quinta-feira, 10 de agosto de 2017

1O DE AGOSTO: SÃO LOURENÇO, DIÁCONO E MARTIR



S. Lourenço, Diácono e Mártir

Natural de Huesca, na Península Ibérica, onde nasceu por volta do ano 230, Lourenço foi acolhido em Roma pelo Papa Sixto II, que o fez arquidiácono. Serviu a igreja de Roma durante a perseguição. Quando o Papa foi martirizado, com quatro dos seus diáconos, a 6 de Agosto, recomendou-lhe a distribuição dos bens da igreja aos pobres e profetizou-lhe o martírio, que aconteceu no dia 10 do mesmo mês. O imperador Valeriano fê-lo queimar sobre uma grelha. Os seus restos mortais repousam na basílica que lhe foi dedicada, S. Lourenço Fora dos Muros.

Primeira leitura: 2 Coríntios 9, 6-10

São muitas as formas de pobreza humana: a espiritual, a material, a cultural, a moral. Mas qualquer uma delas pode ser ultrapassada pela caridade. Deus é caridade e é o dador de todos os bens. As criaturas são apenas seus instrumentos. Quanto mais generosos forem com os outros, maiores favores receberão de Deus. Por isso, quem repartir com generosidade recolherá com generosidade.

Evangelho: João 12, 24-26

Quem vive em união com Cristo, entra no dinamismo do seu amor, e torna-se uma só coisa com o Pai. Servir o Filho é reinar com Ele no coração do Pai. Servir o Filho é associar-se a Ele na obra da redenção. O amor pelo Pai e pelo homem levaram Jesus a entregar-se até à morte, até ao dom da própria vida, para que todos tivéssemos vida. O grão de trigo, quando morre na terra, gera vida e torna-se fecundo. O discípulo de Jesus é chamado a viver o mesmo mistério de morte para gerar a vida e ser fecundo em favor dos seus irmãos.

S. Lourenço, arquidiácono da igreja de Roma, no tempo do Papa Sisto II (séc. III), era a segunda figura da hierarquia eclesiástica, logo após o Papa, e era natural que lhe viesse a suceder. Sendo os diáconos os conselheiros e colaboradores do Papa, num serviço idêntico ao que hoje prestam os cardeais da cúria romana, o arquidiácono administrava os bens da Igreja: dirigia a construção dos cemitérios, recebia as esmolas e conservava os arquivos. Em grande parte, dependiam dele o clero romano, os confessores da fé, as viúvas, os órfãos e os pobres. Quando o imperador o mandou entregar os bens da Igreja, Lourenço apresentou-se diante do juiz com os pobres de Roma, e declarou: “Aqui estão os tesouros da Igreja!”. O juiz mandou-o imediatamente torturar e executar. A sua Passio (paixão) narra que, intimado a sacrificar aos deuses, respondeu: “Ofereço-me a Deus em sacrifício de suave odor, porque um espírito contrito é um sacrifício para Deus”. O Papa S. Dâmaso (+ 384) escreveu na inscrição que mandou colocar na basílica que lhe é dedicada: “Só a fé de Lourenço conseguiu vencer os flagelos do algoz, as chamas, os tormentos, as cadeias. Dâmaso suplicante enche de dons estes altares, admirando os méritos do glorioso mártir”.

Ao fazer memória dos mártires do século XX, João Paulo II, ao comentar Jo 12, 25, dizia no Coliseu, a 7 de Maio do ano 2000: “Trata-se de uma verdade que o mundo contemporâneo muitas vezes recusa e despreza, fazendo do amor por si mesmos o critério supremo da existência. Mas as testemunhas da fé não consideravam a sua vantagem, o seu bem-estar, a sua sobrevivência como valores maiores que a fidelidade ao Evangelho. Apesar da sua fraqueza, opuseram corajosa resistência ao mal. Na sua debilidade refulgiu a força da fé e da graça do Senhor”. É o tesouro da Igreja na caridade suprema.

O Soberano e Senhor deu-te, ó mártir, como ajuda, o carvão em brasa: queimado por ele, tu rapidamente depuseste a tenda de barro e herdaste a vida e o reino imortais. Por isso, jubilosamente festejamos a tua memória, ó beatíssimo Lourenço coroado.

Resplandecendo pelo Espírito divino, como carvão em brasa, queimaste a sarça do engano, Lourenço vitorioso, arquidiácono de Cristo: por isso, foste oferecido em holocausto como incenso racional Àquele que te exaltou, atingindo a perfeição pelo fogo. Protege, pois, de toda a ameaça quantos te honram, ó homem de mente divina. (De um antigo texto da Igreja bizantina).

O imperador furioso mandou despojar o santo dos seus vestidos e ordenou que lhe dilacerassem o corpo com açoites e unhas de ferro. O mártir rezava, com o sorriso nos lábios… À noite, o imperador mandou estendê-lo sobre uma grelha de ferro sob a qual acenderam um fogo de carvões para o queimarem lentamente… O mártir virando-se para o tirano disse-lhe: «Estes fogos não são para mim senão refrigerantes, mas não será o mesmo daqueles que te atormentarão no inferno».
 Ao carrasco, dizia heroicamente: «Não vês que a minha carne está bastante grelhada deste lado, volta-me do outro». O santo, tendo rezado pela conversão de Roma e agradecido a Deus pela graça do martírio, expirou serenamente… O segredo desta coragem é o amor pelo Salvador. S. Lourenço desejava dar a Jesus amor por amor e sacrifício por sacrifício. Era feliz por se imolar pela conversão dos pagãos. 

Fonte: resumo e adaptação local de um texto de: <dehonianos.org/portal/liturgia>

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

~SUBSÍDIO PARA A REFLEXÃO NA V FEIRA DA XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM



Quinta-feira – XVIII Semana – Tempo Comum – Anos Ímpares

Primeira leitura: Números 20, 1-13.

O episódio da água que brota do rochedo por meio do golpe da vara de Moisés. Trata-se de um dos estilizados e paradigmáticos episódios da condução do povo através do deserto. Massa e Meribá significam literalmente lugar da murmuração e da prova. Moisés e Aarão, condutores de Israel, vêem-se, uma vez mais, envolvidos em murmurações por causa da falta de água. A acusação, no fundo, vai direita contra Deus. Por isso, também mais uma vez, Moisés e Aarão se voltam para o Senhor, na tenda da reunião, lugar visível da presença e proximidade de Deus. Mais uma vez, Deus se mostra condescendente e oferece uma solução miraculosa para a seca, ordenando a Moisés que percuta com a vara o rochedo, donde imediatamente brota água para saciar o povo e os seus rebanhos. Em relação a Ex 17, 7, o nosso autor acrescenta um pormenor, a dúvida de Moisés e de Aarão: «Porque vós não acreditastes em mim, para provardes a minha santidade diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta comunidade na terra que lhes vou dar.» (v. 12). Começa a desenhar-se a futura sorte de Moisés e Aarão.
O texto termina com uma afirmação importante: «os filhos de Israel discutiram com o Senhor e Ele lhes mostrou a sua santidade».
Israel experimentou tantas vezes a fidelidade de Deus, e as maravilhas que Ele fez em favor do seu povo. A fé, a fidelidade e
a confiança deste povo deviam estar preparadas para resistir a todas as provações. Mas o homem facilmente se esquece dos bens recebidos de Deus, especialmente quando não vê satisfeitas necessidades primárias como será a de comer e beber.
O povo de Deus está em clara revolta contra Moisés e, ao fim e ao cabo, contra Deus, porque sofre a sede e não encontra água para se saciar. A provação e a murmuração, a tentação e a revolta atingem os sentimentos humanos mais profundos e alastram com um contágio, como uma peste entre a população. Deus, sempre paciente connosco, deixa que a tentação nos prove e provoque. É por isso que, no Pai nosso, pedimos para não cair em tentação e, no limite, para que Deus não nos submeta à prova que é também um momento de verdade.
No deserto, como tantas vezes acontece connosco, Deus dá uma resposta válida, mas passageira. Deus nunca permite que sejamos tentados acima das nossas forças.
Evangelho: Mateus 16, 13-23
Quem é este homem a quem o vento e o mar obedecem? Quem é Jesus? Quem dizem os homens que Ele é? E, vós, quem dizeis que Eu sou? Pedro toma a palavra e responde em nome da comunidade dos discípulos: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16). Verificada a compreensão que os discípulos têm de Jesus, o Evangelho de Mateus dá uma volta decisiva. Se as obras e as palavras de Jesus tinham revelado a sua missão messiânica, de modo que o povo acreditasse n´Ele (vv. 13ss.), à excepção dos nazarenos (cf. 13, 53-58), os discípulos pela boca de Pedro, reconhecem também a sua natureza divina (v. 16). Pedro assume grande relevo nesta cena: se, por um lado, professa a fé no Filho de Deus, por outro lado recusa que Ele seja o Servo Sofredor (v. 21); se primeiro recebe de Jesus plena autoridade sobre a comunidade dos discípulos (vv. 18ss.), logo depois é chamado «Satanás» porque o seu ponto de vista se opõe ao de Deus, e é obstáculo para Jesus cumprir a vontade do Pai (v. 23).
As contradições que assinalam o discipulado de Pedro (cf. Mc 14, 26-31) evidenciam a obra da graça divina na fragilidade humana: é o mistério da Igreja, cujo chefe é tal, não por mérito próprio, mas porque Deus lhe confia o serviço que o faz referência para os irmãos. Só Deus é garantia de salvação da comunidade na luta do mal e da morte contra o bem e a vida (v. 18). A comunidade pode confiar em Pedro, porque as suas decisões serão assumidas por Deus (v. 19). Mas a salvação e a glória terão de passar pela cruz (v. 21).
O evangelho fala-nos da confissão de Pedro. Esta põe-nos na atitude certa da nossa adesão a Cristo, Filho de Deus vivo. À volta da fé de Pedro e dos seus sucessores tornamo-nos igreja, assembleia de Deus, fundada na fé em Cristo. Devemos crer a igreja e não só na igreja. Crer a igreja é acolhê-la como dom de Cristo, é amar a igreja. Sentir com a igreja é também senti-la como algo de nosso, de vivo. Poderá também suceder na nossa vida ter de sofrer pela igreja, e – quem sabe? – por causa da igreja. Que jamais percamos de vista o Senhor da igreja e não nos limitemos a indicar como prioridade a igreja do Senhor.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

CURSO DE FORMAÇÃO PERMANENTE



Curso Diocesano de Formação Permanente.

De 08 a 12 de Agosto do corrente ano, na Casa Diocesana de Gurúè, está a decorrer um Curso Diocesano de Formação Permanente para sacerdotes do clero diocesano e religioso, seguindo o seguinte programa e calendário:

07.08.2017. Segunda Feira. 
Durante todo o dia: Chegada.
 À noite, acolhimento dos participantes e abertura do Curso.

08.08.2017. Terça Feira. 

Tema de reflexão: A Identidade sacerdotal.
Orientador Pe. Marcos Mubango, Reitor do Seminário Interdiocesano de Teologia S. Pio X de Maputo.

09.08.2017. Quarta Feira.

Tema: As dimensões Espiritual e  Pastoral da vida do sacerdote.
Orientador: Pe. Marcos Mubango.
 À tarde, início do tema da "Administração dos bens da Igreja", que será desenvolvido no dia a seguinte.

10.08.2017. Quinta Feira.

Tema (começa na tarde do dia anterior): A administração dos bens da Igreja.
Orientador: Pe. Rui Mulieca Migamo, do clero diocesano de Quelimane.

11.08.2017. Sexta Feira.

Reunião extraordinária e alargada do Conselho de Presbíteros.

12.08.2017. Sábado.

Encerramento.


REFLEXÃO PARA A IV FEIRA DA XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM ANO IMPAR



Quarta-feira – XVIII Semana – Tempo Comum – Anos Ímpares 

Primeira leitura: Números 13, 1-2 – 14, 1.26-29.34-35

O melhor modo de entender este texto fragmentário da liturgia é ler as próprias páginas do livro dos Números. Estão aqui integradas várias tradições. Mas emergem quatro momentos: o envio por Moisés dos exploradores à terra prometida e a respectiva exploração, o regresso dos exploradores com os frutos e a narração do que viram; o medo entre o povo, provocado pelos exageros da narração; as lamentações do mesmo povo e o reacender das saudades do Egipto, indicativos da falta de confiança em Deus e nas suas promessas.

Moisés, todavia, mantém-se fiel ao Senhor, aponta ao povo a terra prometida e os seus frutos, e pronuncia as palavras-chave desta narrativa: «Se a boa vontade do Senhor está connosco e nos fez sair para esta terra, Ele nos dará a terra onde corre leite e mel! … O Senhor está connosco. Não temais!» (14, 8s.). Moisés confia na fidelidade de Deus, apesar do panorama obscuro descrito pelos exploradores, que todavia desejavam conquistar um território que produzia tais frutos, uma «terra onde corre leite e mel».

Evangelho: Mateus 15, 21-28

A mulher cananeia, de que nos fala o texto, é designada por «siro-fenícia» em Marcos (7, 24-30). O que ambos os evangelistas pretendem indicar é que se trata de uma mulher pagã, não judia. A cena, sob o ponto de vista literário, está construída no esquema pedido-recusa, num crescendo que, partindo do silêncio de Jesus à primeira interpelação da mulher, continua com a referência à sua missão, que teria por alvo unicamente o povo judeu, e culmina com a distinção brutal entre filhos e cachorrinhos.
 Tanto Mateus como Marcos coincidem em que a missão de Jesus, durante o seu ministério terreno, se limitou ao povo judeu. Mas também coincidem em que Jesus, neste caso, abriu uma excepção. Para Mateus, a razão da excepção foi a grande fé da mulher, o que é omitido por Marcos. O encontro entre Jesus e a mulher cananeia anuncia, e já realiza, o encontro entre a salvação e o paganismo. Sem negar a escolha preferencial de Israel, «filho primogénito» (v. 24; cf. Os 11, 1; Mt 10, 5ss.), a missão salvífica de Jesus é dirigida a todos os povos. Será, também essa, a característica da acção da Igreja, por mando específico do seu Senhor e Mestre (cf. Mt 28, 18-20).

A luta que a mulher cananeia trava com Jesus, para alcançar o que pede, é um exemplo concreto do que Jesus mandou: «Pedi… procurai… batei…» (cf. Lc 11, 9).

As leituras de hoje levam-nos a meditar sobre a fidelidade de Deus e a confiança que havemos de ter n´Ele. 

Deus é fiel às suas promessas. Mas, na primeira leitura, vemos o povo com falta de fé e de confiança em Deus. Pouco depois de ter retirado Israel do Egipto, Deus convida-o a tomar posse da terra: «O Senhor falou a Moisés: «Manda homens para explorar a terra de Canaã, que Eu hei-de dar aos filhos de Israel» (vv. 1-2). Os exploradores partiram para Canaã e voltaram com um relatório cheio de contrastes: é uma terra maravilhosa, «uma terra onde corre leite e mel», mas «o povo que habita a terra é poderoso, as cidades são fortificadas e muito grandes». Perante estas notícias, a reacção poderia ser em dois sentidos: ir em frente, confiando no Senhor ou desanimar com as dificuldades. Mas, quando alguém se deixa vencer pelas dificuldades, elas agigantam-se ainda mais. Foi o que sucedeu com o povo de Israel: «Levantou-se toda a assembleia a gritar e o povo chorou toda essa noite» (v. 1).

Deus não pode suportar uma tal falta de confiança n´Ele e nas suas promessas. A desconfiança atinge-lhe o coração. E toma uma resolução idêntica à dos Israelitas: não quereis entrar na terra? Pois não entrareis! «Hei-de fazer isto a toda esta assembleia má que se revoltou contra mim neste deserto. Aqui acabarão e morrerão!» (v. 35).

Hoje está muito difundida esta falta de confiança em Deus. Muitos dos nossos jovens já não tem coragem para assumir compromissos duradouros, como é o matrimónio, a profissão religiosa, o sacerdócio, contando com a graça de Deus. É certo que, sem a graça divina, ninguém é capaz de manter um compromisso para toda a vida. Há tantas coisas que mudam, e nós próprios mudamos! Mas, com a ajuda de Deus, que não falta, podemos realizar com fidelidade os compromissos tomados em seu nome.

A confiança ilimitada da mulher cananeia dá-lhe coragem, dá-lhe atrevimento para se dirigir ao Senhor e pedir o milagre. Deus apenas aguarda de nós a fé e a esperança, para nos dar tudo quanto precisamos. As provações da vida, em vez de nos desanimarem, devem acender em nós uma esperança cada vez maior.

A nossa vida cristã participa na evolução, nas provações e procuras do mundo e da Igreja. Também ela é constantemente interpelada. Somos obrigados a repensar e a reformular a sua missão e as suas formas de presença e de testemunho. É preciso, sobretudo, manter bem vivas a fé e a esperança.

Como é bom saborear, desde já, quanto Deus nos promete. Como é bom encontrar na vida os sinais da Sua presença. Mas, como sabemos, a esperança não desilude, porque infundiste no nosso coração o Espírito Santo, penhor dos bens futuros.

Peçamos a Deus que creditemos sempre no Seu amor presente e providente. Que os nossos desejos gerem uma fé maior, uma fé como a da mulher cananeia. Que as provações sejam para motivo de esperança. 

Fonte: resumo e adaptação local de um texto de: <dehonianos.org/portal/liturgia>