segunda-feira, 28 de maio de 2018

CELEBRAÇÃO DE ACÇÃO DE GRAÇAS EM MULIQUELA PELA BEATIFICAÇÃO DA IRMÃ LEONELLA SGORBATI


CELEBRAÇÃO DE ACÇÃO DE GRAÇAS EM MULIQUELA PELA BEATIFICAÇÃO DA IRMÃ LEONELLA SGORBATI

No Domingo 27 de Maio de 2018, na Paróquia/Santuário de N. S. de Fátima de Muliquela – ILE- D. Francisco Lerma Martínez, Bispo da Diocese de Gurúè, presidiu à Eucaristia de Acção de Graças pela Beatificação da Irmã LEONELLA SGORBATI, mártir do perdão, missionária da Consolata. Concelebraram com o Bispo o Pe. Agostinho Vasconcelos, Director do Secretariado Diocesano da Coordenação Pastoral e os sacerdotes Pe. Pedro Esquadro, pároco da referida Paróquia e o Pe. Santos Víctor Santos, Vigário Paroquial.

Participaram as Irmãs Missionárias da Consolata, residentes na comunidade local de Muliquela, irmãs Filhas da Visitação de Nossa Senhora de Gurúè, e numerosos fiéis da comunidade local.

A celebração foi precedida da leitura por parte da Irmã Roselda, MC, de texto da Direcção Geral das Missionárias da Consolata preparado para o efeito.

QUEM É A BEATA LEONELLA SGORBATI?

Mulher de sorriso contagiante, capaz de despertar a confiança também nas situações mais complicadas, a Irmã Leonella Sgorbati, - Rosa, nome de Baptismo -, nasceu em 09.12.1940, em Rezzanello de Gazzola (Piacenza), na Itália.

No dia 22.11.1965, Leonella consagra-se ao Senhor da Vida, para que muitos “tenham vida em plenitude” (Jo 11.10). Torna-se, então, Irmã Missionária da Consolata, no modelo que o Bem-Aventurado José Allamano queria.

Como obstetra, gastou a sua vida ao lado das mães e dos cerca de quatro mil recém nascidos que ajudou vir ao mundo; e, como professora, a serviço da formação de centenas de enfermeiros/as.

Depois de 26 anos de vida missionária no Quénia, em 2012, se reuniu à pequena comunidade das Irmãs Missionárias da Consolata em Mogadiscio, na Somália, para abrir um Centro de Treinamento de Enfermagem para rapazes e jovens somalis, em parceria com Aldeias Infantis, SOS.

Ela estava ciente da situação instável e perigosa do País, dominado por extremistas islâmicos, mas era entusiasta com a possibilidade de dirigir um Centro para preparar futuros enfermeiros/as para o único hospital na Somália.

Foi assassinada, juntamente com seu guarda-costas, Mohamed Mahhamud, em 17.09.2006.
Banhou com seu sangue uma das terras mais sofridas do mundo, a Somália. Foi proclamada Bem – Aventurada, na terra onde nascera, Piacenza – Itália, no dia 26.05.2018.

O seu sussurro “Eu perdoo, perdoo, perdoo…” faz dela testemunha universal da força transformadora do perdão e intercessora de todos os que suplicam e constroem a paz!

Ao proclamar a Ir. Leonella Bem – Aventurada, a Igreja a declara feliz, segundo a lógica do Evangelho de Jesus: a felicidade plena!- Bem-Aventurada Leonella Sgorbati, rogai por nós!

2ª FEIRA – VIII SEMANA –TEMPO COMUM – ANOS PARES
28 MAIO 2018 

Primeira leitura: 1 Pedro 1, 3-9

A Primeira Carta de Pedro começa com um hino de louvor a Deus pela obra da regeneração da humanidade realizada na ressurreição de Cristo. Este hino é também uma espécie de credo abreviado, que dava ânimo e optimismo aos cristãos, no seu esforço de fidelidade, quando enfrentavam as primeiras dificuldades. Deus precedera-os nesse esforço, – tinha-os regenerado pela ressurreição de Cristo de entre os mortos, estava com eles, e tinha-lhes reservada nos céus uma herança incorruptível.

A regeneração para uma «esperança viva», realizada por Deus, permitia-lhes perseverar no bem (cf. 4, 119) e dar um bom testemunho de Cristo, tanto na alegria como na dor.

A fé introduz-nos no domínio de Deus omnipotente, que protege e apoia na batalha os que estão encaminhados para a salvação, para a manifestação do Senhor da glória (1, 9). 

A linha de continuidade e a distinção entre a regeneração já acontecida e já presente como herança em Cristo glorioso, e a manifestação que acontecerá quando Ele se manifestar, estrutura o tempo da fé. Este tempo caracteriza-se pela não-visão, entretecida de esperança na caridade. Amar e acreditar sem ver é um caminho que leva à purificação da fé e do amor, a nível pessoal e comunitário.

Evangelho: Marcos 10, 17-27

O diálogo entre Jesus e o homem rico é referido pelos três sinópticos. Mas a versão de Marcos apresenta alguns pormenores interessantes: o homem ajoelha-se diante de Jesus (v. 17); Jesus verifica que se trata de um homem religiosamente sincero e, por isso, sente afeição por ele e fala-lhe (v. 21); tendo ouvido as palavras de Jesus, o homem ficou de semblante anuviado e retirou-se pesaroso (v. 22).

Jesus está a caminho de Jerusalém. A pergunta deste israelita praticante é séria. Mas Jesus apresenta-lhe uma proposta mais vasta: despojar-se dos seus bens e aderir à comunidade dos discípulos. Assim daria prova da sinceridade com que buscava a vida eterna. Mas o homem, que «tinha muitos bens» (v. 22), não é capaz de dar essa prova. Jesus aproveita a ocasião para sublinhar que as riquezas são um grave obstáculo para entrar no reino de Deus, porque impedem de centrar o coração e os afectos em Deus, de tender para Ele, que é o fim de todos e cada um dos mandamentos e prescrições.

Os discípulos ficam espantados, pois sabem que Jesus não quer uma comunidade de esfarrapados Mas o Senhor repete a afirmação servindo-se da riqueza metafórica oriental: «É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus» (v. 25). «Quem pode, então, salvar-se?» (v. 26), perguntam os discípulos. Então, Jesus acrescenta: «Aos homens é impossível, mas a Deus não; pois a Deus tudo é possível» (v. 27).

É a «teologia da gratuidade», característica do segundo e evangelho, e em consonância com o pensamento paulino (cf. Rm 11, 6; Ef 2, 5; 1 Cor 15, 10; etc.). Jesus coloca-se numa posição oposta ao «automatismo farisaico», que supunha que o cumprimento de certas regras de pobreza assegurava a vida eterna. Mas nada deve ser absolutizado. Só Deus é absoluto.

No começa da sua primeira Carta, Pedro fala-nos da vida celeste. Ocupados e preocupados com tantas coisas, nem sempre temos presente essa «esperança viva» que Deus acendeu em nós pela ressurreição do seu Filho Jesus Cristo. 

O Apóstolo exulta, e não encontra adjectivos suficientes para qualificar essa «herança incorruptível… reservada no Céu para nós» (v. 4).
No evangelho, Jesus promete esse tesouro ao homem rico, que deseja alcançá-lo: «vai, vende tudo o que tens…; depois, vem e segue-me» (v. 21).
Mas este homem não estava animado pela «esperança viva», nem disposto a obedecer a Jesus Cristo e receber a aspersão do seu sangue (cf. 1 Pe 1, 2). Confiava mais em si mesmo, no seu voluntarismo, no seu próprio projecto de santidade, do que no dom gratuito da regeneração realizada pela ressurreição do Senhor.

Por isso, não teve coragem para deixar tudo e seguir Jesus. Retirou-se «de semblante anuviado» (v. 22). Jesus, a quem o Pai quer que obedeçamos, é Aquele que nos alimenta com o seu sangue e nos pede que O sigamos para que se cumpra o desígnio de Deus.

Seguir a Jesus é caminhar na comunidade de salvação que o seu Espírito vivifica.

Para ser verdadeiro discípulo, preciso de discernir o Caminho por onde avança o povo de Deus, obedecer àqueles que foram designados para autenticar a rota e as suas exigências concretas, trabalhar e colaborar no projecto comum, pôr ao serviço de todos os dons e carismas recebidos.

Ninguém vive para si mesmo e ninguém morre para si mesmo. Ser discípulo implica fé em Cristo, o «pastor» invisível do rebanho (1 Pe 5, 4), e docilidade para caminhar com Ele. Obedecer é alimentar-se do seu sangue, que recebemos na Igreja, e perseverar na partilha da missão comum. A única riqueza do crente é Jesus.

Cristo convida-nos à bem-aventurança dos pobres, no abandono filial ao Pai (cf. Mt 5,3). Recordaremos o seu insistente convite: «Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres; depois vem e segue-Me» (Mt 19,21)» (n. 44). A pobreza de Cristo foi uma "graça" para nós (cf. 2 Cor 8, 9); também nós havemos de nos tornar uma «graça» para Deus e para os irmãos: uma «graça… em favor dos santos» (cf. 2 Cor 8, 2-4).

Senhor, hoje quero pedir-te a graça de procurar a esperança viva que me ofereceste na tua Ressurreição. Que essa esperança viva me dê forças para ultrapassar as dificuldades, para me desapegar alegremente de tudo quanto me impede ou dificulta caminhar para a herança incorruptível, imaculada e indefectível que me reservas no Céu.

Dá-me, sobretudo, a graça de me desapegar de mim mesmo: dos meus pensamentos, dos meus projectos, dos meus desejos para assumir os teus. Então serei repleto da alegria indizível e gloriosa de que fala o teu Apóstolo Pedro, essa alegria que vem de Ti, meu bom Jesus, fonte viva de felicidade eterna.
Fonte: Adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia/”

domingo, 27 de maio de 2018

PROFISSÃO PERPÉTUA DE RAIMUNDO ADRIANO MÁRIO


PROFISSÃO PERPÉTUA DE RAIMUNDO  ADRIANO MÁRIO

No passado Sábado, 26 de Maio do corrente ano, na Paróquia São Carlos Lwanga de Gurúè, o irmão RAIMUNDO ADRIANO MÁRIO, da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus “Dehonianos”, estudante finalista de Teologia, fez a sua Profissão Perpétua, durante a Celebração da Eucaristia, presidida por D. Francisco Lerma Martínez, Bispo da Diocese de Gurúè.
Recebeu os Votos o Pe. Alessandro Capoferri, Superior Provincial dos Dehonianos em Moçambique.

Participaram na cerimónia os padres do professando, os seus confrades vindos das comunidades dehonianas de Gurúè, Alto Molócuè, Quelimane, Nampula, Matola e Maputo, e numerosos fiéis da Paróquia de S. Carlos Lwanga e amigos.

Biografia 

Raimundo Adriano Mário, nasceu aos 21 de Outubro de 1981, no Distrito de Marromeu na Província de Sofala. Foi baptizado no dia 20 de Junho de 1982.

De 1994 a 2000 fez o Ensino Primário na Escola 25 de Junho en Nauela (Alto Molócuè). De 2001 a 2004, fez o Ensino do nível Básico na Escola Secundária Geral de Alto Molócuè; de 2005 a 2007, fez o nível médio no Seminário Inter-diocesano Santo Agostinho de Quelimane; de 2008 a 2010 fez os Estudos de Filosofia no Seminário Filosófico Santo Agostinho da Matola. E em 2010 fez o Postulantado na Matola-Fomento.

Em 2012 fez o Noviciado em Milevane (Alto Molócuè); em 2013 foi à África do Sul para aprender a língua inglesa, onde de 2014 a 2017, fez os Estudos de Teologia no Instituto Teológico São José –Cedara. 

Actualmente encontra-se em Milevane, fazendo parte desta comunidade.

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE – ANO B


SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE – ANO B

A Solenidade que hoje celebramos é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

Na primeira leitura (Deut 4,32-34.39-40), Jahwéh revela-se como o Deus da relação, empenhado em estabelecer comunhão e familiaridade com o seu Povo. É um Deus que vem ao encontro dos homens, que lhes fala, que lhes indica caminhos seguros de liberdade e de vida, que está permanentemente atento aos problemas dos homens, que intervém no mundo para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime e para nos oferecer perspectivas de vida plena e verdadeira.
Trata-se de um Deus capaz de amar os homens e de aceitar, com misericórdia, as nossas falhas. A Solenidade da Santíssima Trindade é, antes de mais, um convite a descobrir o verdadeiro rosto de Deus.

Esta leitura  dá-nos algumas pistas para perceber Deus e para reconhecer o seu verdadeiro rosto.
Por vezes, ao longo da nossa caminhada pela vida, sentimo-nos sós e perdidos, afogados nas nossas dúvidas, misérias e dramas, assustados e inquietos face ao rumo da vida. Mas a certeza da presença amorosa, salvadora e reconfortante de Deus deve ser uma luz de esperança que ilumina o nosso caminho e que nos permite encarar cada passo da nossa existência com alegria e serenidade.
Só n’Ele o homem encontra a verdadeira vida e a verdadeira liberdade. Esta afirmação convida-nos a reflectir sobre o papel que outros “deuses” desempenham na nossa existência: o dinheiro, o poder, a fama, o sucesso, o reconhecimento social.

As propostas de Deus são o caminho seguro para a felicidade e para a realização plena do homem. Os mandamentos não são propostas destinadas a limitar a nossa liberdade , mas são sugestões de um Deus que nos ama, que quer a nossa felicidade e realização plena e não desiste de nos indicar o caminho para a verdadeira vida.

A segunda leitura (Romanos 8,14-17) :o Deus em quem acreditamos é um Deus que acompanha com paixão a caminhada da humanidade e que não desiste de oferecer aos homens a vida plena e definitiva.

O nosso Deus é o Deus da relação, apostado em vir ao encontro dos homens, em oferecer-lhes vida, em integrá-los na sua família, em amá-los com amor de Pai, em torná-los herdeiros da vida plena e definitiva.

Há, na nossa vida, momentos de solidão e de desespero, em que procuramos Deus e não conseguimos descortinar a sua presença; mas, sobretudo nesses momentos dramáticos, é preciso não esquecer que Deus nunca desiste dos seus filhos e que nenhum de nós Lhe é indiferente.
Os membros da comunidade cristã pelo Baptismo integram a família de Deus. O fim último da nossa caminhada é a pertença à família trinitária.

Esta “vocação” deve expressar-se na nossa vida comunitária. A nossa relação com os irmãos deve reflectir o amor, a ternura, a misericórdia, a bondade, o perdão, o serviço, que são as consequências práticas do nosso compromisso com a comunidade trinitária.

No Evangelho  (Mt 28,16-20) Jesus dá a entender que ser seu discípulo é aceitar o convite para se vincular com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os discípulos de Jesus recebem a missão de testemunhar a sua proposta de vida no meio do mundo e são enviados a apresentar, a todos os homens e mulheres, sem excepção, o convite de Deus para integrar a comunidade trinitária.
Este texto evangélico foi escolhido para o dia da Santíssima Trindade, pois nele aparece uma fórmula trinitária usada no baptismo cristão (“em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”).

Sugere, antes de mais, que ser baptizado é estabelecer uma relação pessoal com a comunidade trinitária… No dia em que fomos baptizados, comprometemo-nos com Jesus e vinculamo-nos com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Quem acolheu o convite de Deus (apresentado em Jesus) para integrar a comunidade trinitária, torna-se testemunha, no meio dos homens, dessa vida nova que Deus oferece. O papel dos discípulos é continuar a missão de Jesus, testemunhar o amor de Deus pelos homens e convidar os homens a integrar a família de Deus.

A missão que Jesus confiou aos discípulos é uma missão universal: (as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas). Todos os homens e mulheres, sem excepção, têm lugar na família de Deus.
“Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos.

A celebração da Solenidade da Trindade deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto, comunidade.
A natureza divina de um Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa linguagem imperfeita das três pessoas. O Deus família torna-Se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue “dizer” o indizível, não consegue definir cabalmente o mistério de Deus.
 
Fonte: Adaptação local de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia/”