontecimentos e das pessoas. Acima de tudo e de todos, para ele, está Cristo Senhor em quem havemos de acreditar, que envia em missão e que, sobretudo, temos de amar. Paulo di-lo com uma frase muito significativa: «considero mesmo que tudo isso foi uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor» (v. 8). Este é o único lugar, nas cartas paulinas, onde aparece o pronome possessivo «meu» junto ao título cristológico «Senhor». O pronome indica, não só que Paulo se encontrou com Cristo ressuscitado, mas também a grande intimidade que alcançou com Ele. Evangelho: Lucas 15, 1-10 Estamos no coração do evangelho de Lucas. É no capítulo 15 que o segundo evangelista concentra a mensagem principal da sua obra: o evangelho da misericórdia. Ao mesmo tempo, Lucas aproxima-se o mais possível do Jesus histórico, que veio anunciar e incarnar, no meio de nós, o amor misericordioso do Pai. Lucas começa por apresentar o contexto histórico (vv. 1-3) em que Jesus contou as três parábolas. Os publicanos e pecadores vinham «para o ouvirem» (v. 1). Os fariseus e os escribas «murmuravam» contra ele. As parábolas da ovelha perdida e da dracma perdida - com a do pai misericordioso, que Jesus apresenta como ícone de Deus-Pai - devem ser interpretadas à luz desse contexto histórico, pois iluminam a situação daquilo ou de quem estava perdido e a alegria de quem pôde encontrar o que estava perdido. A alegria do homem serve para falar da alegria de Deus. Lucas sublinha três vezes essa alegria do Pai, que tanto amou o mundo que lhe deu o seu Filho, tirando desse dom a máxima alegria para Si. A primeira leitura dá-nos matéria para uma reflexão sofre a pobreza espiritual como atitude diante das nossas qualidades e dos bens materiais. Esta pobreza aproxima-nos de Deus. Pelo contrário, a riqueza espiritual separa-nos de Deus e dos outros, porque nos faz sentir auto-suficientes. Confiamos nas coisas que temos, confiamos nas nossas qualidades, e pensamos que não precisamos de Deus nem dos outros. Por vezes até somos levados a julgar-nos superiores aos demais. Todos estes bens, espirituais ou materiais, que nos levam à auto-suficiência e ao orgulho, são chamados «carne» por Paulo. O Apóstolo tinha motivos para se julgar auto-suficiente e ser orgulhoso. Mas preferiu tornar-se mendigo da salvação para a receber de Cristo, como quem depende da sua misericórdia e não se julga melhor que os outros. Cristo é o dom gratuito de Deus, dom que ninguém merece, dom gratuito, que nos foi dado unicamente pela misericórdia divina. Esta pobreza espiritual é fonte de alegria, porque nos permite conhecer a Cristo e fazer dele o valor supremo da nossa vida, tal como Paulo. O conhecimento de Cristo dá-nos alegria, não uma alegria exterior e efémera, mas uma alegria profunda e duradoira, que cresce na medida em que é partilhada com os outros. Paulo partilha a sua alegria com os filipenses. Trata-se de uma alegria semelhante àquela que sente o Pai do céu, quando um pecador se converte; trata-se da alegria do Bom Pastor, pronto a dar a vida pela salvação de um só pecador; mas também se trata da alegria que nos vem de sabermos que temos no céu um Pai misericordioso, de termos em Cristo um mediador compassivo e amoroso, e de sabermos que temos na terra alguém que dele recebeu o ministério de perdoar os nossos pecados, para que aprendamos a ser compreensivos e misericordiosos com os nossos irmãos. Cada um de nós, na vida comunitária ou no ministério, há-de ter sempre diante dos olhos Cristo pobre, manso e humilde de coração, para não sucumbir aos desejos de riqueza, de auto-suficiência, de domínio, para estar livre de preconceitos, de simpatias e antipatias e de tantas paixões que tão facilmente se desenvolvem no coração humano, se não estiver cheio do Espírito de Deus. Fonte: F. Fonseca em “dehonianos.org/portal/liturgia”