domingo, 13 de agosto de 2017

A PALAVRA HOJE, PALAVRA VIVA E EFICAZ: II FEIRA DA XIX SEMANA DO TEMPO COMUM



Segunda-feira – XIX Semana –
Tempo Comum – Anos Ímpares
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Primeira Leitura: Deuteronómio 10, 12-22
O segundo discurso de Moisés aos Israelitas. Moisés incita o povo à fidelidade ao Senhor. Começa por resumir o essencial do discurso anterior: amar e servir a Deus com todo o coração e com toda a alma, observando os mandamentos. Mas ao primeiro mandamento, o do amor a Deus, acrescenta-se, agora, o segundo, o do amor ao próximo. 

Depois de uma série de títulos teológicos de Javé, «Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus supremo, poderoso e temível, que não faz distinção de pessoas nem aceita presente» (v. 17), afirma-se o seu amor universal, especialmente para com os humildes e carenciados: «Ele faz justiça ao órfão e à viúva, ama o estrangeiro e dá-lhe pão e vestuário» (v. 18). Salientam-se três tipos de pobreza: a do órfão, a da viúva, a do estrangeiro. O modo de ser e de actuar de Deus indica o modo de ser e de actuar do seu povo, que deve ter sempre bem presente tudo quanto por ele fez o Senhor (cf. v. 19).

No centro do discurso, aparece a expressão «circuncisão do coração» (v. 16), que tem o sabor da tradição profética, e que tem uma insinuação de grande valor teológico: não fazer da circuncisão, sinal da aliança, motivo de vaidade, nem uma simples praxe material que assegura a pertença ao Senhor e ao povo. O essencial é ter um coração dócil e sensível ao amor do Senhor, estar sempre pronto a louvá-lo e a usar de misericórdia para com os carenciados, como Ele a usa para connosco.

A leitura afirma: «O Senhor, vosso Deus é…poderoso e temível» (v. 17). O poder de Deus não o faz prepotente, como acontece, muitas vezes, entre os homens. Ao seu poder, Deus junta uma extrema delicadeza e atenção para com as pessoas, e uma grande preocupação pela justiça: «Não faz distinção de pessoas nem aceita presentes… faz justiça ao órfão e à viúva, ama o estrangeiro» (vv. 17-18). Este texto prepara a revelação do Deus generoso, do Deus que é justo e torna justos. É um texto rico de exortações à fidelidade, à docilidade, ao temor e ao amor de Deus, para estar sempre em relação com Ele: «Agora, Israel, o que o Senhor, teu Deus, exige de ti é que temas o Senhor, teu Deus, para seguires todos os seus caminhos, para o amares, para servires o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma» (v. 12).

No meio de todas estas exortações, encontramos apenas um preceito: «Amarás o estrangeiro» (v. 19). Aqui se revela a generosidade divina, e se há-de revelar a nossa: não amar apenas a própria família, os amigos, os vizinhos e conhecidos, mas também o forasteiro, o desconhecido. Um preceito de extrema actualidade para nós e para as nossas comunidades cristãs…

Evangelho: Mateus 17, 22-27

Na primeira parte do nosso texto, a paixão paira sobre Jesus como algo próximo e inevitável. Jesus vê agora, não com os olhos do «eu» pessoal, que tem de se inclinar perante uma vontade superior, mas com os olhos do Filho do homem para quem nada está oculto. Um só dos verbos, utilizados nesta parte, está na voz activa: o matarão (v. 23). Todos os outros estão na voz passiva: «ser entregue» (v. 22) nas mãos dos homens (em geral), nas mãos «dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei» (16, 21), isto é, das instituições religiosas hebraicas; «será ressuscitado», indica a esperança de Jesus na acção do Pai.

Jesus sabe para onde caminha. O seu destino está anunciado nas antigas profecias. Fala de Si como «Filho do homem», representante do povo dos santos que, depois da perseguição, há-de receber todo o poder (Dn 7): «Todo o poder me foi dado no céu e na terra», dirá o Ressuscitado (Mt 28, 18). A paixão, entrega na mão de todos os homens, torna-se entrega nas mãos do Pai, manifestação da sua glorificação.

A segunda parte do texto evangélico refere um episódio relacionado com a questão do pagamento do imposto do templo. Em Mt 22, 15-22 surgirá a questão do pagamento de impostos aos dominadores pagãos, problema que continuará a afligir a comunidade cristã (cf. Rm 13, 6s.). Tem de pagar imposto para o templo quem é «maior que o templo»? (cf. Mt 12, 6), quem é «o Filho de Deus vivo»? (16, 18). Paga para não escandalizar. A hora da reedificação do novo templo ainda não chegou.

O evangelho mostra-nos a força e a delicadeza de Jesus. Solicitado a pagar a taxa para o templo, sabe que não está obrigado a isso, pois é Filho de Deus: «De quem recebem os reis da terra impostos e contribuições? Dos seus filhos, ou dos estranhos?» (v. 25), pergunta o Senhor a Pedro. O Apóstolo não hesita na resposta: «Dos estranhos» (v. 26). Mas Jesus, com grande delicadeza, dispõe-se a pagar. Quer evitar escândalos. Mas usa o seu poder para obter o dinheiro necessário: «Vai ao mar, deita o anzol, apanha o primeiro peixe que nele cair, abre-lhe a boca e encontrarás lá um estáter. Toma-o e dá-lho por mim e por ti» (v. 27).
 Fonte: Resumo e adaptação local de um texto de: <dehonianos.org/portal/liturgia>

sábado, 12 de agosto de 2017

A PALAVRA HOJE, PALAVRA VIVA:: DOMINGO XIX DO TEMPO COMUM



19º Domingo do Tempo Comum – Ano A

A liturgia deste Domingo tem como tema fundamental a revelação de Deus. Fala-nos de um Deus apostado em percorrer, de braço dado com os homens, os caminhos da história.

A primeira leitura (1 Reis 19,9a.11-13ª), convida os crentes a regressarem às origens da sua fé e do seu compromisso, a fazerem uma peregrinação ao encontro do Deus da comunhão e da Aliança; e garante que o crente não encontra esse Deus nas manifestações espectaculares, mas na humildade, na simplicidade, na interioridade.

Contra desvios à fé tradicional, levanta-se o profeta Elias. Ele aparece como o representante desses israelitas fiéis.
O encontro com Deus que Se manifesta no silêncio, na intimidade, na simplicidade, na humildade, na interioridade do coração do homem leva à acção: o encontro com Deus conduz sempre o homem a um empenho concreto e a um compromisso com o mundo.

O texto que nos é proposto convida a descobrir a Deus no silêncio, na simplicidade, na intimidade… É preciso calar o ruído excessivo, moderar a actividade desenfreada, encontrar tempo e disponibilidade para consultar o coração, para interrogar a Palavra de Deus, para perceber a sua presença e as suas indicações nos sinais que Ele deixa na nossa história e na vida do mundo.

Hoje como ontem, há outros deuses, outras propostas de felicidade, que nos procuram seduzir e atrair… Há deuses que gritam alto  a sua capacidade de nos oferecer uma felicidade imediata; há deuses que, como um terramoto, fazem tremer as nossas convicções e lançam por terra os valores que consideramos mais sagrados; há deuses que, com a força da tempestade, nos arrastam para atitudes de egoísmo, de prepotência, de injustiça, de comodismo, de ódio… Esta 1ª leitura de hoje leitura  convida-nos  ao encontro das nossas raízes, dos nossos compromissos baptismais. Quais são os falsos deuses que, às vezes, me afastam da comunhão com o verdadeiro Deus?

A segunda leitura  (Rom 9,1-5), Paulo vai referir-se, agora, a um problema particular, mas que o preocupa a ele e a todos os cristãos: que acontecerá a Israel que, apesar de ser o Povo eleito de Deus e o Povo da Promessa, recusou essa salvação que Cristo veio oferecer? Israel ficará, devido a essa recusa, definitivamente à margem da salvação? Na verdade, Deus jurou ao seu Povo, em vários momentos da história, libertá-lo e salvá-lo; ora, se Israel ficar excluído da salvação, podemos dizer que Deus falhou? Podemos continuar a confiar na sua Palavra? É a estas questões que, genericamente, Paulo procura responder nos capítulos 9-11 da Carta aos Romanos.

O texto que nos é proposto como segunda leitura deste domingo é a introdução a esta questão. Sugere que esse Deus, apostado em vir ao encontro dos homens e em revelar-lhes o seu rosto de amor e de bondade, tem uma proposta de salvação que oferece a todos. Convida-nos a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece.

Uma das coisas que impressiona, neste texto, é a forma como Paulo sente a infelicidade do seu Povo. A obstinação de Israel em recusar a salvação fá-lo sentir “uma grande tristeza e uma dor contínua” no coração. Todos nós conhecemos irmãos – mesmo baptizados – que recusam a salvação que Deus oferece ou que, pelo menos, vivem numa absoluta indiferença face à vida plena que Deus lhes quer dar. Como nos sentimos diante deles? Ficamos indiferentes e achamos que não é nada connosco?
Este texto propõe-nos também uma reflexão sobre as oportunidades perdidas… Israel, apesar de todas as manifestações da bondade e do amor de Deus que conheceu ao longo da sua caminhada pela história, acabou por se instalar numa auto-suficiência que não lhe permitiu acompanhar o ritmo de Deus, nem descobrir os novos desafios que o projecto da salvação de Deus faz, em cada fase, aos homens. O exemplo de Israel faz-nos pensar no nosso compromisso com Deus.

O Evangelho (Mt 14,22-33), apresenta-nos uma reflexão sobre a caminhada histórica dos discípulos, enviados à “outra margem” a propor aos homens o banquete do Reino. Nessa “viagem”, a comunidade do Reino não está sozinha, à mercê das forças da morte: em Jesus, o Deus do amor e da comunhão vem ao encontro dos discípulos, estende-lhes a mão, dá-lhes a força para vencer a adversidade, a desilusão, a hostilidade do mundo. Os discípulos são convidados a reconhecê-lo, a acolhê-lo e a aceitá-lo como “o Senhor”.

Depois de despedir a multidão e de obrigar os discípulos a embarcar para a outra margem, Jesus “subiu a um monte para orar, a sós”. Enquanto Jesus está em diálogo com o Pai, os discípulos estão sozinhos, em viagem pelo lago. Essa viagem, no entanto, não é fácil nem serena… É de noite; o barco é açoitado pelas ondas e navega dificilmente, com vento contrário. Os discípulos estão inquietos e preocupados, pois Jesus não está com eles.
Refere-se, certamente, à situação da comunidade a que Mateus destina o seu Evangelho (e que não será muito diferente da situação de qualquer comunidade cristã, em qualquer tempo e lugar). A “noite” representa as trevas, a escuridão, a confusão, a insegurança em que tantas vezes “navegam” através da história os discípulos de Jesus, sem saberem exactamente que caminhos percorrer nem para onde ir… As “ondas” que açoitam o barco representam a hostilidade do mundo, que bate continuamente contra o barco em que viajam os discípulos… Os “ventos contrários” representam a oposição, a resistência do mundo ao projecto de Jesus. 

Quantas vezes os discípulos de Jesus se sentem perdidos, sozinhos, abandonados, desanimados, desiludidos, incapazes de enfrentar as tempestades que as forças da morte e da opressão (o “mar”) lançam contra eles.

É aí, precisamente, que Jesus manifesta a sua presença. Ele vai ao encontro dos discípulos “caminhando sobre o mar”. Só Deus “caminha sobre o mar”; só Ele faz “tremer as águas e agitarem-se os abismos”; só Ele acalma as ondas e as tempestades. Jesus é, portanto, o Deus que vela pelo seu Povo e que não deixa que as forças da morte (o “mar”) o destruam. A expressão “sou Eu” reproduz a fórmula de identificação com que Deus se apresenta aos homens no Antigo Testamento; e a exortação “tende confiança, não temais” transmite aos discípulos a certeza de que nada têm a temer porque Jesus, o Deus que vence as forças da morte e da opressão acompanha a par e passo a sua caminhada histórica e dá-lhes a força para vencer a adversidade, a solidão e a hostilidade do mundo.
Pedro sai do barco e vai, de facto, ao encontro de Jesus; mas, assustando-se com a violência do vento, começa a afundar-se e pede a Jesus que o salve. Assim acontece, embora Jesus censure a sua pouca fé e as suas dúvidas.

Pedro é, aqui, o porta-voz e o representante dessa comunidade dos discípulos que vai no barco (a Igreja). O episódio reflecte a fragilidade da fé dos discípulos, sempre que têm de enfrentar as forças da opressão, do egoísmo, da injustiça. Enquanto enfrentam as ondas do mundo hostil e os ventos soprados pelas forças da morte, os discípulos debatem-se entre a confiança em Jesus e o medo. Mateus refere-se, desta forma, à experiência de muitos discípulos que seguem a Jesus de forma decidida, mas que se deixam abalar quando chegam as perseguições, os sofrimentos, as dificuldades… Então, começam a afundar-se e a ser submergidos pelo “mar” da morte, da frustração, do desânimo, da desilusão.

 No entanto, Jesus lá está para lhes estender a mão e para os sustentar.
Finalmente, a desconfiança dos discípulos transforma-se em fé firme: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus”. É para aqui que converge todo o relato. Esta confissão reflecte a fé dos verdadeiros discípulos, que vêem em Jesus o Deus que vence o “mar”, o Senhor da vida e da história que acompanha a caminhada dos seus, que lhes dá a força para vencer as forças da opressão e da morte, que lhes estende a mão quando eles estão desanimados e com medo e que não a deixa afundar.

O Evangelho deste domingo é, antes de mais, uma catequese sobre a caminhada histórica da comunidade de Jesus, enviada à “outra margem”, a convidar todos os homens para o banquete do Reino e a oferecer-lhes o alimento com que Deus mata a fome de vida e de felicidade dos seus filhos.
Fonte: resumo e adaptação local de um texto de: <dehonianos.org/portal/liturgia>

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A PALAVRA HOJE, PALAVRA VIVA. SÁBADO DA XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM



Subsídio bíblico para o Sábado – XVIII Semana –  Tempo Comum – Anos Ímpares
Primeira leitura: Deuteronómio 6, 4-11
«Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único!» (v. 4). Este é, sem dúvida, um dos textos mais sagrados e conhecidos do Antigo Testamento. Trata-se da confissão de fé que o piedoso israelita deve repetir três vezes por dia, voltado para Jerusalém.
Esta confissão de fé, que começa com a afirmação «O Senhor, nosso Deus, é único!», prossegue com uma consequência teológica, que faz todo o sentido: pôr Deus em primeiro lugar, amando-o «com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças». A força educativa e ética dos mandamentos verifica-se ainda mais nos versículos seguintes. Eles tornam-se projecto de vida para cada um, tornam-se projecto educativo. Por isso, devem ser recordados e transmitidos. Devem ser escritos «sobre as ombreiras da tua casa e nas tuas portas» (v. 9), atados no braço e usados entre os olhos (cf. v. 8).
Tudo termina com mais uma afirmação sobre dos dons da terra prometida. Deus é fiel. O povo deve também manter-se fiel, temendo a Deus, servindo-O, proclamando a aliança em seu nome, apesar de todas as dificuldades do caminho.
Israel fez da confissão de fé no Deus vivo e único um compromisso que levava ao reconhecimento da exclusividade de Deus na vida de cada crente. Jesus citou este texto para responder ao escriba que o interrogou sobre o primeiro dos mandamentos: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças» (Mc 12, 29-30). Ao Deus vivo e único pertencem o coração, a alma e as forças. Trata-se de uma relação totalizante e pessoal que faz da vida de cada um uma experiência de aliança e de presença, que tudo envolve. A vida de fé não é o somatório de actos religiosos, mas uma relação viva e pessoal, uma adesão perene ao projecto de Deus.
«Amarás o Senhor, teu Deus» (v. 29). Ele tornou-se verdadeiramente “meu Deus” e quer sê-lo cada vez mais, para me fazer viver plenamente na confiança, na alegria, na comunhão com Ele e com todos. «Amarás… com todo o teu coração»: só Deus pode ser amado com todo o coração, sem qualquer reserva, porque só Ele é todo bondade, bondade infinita. No mundo, todas as criaturas têm os seus limites e os seus defeitos, que tornam impossível amá-las sem reservas. Deus, pelo contrário, é digno de um amor ilimitado. Posso amá-lo com todo o meu ser porque esse ser me foi dado por Ele. De ninguém se pode dizer o mesmo. Muitas pessoas me deram muito, com todo o seu afecto. Mas ninguém me deu todo o meu ser, senão Deus.
Todas estas realidades, que tanto espantavam Israel, nos devem espantar também a nós, cristãos. Os nossos «irmãos mais velhos» vivem um monoteísmo intenso e profundo. E nisto são exemplares para nós. O primeiro lugar só a Deus pertence. Por isso, a opção por Deus é tarefa prioritária, também para nós, no meio da sociedade em que vivemos.
O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, de Moisés e dos profetas, é, para nós, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. No Filho, e na sua ressurreição, revela-se toda a força, toda a ternura, toda a paternidade do nosso Deus, e tudo quanto dele nos disse Jesus. Ele confirmou essa palavra do Antigo Testamento e viveu-a até às máximas consequências. É esta a fé que muda montanhas, a adesão total que começa com o afastamento das montanhas do coração, que se interpõem entre o nosso egoísmo e a
realidade do Deus vivo.
Amar a Deus, propriamente falando, não é tanto um mandamento quanto uma vocação, que corresponde à aspiração profunda do nosso ser. Por outro lado, amar a Deus com todo o coração é obra que exige tempo, porque pressupõe a eliminação das tais montanhas do nosso egoísmo. Mas todo o progresso nesta direcção é uma vitória, que enche de alegria o coração.
Evangelho: Mateus 17, 14-20
Mateus está agora preocupado em transmitir os ensinamentos de Jesus aos seus discípulos. Mas não deixa de contar mais um milagre, inserindo aqui a narrativa da cura de um epiléptico. É mais um sinal do poder de Jesus. Mas as dificuldades, que, por vezes, encontravam os exorcistas da Igreja nascente, também podem explicar esta inclusão.
O pedido do pai, para obter a cura do filho epiléptico, dá ocasião a Jesus para mais uns ensinamentos sobre a necessidade de acreditar n´Ele. Os discípulos não conseguem realizar o milagre porque o poder taumatúrgico não é deles. Pertence unicamente ao Mestre, que o concede àqueles que participam na sua missão (cf. 10, 1). Estes, que são os discípulos, devem aderir a Ele pela fé (cf. v. 20).
«Geração descrente e perversa!» Esta expressão de Jesus manifesta a resistência que os seus contemporâneos, duros de coração, Lhe opõem. Em união com Ele, os discípulos podem fazer maravilhas e comunicar a salvação oferecida por Deus. Mas, a falta de fé, que os separa da união com Jesus, torna-lhes impossível essa missão.
Fonte: de um texto resumido e adaptado localmente de: <dehonianos.org/portal/liturgia.

VI FEIRA DA XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM



Sexta-feira – XVIII Semana – Tempo Comum – Anos Ímpares 

Primeira leitura: Deuteronómio 4, 32-40

Hoje já escutamos a conclusão do primeiro discurso de Moisés, que abre o livro do Deuteronómio. Trata-se de um texto teológico, repleto de palavras-chave da teologia do Antigo Testamento. É o discurso da memória. O povo deve recordar e transmitir tudo quanto viu e ouviu, deve ser testemunha viva de quanto Deus fez por ele. Moisés recorda as maravilhas da criação. O povo escutou a voz de Deus no fogo, viu com os seus próprios olhos a predilecção de Deus que o escolheu e o libertou do Egipto com braço forte, no meio de sinais e prodígios. Este Deus, poderoso e libertador, educa com a sua palavra, é um Deus cheio de amor de predilecção por Israel, é um Deus fiel à sua promessa. O povo deve corresponder com a sua fidelidade a Deus, que é único (cf. Dt 6, 4-9; 11, 13-21; Nm 15, 37-51); deve observar os seus mandamentos; deve transmitir a memória das maravilhas de Deus. A fidelidade ao Senhor pode, pois, resumir-se a recordar, celebrar, viver, três atitudes fundamentais na espiritualidade do Antigo Testamento.

Evangelho: Mateus 16, 24-28

Jesus  fala dos que O pretendem seguir. A sorte dos discípulos não será diferente da do Mestre (cf. 10, 24s.). E toda a atitude e toda a opção do discípulo terá sentido na sua relação com o Mestre. A escala de prioridades e valores é definida pela relação com Jesus, cujo percurso histórico marcado pelo sofrimento vivido no amor, será assumido pelo discípulo (v. 24). Este experimentará o paradoxo de «perder para encontrar», de «morrer para viver» (v. 25). As suas obras hão-de manifestar a opção por Jesus como centro da sua existência. Tal opção será recompensada no dia do juízo (v. 27). De facto, o Messias Sofredor é também o Juiz escatológico. O Messias humilhado é também o Rei glorioso.

«Interroga os tempos antigos que te precederam» (v. 32). Moisés convida o povo a fazer um exercício de memória, para se dar conta do amor pessoal com Deus o tem amado, e tem amado cada um dos seus membros. A história de Israel está gravada mais nos corações do que nos livros. A grata memória das maravilhas de Deus renova-se pela oração que acolhe a palavra e pelos salmos que, ruminados no íntimo de cada um, alimentam o louvor de Deus. Por cada um dos eventos se pode repetir: «É eterna a sua misericórdia». Em cada etapa progressiva se pode dizer, como na noite da Páscoa: «Dayenû!», isto teria sido suficiente!

Para nós, homens e mulheres da pós-modernidade, de frágil e não convicta memória do passado, da experiência do efémero quotidiano, que parece cair constantemente no nada, a lição do “povo da memória” é preciosa: re-cor-dar, dar novamente ao coração, como necessária oxigenação teológica, a memória dos actos de Deus na nossa história pessoal e comunitária, é uma preciosa atitude espiritual. É o que dá consistência à nossa fé pessoal, que não pode limitar-se a repetir fórmulas aprendidas na catequese, mas que nasce da experiência viva do Deus vivo. Esta memória é também importante para a transmissão da fé às novas gerações. Outrora isso fazia-se à lareira, nas noites de Inverno, ou ao luar, nas noites de Verão. Hoje não é fácil fazê-lo nessas circunstâncias. Mas há que inventar outras. Há que fazer memória das obras de Deus já realizadas. Há que fazer memória daquelas que estão por realizar, e nos orientam para um futuro de glória: «Cumprirás, pois, as suas leis e os seus mandamentos, que eu hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e para que se prolongue a tua existência sobre a terra que o Senhor, teu Deus, te dará para sempre» (v. 40).

Fazer memória das obras de Deus é um meio para viver em união com Ele, para permanecer numa relação pessoal e íntima com Ele, que nos levam a renunciar ao egoísmo. Quem se volta para Deus, não se volta para si!

Em Jesus, o amor de Deus revelou-se de modo ainda mais generoso que no Antigo Testamento, pois se manifestou, não só por sinais e prodígios, mas também pagando pessoalmente, até ao cansaço, até ao sofrimento, até à morte e morte de cruz. Para permanecer no amor de Deus, revelado em Jesus Cristo, há que tomar a cruz e segui-l´O: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie
a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me» (v. 24). Com este paradoxo, Jesus dá-nos uma revelação decisiva sobre a recta orientação da nossa vida. As suas palavras são chave de compreensão a guardar no coração e na memória para alcançar uma renovada esperança que se apoia no anúncio da sua definitiva vinda gloriosa.

Fonte: De um texto rsumido e adaptado localmente de: <dehonianos.org/portal/liturgia>