segunda-feira, 7 de agosto de 2017

SUBSÍDIO PARA A REFLEXÃO NA TERÇA FEIRA DA XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM



Terça-feira – XVIII Semana – Tempo Comum – Anos Ímpares 

Primeira leitura: Números 12, 1-13

O tema das rebeliões repete-se nas tradições sobre a caminhada de Israel pelo deserto. O nosso texto refere-nos a contestação de Maria e de Aarão contra Moisés, por causa do seu casamento com uma etíope. A pretexto disto, o livro dos Números introduz as três personagens chave do Êxodo: Moisés, Aarão e Maria. Deus está no meio deles como amigo e protector de Moisés. Também entre os grandes homens há tropeços, mexericos e ciúmes. Aarão e Maria mostram-se incapazes de julgar Moisés na sua grandeza de eleito de Deus, pelo simples facto de se ter casado com uma etíope. Mas Deus defende Moisés.

 Com um juízo tão severo quanto sincero, Deus fala de Moisés, seu amigo e confidente, na tenda da reunião: «Falo com ele frente a frente, à vista e não por enigmas; ele contempla a imagem do Senhor! Como é que não tivestes medo de falar contra o meu servo, contra Moisés?».

O castigo de Maria parece-nos excessivo. Mas trata-se de um sinal. Moisés não perde tempo e, com uma oração cheia de confiança e de atrevimento, pede a cura da irmã. Moisés é um amigo de Deus, que Lhe fala com a audácia própria dos amigos.
A leitura fala-nos da contestação de Maria e de Aarão contra Moisés. Não se trata de uma contestação qualquer, pois Maria e Aarão são irmãos de Moisés. Estes reclamam contra o privilégio de Moisés falar em nome de Deus, de comunicar os seus ensinamentos e mandamentos. O irmão até nem lhes parecia a pessoa mais adequada, pois tinha tomado por esposa uma mulher etíope.

Deus reage violentamente contra esta contestação preconceituosa, reafirmando a autoridade de Moisés: «Eu estabeleci-o sobre toda a minha casa! Falo com ele frente a frente, à vista e não por enigmas; ele contempla a imagem do Senhor!». Depois interroga: «Como é que não tivestes medo de falar contra o meu servo, contra Moisés?». A ira de Deus revelou-se terrível: Maria ficou leprosa, e Moisés teve de interceder por ela diante do Senhor.

A contestação é, pois, uma coisa grave, porque não respeita a ordem estabelecida por Deus, desestabiliza a sociedade e a comunidade, põe confusão, destrói a harmonia. Mas nem todas as críticas são «contestação». Por vezes, a crítica é útil. Mas deve ser feita de modo construtivo, sem contestar a autoridade. Jetro, sogro de Moisés, também criticou o facto de Moisés exercer sozinho a justiça, sugerindo-lhe a partilha da autoridade com pessoas que o pudessem ajudar. Moisés aceitou a crítica e o conselho, porque os achou justos.

Outro é o caso daqueles que contestam porque não querem aceitar qualquer autoridade. É uma contestação inaceitável.

O cristão deve submeter-se sinceramente às autoridades, porque, como diz Paulo na carta aos Romanos, a autoridade vem de Deus, e só aceitando-a com humildade se pode contribuir para o bem comum. No caso de Moisés, a Escritura diz-nos que era manso mais do que qualquer outro homem sobre a terra, sugerindo que não havia razões para o contestar. Mas, se as autoridades forem opressoras e arbitrárias, se procurarem apenas os seus interesses, e não os do povo, então a contestação é lícita e até forçosa. Todavia, o cristão deve fazer um verdadeiro discernimento espiritual, antes de ir pela contestação das autoridades.

Evangelho: Mateus 14, 22-36

Mateus coloca a narrativa da tempestade acalmada no contexto dos episódios orientados para a formação do grupo dos discípulos (Mt 14, 13-16, 20) e antes do grande “Discurso sobre a comunidade” (c. 18).
O evangelista já tinha narrado uma tempestade que surpreendera os discípulos enquanto o Mestre dormia. Nessa ocasião, Jesus revelou-se como “Senhor do mar”, o que suscitou a pergunta sobre a sua identidade mais profunda. Jesus aproveitou para reafirmar a necessidade da fé para quem O queira seguir.

No episódio de hoje, a tempestade surge quando os discípulos avançam sozinhos pelo mar, enquanto Jesus tinha ficado a «orar na solidão». A sua chegada milagrosa gera nos discípulos perturbação e medo. Mas a sua palavra serena-os e dá-lhes coragem. Pedro até se atreve a imitar o Mestre, descendo ao mar e tentando caminhar sobre as ondas. Mas a sua fé hesita, e Jesus tem de lhe estender a mão, e mostrar-lhe que, só apoiado n´Ele, pode chegar à salvação.
 A mesma experiência de salvação é feita por todos aqueles que contactam com Jesus, que assim reconhecem a sua verdadeira identidade, e podem dizer, como Pedro: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!».

Fonte: Resumo e adaptação local de um texto em: <dehonianos.org/portal/liturgia>

domingo, 6 de agosto de 2017

II FEIRA DA XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM



Segunda-feira – XVIII Semana – Tempo Comum – Anos Ímpares 

Primeira leitura: Números 11, 4b-15

A caminhada de Israel pelo deserto, narrada nos livros do Êxodo e dos Números, justapõe episódios relativos à carência de comida e bebida, a perigos próprios de uma região inóspita, a reacções de rebeldia e de murmuração, a intervenções de Deus diante das carências e das rebeliões. 

O povo, mais do que olhar para a salvação alcançada, para o dom gratuito de Deus, olha para trás com saudades do Egipto e dos bens de que lá dispunha, esquecendo os sofrimentos. Parecia-lhe melhor continuar escravo no Egipto que livre no deserto, a comer o maná, que não enchia os estômagos. Israel é um povo descontente, incapaz de reconhecer os dons de Deus: a liberdade e o pão descido do céu.

Moisés,  ligado ao destino desse povo, entra em crise e barafusta com Deus. É a sorte do mediador, que deve identificar-se com o destino do povo, permanecendo fiel a Deus.  
A lamentação de Moisés, significativa no seu realismo, antecipa as lamentações dos salmos e dos Profetas. Moisés, amigo de Deus, pode barafustar com Ele, que é o verdadeiro Senhor do povo. A sua audácia leva-o a pôr em causa a fidelidade paterna e materna de Deus e a suplicá-la com arrojo.

Evangelho: Mateus 14, 13-21

A notícia da morte de João Baptista leva Jesus a afastar-se da multidão, para escapar à presumível tentativa de O matarem, também a Ele, já alvo de conjura por parte dos fariseus. Mas, fiel à missão que o Pai Lhe confiou, responde com amor à multidão, que Lhe pede gestos de salvação: cura os doentes, que Lhe são apresentados, e sacia a fome dos que O seguem. Mas exige a participação dos discípulos, que são chamados a dar-se a si mesmos, e a pôr em comum o que têm.

A narrativa deste milagre antecipa, na intenção do evangelista, o da instituição da Eucaristia (cf. Mt 26, 26). Os discípulos serão ministros, distribuindo aos outros o pão que Jesus lhes dá. Do mesmo modo que sobrou pão, quando Eliseu, com vinte pães saciou cem pessoas (cf. 2 Rs 4, 42-44), assim também, e de modo ainda mais significativo, sobraram doze cestos, depois da refeição miraculosa oferecida por Jesus. Tinham chegado os dias messiânicos.

Jesus, o Messias, satisfazia todas as necessidades humanas, fazendo curas e saciando os que tinham fome. Na comunidade, fundada por Jesus, desaparecem toda a doença e toda a necessidade.
Entrevemos nas leituras de hoje uma unidade temática. 

No deserto, os Israelitas protestam e lamentam-se. A dura opressão, sofrida no Egipto, foi transformada na recordação de uma existência quase paradisíaca: «Lembramo-nos do peixe que comíamos de graça no Egipto, dos pepinos, dos melões, dos alhos-porros, das cebolas e dos alhos. Agora, a nossa garganta está seca; não há nada diante de nós senão maná» (vv. 5-6). Não estão satisfeitos com a porção de maná que, cada dia, Deus lhes envia.

As lamentações do povo são «um peso»  para Moisés, que, por sua vez, se lamenta com Deus: 

«Porque atormentas o teu servo». O grande chefe sente-se de tal modo abatido que chega a pedir a morte: «Se me queres tratar assim, dá-me antes a morte».

É fácil ceder à saudade do passado, quando nos deixamos guiar, não pelo espírito de fidelidade à aliança com Deus, mas pelos nossos instintos fortes, como podem ser a fome e a sede. 

Os Padres da Igreja sempre viram na caminhada de Israel através do deserto um paradigma do itinerário do cristão e da Igreja. 
O futuro assusta. O alimento ligeiro do espírito não é suficiente, as saudades do passado atraiçoam, e as exigências de Deus nem sempre são bem compreendidas. 

Cada cristão passa pelas suas provações. Mas ai de quem se fixa no passado! Há que acolher, agradecidos, o alimento quotidiano, ainda que seja leve como a Palavra de Deus, e o pão e vinho eucarísticos.

O evangelho apresenta-nos Jesus, qual novo Moisés no deserto, no meio de uma multidão cansada, faminta, doente. Esta multidão sente dificuldades em seguir o Messias. Mas é dele que espera tudo, incluindo a libertação política. Jesus corresponde aos seus anseios de modo eficaz e milagroso. Mas os sinais realizados, tal como a sua pessoa, devem ser acolhidos na fé. De facto, Jesus vive em comunhão com o Pai, mas também com os discípulos, com quem partilha tudo. O maná quotidiano, da Palavra e da Eucaristia, é alimento para o caminho, o viático para a jornada.

Deixemo-nos guiar por Jesus, novo Moisés, e acolhamos agradecidos os alimentos da Palavra e da Eucaristia que nos dá.

ORDENAÇÃO PRESBITERAL DO DIÁCONO SILVÉRIO ERNESTO



 ORDENAÇÃO PRESBITERAL DO DIÁCONO SILVÉRIO ERNESTO

Na Catedral de Gurúè, no Domingo 06 de Agosto do corrente ano, festividade da Transfiguração do Senhor, durante a Celebração da Eucaristia, presidida por D. Francisco Lerma Martínez, Bispo de Gurúè, foi ordenado Presbítero o diácono SILVÉRIO ERNESTO, sacramentino.

Concelebraram com D. Francisco, D. Manuel Chuanguira, Bispo emérito de Gurúè, o Superior dos Padres Sacramentinos e numerosos sacerdotes religiosos e do clero diocesano.

A celebração foi transmitida em directo pela Rádio Diocesana de Gurúè.

O neo-sacerdote Pe. Silvério Ernesto é natural de Ile, Província da Zambézia e Diocese de Gurúè. Fez os seus estudos primários e secundários no Gurúè. Frquentou o Curso propedêutico no Seminário de Cristo Rei da Matola e o Curso de Filosofia no Seminário Interdiocesano de Filosofia de S. Agostinho da Matola; ingressou na Congregação dos Padres  Sacramentinos em Maputo e frequentou o Curso de Teologia em Kinshasa (República Deomcrática do Congo).

Eis a homilia de D. Francisco:

Caríssimos irmãos!

Este nosso filho, irmão, parente, amigo e membro da Congregação do Santíssimo Sacramento, SILVÉRIO ERNESTO, já diácono, é chamado agora para ser ordenado PRESBÍTERO da Igreja.

 Reflictamos  sobre o significado desta celebração.

O Senhor Jesus é o único Sumo Sacerdote do Novo Testamento.

Todo o povo santo de Deus foi constituído povo sacerdotal.

 De igual modo, entre todos os seus discípulos, o Senhor Jesus quer escolher alguns deles em particular, para que exercendo publicamente na Igreja em seu nome o ofício sacerdotal a favor de todos os homens, continuem a sua missão pessoal de mestre, sacerdote e pastor. Foram eleitos pelo Senhor Jesus não para fazer carreira, mas para prestar este serviço.

De facto, do mesmo modo como Ele foi enviado para isto pelo Pai, assim Ele enviou por sua vez ao mundo primeiro os Apóstolos e depois os Bispos e os seus sucessores, aos quais por fim foram dados como colaboradores os presbíteros, os quais, a eles unidos no ministério sacerdotal, estão chamados ao serviço do Povo de Deus: para anunciar o Evangelho, apascentar o povo de Deus e celebrar os mistérios da nossa fé
Quanto a ti, diácono Silvério, que estás para ser promovido à ordem do presbiterado, considera que exercendo o ministério da Palavra serás partícipe da missão de Cristo, único Mestre:

"Dispensa a todos aquela Palavra de Deus, que tu mesmo recebeste com alegria. Lê e medita assiduamente a Palavra do Senhor, procura crer o que lês, ensinar o que crês e viver o que ensinas” (Do Rito da Ordenação).

Em consequência, o teu ensinamento – alimento para o Povo de Deus- seja simples, como falava o Senhor, que chegava ao coração: “Não faças homilias demasiado intelectuais e difíceis de entender: fala de maneira simples, fala aos corações” (Papa Francisco). Então a tua pregação e o exemplo da vida serão verdadeiro alimento,  motivo de alegria e de amparo aos fiéis, porque a palavra sem o exemplo da vida para nada serve. A vida dupla é uma péssima doença, na Igreja (Papa Francisco). 

Continuarás a obra santificante de Cristo, porque unido ao sacrifício de Cristo, pelas tuas mãos, em nome de toda a Igreja, é oferecido sobre o altar. Por conseguinte, reconhece o que fazes, imita o que celebras. Esforça-te por fazer morrer em ti todo o mal. “Um presbítero que talvez tenha estudado muita teologia e obtido um, dois, três diplomas mas não aprendeu a carregar a Cruz de Cristo, não serve. Será um bom académico, um bom professor, mas não um sacerdote” (Papa Francisco).

Com o Baptismo agregarás novos fiéis ao Povo de Deus. Com o Sacramento da Penitência perdoarás os pecados em nome de Cristo e da Igreja. Com palavras do Papa Francisco “Peço-te em nome de Cristo e da Igreja que sejas misericordioso sempre; que não carregues sobre os ombros dos fiéis pesos que não podem suportar, e nem sequer tu mesmo. Por isto Jesus reprovou os doutores da lei, chamando-os hipócritas (Papa Francisco).

Com o óleo santo darás alívio aos enfermos. Uma das tarefas do sacerdote é visitar os doentes. Pratica-la. “Sim, é bom, disse o Papa Francisco, que vão os fiéis leigos, os diáconos, - os catequistas, os animadores- mas não descuides de tocar a carne de Cristo sofredor nos doentes: isto santifica-te, aproxima-te de Cristo (Papa Francisco).

 Celebrando os ritos sagrados e rezando a Liturgia das Horas, oração da Igreja,  a oração de louvor e de súplica em nome de todo o povo, mesmo quando rezares sozinho, lembra-te de que foste assumido de entre os homens nas coisas que são de Deus, e serás  voz do Povo de Deus e da humanidade inteira.

Realiza com alegria e caridade sincera o ministério sacerdotal. E fá-lo jubiloso, nunca triste: “ Com a alegria do serviço de Cristo, até no meio dos sofrimentos, das incompreensões, dos próprios pecados” (Papa Francisco).

 Tem sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido mas para servir.

E terminando  também com palavras do Papa Francisco: “Não sejas «senhor», não sejas «clérigo, funcionário da Igreja, mas pastor, pastor do Povo de Deus” (cfr. Papa Francisco).

sábado, 5 de agosto de 2017

CATEDRAL DE GURÚÈ: TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR E ORDENAÇÃO SACERDOTAL DO DIÁCONO SILVÉRIO ERNESTO




Transfiguração do Senhor

A festa da Transfiguração do Senhor, celebrada no Oriente desde o século V, celebra-se no Ocidente desde 1457. Situada antes do anúncio da Paixão e da Morte, a Transfiguração prepara os Apóstolos para a compreensão desse mistério. Quase com o mesmo objectivo, a Igreja celebra esta festa quarenta dias antes da Exaltação da Cruz, a 14 de Setembro.
 A Transfiguração, manifestação da vida divina, que está em Jesus, é uma antecipação do esplendor, que encherá a noite da Páscoa.
 Os Apóstolos, quando virem Jesus na sua condição de Servo, não poderão esquecer a sua condição divina.

Primeira leitura: Daniel 7, 9-10.13s. 

« vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho de homem».
No nosso texto já não se trata do Messias davídico que havia de restaurar o Reino de Israel, mas da sua transfiguração sobrenatural: o Filho do homem vem inaugurar um reino que, embora se insira no tempo, “não é deste mundo” (Jo 18, 36). Ele triunfará sobre as potências terrenas, conduzindo a história à sua realização escatológica. Jesus irá identificar-se muitas vezes com esta figura bíblica na sua pregação e particularmente diante do Sinédrio, que o condenará à morte.
Segunda leitura: 2 Pedro 1, 16-19: “ testemunhas oculares da sua majestade :Este é o meu Filho, o meu muito Amado”.

Evangelho: Lucas 9, 28b-36:  «Este é o meu Filho predilecto. Escutai-o.»
A Transfiguração confirma a fé dos Apóstolos, manifestada por Pedro em Cesareia de Filipe, e ajuda-os a ultrapassar a sua oposição à perspectiva da paixão anunciada por Jesus. Quem quiser Seu discípulo, terá de participar nos seus sofrimentos (Mt 16, 21-27).

 A Transfiguração é um primeiro resplendor da glória divina do Filho, chamado a ser Servo sofredor para salvação dos homens. Na oração, Jesus transfigura-se e deixa entrever a sua identidade sobrenatural. 

Moisés e Elias são protagonistas de um êxodo muito diferente nas circunstâncias, mas idêntico na motivação: a fidelidade absoluta a Deus. A luz da Transfiguração clarifica interiormente o seu caminho terreno.

 Quando a visão parece estar a terminar, Pedro como que tenta parar o tempo. É, então, envolvido com os companheiros pela nuvem. É a nuvem da presença de Deus, do mistério que se revela permanecendo incognoscível. Mas Pedro, Tiago e João recebem dele a luz mais resplandecente: a voz divina proclama a identidade Jesus, Filho e Servo sofredor (cf Is 42, 1).

Jesus manda os seus discípulos rezar. Hoje, toma à parte os seus predilectos, Pedro, Tiago e João, para os fazer rezar mais longa e intimamente. Estes três representam particularmente os pontífices, os religiosos, as almas chamadas à perfeição. Para rezar Jesus gosta da solidão, a montanha onde reina a paz, a calma, onde pode ver-se a grandeza da obra divina sob o céu estrelado durante as belas noites do Oriente.
A transfiguração é uma visão do céu. É uma graça extraordinária para os três apóstolos. Não nos devemos agarrar às graças extraordinárias que são por vezes o fruto da contemplação. Pedro agarra-se a isso. Engana-se. Queria ficar lá: «Façamos três tendas», diz. Não sabia o que dizia. A visão desaparece numa nuvem. Há aqui uma lição para nós. Entreguemo-nos à oração habitual, à contemplação. Não desejemos as graças extraordinárias. Se vierem, não nos agarremos a elas.

 Os frutos desta festa são, em primeiro lugar, o crescimento da fé.
Os apóstolos testemunham-nos que viram a glória do Salvador. «Não são fábulas que vos contamos, diz S. Pedro (2Pd 1, 16), fomos testemunhas do poder e da glória do Redentor. Ouvimos a voz do céu sobre a montanha gritando-nos no meio dos esplendores da transfiguração: É o meu Filho bem-amado, escutai-o». S. Paulo encoraja a nossa esperança recordando a lembrança da glória do salvador manifestada na transfiguração e na ascensão: «Veremos a glória face a face, diz, e seremos transfigurados à sua semelhança» (2Cor 3, 18).

 – Esperamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo terrestre e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso» (Fil 3, 21). Mas este mistério é sobretudo próprio para aumentar o nosso amor por Jesus. Nosso Senhor manifestou-nos naquele dia toda a sua beleza. O seu rosto era resplandecente como o sol. Os apóstolos, testemunhas da transfiguração, estavam totalmente inebriados de amor e de alegria. «Que bom é estar aqui», dizia S. Pedro. «Façamos aqui a nossa tenda». 

Nosso Senhor falava então da sua Paixão com Moisés e Elias: nova lição de amor por nós. O Coração de Jesus, mesmo na sua glória, não pensa senão em nós e nos sacrifícios que quer fazer por nós. Lições também de penitência, de reparação, de compaixão pelo Salvador. Porque teve de sofrer tanto para nos resgatar, choremos os nossos pecados, amemos o nosso Redentor, consolemo-lo.

Este é o meu Filho muito amado: Escutai-o.

– A voz do Pai celeste diz-nos: “Escutai-o”, palavra cheia de sentido, como todas as palavras divinas. Deus dá-nos o seu divino Filho por guia, por chefe, por mestre. Escutai-o, fala-nos nas leis santas do Evangelho e nos conselhos de perfeição. Têm a missão para vos dizer a vontade divina. Fala-vos pela sua graça, na oração, na união habitual com ele. A palavra de Deus nunca vos falta, é a vossa docilidade que falta habitualmente. Esta palavra divina - «Escutai-o» - espera de vós uma resposta. Não basta apenas uma promessa vaga: «hei-de escutar». É preciso uma disposição habitual: «escuto, escuto sempre; falai, Senhor, o vosso servo escuta». Escutarei no começo de cada ação, para saber o que devo fazer e como devo fazê-lo. 

Fonte: resumo e adaptação de um texto de: <dehonianos.org/portal/liturgia>