segunda-feira, 20 de novembro de 2017

ORDENAÇÃO SACERDOTAL DE FR. SÉRGIO JOSÉ CÉSAR

No passado Domingo, 19 de Novembro do corrente ano, na Paróquia de Nossa Senhora de Lurdes de Mulevala, Distrito de Mulevala, D. Francisco Lerma Martínez, Bispo de Gurúè, ordenou presbítero o diácono FREI SÉRGIO JOSÉ CÉSAR, dos Frades Menores Capuchinhos.

O neo-sacerdote nasceu em Ile-Sede, aos 28 de Julho de 1980.
Houve uma garnde representação da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos da Custódia Geral de MOçambique, a que pertencem Fr. Ségio, da vizinha Diocese de Quelimane, onde actualmente exerceo ministério pastoral e de colegas e amigos da Diocese de Nampula.

HOMILIA DE DOM FRANCISCO 


33º Domingo do Tempo Comum – Ano A. ORDENAÇÃO SACERDOTAL. DIA MUNDIAL DOS POBRES
Vários acontecimentos eclesiais envolvem a nossa a nossa celebração hoje. A nível local, a nível da Igreja em Moçambique e a nível da Igreja universal e a nível do Ano Litúrgico.
I.- A NIVEL DO ANO LITÚRGICO
Estamos já nas duas últimas semanas do Ano Litúrgico, no Domingo Trigésimo Terceiro do Tempo Comum Ano A, a ele se serem as Leituras que serão proclamadas:
A liturgia deste  Domingo recorda a cada cristão a grave responsabilidade de ser, no tempo histórico em que vivemos, testemunha consciente, activa e comprometida desse projecto de salvação/libertação que Deus Pai tem para todas as pessoas.


A primeira leitura (Prov 31,10-13.19-20.30-31), apresenta, na figura da mulher virtuosa, alguns dos valores que asseguram a felicidade, o êxito, a realização. O “sábio” autor do texto propõe, sobretudo, os valores do trabalho, do compromisso, da generosidade, do “temor de Deus”. Não são só valores da mulher virtuosa: são valores de que deve revestir-se o discípulo que quer viver na fidelidade aos projectos de Deus e corresponder à missão que Deus lhe confiou.
Na segunda leitura, (1 Tes 5,1-69),  Paulo deixa claro que o importante não é saber quando virá o Senhor pela segunda vez; mas é estar atento e vigilante, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus, testemunhando os seus projectos, empenhando-se activamente na construção do Reino.
O Evangelho (Mt 25,14-30),  apresenta-nos dois exemplos opostos de como esperar e preparar a última vinda de Jesus. Louva o discípulo que se empenha em fazer frutificar os “bens” que Deus lhe confia; e condena o discípulo que se instala no medo e na apatia e não põe a render os “bens” que Deus lhe entrega (dessa forma, ele está a desperdiçar os dons de Deus e a privar os irmãos, a Igreja e o mundo dos frutos a que têm direito).

II.- A NÍVEL DA IGREJA EM MOÇAMBIQUE.
Na  Segunda Feira passada, os Bispos de Moçambique, concluímos  a 2ª SESSÃO PLENÁRIA DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL, e enviamos um COMUNICADO  Às COMUNIDADES CRISTÃS E A TODOS OS HOMENS DE BOA VONTADE,
<Preocupa-nos a situação sócio – política e económica do nosso País no momento presente.
Entre as várias feridas que fazem sofrer o nosso povo verificamos a prevalência da corrupção e a violência generalizada; o aumento da pobreza em contraste com a acumulação da riqueza nas mãos de poucos; a falta de esclarecimento das dívidas ocultas e a devida responsabilização dos autores; o abuso nos recursos da natureza pela desflorestação, mineração e conflitos de terra; o desemprego que aumenta a instabilidade e desesperança na juventude; a fragilidade da paz, sinal de falta duma verdadeira reconciliação baseada na justiça, respeito dos direitos humanos e na participação de todos os moçambicanos; e o excessivo números de mortes por causa dos acidentes de viação.
- Constatámos a necessidade de potenciar a Catequese, a formação ética, moral e espiritual, o trabalho pela reconciliação, a promoção da formação em doutrina social da Igreja e o testemunho de uma vida cristã coerente.
Reflectindo sobre a problemática juvenil, damos graças a Deus pelo aumento significativo do número de seminaristas. Entretanto, ficamos preocupados por constatarmos uma desorientação generalizada da juventude, talvez como consequência da degradação da vida familiar, que também conhece momentos muito difíceis.
III.- A NÍVEL DA IGREJA UNIVERSAL:  O DIA MUNDIAL DOS PIBRES com o lema: “”Não amemos com palavras, mas com obras” (1 Jo 3,18).
O Papa Francisco, no termo do Jubileu da Misericórdia, estabeleceu para o Domingo Trigéssimo Terceiro do Tempo Comum, o DIA MUNDIAL DOS POBRES, com o objectivo de que as comunidades cristãs – cada cristão- se tornem cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo. E Convida a Igreja inteira  e os homes e mulheres de boa vontade, a fixar o olhar em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade.
IV. E ANÌVEL LOCAL DESTA NOSSA CELEBRAÇÃO, A ORDENAÇAÕ PREBITERAL DE FREI SÉRGIO JOSÉ CÉSAR, membro da ORDEM DOS IRMÃOS NENORES CAPUCHINHOS DA CUSTÓDIA GERAL DE MOÇAMBIQUE, já diácono. Ele  é chamado agora para ser ordenado PRESBÍTERO da Igreja.
Reflictamos  sobre o significado desta celebração.
O Senhor Jesus é o único Sumo Sacerdote do Novo Testamento.
Todo o povo santo de Deus foi constituído povo sacerdotal.
 De igual modo, entre todos os seus discípulos, o Senhor Jesus quer escolher alguns deles em particular, para que exercendo publicamente na Igreja em seu nome o ofício sacerdotal a favor de todos os homens, continuem a sua missão pessoal de mestre, sacerdote e pastor. Foram eleitos pelo Senhor Jesus não para fazer carreira, mas para prestar este serviço.
De facto, do mesmo modo como Ele foi enviado para isto pelo Pai, assim Ele enviou por sua vez ao mundo primeiro os Apóstolos e depois os Bispos e os seus sucessores, aos quais por fim foram dados como colaboradores os presbíteros, os quais, a eles unidos no ministério sacerdotal, estão chamados ao serviço do Povo de Deus: para anunciar o Evangelho, apascentar o povo de Deus e celebrar os mistérios da nossa fé
Quanto a ti, diácono FREI SÉRGIO, que estás para ser promovido à ordem do presbiterado, considera que exercendo o ministério da Palavra serás partícipe da missão de Cristo, único Mestre:
 Dispensa a todos aquela Palavra de Deus, que tu mesmo recebeste com alegria. Lê e medita assiduamente a Palavra do Senhor, procura crer o que lês, ensinar o que crês e viver o que ensinas”.
a)     Em consequência, o teu ensinamento – alimento para o Povo de Deus- seja simples, como falava o Senhor, que chegava ao coração: “Não faças homilias demasiado intelectuais e difíceis de entender: fala de maneira simples, fala aos corações” (Papa Francisco). Então a tua pregação e o exemplo da vida serão verdadeiro alimento,  motivo de alegria e de amparo aos fiéis, porque a palavra sem o exemplo da vida para nada serve. A vida dupla é uma péssima doença, na Igreja (Papa Francisco).

b)    Continuarás a obra santificante de Cristo, porque unido ao sacrifício de Cristo, pelas tuas mãos, em nome de toda a Igreja, é oferecido sobre o altar. Por conseguinte, reconhece o que fazes, imita o que celebras. Esforça-te por fazer morrer em ti todo o mal. “Um presbítero que talvez tenha estudado muita teologia e obtido um, dois, três diplomas mas não aprendeu a carregar a Cruz de Cristo, não serve. Será um bom académico, um bom professor, mas não um sacerdote” (Papa Francisco).

c)     Com o Baptismo agregarás novos fiéis ao Povo de Deus. Com o Sacramento da Penitência perdoarás os pecados em nome de Cristo e da Igreja. Com palavras do Papa Francisco “Peço-te em nome de Cristo e da Igreja que sejas misericordioso sempre; que não carregues sobre os ombros dos fiéis pesos que não podem suportar, e nem sequer tu mesmo. Por isto Jesus reprovou os doutores da lei, chamando-os hipócritas (Papa Francisco).
Com o óleo santo darás alívio aos enfermos. Uma das tarefas do sacerdote é visitar os doentes. Pratica-la. “Sim, é bom, disse o Papa Francisco, que vão os fiéis leigos, os diáconos, - os catequistas, os animadores- mas não descuides de tocar a carne de Cristo sofredor nos doentes: isto santifica-te, aproxima-te de Cristo (Papa Francisco).
d)     Celebrando os ritos sagrados e rezando a Liturgia das Horas, oração da Igreja,  a oração de louvor e de súplica em nome de todo o povo, mesmo quando rezares sozinho, lembra-te de que foste assumido de entre os homens nas coisas que são de Deus, e serás  voz do Povo de Deus e da humanidade inteira.
Realiza com alegria e caridade sincera o ministério sacerdotal. E fá-lo jubiloso, nunca triste: “ Com a alegria do serviço de Cristo, até no meio dos sofrimentos, das incompreensões, dos próprios pecados” (Papa Francisco).
e)     Tem sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido mas para servir.
E terminando  também com palavras do Papa Francisco: “Não sejas «senhor», não sejas «clérigo, funcionário da Igreja, mas pastor, pastor do Povo de Deus” (cfr. Papa Francisco).

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

COMUNICADO DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE

COMUNICADO DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE

Às Comunidades cristãs e a todos os homens de boa vontade, paz e alegria no Senhor ressuscitado. Desejamos-vos a mesma paz e alegria que o Senhor, repetidas vezes, desejou e deu aos seus discípulos.

Queremos, através deste meio, exprimir a nossa comunhão convosco, manifestar-vos a nossa presença espiritual e partilhar convosco o fruto das nossas reflexões e deliberações sobre a nossa vida eclesial e social deste tempo.

De 7 a 12 de Novembro de 2017, nós, os Bispos Católicos da Conferência Episcopal de Moçambique, estivemos reunidos no Seminário Interdiocesano Filosófico de Santo Agostinho na Matola, na II Sessão da Assembleia Plenária de 2017.

Estiveram presentes todos os Bispos Diocesanos e dois Bispos Eméritos, Sua Eminência o Cardeal D. Júlio Duarte Langa e D. Januário Machaze. Participou pela primeira vez o Reverendo Padre Sandro Faedi, Administrador Apostólico da Diocese de Tete.

Na abertura da Sessão, D. Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo e Presidente da CEM, saudou todos os Bispos. O Senhor Núncio Apostólico, D. Edgar Peña Parra, no seu discurso de saudação transmitiu uma mensagem de encorajamento da parte do Santo Padre e partilhou alguns temas de particular importância para serem submetidos à consideração da CEM.

A primeira parte, a partir da leitura dos relatórios das Dioceses e das Comissões Episcopais e do Secretariado Geral da CEM e ajudados pela reflexão de um economista, consistiu na análise e reflexão da realidade sócio – política e económica do nosso País no momento presente.

CLIMA SOCIAL

Entre as várias feridas que fazem sofrer o nosso povo verificamos a prevalência da corrupção e a violência generalizada; o aumento da pobreza em contraste com a acumulação da riqueza nas mãos de poucos; a falta de esclarecimento das dívidas ocultas e a devida responsabilização dos autores; o abuso nos recursos da natureza pela desflorestação, mineração e conflitos de terra; o desemprego que aumenta a instabilidade e desesperança na juventude; a fragilidade da paz, sinal de falta duma verdadeira reconciliação baseada na justiça, respeito dos direitos humanos e na participação de todos os moçambicanos; e o excessivo números de mortes por causa dos acidentes de viação.

Da leitura dos relatórios constatámos a necessidade de potenciar a Catequese, a formação ética, moral e espiritual, o trabalho pela reconciliação, a promoção da formação em doutrina social da Igreja e o testemunho de uma vida cristã coerente.

A JUVENTUDE, A ANIMAÇÃO VOCACIONAL E OS SEMINÁRIOS

Reflectindo sobre a problemática juvenil, damos graças a Deus pelo aumento significativo do número de seminaristas nos seminários maiores e nas casas de formação das congregações religiosas. Entretanto, ficamos preocupados por constatarmos uma desorientação generalizada da juventude, talvez como consequência da degradação da vida familiar, que também conhece momentos muito difíceis.

PRÓXIMOS EVENTOS

Olhando para o futuro, apelamos a todos os fiéis a orar pelo sucesso dos próximos eventos eclesiais e a participar activamente em cada um deles.

Em 2018, celebraremos os seguintes:
- O 30º ano da Visita Papal de S. João Paulo II ao nosso País;
- Os 50 anos do Seminário Maior São Pio X.
- A realização da XIX Assembleia Nacional da Caritas Moçambicana.

Iniciaremos também a preparação da IV Assembleia Nacional de Pastoral, momento de fortalecimento da comunhão, de renovação espiritual e de conversão pessoal e comunitária da Igreja em Moçambique. Exortamos a todos a dar o seu melhor para o bom sucesso deste evento muito importante para a nossa Igreja e para toda a família moçambicana.

Apelamos igualmente a todos a unirmos e rezar pela próxima Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Juventude, que terá o seguinte tema: OS JOVENS, A FÉ E O DISCERNIMETO VOCACIONAL.

Nós pastores, unidos e solidários com o povo que sofre, exortamos a não perder a coragem mas caminhar na esperança que nasce da fé em Jesus Cristo Rei do Universo, como anuncia o profeta: “O Povo que andava nas trevas viu uma grande luz: sobre os que habitavam na sombra da morte resplandeceu a luz” (Is 9,2).

Com alegria do Nascimento do Salvador, desejamos Boas Festas de Natal e  Próspero Ano Novo.
                     Matola, 12 de Novembro de 2017       
+ Francisco Chimoio, ofmcap
Arcebispo de Maputo e Presidente da Conferência Espiscopal de Moçambique

domingo, 12 de novembro de 2017

VIVE HOJE A PALAVRA: «A SABEDORIA É UM ESPÍRITO BENEVOLENTE» (SB 1, 6).

Segunda-feira– XXXII Semana –Tempo Comum – Anos Ímpares
VIVE HOJE A PALAVRA:
«A SABEDORIA É UM ESPÍRITO BENEVOLENTE» (SB 1,
6).

Primeira leitura: Sabedoria 1, 1-7

O livro da Sabedoria. O autor começa por se dirigir aos reis da terra, mas, no fundo dirige-se a todos quantos querem participar no dom da sabedoria.
«Amai a justiça» (v. 1) é o primeiro convite. Amar a justiça implica a conformidade total, de pensamento, vontade e obras humanas, com a vontade divina, tal como ela se manifesta nos preceitos da Lei e na voz da consciência. O justo é sábio; o ímpio é insensato. Deus e a Sabedoria, e a insensatez/injustiça, repelem-se reciprocamente (cf. vv. 3.5). Os insensatos não acreditam e tentam pôr Deus à prova (v. 2ss.) Os «pensamentos perversos» levam os insensatos à morte, que a escolhem como amiga (cf. Sb 1, 16). Mas a sabedoria conduz à vida (cf. Jb 28, 28). A sabedoria é amiga dos homens (v. 6). Deus, que bem conhece o coração do homem, por Ele criado, é o único capaz de o guiar pelo caminho da vida, graças ao dom da Sabedoria.

Evangelho: Lucas 17, 1-6.

Lucas apresenta-nos três temas da pregação de Jesus: o escândalo, o perdão, a fé. É preciso considerá-los de modo unitário.
O discípulo deve ter a preocupação de não provocar escândalo, que leve alguém a afastar-se do caminho iniciado. Trata-se do caminho evangélico. Por isso, Jesus lança um dos seus «ai». O Mestre não pode aceitar o comportamento de quem põe em risco a sua salvação e compromete a dos outros, sobretudo a dos «pequenos» (v. 2). Se é preciso evitar o escândalo, também é preciso conceder o perdão a todos, a todo o custo (vv. 3-4). O perdão é sinal de verdadeiro amor. É no perdão que se revela o amor de Deus para connosco. Jesus, que é a incarnação histórica do amor de Deus, também oferece o perdão àqueles que dele precisam.
Ao terminar o ensinamento, Jesus elogia a fé que, ainda que seja pequena, pode mostrar toda a sua força, mesmo com um milagre. Os discípulos pedem um aumento da sua fé. Jesus responde-lhes falando da eficácia de uma fé genuína (v. 6).

«A sabedoria é um espírito benevolente», diz-nos a primeira leitura (v. 6). Este espírito guia-nos com suavidade e força, ensinando-nos o caminho para chegarmos a Deus, e para estabelecermos uma relação correcta com os outros.

O evangelho apresenta-nos Jesus, Sabedoria de Deus, simultaneamente severo e indulgente: «Ai daquele que causa escândalos! Melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem ao mar… Se o teu irmão te ofender sete vezes ao dia e sete vezes te vier dizer: ‘Arrependo-me’, perdoa-lhe.» (vv. 1-4).

Ao longo da nossa vida, é frequente deparar-nos com situações que exigem atitudes opostas. Nem sempre é fácil fazer um discernimento correcto sobre a altitude a tomar. Muitas vezes, o mais espontâneo é assumir atitudes exactamente opostas àquelas que o evangelho nos recomenda. Somos naturalmente indulgentes connosco. Quando provocamos escândalo, nem sempre nos damos conta disso. Mas, se nos dermos conta, facilmente nos desculpamos, dizendo que, afinal, não há motivos para escândalo. Mas, quando se trata dos nossos interesses, tornamo-nos muito severos. Se alguém nos ofende, achamos que se trata de uma enormidade, que naturalmente não podemos, nem devemos, tolerar nem perdoar. Também é fácil julgarmos, como coisa de pouca importância, aquilo que o Senhor julga com severidade. Pelo contrário somos severos com coisas que Ele olha com indulgência.

A Lei era estimada pelos Hebreus como um dos mais preciosos dons de Deus, que distinguia o Povo de Israel, pela sabedoria, de todos os outros povos, e que indicava o caminho da vida (cf. Sl 119(118). A nova lei, a lei do amor, dá ao novo povo de Deus uma sabedoria ainda maior, que lhe permite praticar sempre a justiça, porque «o amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará.» (1 Cor 13, 4-7).
Peçamos ao Senhor o dom da sabedoria para julgarmos correctamente, segundo os seus critérios, os critérios do amor.
Fonte: resumem e adaptação local de um texto de: "dehonianos.org/liturgia/portal"
 

sábado, 11 de novembro de 2017

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO "A". Subsídio para a reflexão e a liturgia



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XXXII  DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A

A liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum convida-nos à vigilância. Recorda-nos que a segunda vinda do Senhor Jesus está no horizonte final da história humana; devemos, portanto, caminhar pela vida sempre atentos ao Senhor que vem e com o coração preparado para o acolher.

A primeira leitura (Sab 6,12-1)  apresenta-nos a “sabedoria”, dom gratuito e incondicional de Deus para o homem. É um caso paradigmático da forma como Deus se preocupa com a felicidade do homem e põe à disposição dos seus filhos a fonte de onde jorra a vida definitiva. Ao homem resta estar atento, vigilante e disponível para acolher, em cada instante, a vida e a salvação que Deus lhe oferece.
A “sabedoria” não é, na perspectiva do autor do texto, algo de misterioso, e de oculto, que o homem tem dificuldade em encontrar… Ela brilha com brilho inalterável e atraente, que prende o olhar de quem a procura. Não é preciso correr atrás dela, com cuidado e fadiga, trilhando caminhos difíceis ou procurando em lugares recônditos e sombrios… Basta sentir interesse por ela, amá-la, desejá-la, que ela imediatamente se fará presente, oferecendo a vida e a felicidade a todos os que anseiam por ela. Quem ama a “sabedoria” facilmente “tropeça” nela, nas circunstâncias mais comuns da vida do dia a dia: à porta da casa, nos caminhos e até na intimidade dos próprios pensamentos… Para que a “sabedoria” ilumine a vida do homem, só é preciso disponibilidade para a acolher.

A “sabedoria” de que o autor da primeira leitura fala é um dom de Deus para que o homem saiba conduzir a sua vida ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira felicidade. Deus não é um adversário do homem, com ciúmes do homem, preocupado em impedir a felicidade e a realização do homem; mas é um Deus cheio de amor, preocupado em proporcionar ao homem todas as possibilidades de ser feliz e de se realizar plenamente. A nossa leitura convida-nos a ver em Deus esse Pai cheio de amor, preocupado com a felicidade dos seus filhos, sempre disposto a oferecer-lhes os seus dons e a conduzi-los para a vida e para a salvação; e convida-nos a uma atenção contínua, a fim de detectarmos e acolhermos esses dons que, a cada instante, Deus nos oferece.

O que é decisivo para que o homem tenha acesso pleno aos dons de Deus é a sua disponibilidade para acolher e para aceitar esses dons… Deus coloca os seus dons à disposição do homem, de forma gratuita e incondicional; ao homem é pedido apenas que não se feche no seu egoísmo e na sua auto-suficiência, mas abra o seu coração à graça que Deus lhe oferece.

Na segunda leitura (1 Tes 4,13-18) Paulo garante aos cristãos de Tessalónica que Cristo virá de novo para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo; todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao encontro do Senhor e permanecerá com Ele para sempre.

A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projecto de salvação e de vida para cada homem; e que esse projecto está a realizar-se continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus.

A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante – ainda quando feita no sofrimento e na dor – em direcção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo.

Isso não quer dizer que devamos ignorar as coisas boas deste mundo, vivendo apenas à espera da recompensa futura, no céu; quer dizer que a nossa existência deve ser – já neste mundo – uma busca da vida e da felicidade; isso implicará uma não conformação com tudo aquilo que nos rouba a vida e que nos impede de alcançar a felicidade plena, a perfeição última (a nós e a todos os homens nossos irmãos).

Não é possível viver com medo, depois desta descoberta: podemos comprometer-nos na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça e a opressão não podem pôr fim à vida que nos anima; e é na medida em que nos comprometemos com esse mundo novo e o construímos com gestos concretos, que estamos a anunciar a ressurreição plena do mundo, dos homens e das coisas.

O Evangelho Mt 25,1-13  lembra-nos que “estar preparado” para acolher o Senhor que vem significa viver dia a dia na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com os valores do Reino. Com o exemplo das cinco jovens “insensatas” que não levaram azeite suficiente para manter as suas lâmpadas acesas enquanto esperavam a chegada do noivo, avisa-nos que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino.

Nós, os cristãos do séc. XXI, não somos significativamente diferentes dos cristãos que integravam a comunidade de Mateus… Também percorremos um caminho de altos e baixos, em que os momentos de entusiasmo e de compromisso alternam com os momentos de instalação, de comodismo, de adormecimento, de pouco empenho. As dificuldades da caminhada, os apelos do mundo, a monotonia, a nossa fragilidade levam-nos, frequentemente, a esquecer os valores do Reino e a correr atrás de valores efémeros, que parecem garantir-nos a felicidade e só nos arrastam para caminhos de escravidão e de frustração. O Evangelho deste domingo lembra-nos que a segunda vinda do Senhor deve estar sempre no horizonte final da nossa existência e que não podemos alienar os valores do Evangelho, pois só eles nos mantêm identificados com esse Senhor Jesus que há-de voltar para nos oferecer a vida plena e definitiva. Enquanto caminhamos nesta terra devemos, pois, manter-nos atentos e vigilantes, fiéis aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com esse Reino que Ele nos mandou construir.

“Estar preparado” não significa, contudo, ter a “alminha” limpa e sem mancha, para que, quando nos encontrarmos com o Senhor, Ele não tenha nenhuma falta não confessada a apontar-nos e nos leve para o céu… Mas significa, sobretudo, vivermos dia a dia, de forma comprometida e entusiasta, o nosso compromisso baptismal. “Estar preparado” passa por descobrirmos dia a dia os projectos de Deus para nós e para o mundo e procurar concretizá-los, com alegria e entusiasmo; “estar preparado” passa por fazermos da nossa vida, em cada instante, um dom aos irmãos, no serviço, na partilha, no amor, ao jeito de Jesus.

Embora o nosso texto se refira, primordialmente, ao nosso encontro final com Jesus, todos nós temos consciência de que esse momento não será o nosso único encontro com o Senhor… Jesus vem ao nosso encontro todos os dias e reclama o nosso empenho e o nosso compromisso na construção de um mundo novo – o mundo do Reino. Ele faz ecoar o seu apelo na Palavra de Deus que nos questiona, na miséria de um pobre que nos interpela, no pedido de socorro de um homem escravizado, na solidão de um velho carente de amor e de afecto, no sofrimento de um doente terminal abandonado por todos, no grito aflito de quem sofre a injustiça e a violência, no olhar dolorido de um imigrante, no corpo esquelético de uma criança com fome, nas lágrimas do oprimido… O Evangelho deste domingo avisa-nos que não podemos instalar-nos no nosso egoísmo e na nossa auto-suficiência e recusar-nos a escutar os apelos do Senhor.

A história das jovens “insensatas” que se esqueceram do essencial faz-nos pensar na questão das prioridades… É fácil irmos “na onda”, preocuparmo-nos com o imediato, o visível, o efémero (o dinheiro, o poder, a influência, a imagem, o êxito, a beleza, os triunfos humanos…) e negligenciarmos os valores autênticos. Mateus, com algum dramatismo, avisa-nos que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino. O objectivo da catequese de Mateus não é dizer-nos que, se não nos portarmos bem, Deus nos castiga com o inferno; mas é alertar-nos para a seriedade com que devemos avaliar as nossas opções, de forma a não perdermos oportunidades para nos realizarmos e para chegarmos à felicidade plena e definitiva.
Fonte: resumo e adaptação de um texto de: “dehonianos.org/portal/liturgia”